thumb|250px|Exemplar de 1929 do Gegen den Strom ("Contra a corrente"), órgão oficial do partido O Partido Comunista da Alemanha - Oposição (, geralmente abreviado como KPD-Opposition, KPD-O, KPDO ou KPO) foi um partido criado a partir de uma cisão do Partido Comunista da Alemanha (KPD), ocorrida entre 1928 e 1929.

Depois da ascensão ao poder de Adolf Hitler e do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, em janeiro de 1933, tornou-se uma organização ilegal e clandestina. Seus integrantes inicialmente procuraram reorientar e, mais tarde, substituir o Partido Comunista da Alemanha (KPD, liderado por Ernst Thälmann).

O KPD-O foi a primeira seção nacional filiada à Oposição Comunista Internacional e existiu até 1939-1940.

Antecedentes O KPO representava a chamada Oposição de Direita no KPD, que se distinguia da Oposição de Esquerda (trotskista) e da facção centrista pro-Comintern. A Oposição de Direita era liderada por Heinrich BrandlerDicionário Político. Brandler, Heinrich e August Thalheimer, que, entre 1921 e 1923, tinham estado à frente do KPD, mas acabaram por ser expulsos, depois de organizarem uma reunião para denunciar o que consideravam corrupção dentro do partido. Ernst Thälman encobria um protegido seu, John Wittorf (1894-1981),Wittorf, John Friedrich. In: Hermann Weber, Andreas Herbst: Deutsche Kommunisten. Biographisches Handbuch 1918 bis 1945. 2., überarbeitete und stark erweiterte Auflage. Dietz, Berlin 2008, ISBN 978-3-320-02130-6. de acusações de desfalque. O escândalo chegou ao Comintern, o que levou a uma crise no partido alemão, cujo Comitê Central depôs Thälmann por unaminidade (inclusive com seu voto).Alexander, Robert J.. The Right Opposition: The Lovestoneites and the Internatinoal Communist Opposition of the 1930s. Westport, CT: Greenwood Press, 1985; p. 136. Esses fatos representavam uma ameaça para a facção do Partido Comunista da União Soviética encabeçada por Stalin, que tinha em Thälmann um aliado nas disputas entre facções. Como resultado, o Presidium da Internacional Comunista, revogou a decisão do Comitê Central alemão, recolocando Thälmann no cargo de secretário.

Em 1928, por instrução da Internacional Comunista, a liderança do KPD (constituída por Ernst Thälmann, Philipp Dengel e Heinz Neumann) deu uma virada à "ultra-esquerda" e concentrou sua luta em torno do "principal inimigo" - o SPD (tese do fascismo social). Os ex-presidentes do KPD, Heinrich Brandler e August Thalheimer, rejeitaram tal orientação. Também se opuseram à política de formar uma Oposição Sindical Revolucionária (RGO) ao lado dos sindicatos oficiais e, de modo geral, eram contrários à subordinação do KPD ao Partido Comunista da União Soviética. Brandler e Thalheimer defendiam uma frente unida, uma luta conjunta do KPD com o SPD contra o nacional-socialismo.

Fundação do partido Em outubro de 1928, Heinrich Brandler, que, desde 1924, encontrava-se em Moscou - onde ocupava cargos meramente simbólicos, numa espécie de "banimento honroso" - regressou à Alemanha contra a vontade do KPD. O caso de corrupcção em Hamburgo e a proteção da facção stalinista foram usados como pretexto, por Brandler e Thalheimer, para convocar uma reunião de seus partidários, em 11 de novembro de 1928. O Comintern reagiu com fúria. Brandler, Thalheimer e seus seguidores foram fortemente criticados em uma carta aberta do Comitern, datada de 19 de dezembro de 1928. Ambos foram expulsos do KPD, no mesmo mês, e do PCUS e da Internacional Comunista, em janeiro de 1929.Klaus Schöenhoven, "Heinrich Brandler," in A. Thomas Lane (ed.), Biographical Dictionary of European Labor Leaders: A-L. Westport, CT: Greenwood Press, 1995; pp. 130-131. Eles então fundaram o KPD - Oposição, que permaneceria como um pequeno grupo dissidente, com 3 000 a 4 000 membros recrutados entre funcionários sindicais, políticos locais e intelectuais (como Heinrich Blücher). Haviaredutos na Saxônia, na Turíngia - em Neuhaus am Rennweg e em Oelsnitz, onde o partido conseguir eleger os prefeitos Otto Engert e Otto Karl Bachmann -, Hesse e Württemberg. Em Oberhausen e em outroa localidades, vários sindicalistas proeminentes da KPD aderiram ao KPO, em protesto contra a política de RGO do KPD. A alta proporção de intelectuais e políticos experientes indicava que os apoiadores do KPO agiam menos por dogmatismo do que os da KPD.

Junto com alguns grupos relacionados na Suécia, EUA, França e Suíça, entre outros, o KPO pertenceu à Associação Internacional da Oposição Comunista (IVKO), que, no entanto, desintegrou-se entre 1939 e 1940. O KPO publicava o jornal Arbeiterpolitik, que circulava várias vezes por semana, além de vários jornais regionais e o órgão oficial Gegen den Strom, que circulou entre 1928 e 1935, enquanto a IVKO publicava o jornal Der Internationale Klassenkampf, que esteve principalmente sob a liderança do KPO. A federação de jovens KJO publicava o Jungen Kämpfer.

No outono de 1931 uma minoria de membros do KPO, liderados por Paul Frölich, Jacob Walcher e August Enderle, incluindo os grupos representados nos parlamentos municipais, juntou-se ao Partido Socialista Operário da Alemanha (SAP), em Offenbach am Main, liderado por Heinrich Galm, e em Geesthacht, conduzido por August Ziehl.

Significado político do KPD-O Atualmente, o KPD-O é considerado, por historiadores da Alemanha, como uma via possível mas não realizada para o movimento comunista alemão. No período entre guerras, seus membros teriam contribuído para a análise e compreensão da complexa conjuntura política das décadas de 1920 e 1930, por meio da teoria marxista, e elaborado uma alternativa ao estalinismo. Seus membros produziram a primeira análise marxista do fascismo e lutaram contra o monopólio de liderança do PCUS. Defenderam a independência com uma "solidariedade crítica" em relação à União Soviética e a constituição de uma frente unida contra o fascismo. Tal estratégia poderia ter sido uma contribuição para evitar a derrota histórica do movimento dos trabalhadores alemães em 1933, com todas as suas terríveis consequências. A abertura de muitos arquivos na Europa Oriental, a partir dos anos 1990 possibilitiu rastrear a luta precoce contra o paternalismo de Moscou (1922), o compromisso sacrifical dos membros do KPD-O na luta contra o fascismo (antes de 1933, e na resistência, após 1933), a perseguição que sofreram na Alemanha de Hitler e mesmo depois da guerra, na RDA, com sua exclusão forçada da vida política alemã, após 1950.Theodor Bergmann. "Gegen den Strom" Die Geschichte der KPD(Opposition)

Ligações externas (Verbesserter Entwurf der Plattform der KPD-O) Junius-Verlag, Berlin 1930

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