Eunice Moreira Brandão (Curitiba, 21/02/1960 - Curitiba 31/08/2001) foi uma professora e gambista brasileira e uma das pioneiras do movimento de revivalismo da música antiga no sul do Brasil.Brandão, Domingos Sávio Lins; Azevedo, Aline; Pantoja, João Lucas de Oliveira. "Prática de música antiga em Belo Horizonte: relato de experiência a partir de pesquisa documental no Arquivo Georges e Ana Maria Vincent". In: Modesto, Flávio Chagas Fonseca (org.). Anais do II Encontro de Musicologia Histórica do Campo das Vertentes: arquivos, técnicas e ferramentas do estudo documental. Universidade Federal de São João del Rei, 2019, pp. 35-36

Biografia Nasceu em uma família de músicos e iniciou seus estudos com o violino. Adolescente descobriu a flauta doce estudando com Elisabeth Seraphim Prosser. Em 1976, Eunice já era presença constante na Camerata Antiqua de Curitiba, fundada por Roberto de Regina e Ingrid Seraphim, um conjunto que marcou época no campo do revivalismo brasileiro. Nesse mesmo ano, o Instituto Goethe presenteou a Camerata com uma viola da gamba, instrumento esse que Eunice passaria a estudar. No ano seguinte, Roberto de Regina apresentou ao público curitibano o concerto Le Noce Champêtre de Jean Hotteterre que depois se transformou em um LP de mesmo nome (1979) em que Eunice tocou flauta doce e viola da gamba. Quando o Camerata Antiqua começou a se dedicar principalmente a um repertório barroco, Ingrid Seraphim sugeriu a Eunice que criasse um novo conjunto com violas da gamba, flautas doce, cravo e percussão, surgindo assim o Conjunto Renascentista de Curitiba, que Eunice liderou e que também se tornou uma referência no campo da interpretação historicamente informada . No início da década de 1980 organizou os Encontros de Música Antiga do Paraná, sob os auspícios da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.<ref name="Xavier">Xavier, Camila Pereira. "A música antiga e a criação da Camerata Antiqua e das Oficinas de Música de Curitiba, no século XX". In: Anais do VIII Fórum de Pesquisa Científica em Arte. Curitiba, 2011 </ref>

Em 1983, Eunice radicou-se na SuíçaAguiar, Patrícia Michelini. A Flauta Doce no Brasil: da chegada dos jesuítas à década de 1970. Doutorado. Universidade de São Paulo, 2017, pp. 129-130 onde estudou com Jordi Savall na Schola Cantorum Basiliensis e anos mais tarde viria a ser um membro fixo do grupo Hespèrion XX dirigido por Savall, gravando 36 discos.Millarch, Aramis. "Os Brandão levam sua música para os suíços". O Estado do Paraná, 08/02/1991 Foi uma grande colaboradora de Savall e tocava uma viola da gamba de sua propriedade.Rocha, Ana. "O Som Savall". Expresso Actual, 18/10/2014 Mesmo morando na Suíça, manteve fortes laços com o Brasil e esteve à frente dos cinco Encontros de Música Antiga do Paraná,'' além de lecionar em festivais como Londrina, Juiz de Fora, Niterói e nas Oficinas de Música de Curitiba.

Falecida em 2001, foi homenageada na 1ª Mostra Internacional de Música Antiga de Curitiba de 2011Costa, Rafael. "Concertos tocados por detetives do passado". Gazeta do Povo, 25/10/2011 e no Fórum Viola da Gamba em Foco de 2021 produzido em ambiente virtual pela Unespar e a Capela da Glória. Segundo a pesquisadora Patrícia Aguiar, Eunice Brandão "foi uma excepcional intérprete de viola da gamba, incentivadora da maioria dos músicos brasileiros que se dedicaram a este instrumento".

Ver também Revivalismo da música antiga no Brasil Revivalismo da música antiga

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