A Classe Dunkerque foi uma classe de couraçados operada pela Marinha Nacional Francesa, composta pelo e . Foram os primeiros couraçados franceses construídos desde a Classe Bretagne do período pré-Primeira Guerra Mundial e seu projeto foi muito influenciado pelo termos do Tratado Naval de Washington de 1922, que limitou a construção naval nas décadas de 1920 e 1930. Estudos iniciais para novas embarcações inicialmente tinham a intenção de enfrentar velozes cruzadores pesados italianos, o que levou a um projeto de couraçado pequeno e relativamente pouco protegido. Entretanto, o advento dos poderosos cruzadores pesados alemães da Classe Deutschland ameaçavam mais os interesses franceses, criando a necessidade para navios maiores e mais bem armados e protegidos. O projeto final foi completado em 1932 e era de um couraçado relativamente pequeno e armado com oito canhões de 330 milímetros dispostos em duas torres de artilharia quádruplas à vante e com blindagem suficiente para aguentar disparos dos canhões de 283 milímetros da Classe Deutschland. O Strasbourg foi finalizado com um projeto levemente modificado, recebendo uma blindagem mais espessa em resposta aos couraçados italianos da Classe Littorio.

Os dois navios tiveram carreiras relativamente curtas. Foram completados pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial e brevemente serviram na Esquadra do Atlântico no final da década de 1930, com o Dunkerque tendo realizado diversas visitas internacionais, incluindo para a África Ocidental Francesa em 1938 e para o Reino Unido em 1937 e 1939. Os franceses criaram a Força de Ataque em agosto de 1939, na iminência do começo da guerra, centrada nos dois couraçados. Essa formação foi encarregada de caçar os membros da Classe Deutschland que esperava-se que operassem atacando embarcações comerciais no Oceano Atlântico. Os franceses nunca encontraram os alemães e os navios foram para Mers-el-Kébir a fim de impedir que a Itália entrasse na guerra contra a França. Os franceses foram forçados a neutralizar sua frota depois de serem derrotados na Batalha da França em junho de 1940, com os dois membros da Classe Dunkerque permanecendo inativos em Mers-el-Kébir. A Força H britânica tentou afundar as embarcações por achar que os alemães tinham planos para tomá-los; o Dunkerque foi danificado no Ataque a Mers-el-Kébir em julho, porém o Strasbourg fugiu para Toulon, onde se tornou a capitânia das Força de Alto-Mar.

O Dunkerque acabou seriamente danificado em outro ataque britânico alguns dias depois, porém foi temporariamente consertado e retornou para Toulon em fevereiro de 1942 a fim de passar por reparos definitivos. O Strasbourg pouco fez enquanto isso, pois o armistício com a Alemanha limitava suas operações. O Dunkerque ainda estava na doca passando por consertos, quando os alemães lançaram a Operação Anton, ocupando o resto da França em novembro de 1942. Os franceses ordenaram que toda sua frota fosse deliberadamente afundada com o objetivo de impedir que os alemães assumissem seus controles. Os dois couraçados foram seriamente danificados na ação e entregues para controle dos italianos, que os consideraram como perdas totais e parcialmente os desmontaram. O que restou de seus cascos foi bombardeado por aeronaves norte-americanas em 1944 e depois vendidos como sucata na década de 1950.

Desenvolvimento As grandes potências marítimas do mundo passaram a temer uma nova corrida armamentista naval, similar a corrida anglo-germânica que foi considerada uma das causas da Primeira Guerra Mundial, assim se reuniram na Conferência Naval de Washington em 1921 com o objetivo de discutir controles sobre a construção de couraçados, tanto para limitar seus tamanhos e armamentos quanto para limitar o número de navios que poderiam ser construídos. O resultado foi o Tratado Naval de Washington, que limitou a Marinha Nacional Francesa a 178 mil toneladas totais para couraçados. A resistência francesa sobre a paralisação da construção de couraçados, devido a obsolescência de seus navios das Classes Courbet e Bretagne que eram a espinha dorsal de sua frota, levou a uma exceção para França e Itália, que poderiam substituir 71 mil toneladas de couraçados durante o moratório, que seriam construídos entre 1927 e 1929. O deslocamento máximo para qualquer couraçado novo ficou limitado em 36 mil toneladas de deslocamento normal.

O vice-almirante Henri Salaün, Chefe do Estado-Maior Naval, pediu em 1926 por um novo projeto de navio capital com um deslocamento de 17,8 mil toneladas e que tinha a intenção de enfrentar a nova geração de cruzadores pesados italianos. As primeiras embarcações desse tipo foram os cruzadores da Classe Trento, que eram rápidos e apresentavam-se como uma ameaça considerável para navios comerciais franceses no Mar Mediterrâneo entre a França Metropolitana e o Norte da África Francês. A nova embarcação francesa seria armada com uma bateria principal de oito canhões de 305 milímetros arranjados em duas torres de artilharia quádruplas, ambas instaladas na dianteira, pois os franceses pensavam em usar os navios para perseguir os italianos. Os couraçados teriam uma blindagem capaz de resistir aos canhões de 203 milímetros italianos e a quantidade de blindagem necessária para proteger as partes vitais poderia ser economizada em peso, devido ao fato das armas estarem concentradas na frente. Um total de quatro embarcações poderiam ser construídas dentro do limite de 71 mil toneladas com o deslocamento previsto nesse projeto específico. O conceito foi muito inspirado nos couraçados britânicos da Classe Nelson, que também instalaram toda a bateria principal na dianteira, a fim de economizar no peso da blindagem.

thumb|esquerda|260px|Ilustração do projeto de 37 mil toneladas O advento dos cruzadores pesados alemães da Classe Deutschland, que eram armados com seis canhões de 283 milímetros, mais a hesitação da Marinha Nacional de comprometer-se com navios capitais pequenos enquanto a Itália mantinha suas toneladas disponíveis vagas, fizeram os franceses abandonarem o projeto. Novos estudos de projetos foram preparados entre 1926 e 1927, resultando em várias propostas em 1928 para uma embarcação de 37 mil toneladas. Esses navios eram, em essência, versões maiores dos cruzadores pesados da Classe Suffren que estavam em construção. O aumento do deslocamento trouxe consigo mais uma torre de artilharia quádrupla de 305 milímetros na popa e uma blindagem mais pesada e uma velocidade máxima de 33 nós (61 quilômetros por hora), também existindo uma outra versão com seis canhões de 406 milímetros em três torres duplas e velocidade de 27 nós (50 quilômetros por hora). As propostas não foram levadas adiante por falta de orçamento, tanto para os navios em si, quanto para as melhorias necessárias em estaleiros e instalações portuárias que operariam as embarcações. Também existiam preocupações políticas, particularmente devido aos esforços franceses para conversas sobre desarmamento na Liga das Nações, convencendo o governo francês a adiar a construção de novos couraçados.

Estudos de projetos continuaram depois da assinatura do Tratado Naval de Londres em 1930, em que os britânicos tinham fracassado em seus esforços de reduzir os deslocamentos máximos e o calibre das armas de navios capitais. O comando naval francês pediu projetos com um deslocamento mínimo de 23,7 mil toneladas e máximo de 25 mil toneladas, o teto que tinha sido pedido pelos britânicos, em uma demonstração de solidariedade; esse deslocamento máximo permitiria que três novas embarcações fossem construídas dentro das 71 mil toneladas que a França tinha disponível. O navio proposto, além de ser maior e com blindagem mais espessa, teria a mesma bateria principal do projeto de 17,8 mil toneladas. A Alemanha nessa época já tinha iniciado a construção do primeiro membro da Classe Deutschland, o que levou a novas preocupações sobre o nível de proteção, que ainda era muito fino para aguentar os projéteis de 283 milímetros dos alemães. O parlamento francês fez pressão sobre a marinha pela aparente fraqueza do projeto, assim o vice-almirante Louis-Hippolyte Violette, Chefe do Estado-Maior Naval, emitiu um novo conjunto de exigências que incluíam um aumento no deslocamento padrão para 25 mil toneladas, um armamento de oito canhões de 330 milímetros e blindagem suficiente para resistir disparos de 283 milímetros.

O projeto foi refinado e ficou aparente que o deslocamento padrão de 25 mil toneladas era muito pequeno para acomodar as características necessárias, assim esse valor foi aumentado para 26 mil toneladas e depois para 26,9 mil toneladas. O projeto foi finalizado no início de 1932 e formalmente aprovado em 27 de abril. O esquema de blindagem melhorado não apenas deixou os navios imunes aos disparos de 283 milímetros nas distâncias esperadas de batalha, mas também de se proteger dos canhões de 305 milímetros que os couraçados mais antigos da Marinha Real Italiana ainda em serviço usavam. A primeira embarcação foi nomeada de e encomendada em 26 de outubro de 1932, com o segundo couraçado previsto para 1934. Os italianos anunciaram em maio de 1934 que iniciariam a construção de novos couraçados de 36 mil toneladas e armados com canhões de 381 milímetros, o que atrapalhou completamente os planos franceses, pois essas novas embarcações seriam muito superiores ao projeto da Classe Dunkerque. Entretanto, a construção do primeiro navio já estava em andamento e era muito tarde para redesenhar o segundo, chamado de . A blindagem lateral foi levemente aumentada neste último e os trabalhos de projeto começaram imediatamente em um couraçado de 36 mil toneladas, que levou à Classe Richelieu.

Projeto Características thumb|360px|Corte longitudinal do interior da Classe Dunkerque Os dois navios tinham dimensões ligeiramente diferentes. Ambos tinham 209 metros de comprimento entre perpendiculares, enquanto o Dunkerque tinha 215,14 metros de comprimento de fora a fora e o Strasbourg tinha 215,5 metros. Os dois possuíam uma boca de 31,1 metros. O deslocamento padrão do Dunkerque era de 26,9 mil toneladas, o deslocamento normal de 30,26 mil toneladas e o deslocamento totalmente carregado de 35,5 mil toneladas. O Strasbourg, por sua vez, era um pouco mais pesado, com deslocamento padrão de 27,7 mil toneladas, normal 31,57 mil toneladas e carregado de 36,38 mil toneladas, com a diferença se devendo ao esquema de blindagem mais espesso. O calado do Dunkerque chegava a 8,57 metros normalmente e podia chegar até 9,71 metros quando totalmente carregado, enquanto do Strasbourg era de 8,73 metros normalmente e 9,89 metros carregado.

O Dunkerque tinha uma tripulação de 81 oficiais e mil marinheiros, enquanto do Strasbourg consistia em 32 oficiais e marinheiros; a tripulação adicional do Dunkerque se devia à presença do estado-maior do almirante, pois o couraçado normalmente operava como uma capitânia. Cada navio carregava um número de embarcações menores, incluindo uma variedade de lanchas e botes. A direção era controlada por um leme que podia virar até 32 graus na linha central do navio, porém ele tinha uma tendência a emperrar caso fosse virado em mais de 25 graus. O leme era operado eletricamente, porém existiam controles manuais caso ocorresse uma perda de energia.

Ambos os couraçados carregavam três hidroaviões Loire 130 na popa para serem usados como aeronaves da reconhecimento ou observadoras. Instalações aeronáuticas consistiam em uma catapulta de 22 metros, um hangar e um guindaste para içar os hidroaviões de volta para o convés. O hangar tinha dois andares, um elevador interno e oficinas para a manutenção das aeronaves enquanto as embarcações estavam no mar. O guindaste podia ser dobrado no convés quando não estava sendo usado.

Propulsão thumb|esquerda|360px|Arranjo dos sistemas de propulsão da Classe Dunkerque