thumb|350px|O Littorio e o Vittorio Veneto na Segunda Guerra Mundial A Marinha Real Italiana construiu uma série de couraçados entre as décadas de 1890 e 1940. Os primeiros projetos foram marcados por seu tamanho pequeno, blindagem leve e alta velocidade quando comparados com embarcações contemporâneas em outras marinhas. Os primeiros couraçados pré-dreadnought italianos foram os dois membros da Classe Ammiraglio di Saint Bon, porém foram limitados por restrições orçamentárias impostas pelo governo. Eles foram sucedidos pelos dois navios da Classe Regina Margherita, que eram maiores e tinham a intenção de desafiar a Classe Habsburg da Marinha Austro-Húngara, então ainda em construção. Em seguida vieram os dois membros da Classe Regina Elena, que na época foram os couraçados mais rápidos do mundo. Todas essas embarcações serviram durante a Guerra Ítalo-Turca entre 1911 e 1912, onde foram usadas principalmente para proporcionar suporte de artilharia para tropas do Exército Real Italiano, pois a Marinha Otomana praticamente não deixou porto.

O britânico foi lançado em 1906 e revolucionou o projeto de couraçados, deixando todas as embarcações anteriores obsoletas. Consequentemente, os italianos precisavam de um navio no estilo dreadnought. Este foi o , que foi sucedido por outras cinco embarcações divididas em dois projetos semelhantes, as classes Conte di Cavour e Andrea Doria. Todos esses seis dreadnoughts formaram a parte principal da frota italiana na Primeira Guerra Mundial. Durante esse período, mais quatro navios pertencentes à Classe Francesco Caracciolo foram cancelados depois do começo de suas construções. Italianos e austro-húngaros adotaram estratégias cautelosas com suas forças navais durante a guerra e nenhum escolheu arriscar seus couraçados em uma grande batalha. Assim, a linha de batalha italiana permaneceu a maior parte do conflito no porto e não entrou em combate. Mesmo assim, o pré-dreadnought foi destruído em setembro de 1915 por uma explosão interna, o dreadnought também foi destruído em agosto de 1916 por uma explosão em seu depósito de munição, enquanto o foi afundado por uma mina naval alemã em dezembro de 1916. Os pré-dreadnoughts restantes das classes Ammiraglio di Saint Bon e Regina Elena foram desmontados depois da guerra.

A Marinha Real e a maioria das outras grandes potências navais do mundo foi limitada no período entreguerras pelo Tratado Naval de Washington, que deu à Itália paridade com a França. Os italianos tinham 71 mil toneladas disponíveis para novos couraçados antes que chegassem no seu limite do tratado, porém evitaram a construção de novos navios na década de 1920 devido a grandes questões orçamentárias e o desejo de evitar uma corrida armamentista naval com os franceses. Essas limitações orçamentárias também forçaram a desmontagem do Dante Alighieri em 1928. Mesmo assim, a Marinha Real decidiu usar sua disponibilidade de tonelagem no início da década de 1930, o que resultou nos quatro couraçados Classe Littorio. Dois foram finalizados no começo da Segunda Guerra Mundial e foram muito utilizados na escolta de comboios durante a Campanha Norte-Africana. Outro navio, o , foi completado em 1942, porém foi afundado em setembro de 1943 por um ataque aéreo alemão depois da rendição italiana aos Aliados. , o último couraçado, nunca foi finalizado e acabou desmontado depois do fim da guerra. O e o , as embarcações sobreviventes, foram rendidas aos Aliados e posteriormente desmontadas. Dos membros sobreviventes da Classe Conte di Cavour, o foi desmontado ao final do conflito e o foi entregue para a União Soviética como reparação de guerra. Apenas os dois couraçados da Classe Andrea Doria permaneceram no serviço italiano por algum tempo depois do fim das hostilidades, tendo ambos atuado como navios de treinamento para a Marinha Militar antes de serem desmontados na década de 1950.

+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve

Couraçados pré-dreadnought Classe Ammiraglio di Saint Bon

thumb|esquerda|265px|O Ammiraglio di Saint Bon A Classe Ammiraglio di Saint Bon foi a primeira de couraçados modernos da Marinha Real Italiana, porém era menores que seus contemporâneos de outros países por limitações impostas pelo governo italiano e indecisão da equipe de projeto naval sobre que tipo de navio deveria ser construído. Eles foram projetados sob a supervisão do almirante Simone Antonio Saint-Bon e do engenheiro naval Benedetto Brin. As embarcações foram ineficientes como principais peças da frota por serem muito pequenas, com uma bateria principal fraca e velocidade máxima baixa, pois não eram fortes o bastante para enfrentarem couraçados estrangeiros e muito lentos para perseguirem cruzadores. A classe consistia em dois navios: Ammiraglio di Saint Bon e .

As duas embarcações serviram na mesma esquadra durante os primeiros anos de suas carreiras, tendo participado da Guerra Ítalo-Turca entre setembro de 1911 e outubro de 1912. Eles participaram de ofensivas italianas no Norte da África e na ilha de Rodes, porém não chegaram a entrar em combate contra a Marinha Otomana. Ambos foram reduzidos a navios de defesa costeira no início da Primeira Guerra Mundial em julho de 1914, passando toda duração do conflito em Veneza. Os dois couraçados foram tirados do serviço ao final do conflito e desmontados pouco depois.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino Ammiraglio di Saint Bon 4 × 254 mm 2 motores de tripla-expansão; 18 nós (33 km/h) julho de 1893 abril de 1897 fevereiro de 1901 Desmontados em 1920 outubro de 1893 setembro de 1897 setembro de 1901

Classe Regina Margherita

thumb|265px|O Regina Margherita em 1904 A experimentação na construções de grandes navios para a Marinha Real continuou com a Classe Regina Margherita. As experiências negativas com os navios da Classe Ammiraglio di Saint Bon convenceram os construtores a projetarem um couraçado maior que poderia enfrentar suas contrapartes estrangeiras. Essa nova classe foi projetada especificamente para se contrapor à Classe Habsburg da Marinha Austro-Húngara. Para esse fim, os navios foram armados com canhões os de 305 milímetros que tinham se tornado padrão entre a maioria dos pré-dreadnoughts da época. A blindagem foi reduzida para garantir alta velocidade, como era típico para as embarcações italianas do período. A classe consistia em dois navios: e .

Os couraçados atuaram na Guerra Ítalo-Turca junto com seus predecessores da Classe Ammiraglio di Saint Bon. O Benedetto Brin participou em outubro de 1911 de um ataque contra Trípoli e ambas as embarcações se envolveram na campanha para tomar Rodes no Mar Egeu. Os navios da Classe Regina Margherita já estavam obsoletos quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e assim foram rebaixados para navios-escola. Mesmo assim, ambos foram perdidos na guerra: o Benedetto Brin sofreu uma explosão interna em Brindisi em setembro de 1915 e o Regina Margherita bateu em uma mina alemã em dezembro de 1916.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 305 mm 2 motores de tripla-expansão;20 nós (37 km/h) novembro de 1898 maio de 1901 abril de 1904 Afundado em 1916 janeiro de 1899 novembro de 1901 setembro de 1905 Destruído em 1915

Classe Regina Elena

thumb|esquerda|265px|O Regina Elena em 1907 A última classe de couraçados pré-dreadnoughts da Marinha Real Italiana foi a Classe Regina Elena, projetada pelo engenheiro Vittorio Cuniberti, cujo projeto para os navios rapidamente os deixou obsoletos. Essas embarcações sacrificaram dois canhões de 305 milímetros com o objetivo de implementarem uma poderosa bateria secundária de doze canhões de 203 milímetros. Eram os couraçados mais rápidos do mundo até então, incluindo o revolucionário com suas turbinas a vapor, o que lhes permitiu enfrentar cruzadores. A classe era formada por quatro navios: , , e .

Todos os quatro serviram na 1ª Divisão da frota italiana durante a Guerra Ítalo-Turca e foram os centros de trabalho para operações no Norte da África e no Mediterrâneo Oriental. Na Primeira Guerra Mundial, as embarcações ficaram baseadas principalmente em Brindisi, Tarento e Valona; não participaram de batalhas devido a políticas navais cautelosas adotadas tanto pelos italianos quanto pelos austro-húngaros. Os continuaram com a Marinha Real por alguns anos depois do fim da guerra, porém foram tirados do serviço e desmontados na década de 1920.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 2 × 305 mm 2 motores de tripla-expansão;22 nós (41 km/h) março de 1901 julho de 1904 setembro de 1907 Desmontados em 1923 setembro de 1901 outubro de 1904 agosto de 1908 outubro de 1903 setembro de 1905 setembro de 1908 Desmontado em 1926 setembro de 1903 abril de 1907 dezembro de 1908 Desmontado em 1927

Couraçados dreadnought Dante Alighieri

thumb|265px|O Dante Alighieri em 1914 O Dante Alighieri foi o primeiro couraçado dreadnought construído para a Marinha Real Italiana e foi projetado pelo contra-almirante Edoardo Masdea. Cuniberti defendeu uma artilharia pesada arranjada de modo a enfatizar disparos laterais, o que levou à instalação de quatro torres de artilharia triplas de 305 milímetros ao longo do centro da embarcação. Isto permitia um disparo lateral de todos os doze canhões, enquanto a primeira geração de dreadnoughts britânicos só conseguia disparar oito canhões.

O couraçado teve um serviço bem limitado. Era a capitânia da 1ª Esquadra de Batalha, baseada em Tarento, quando a Primeira Guerra Mundial começou, porém pouco fez durante todo o conflito devido às políticas navais cautelosas adotadas pela Marinha Real Italiana, assim não chegou a entrar em combate. Limitações financeiras no pós-guerra forçaram a Itália a descartar a embarcação com o objetivo de reduzir o orçamento naval. Dessa forma, o Dante Alighieri foi tirado do registro naval em julho de 1928 e desmontado.

Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 12 × 305 mm 4 turbinas a vapor;22,8 nós (42,2 km/h) junho de 1909 agosto de 1910 janeiro de 1913 Desmontado em 1928

Classe Conte di Cavour

thumb|esquerda|265px|O Conte di Cavour em 1914 Masdea também foi o responsável por elaborar o projeto de uma nova classe de couraçados dreadnoughts italianos. Eles foram encomendados em resposta à Classe Courbet da Marinha Nacional Francesa e remediaram muitas das deficiências do projeto do Dante Alighieri; o melhoramento de maior destaque foi um arranjo muito mais eficiente da bateria principal. Dez canhões foram dispostos em torres de artilharia duplas sobrepostas a torres triplas, um par na proa e outro na popa, com uma torre tripla também sendo instalada à meia-nau. Todos os treze canhões conseguiam disparar pela lateral da embarcação e seus arcos de tiro também foram melhorados. A classe era formada por três navios: , e .