Malware (uma aglutinação de malicious software, ou software malicioso) é qualquer software projetado intencionalmente para causar danos a um computador, servidor, cliente ou rede de computadores, vazar informações privadas, obter acesso não autorizado a informações ou sistemas, privar o acesso a informações ou interferir na segurança do computador e na privacidade do usuário sem o seu conhecimento. Pesquisadores tendem a classificar o malware em um ou mais subtipos (ou seja, vírus de computador, worms, cavalos de Troia, bombas lógicas, ransomware, spyware, adware, softwares rogue, wipers e keyloggers).https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/specialpublications/nist.sp.800-83r1.pdf Protection from malware strategies

O malware representa ameaças sérias para indivíduos e empresas na Internet. De acordo com o Relatório de Ameaças à Segurança na Internet (ISTR) de 2018 da Symantec, o número de variantes de malware aumentou para 669.947.865 em 2017, o que representa o dobro de variantes de malware em relação a 2016. Previa-se que o cibercrime, que inclui ataques de malware bem como outros crimes cometidos por computador, custaria à economia global US$ 6 trilhões em 2021, crescendo a uma taxa de 15% ao ano. Desde 2021, os malwares têm sido projetados para visar sistemas computacionais que operam infraestruturas críticas, tais como a rede de distribuição de energia elétrica.

As estratégias de defesa contra malware diferem de acordo com o seu tipo, mas a maioria pode ser prevenida instalando um software antivírus ou firewalls, aplicando correções (patches) regulares, protegendo redes, criando backups e isolando sistemas infectados. O malware pode ser projetado para burlar os algoritmos de detecção de softwares antivírus.

História

A noção de um programa de computador que se autorreproduz pode ser rastreada até as teorias iniciais sobre a operação de autômatos complexos.John von Neumann, "Theory of Self-Reproducing Automata", Part 1: Transcripts of lectures given at the University of Illinois, December 1949, Editor: A. W. Burks, University of Illinois, USA, 1966. John von Neumann demonstrou que, em teoria, um programa poderia se reproduzir. Isso constituiu um resultado de plausibilidade na teoria da computabilidade. Fred Cohen experimentou com vírus de computador, confirmou o postulado de Neumann e investigou outras propriedades do malware, como a detectabilidade e a auto-ofuscação usando criptografia rudimentar. Sua tese de doutorado em 1987 foi sobre o tema dos vírus de computador.Fred Cohen, "Computer Viruses", PhD Thesis, University of Southern California, ASP Press, 1988. A combinação da tecnologia criptográfica como parte da carga útil (payload) do vírus, explorando-a para fins de ataque, teve início e foi investigada a partir de meados da década de 1990, incluindo as primeiras ideias de ransomware e evasão.

Antes que o acesso à Internet se tornasse difundido, os vírus se espalhavam em computadores pessoais infectando programas executáveis ou setores de boot de disquetes. Ao inserir uma cópia de si mesmo nas instruções de código de máquina desses programas ou setores de boot, o vírus fazia com que fosse executado sempre que o programa fosse rodado ou o disco fosse inicializado. Os primeiros vírus de computador foram escritos para o Apple II e Mac, mas tornaram-se mais difundidos com a dominância do IBM PC e do MS-DOS. O primeiro vírus de IBM PC em ambiente real ("in the wild") foi um vírus de setor de boot apelidado de (c)Brain, criado em 1986 pelos irmãos Farooq Alvi no Paquistão. Os distribuidores de malware enganavam o usuário para inicializar ou executar o sistema a partir de um dispositivo ou mídia infectada. Por exemplo, um vírus poderia fazer com que um computador infectado adicionasse um código de execução automática a qualquer pendrive USB conectado a ele. Qualquer pessoa que posteriormente conectasse o pendrive a outro computador configurado para execução automática via USB seria, por sua vez, infectada e também transmitiria a infecção da mesma maneira.

Softwares de e-mail mais antigos abriam automaticamente e-mails em HTML contendo códigos JavaScript potencialmente maliciosos. Os usuários também podiam executar anexos de e-mail maliciosos disfarçados. O Relatório de Investigações de Violação de Dados de 2018 da Verizon, citado pela CSO Online, afirma que os e-mails são o principal método de entrega de malware, representando 96% do envio de malware em todo o mundo.

Os primeiros worms, que são programas infecciosos transmitidos por rede, não surgiram em computadores pessoais, mas em sistemas Unix multitarefa. O primeiro worm bem conhecido foi o Worm Morris de 1988, que infectou sistemas SunOS e VAX BSD. Ao contrário de um vírus, este worm não se inseria em outros programas. Em vez disso, ele explorava falhas de segurança (vulnerabilidades) em programas de servidor de rede e iniciava sua execução como um processo separado. Esse mesmo comportamento também é utilizado pelos worms atuais.

Com a ascensão da plataforma Microsoft Windows na década de 1990 e as macros flexíveis de seus aplicativos, tornou-se possível escrever códigos infecciosos na linguagem de macro do Microsoft Word e programas semelhantes. Esses vírus de macro infectam documentos e modelos em vez de aplicativos (executáveis), mas dependem do fato de que as macros em um documento do Word são uma forma de código executável.

Muitos dos primeiros programas infecciosos, incluindo o Worm Morris, o primeiro worm da internet, foram escritos como experimentos ou pegadinhas. Hoje, o malware é usado tanto por hackers black hat quanto por governos para roubar informações pessoais, financeiras ou comerciais. Atualmente, qualquer dispositivo que se conecte a uma porta USB — mesmo luzes, ventiladores, alto-falantes, brinquedos ou periféricos como um microscópio digital — pode ser usado para espalhar malware. Os dispositivos podem ser infectados durante a fabricação ou no fornecimento caso o controle de qualidade seja inadequado.

Objetivos Desde o surgimento do acesso generalizado à Internet via banda larga, os softwares maliciosos têm sido projetados com maior frequência visando o lucro. Desde 2003, a maioria dos vírus e worms de ampla disseminação foi projetada para assumir o controle dos computadores dos usuários para fins ilícitos. Os "computadores zumbis" infectados podem ser usados para enviar spam, hospedar dados de contrabando, como pornografia infantil, ou para realizar ataques distribuídos de negação de serviço como uma forma de extorsão. O malware é amplamente utilizado contra sites governamentais ou corporativos para coletar informações confidenciais ou para interromper sua operação de modo geral. Além disso, o malware pode ser usado contra indivíduos para obter informações como números de identificação pessoal ou detalhes de contas, números de cartões de crédito ou bancários e senhas.

Para além do seu uso em organizações criminosas, o malware também tem sido implantado como uma ferramenta de sabotagem, muitas vezes motivado por objetivos políticos. Um exemplo notável é o Stuxnet, que foi desenvolvido para interferir em sistemas de controle industrial específicos.

Em outros casos, ataques de malware politicamente motivados visaram redes inteiras, causando interrupções generalizadas. Esses incidentes incluíram a exclusão em massa de arquivos e danos aos registros mestres de inicialização (MBR) — ações por vezes descritas como "assassinato de computadores". Exemplos de grande repercussão incluem o ataque à Sony Pictures Entertainment em novembro de 2014, que envolveu um malware conhecido como Shamoon (também referido como W32.Disttrack), e um ataque semelhante contra a Saudi Aramco em agosto de 2012.

Em 2024, o proprietário de uma botnet foi preso por se envolver em uma operação de pague-por-instalação (pay-per-install) para ganho financeiro.

Tipos O malware pode ser classificado de inúmeras maneiras, e certos programas maliciosos podem se enquadrar em duas ou mais categorias simultaneamente. De modo geral, o software pode ser categorizado em três tipos: (i) goodware; (ii) grayware e (iii) malware. +Classificação de softwares potencialmente maliciososDados obtidos de: Molina-Coronado et al. (2023)TipoCaracterísticasExemplosGoodwareObtido de fonte confiávelGraywareConsenso ou métricas insuficientesMalwareAmplo consenso entre softwares antivírus de que o programa é malicioso ou obtido de fontes sinalizadas.

Malware

Vírus

Um vírus de computador é um software geralmente oculto dentro de outro programa aparentemente inofensivo que pode produzir cópias de si mesmo e inseri-las em outros programas ou arquivos, e que costuma realizar uma ação prejudicial (como destruir dados). Eles têm sido comparados a vírus biológicos. Um exemplo disso é a infecção de execução portátil (PE), uma técnica comumente usada para espalhar malware que insere dados extras ou código executável em arquivos PE. Um vírus de computador é um software que se incorpora em algum outro software executável (incluindo o próprio sistema operacional) no sistema de destino sem o conhecimento e consentimento do usuário e, quando executado, o vírus se espalha para outros arquivos executáveis.

Worm

Um worm é um software de malware independente que se transmite por uma rede para infectar outros computadores e pode se copiar sem infectar arquivos. Essas definições levam à observação de que um vírus exige que o usuário execute um software ou sistema operacional infectado para se espalhar, enquanto um worm se propaga por conta própria.

Rootkits

Uma vez instalado o software malicioso em um sistema, é essencial que ele permaneça oculto para evitar a detecção. Pacotes de software conhecidos como rootkits permitem essa ocultação, modificando o sistema operacional do hospedeiro para que o malware fique invisível para o usuário. Os rootkits podem impedir que um processo prejudicial seja visível na lista de processos do sistema ou evitar que seus arquivos sejam lidos.

Alguns tipos de software nocivo contêm rotinas para burlar tentativas de identificação ou remoção, não apenas para se esconder. Um exemplo antigo desse comportamento está registrado no conto do Jargon File sobre um par de programas que infestavam um sistema de tempo compartilhado Xerox CP-V:

Portas dos fundos

Uma backdoor (ou porta dos fundos) é um termo amplo para um programa de computador que concede a um invasor acesso remoto não autorizado e persistente à máquina de uma vítima, frequentemente sem o conhecimento desta. O invasor normalmente utiliza um outro ataque (como um trojan, worm ou vírus) para contornar os mecanismos de autenticação, geralmente através de uma rede insegura como a Internet, para instalar o aplicativo de backdoor. Uma backdoor também pode ser o efeito colateral de um bug de software em um programa legítimo, que é explorado por um invasor para obter acesso ao computador ou à rede da vítima.

A ideia de que fabricantes de computadores pré-instalam backdoors em seus sistemas para fornecer suporte técnico aos clientes tem sido sugerida com frequência, mas isso nunca foi verificado de forma confiável. Foi relatado em 2014 que agências governamentais dos EUA vinham desviando computadores comprados por indivíduos considerados "alvos" para oficinas secretas, onde instalavam softwares ou hardwares que permitiam o acesso remoto pela agência, sendo esta considerada uma das operações mais produtivas para obter acesso a redes em todo o mundo. As backdoors podem ser instaladas por cavalos de Troia, worms, implantes ou outros métodos.

Cavalo de Troia

Um cavalo de Troia (Trojan horse) apresenta-se de forma enganosa para se mascarar como um programa ou utilitário regular e benigno, a fim de induzir a vítima a instalá-lo. Um cavalo de Troia geralmente carrega uma função destrutiva oculta que é ativada quando o aplicativo é iniciado. O termo deriva da história da Grécia Antiga sobre o Cavalo de Troia usado para invadir a cidade de Troia por meio de um estratagema furtivo.