Henry Aloysius Petre DSO MC (Ingatestone, 12 de junho de 1884 – Londres, 24 de abril de 1962) foi um advogado inglês que se tornou no primeiro aviador militar da Austrália e foi membro fundador do Australian Flying Corps (AFC), o predecessor da Real Força Aérea Australiana (RAAF).
Nascido em Essex, Petre abandonou a sua carreira jurídica que ainda estava no início para perseguir o seu interesse pela aviação, construir o seu próprio avião e conseguir um emprego como designer e piloto de aeronaves. Em 1912, ele respondeu ao apelo do Departamento de Defesa da Austrália que recrutava pilotos voluntários para a formação de uma escola de aviação, e assim foi incorporado como tenente nas Forças Militares Australianas. No ano seguinte, ele escolheu o local da primeira base aérea do país em Point Cook, Victoria, e estabeleceu a sua instituição de instrução inaugural, a Escola de Voo Central da RAAF, com Eric Harrison.
Logo após a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Petre foi nomeado comandante da Meia Esquadrilha da Mesopotâmia, a primeira unidade do recém-formado Australian Flying Corps a ver o serviço activo. Ele liderou a Meia Esquadrilha pelas Batalhas de Es Sinn e Ctesifonte, e também no Cerco de Kut. Pelas suas acções no Médio Oriente foi condecorado com a Ordem de Serviços Distintos, a Cruz Militar e quatro menções em despachos. Transferindo-se para a Real Força Aérea (RAF) como major em 1918, ele comandou o Esquadrão N.º 75 da RAF antes de se aposentar das forças armadas no ano seguinte.
Depois da guerra, Petre retomou a sua prática jurídica na Inglaterra e continuou a voar como recreação, tendo batido o recorde britânico de duração de planagem em 1931, com um tempo de quase três horas e meia, e mais tarde serviu como instrutor de planadores no Corpo de Treino Aéreo entre 1943 e 1948. Viria a falecer em 1962, aos 77 anos. Ele era casado com a piloto de corridas Kay Petre.
Início de carreira Henry Aloysius Petre (pronuncia-se "Peter") nasceu no dia 12 de junho de 1884 em Ingatestone, Essex.Coulthard-Clark, The Third Brother, xv Ele era o filho de Sebastian Henry Petre e da sua esposa Catharine Sibeth. Descendente do 11º Barão de Petre, Henry estudou no Mount St Mary's College, em Chesterfield, antes de seguir o seu sogro e tornar-se advogado em 1905.Garrisson, "Petre, Henry Aloysius (1884–1962)"Campbell-Wright, An Interesting Point, p. 10 Impressionado com o voo pioneiro através do canal de Louis Blériot em julho de 1909, Petre desistiu do seu escritório de advocacia, pediu 250 libras emprestadas e começou a construir o seu próprio avião, com a assistência do seu irmão Edward, um arquitecto.Stephens; Isaacs, High Fliers, pp. 9–11 Depois de passar seis meses na sua construção, Petre sofreu um acidente com a aeronave no seu voo inaugural.Odgers, Air Force Australia, pp. 13–14 Não tendo ficado ferido nem perdido a coragem, ele pediu emprestadas mais 25 libras, teve aulas de pilotagem no aeródromo de Brooklands em Surrey e obteve o Certificado de Aviador nº 128 do Royal Aero Club no dia 12 de setembro de 1911. Ele tornou-se um instrutor na Deperdussin School de Brooklands, e mais tarde veio a ser o seu director, antes de começar a trabalhar como designer e piloto na Handley Page Limited em 1912. Petre foi caracterizado pelo historiador oficial da Real Força Aérea Australiana Douglas Gillison como "calmo e académico por natureza",Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 710–711 e tendo vindo de uma longa linhagem do clero católico, Petre foi apelidado de "Pedro, o Monge".Campbell-Wright, An Interesting Point, pp. 12, 18–19 Na véspera do Natal de 1912, Edward Petre, conhecido como "Pedro o Pintor", foi morto num acidente em Marske-by-the-Sea, Yorkshire, enquanto tentava voar de Brooklands para Edimburgo. alt=Two men in flying gear seated in tandem open cockpits of a biplane with a four-bladed propeller|esquerda|miniaturadaimagem| Tenentes Petre (à esquerda) e Harrison (à direita) num BE2 na Escola de Voo Central em Point Cook, 1914 Em dezembro de 1911, o Departamento de Defesa australiano havia publicitado no Reino Unido o recrutamento de "dois mecânicos e aviadores competentes" para estabelecer um corpo de aviação e uma escola.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 710–711Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 2–4 Entre cinquenta candidaturas, Petre foi escolhido e incorporado como tenente das Forças Militares Australianas, sendo nomeado no dia 6 de agosto de 1912, o que fez dele o primeiro piloto militar do país. O outro nomeado, Eric Harrison, juntou-se a ele mais tarde naquele ano. Petre chegou à Austrália em janeiro de 1913, sendo a sua primeira tarefa escolher um local para a proposta Escola de Voo Central (CFS), que ele deveria comandar. Depois de viajar centenas de quilómetros na sua moto e rejeitar a localização preferida do governo perto do Real Colégio Militar, Duntroon, em Camberra, ele seleccionou em Point Cook, Victoria, para se tornar, como o historiador da RAAF George Odgers descreveu, o "berço da aviação militar australiana".Odgers, Air Force Australia, pp. 13–14
Ao contrário do local alternativo perto de Duntroon, Point Cook era plano, perto da costa e não, nas próprias palavras de Petre, "isolado no mato".Molkentin, Fire in the Sky, p. 6 Ele e Harrison estabeleceram o CFS no ano seguinte com quatro mecânicos, três outros funcionários e cinco aeronaves, incluindo dois monoplanos Deperdussin, dois biplanos Royal Aircraft Factory B.E.2. e um Bristol Boxkite para o treino inicial. Harrison fez o primeiro voo da unidade no Boxkite no dia 1 de março de 1914, um domingo.Odgers, Air Force Australia, pp. 13–14 Oito dias depois, Petre registou o primeiro acidente aéreo militar da Austrália, a bordo de um Deperdussin, ao tentar evitar os fios telefónicos durante a aterragem; ele escapou com hematomas, mas o avião ficou destruído.Campbell-Wright, An Interesting Point, p. 30 Petre foi padrinho de casamento de Harrison em junho.Campbell-Wright, An Interesting Point, p. 37 Com o seu círculo de pessoal sendo agora referido como Australian Flying Corps, o CFS iniciou o seu primeiro curso de pilotagem no dia 17 de agosto de 1914, duas semanas após a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Os quatro alunos incluíam o capitão Thomas White e os tenentes Richard Williams, George Merz e David Manwell; Harrison foi responsável pelo treino inicial e Petre pela instrução avançada.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 2–4 Petre foi promovido a capitão, de modo a que sua patente fosse igual à de White. Em outubro, Petre presidiu à primeira reunião do Real Aero Clube Vitoriano, realizada em Point Cook.Campbell-Wright, An Interesting Point, p. 39
Primeira Guerra Mundial alt=Front view of single-engined biplane and two men in front of a large open hangar|esquerda|miniaturadaimagem| Caudron G.3 da Meia Esquadrilha da Mesopotâmia No dia 8 de fevereiro de 1915, o governo australiano recebeu um pedido do governo britânico da Índia para assistência aérea na campanha contra os otomanos na Mesopotâmia. Havia tripulação aérea suficiente e pessoal de apoio disponível para apenas meia esquadrilha, então a unidade, a primeira da AFC a ver o serviço activo, ficou conhecida como a Meia Esquadrilha da Mesopotâmia. Petre foi nomeado oficial comandante da Meia Esquadrilha e embarcou para Baçorá via Bombaim em 14 de abril; mais tarde juntaram-se os outros pilotos como White, Merz e o tenente William Treloar, juntamente com trinta e sete pessoas de apoio.Cutlack, The Australian Flying Corps, pp. 1–3Wilson, The Brotherhood of Airmen, pp. 4–9
Na Mesopotâmia, Petre foi obrigado a liderar o contingente da AFC em missões de reconhecimento e sabotagem, e teve que lidar com máquinas não confiáveis, terreno perigoso e com a possibilidade de encarceramento ou morte nas mãos de tribos hostis.Stephens; Isaacs, High Fliers, pp. 9–11 De 31 de maio a 4 de junho de 1915, ele participou em operações na área de Amara, pelas quais é mencionado em despachos. A aeronave obsoleta fornecida pelo governo indiano, dois Maurice Farman Shorthorn e um Maurice Farman Longhorn, só eram capazes de atingir velocidades máximas de 50 mph (80 km/h), enquanto o vento do deserto (conhecido como shamal) pode chegar a 80 mph (129 km/h), o que significa que a aeronave muitas vezes não avançou ou foi simplesmente arrastada para trás. Em julho, o equipamento da Meia Esquadrilha foi aumentado com a incorporação de duas aeronaves Caudron G.3, uma melhoria marginal em relação aos Farman, mas ainda sujeito a falhas mecânicas. Mais tarde naquele mês, um dos Caudron foi forçado a aterrar em território inimigo. A sua tripulação, Merz e um oficial militar da Nova Zelândia, nunca mais foram vistos; mais tarde, foram relatados como tendo sido mortos por árabes após um tiroteio numa perseguição que se estendeu por vários quilómetros.Wilson, The Brotherhood of Airmen, pp. 4–9Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 5–8 alt=Four men in khaki military uniforms, two wearing pith helmets (one of whom has his arm in a sling), seated in front of a boy|direita|miniaturadaimagem| Capitão Petre (primeiro à esquerda), Capitão White (segundo à esquerda) e Tenente Merz (primeiro à direita) da Meia Esquadrilha da Mesopotâmia em Baçorá, julho de 1915 Em 24 de agosto de 1915, a Meia Esquadrilha foi reforçada por quatro Martinsyde S.1 e re-designada como Esquadrão N.º 30 do Real Corpo Aéreo (RFC). O esquadrão mudou-se para Kut após a captura da cidade pelos Aliados durante a Batalha de Es Sinn em setembro;Cutlack, The Australian Flying Corps, pp. 11–13 pela sua prestação de serviço na operação, Petre foi novamente mencionado em despachos. Nos dois meses seguintes, tanto Treloar quanto White foram capturados e tornaram-se prisioneiros de guerra, deixando Petre como o único piloto remanescente da Meia Esquadrilha original.Wilson, The Brotherhood of Airmen, pp. 4–9Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 5–8 Por volta da época da Batalha de Ctesifonte em novembro, ele desenvolveu um instrumento em forma de um pequeno ancinho de jardim que lhe permitiu medir, com precisão, as distâncias do solo a partir do ar para mapear melhor o terreno do deserto.Cutlack, The Australian Flying Corps, pp. 21–22 Durante o cerco de Kut entre dezembro de 1915 e abril de 1916, ele voou uma série de missões usando pára-quedas para lançar mantimentos de grãos a partir do ar (e uma pedra de moagem), suprimentos médicos e equipamentos para a guarnição da cidade, que incluía nove mecânicos da AFC.Odgers, Air Force Australia, p. 23