Maria Angélica de Sousa Rego, conhecida como Maria Angélica Ribeiro (Paraty, Angra dos Reis, 5 de dezembro de 1829 - Rio de Janeiro, 1880) foi uma dramaturga brasileira. Foi a primeira mulher brasileira a ter uma peça encenada no teatro brasileiro.
Era filha de Maria Leopoldina de Sousa Rego e do capitão Marcelino de Sousa Rego, tendo ficado órfã ainda muito jovem, por volta de um ano de idade. Foi criada sob a tutela de Antônio Joaquim Bracet, brigadeiro e amigo de seu pai, que lhe proporcionou uma educação privilegiada para os padrões da época, permitindo-lhe alcançar, pela inteligência e pelo trabalho, uma posição digna e independente. Essa formação a distinguia da maioria das mulheres brasileiras do século XIX, cuja instrução, quando havia, costumava se limitar a lições de francês, prendas domésticas e piano, com pouco ou nenhum acesso à leitura ou à literatura dramática.
Casou-se com o cenógrafo João Caetano Ribeiro, incentivador de sua carreira artística. Do casamento nasceram três filhos. A morte prematura de um deles, em maio de 1855, a levou a refugiar-se na escrita, dando início à sua produção dramatúrgica com o drama Guite, ou a Feiticeira dos Desfiladeiros Negros.RIBEIRO, Maria Angélica. Carta-prólogo a D. Violante de Bivar. In: RIBEIRO, Maria Angélica. Cancros sociais: drama original em cinco atos. Organização de Valéria Andrade Souto-Maior. Coleção Escritoras do Brasil, v. 6. Brasília: Senado Federal, 2021.
Começou a escrever ainda aos doze anos, redigindo versos e mensagens de aniversário para amigas, e foi aperfeiçoando sua habilidade com a pena até colaborar em periódicos literários da época. Já adulta, integrou a Sociedade de Estudos Literários do Rio de Janeiro e colaborou com a Revista Mensal de Ensaios Literários. Em seus escritos, denunciava as restrições impostas à instrução e à produção intelectual das mulheres brasileiras, contrastando sua situação com a das europeias, a quem eram facultadas mais liberdade para estudar e escrever; segundo a autora, o que saía "da lavra feminina, ou não presta, ou é trabalho de homem".
Viveu de sua arte, contribuindo para a renda familiar com traduções e peças teatrais, e destacou-se no meio pelo seu talento eclético, capaz de comover no drama e de divertir na comédia. Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de abril de 1880, aos cinquenta anos, sem ver concretizado o ideal abolicionista que permeava sua obra dramática.
Obras Guite, ou a Feiticeira dos Desfiladeiros Negros (1855) Paulina, a Estrangeira (1856) A Aventureira de Vaucloix (1856) O Anjo sem Asas (1858) D. Sancho em Silves (sem data) As Luvas de Pelica (sem data) Gabriela (1863) Cancros Sociais (1865) Cenas da Vida Artística (sem data) Um Dia na Opulência (1877) Ressurreição do Primo Basílio (1878) A Cesta da Tia Pulquéria (sem data) O Poder do Ouro (sem data) Cancros Domésticos (sem data) Opinião Pública (1879) Os Anjos do Sacrifício (sem data) As Proezas do Firmino (sem data) Ouro, Ciência, Poesia e Arte (sem data) Deus, Pátria e Honra (sem data) Anjo sem Lar (sem data)BIBLIOTECA DIGITAL DE LITERATURA DE PAÍSES LUSÓFONOS. Maria Angélica Ribeiro. Disponível em: https://literaturabrasileira.ufsc.br. Acesso em: 1 ago. 2026. São Francisco de Paula (sem data)
Categoria:Século XIX na literatura