A foi uma classe de navios de guerra operados pela Marinha Imperial Japonesa, composta pelo , , e . Suas construções começaram pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial e foram finalizadas no meio do conflito. O Kongō foi construído pelos estaleiros britânicos da Vickers, enquanto todas as outras três embarcações tiveram suas obras realizadas no Japão, respectivamente nos estaleiros do Arsenal Naval de Yokosuka, Mitsubishi e Kawasaki. O projeto foi feito pelo engenheiro naval britânico George Thurston e eles foram encomendados como parte de um programa de expansão e modernização naval da Marinha Imperial.

Os navios foram originalmente construídos como cruzadores de batalha e seus serviços na Primeira Guerra consistiram em apenas deveres de patrulha. O Kongō, Kirishima e Haruna passaram por reconstruções na década de 1920 que levaram a Marinha Imperial a reclassificá-los como couraçados, enquanto o Hiei virou um navio de treinamento para não ser desmontado. Após o Japão abandonar o Tratado Naval de Londres na década de 1930, os quatro passaram por uma nova série de enormes modernizações. Essas modificações incluíram fortalecimento de suas blindagens, reconfiguração de seus sistemas de propulsão, aprimoramento de seus armamentos e adição de hidroaviões.

Os navios da Classe Kongō foram os couraçados mais ativos da Marinha Imperial na Segunda Guerra Mundial. O Hiei e Kirishima foram escoltas no Ataque a Pearl Harbor, enquanto o Kongō e Haruna apoiaram a Invasão de Singapura. Todos participaram das batalhas de Midway e Guadalcanal, com o Hiei e Kirishima sendo afundados nesta última. As embarcações restantes passaram 1943 e boa parte de 1944 movimentando-se entre bases até a Batalha do Golfo de Leyte. O Kongō foi torpedeado pelo submarino em novembro de 1944 e afundou, enquanto o Haruna foi afundado na Base Naval de Kure em julho de 1945 por um ataque aéreo e desmontado depois da guerra.

Desenvolvimento O projeto da Classe Kongō foi resultado dos programas de modernização da Marinha Imperial Japonesa, além da necessidade de competir com a Marinha Real Britânica. O Reino Unido tinha lançado em 1907 o cruzador de batalha , que era armado com oito canhões de 305 milímetros e deixou todos os navios capitais japoneses obsoletos. A Dieta Nacional aprovou em 1910 o Decreto de Expansão Naval Emergencial, que autorizava a construção de um couraçado e quatro cruzadores de batalha que seriam projetados pelo engenheiro naval britânico George Thurston. Ele usou em seu projeto várias das técnicas que depois os britânicos usariam no .

O governo japonês assinou em novembro de 1910 um contrato com a britânica Vickers que estipulava, entre outras coisas, que o primeiro membro da classe de cruzadores de batalha seria construído no Reino Unido e que a Vickers iria maximizar a transferência de tecnologia para o Japão. O projeto dos navios foi designado como Vickers 472C, enquanto no Japão recebeu a designação B-46. As embarcações seriam inicialmente armadas com oito ou dez canhões calibre 50 de 305 milímetros, dezesseis canhões de 152 milímetros e oito tubos de torpedo de 533 mm. Entretanto, o comandante Katō Hirohasu pressionou pela adoção das novas armas calibre 45 de 356 milímetros que estavam na época em desenvolvimento. A Marinha Imperial optou pelo canhão maior em 29 de novembro de 1911, depois de testemunhar testes junto com a Marinha Real, mesmo com o batimento de quilha do primeiro navio tendo ocorrido em janeiro. Isto levou a várias alterações de projeto que foram rapidamente implementadas para não prolongar a construção.

O projeto final da Classe Kongō acabou sendo uma versão aprimorada dos cruzadores de batalha britânicos da Classe Lion. As embarcações foram os primeiros cruzadores de batalha modernos da Marinha Imperial, sendo "superiores a todos os outros navios [capitais] contemporâneos", segundo o historiador Robert Jackson. Mais de cem especialistas japoneses foram enviados em estadias de dezoito meses do Japão para o Reino Unido durante a construção do primeiro cruzador de batalha com o objetivo de garantir a transferência de conhecimento. Caso superintendentes, supervisores e testemunhas de testes forem contados, aproximadamente duzentos japoneses viajaram para o Reino Unido durante esse período.

Projeto Os quatro navios da Classe Kongō, como originalmente construídos em suas configurações de cruzadores de batalha, tinham um comprimento de fora a fora de 214,58 metros, uma boca de 28,04 metros, um calado que podia chegar a 8,22 metros e um deslocamento normal de até 27 384 toneladas.

Propulsão Os três primeiros navios da Classe Kongō foram inicialmente equipados com duas turbinas a vapor Parsons, enquanto o Haruna recebeu modelos Brown-Curtis, cada uma girando duas hélices. A turbina de alta pressão girava as hélices externas e a de baixa pressão girava as hélices internas. As turbinas ficavam em dois compartimentos separados por uma antepara central longitudinal; ambos ficavam situados entre a terceira e quarta torres de artilharia. Elas foram projetadas para produzirem 65 mil cavalos-vapor (47,8 mil quilowatts) de potência a partir do vapor gerado por 36 caldeiras, que trabalhavam a uma pressão de 17,1 a 19,2 atmosferas (1 733 a 1 945 quilopascais). As caldeiras ficavam em oito compartimentos e funcionavam à queima de carvão com óleo combustível borrifado por cima. As embarcações conseguiam transportar 4,3 mil toneladas e mil toneladas de óleo, permitindo uma autonomia de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora). Os cruzadores de batalha foram projetados para alcançarem uma velocidade máxima de 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora), porém todos excederam essa velocidade em seus testes marítimos.

Durante a década de 1920, as embarcações tiveram suas caldeiras removidas e substituídas por novos modelos Kampon, dez para o Kongō e Kirishima, onze para o Hiei e dezesseis para o Haruna. Isto permitiu que a primeira chaminé fosse removida, diminuindo a interferência da fumaça na ponte de comando e sistemas de controle de disparo. Seu armazenamento de combustível também foi ampliado para carregar 2 704 toneladas de carvão e 3 345 toneladas de óleo, o que aumentou a autonomia para 8 930 milhas náuticas (16 540 quilômetros) a catorze nós. Proteuberâncias antitorpedo também foram adicionadas, o que reduziu a velocidade máxima para 26 nós (48 quilômetros por hora) e fez a Marinha Imperial reclassificar os navios como couraçados. Essas caldeiras foram removidas na década de 1930 e substituídas por onze caldeiras Kampon a óleo combustível. Estas caldeiras deram maior potência para os navios da Classe Kongō, sendo capazes de alcançar uma velocidade máxima de 30,5 nós (56,5 quilômetros por hora), levando a Marinha Imperial a reclassificá-los como couraçados rápidos. Isto fez deles os únicos navios capitais japoneses capazes de operarem junto com os porta-aviões.

Armamento thumb|esquerda|240px|Um dos canhões principais do Haruna sendo instalado em outubro de 1914 A bateria principal da Classe Kongō consistia em oito canhões Tipo 41º Ano calibre 45 356 milímetros montados em quatro torres de artilharia, duas na proa e duas na popa. As torres dos navios podiam abaixar até cinco graus negativos e elevar até vinte graus, exceto a do Kongō, que elevava até 25 graus. Os projéteis podiam ser carregados em qualquer ângulo e a cadência de tiro era de um disparo a cada trinta a quarenta segundos. Os canhões e as torres de artilharia passaram por várias modernizações no decorrer dos anos. A elevação máxima de todas as armas foi aumentada para 33 graus durante a década de 1920. O mecanismo de recuo também foi alterado, de um sistema hidráulico para um pneumático, o que permitiu uma cadência de tiro maior.

Na Segunda Guerra Mundial, os navios disparavam projéteis perfurantes Tipo 91. Cada um pesava 673,5 quilogramas e tinha uma velocidade de saída de 775 metros por segundo. O alcance máximo dos canhões originais era de 25 quilômetros a uma elevação de vinte graus, porém o alcance subiu para 35,45 quilômetros a uma elevação de 33 graus depois dos vários processos de modernização. Projéteis altamente explosivos de 625 quilogramas também estavam disponíveis, tendo uma velocidade de saída de 805 metros por segundo. Um projétil incendiário de estilhaços, chamado Tipo 3 Sanshikidan, foi desenvolvido na década de 1930 para uso antiaéreo.

A bateria secundária tinha, inicialmente, dezesseis canhões Tipo 41.º Ano calibre 50 de 152 milímetros, montados em casamatas nas laterais do casco no convés superior, oito de cada lado. Eles tinham um arco de tiro de 130 graus, com a elevação máxima sendo quinze graus. Cada arma disparava um projétil altamente explosivo de 45,36 quilogramas a uma distância máxima de 21 quilômetros. A cadência de tiro era de quatro a seis disparos por minuto. A elevação máxima dessas armas foi aumentada durante a década de 1930 para trinta graus, o que aumentou o alcance máximo em novecentos metros. As embarcações também receberam quatro canhões antiaéreos Tipo 3.º Ano calibre 40 de 76 milímetros, instalados em montagens únicas. Cada arma podia se elevar até 75 graus e disparar um projétil de seis quilogramas e uma velocidade de saída de 680 metros por segundo, com o teto máximo de disparo sendo 7,5 quilômetros. Foram equipados com oito tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, quatro de cada lado.

O armamento secundário mudou no decorrer das carreiras dos navios. Os canhões de 76 milímetros foram removidos na década de 1930 e substituídos por oito canhões de duplo propósito Tipo 89 calibre 40 de 127 milímetros. Estes foram instalados em quatro montagens duplas, duas de cada lado da superestrutura. As armas tinham alcance máximo de 14,7 quilômetros contra alvos de superfície, enquanto o teto máximo a elevação de noventa graus era de 9,44 quilômetros. Sua cadência de tiro máxima era de catorze disparos por minuto, porém a cadência de tiro sustentada era de oito disparos. Os dois canhões de 152 milímetros dianteiros também foram removidos na década de 1930.

O armamento antiaéreo leve também foi muito alterado. Os navios receberam, na década de 1930, montagens duplas de metralhadoras de 13,2 milímetros, depois substituídas por canhões de 25 milímetros. Essas duas armas eram versões licenciadas de projetos franceses da Hotchkiss. As armas de 25 milímetros foram instaladas em montagens únicas, duplas e triplas. Esse modelo era a arma antiaérea leve padrão japonesa na Segunda Guerra Mundial, porém sofria de sérios problemas de projeto que o deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas, incluindo a incapacidade de "lidar com alvos em alta velocidade porque não podiam virar e elevar rápido o bastante manualmente ou por energia, suas miras eram inadequadas para alvos de alta velocidade, possuía uma vibração e choque de disparo excessivos".

Blindagem