Penafiel é uma cidade portuguesa capital da sub-região do Tâmega e Sousa, pertencendo à região do Norte e ao Distrito do Porto.

É sede do Município de Penafiel que tem uma área total de 212,24 km2Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado), 69.629 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 328 habitantes por km2, subdividido em 28 freguesiasDiário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I.. O município é limitado a norte pelo município de Lousada, a nordeste por Amarante, a leste por Marco de Canaveses, a sul por Castelo de Paiva e a oeste por Gondomar e Paredes.

Penafiel está situada no topo e encostas de uma pequena colina, conhecida como Arrifana, entre o rio Sousa e o rio Cavalum afluentes do lado direito do rio Douro. Penafiel foi em tempos sede de diocese, e atualmente permanece como um dos principais eixos urbanos da região de Vale do Sousa e Tâmega. Esta cidade fica situada a 30 quilómetros a leste da cidade do Porto. É uma cidade muito antiga, dado que é a segunda cidade mais antiga do norte do país.

História Achados Pré-Históricos Da cultura megalítica resta, na freguesia de Santa Marta, o Dólmen da Portela também conhecido por "Forno dos Mouros". Esta estrutura foi construiída, muito possivelmente, no 3º Milénio a.C.. É classificado como Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910.

Monumento do mesmo período é o Menir de Luzim, marco sepulcral com dois metros e meio de altura que tem três mil a quatro mil anos. Ainda na freguesia de Luzim, encontram-se as Gravuras rupestres de Lomar, que perduram desde há três mil anos.

Em vários locais do município existem sepulturas antropomórficas, como em Perozelo e Cabeça Santa.

Época Romana Abundam também vários castros, mas ainda sem nenhum estudo arqueológico efetuado. O único onde tem vindo a ser efetuadas escavações arqueológicas e que é o maior de todos, é a Citânia do Monte Mozinho, conhecida por "cidade morta". Este castro, um dos mais extensos da Península Ibérica, terá sido de acordo com alguns historiadores, a "Cividade Gallaeci", capital dos galegos. A citânia conserva vestígios de várias culturas: galaico-lusitana, romana, visigótica e árabe. Nela foi ainda encontrada uma estátua de guerreiro, característica da influência céltica. esquerda|thumb||Castro do Monte Mozinho

Ainda há alguns anos quando se lavravam os campos, apareciam objetos da antiga cidade. Já se encontraram nos campos de lavoura, moedas cunhadas com a efígie do rei Constantino. Os objetos encontrados, encontram-se expostos no Museu de Penafiel. Mas antes de começarem a ser feitas as escavações arqueológicas, que só começaram há cerca 20 anos, a antiga cidade foi muito saqueada, havendo na maioria das casas existentes nas redondezas pias trabalhadas trazidas da cidade morta que utilizam para os animais beberem, é frequente ver-se também em muros pedras trabalhadas que também foram de lá trazidas.

Na freguesia de Boelhe situam-se as Ruínas Romanas da Bouça do Ouro. As ruínas foram identificadas na década de 1980, dando origem a campanhas arqueológicas promovidas pelo Museu Municipal de Penafiel e investigadores da Universidade do PortoSOEIRO, Teresa, coord. – O sítio romano da Bouça do Ouro: Boelhe – Penafiel. Penafiel: Museu Municipal de Penafiel, 1998. Cadernos do Museu, n.º 4. Depósito legal 141615/99. . Uma das hipóteses apontadas pelos arrqueólogos para a existências deste pequeno povoado é que o mesmo está relacionada com as transformações ocorridas no Castro de Monte Mozinho e alguns investigadores sugerem que a Bouça do Ouro carateriza uma das novas formas de povoamento rural que surgiu após a saída de parte da população do Castro durante a segunta metade do século I. Os materiais encontrados nestas ruínas incluem peças de cerãmica comum, fragmentos de ânforas, objetos metâlicos, pesos de tear e outros utensílios ligados ao quotidiano doméstico.

Penafiel na Época Medieval Até ao reinado de D. José I, era conhecida como Arrifana de Sousa; por carta régia de 3 de Março de 1770, viu a sua designação alterada para Penafiel, e ser elevada à categoria de cidade. Também nesse ano foi, por bula do Papa Clemente XIV, ereta em sede da diocese do mesmo nome, ao mesmo tempo que a diocese de Pinhel; porém, teve curta duração, e apenas se conta um bispo na sua breve existência.

A origem do nome Penafiel é diferente em diversas lendas, sendo no entanto a mais comum a que afirma que a origem do nome surgiu de fortificações existentes na localidade.

Quando se deu a fundação da cidade, erguiam-se aqui dois castelos: um deles situava-se junto ao rio Sousa, a norte do seu leito, e chamava-se Castelo de Aguiar de Sousa; O segundo na margem sul denominava-se castelo da Pena (Pennafidelis). Atacado diversas vezes pelos mouros, esta última fortificação nunca se rendeu, o que lhe valeu o epíteto de "fiel" passando assim a ser conhecida por Castelo de Penafiel.

esquerda|thumb||Ex-líbris de Penafiel esquerda|thumb||Igreja do Sameiro Apesar deste episódio, a povoação manteve durante séculos a sua antiga designação Arrifana de Sousa. Quanto à proveniência do nome Arrifana persistem dúvidas sobre se terá origem árabe ou se estará ligado ao nome de Arriana, filha do Hermenegildo Gonçalves e de D. Mumadona Dias. Após a morte do pai, Arriana herdou esta terra de que foi senhora no século X.

Diversos terrenos da região foram também propriedade de D. Mafalda na primeira metade do século XIII.

A Época Moderna O início da paróquia de Arrifana de Sousa data do século XVI. No mesmo século, em 1519, o rei Manuel I de Portugal concede-lhe carta de foral, sem, contudo, a elevar a Vila. No ano de 1723 a população pede ao monarca que o lugar fosse elevado a vila, com Juiz e Câmara próprios. O Porto, sentindo-se prejudicado, não gostou da ideia e pressionou para que que houvesse decisão negativa a este processo, só conseguindo adiar esta situação até 1741. É nesse ano, durante o reinado de João V de Portugal, que a paróquia é elevada a vila, por decreto de 7 de Outubro de 1741, tendo Câmara e Juiz de Fora e dos Órfãos.

Uma lei do rei José I de Portugal datada de 3 de Março de 1770, altera finalmente o topónimo da localidade para Penafiel e confere-lhe a categoria de cidade.

Ainda em 1770, é criada uma bula do Papa Clemente XIV, que criou a diocese de Penafiel, que foi assim separada eclesiasticamente da diocese do Porto. Foi nomeado bispo o carmelita Dom Frei Inácio de São Caetano, confessor de Maria I de Portugal, que na altura era ainda princesa do Brasil. Por se encontrar junto da futura rainha o bispo nunca chegou a administrar a diocese. Quando D. Maria I foi eleita rainha, convenceu o Frei a renunciar ao bispado e em 1778 o Papa Pio VI extingue a diocese, incorporando-a de novo na do Porto.

Vila, cidade, sede de comarca e de bispado em menos de trinta anos, foram significativas mudanças que exponenciaram o crescimento desta terra, atingindo o ponto alto de prestígio, riqueza e desenvolvimento na segunda metade de setecentos. Depois vieram os tempos conturbados da guerra peninsular, e Penafiel esteve sucessivamente ocupada pelos exércitos francês e luso-britânico, e da guerra civil. Recomposta destes pesadelos, a cidade (cerca de 10% do total da população) e o seu município, agora com a composição territorial definitiva, entrarão, na segunda metade de oitocentos, em novo período de crescimento, assumindo as promessas do progresso fontista. É nesta fase que se fixa o urbanismo que ainda hoje reconhecemos nas ruas, avenidas e praças, com todas as peças prestigiantes como o quartel militar, o cemitério, o jardim público, a praça do mercado, o matadouro, a casa das repartições, o teatro, as escolas, etc., e mesmo o início de um proeminente santuário sobranceiro à cidade, com o seu parque. miniaturadaimagem|Bandeira de hastear do concelho de Penafiel A 09 de outubro de 1969, usando da faculdade conferida pelo n.º 3 do artigo 109.º da Constituição, é decretado pelo Governo de Portugal, o dia 11 de Novembro como Feriado Municipal.

População Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 28 247 28 911 30 432 31 799 34 834 35 082 37 496 42 179 46 476 49 924 53 715 64 267 68 444 71 800 72 265 69 629 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 11 248 12 509 12 313 13 772 15 642 16 242 19 090 21 350 21 852 17 904 15 204 12 756 9 357 15-24 Anos 5 765 6 256 6 687 6 800 7 095 8 629 7 998 9 140 13 513 14 075 12 075 9 745 8 547 25-64 Anos 12 936 13 865 13 860 15 000 16 267 17 790 19 338 19 390 23 889 30 534 36 964 40 554 39 331 = ou > 65 Anos 1 831 2 064 1 902 1 998 2 821 3 072 3 498 3 835 5 013 5 931 7 557 9 210 12 394 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Freguesias thumb|direita|Freguesias do município de Penafiel.|465x465px O município de Penafiel divide-se em 28 freguesias, tendo 3 delas o estatuto de vila (Abragão, Paço de Sousa e Rio de Moinhos): Abragão Boelhe Bustelo Cabeça Santa Canelas Capela Castelões Croca Duas Igrejas Eja Fonte Arcada Galegos Guilhufe e Urrô Irivo Lagares e Figueira Luzim e Vila Cova Oldrões Paço de Sousa Penafiel Perozelo Rans Recezinhos (São Mamede) Recezinhos (São Martinho) Rio de Moinhos Rio Mau Sebolido Termas de São Vicente Valpedre

As 5 freguesias mais populosas segundo os censos de 2021 são:

Penafiel (15 676 habitantes) Termas de São Vicente (4 758 habitantes) Guilhufe e Urrô (3 845 habitantes) Paço de Sousa (3 838 habitantes) Lagares e Figueira (2 780 habitantes)

As 28 freguesias do município são na sua grande maioria bastante industrializadas, embora outras apresentem ainda um cunho bastante rural, tem também aldeias rurais preservadas. Aldeias que se apresentam com casas feitas com pedras de pequena dimensão, lascas de granito, material muito abundante na localidade até porque Penafiel é uma zona de extração de granito e com os beirais dos telhados em xisto. Há cerca de 100 anos a grande maioria das casas tinham tetos exclusivamente feitos de xisto, no entanto e com o surgir de novos materiais e com a progressiva modernização esta tradição foi sendo abandonada em detrimento telha comum, sendo que atualmente o xisto só aparece nos beirais.

Evolução do mapa do concelho de Penafiel desde 1836 Antes da Reorganização administrativa do território das freguesias de 2013 existiam 38 freguesias no município, várias dessas freguesias acabaram por se unir a outras, elas foram a seguintes: ExtintasAtualmenteMarecosPenafielMilhundosNovelasPenafielSanta MartaSantiago de SubarrifanaFigueiraLagares e FigueiraLagaresGuilhufeGuilhufe e UrrôUrrôLuzimLuzim e Vila CovaVila CovaPinheiroTermas de São VicentePortelaSão Miguel de Paredes

Economia Grande parte da estrutura económica do município concentra-se no sector secundário, com particular destaque para as áreas da construção civil, indústria transformadora e produção têxtil.

O sector agroalimentar e a vitivinicultura são, por tradição, áreas importantes do tecido empresarial local. Entre produtores vinícolas, destaca-se a empresa Quinta da Aveleda, SA, que, anualmente, exporta cerca de 19 milhões de euros, assumindo-se como o maior exportador de vinho verde do país.