Star Trek: The Next Generation, abreviada como ST:TNG ou TNG, (no Brasil, Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, em Portugal, Star Trek: A Geração Seguinte) é uma série de televisão americana de ficção científica criada por Gene Roddenberry como parte da franquia Star Trek. Roddenberry, Rick Berman e Michael Piller serviram como produtores executivos do programa em diferentes momentos de sua produção. Ela se passa no século XXIV, quase 100 anos após os eventos da série original. O programa apresenta uma nova tripulação e uma nova nave estelar Enterprise. O monólogo de introdução narrado por Patrick Stewart em cada episódio estabelece o propósito da nave (uma modificação da série original):

Ela estreou em 28 de setembro de 1987 com 27 milhões de espectadores no piloto de duas horas chamado "Encounter at Farpoint". Com 178 episódios espalhados por 7 temporadas, durou mais que qualquer outra série de Star Trek, terminando com o episódio de duas horas chamado "All Good Things...", no dia 23 de maio de 1994.

A série foi transmitida originalmente pela sindicação, com datas e horários variando de acordo com cada rede transmissora. A série se tornou muito popular durante sua exibição original, e, como a série original, continua imensamente popular através das reprises. Foi a primeira de várias séries (as outras sendo Star Trek: Deep Space Nine, Star Trek: Voyager e Star Trek: Enterprise) que continuaram a transmitir novos episódios de Star Trek até 2005. Star Trek: The Next Generation venceu 18 Emmy Awards e, em sua sétima temporada, se tornou a primeira, e até hoje a única, série de televisão transmitida por sindicação a ser indicada ao Emmy de Melhor Série Dramática. Foi indicada a três Hugo Awards, vencendo dois. A série formou a base para o sétimo até o décimo filme da franquia Star Trek.

Enredo O programa segue as aventuras da tripulação da Nave Estelar USS Enterprise (NCC-1701-D), a quinta nave da federação a possuir o nome. O tempo se passa por volta de 70 anos depois das missões finais da tripulação original da Enterprise sob o comando do Capitão James T. Kirk. A Federação passou por grandes mudanças internas em sua busca para explorar a galáxia, adicionando graus de complexidade e controvérsia a seus métodos, especialmente naqueles relacionados com a Primeira Diretriz. O Império Klingon e a Federação cessaram hostilidades, e se tornaram aliados galáticos, com os Romulanos e os Borg assumindo o papel de grandes vilões. A Enterprise é comandada pelo Capitão Jean-Luc Picard, seus oficiais seniores são o Primeiro Oficial Comandante William T. Riker, o androide Tenente-Comandante Data, a Chefe de Segurança Tenente Tasha Yar, o Oficial Tático Tenente Worf, Conselheira Deanna Troi, Dra. Beverly Crusher e o Tenente Geordi La Forge. Com a morte de Yar na primeira temporada, o pessoal da nave é rearranjado, com Worf assumindo as responsabilidades de Oficial de Segurança e La Forge assumindo o posto de Engenheiro Chefe no início da segunda temporada.

A série começa com a tripulação da Enterprise-D sendo colocada em julgamento pelo ser onipotente chamado de Q. A entidade com poderes de deus ameaça a humanidade de destruição por ser uma espécie de selvagens, forçando-os a resolver um mistério na Estação de Longínqua para provar que tem o valor para serem poupados. Após resolver o mistério com sucesso, a tripulação parte para explorar novos mundos.

Histórias subsequentes focam na descoberta de novas formas de vida, relações políticas e sociológicas com outras culturas e a exploração da condição humana. Várias novas espécies são introduzidas como antagonistas, incluindo os Ferengi, os Cardassianos e os Borg. Através de suas aventuras, Picard e sua tripulação devem fazer escolhas difíceis e enfrentar suas consequências.

O programa terminou em sua sétima temporada com o episódio "All Good Things...", que traz os eventos da série para um ciclo, de volta ao confronto original com Q. Uma anomalia interestelar ameaça toda a vida do universo e força o Capitão Picard a viajar ao seu passado, presente e futuro para combater a ameaça. Picard consegue demonstrar a Q que a humanidade poderia pensar além de suas percepções e teorizar novas possibilidades, ainda sendo capazes de se sacrificar para o bem maior. A série termina com a tripulação da Enterprise sendo mostrada como uma família, e consolidou o caminho para os filmes subsequentes que continuaram as missões dos personagens.

Produção Em 1986, 20 após sua estreia, Star Trek havia se tornado a "jóia da coroa" da Paramount Pictures, um "ativo de valor inestimável" cuja longevidade maravilhava os executivos do estúdio. Dezessete anos após seu cancelamento, a série era o programa de televisão mais popular na sindicação, e os filmes produzidos por Harve Bennett eram sucessos de bilheteria. As exigências de William Shatner e Leonard Nimoy para salários extremamente altos para filmarem Star Trek IV: The Voyage Home fez o estúdio planejar uma nova série de Star Trek, como havia planejado fazer em 1977 com Star Trek: Phase II antes de deciderem realizar filmes. Os executivos da Paramount estavam preocupados que uma nova série poderia reduzir a demanda por filmes, porém decidiram que uma série com atores desconhecidos seria mais rentável do que pagar altos salários a atores de filmes. Gene Roddenberry inicialmente recusou se envolver, porém entrou no projeto por estar insatisfeito com os trabalhos conceituais. Star Trek: The Next Generation foi anunciada em 10 de outubro de 1986, e seu elenco em maio de 1987.

O executivo da Paramount Rick Berman entrou na série a pedido de Roddenberry. Roddenberry contratou um grande número de veteranos de Star Trek, incluindo Robert H. Justman, D. C. Fontana, Eddie Milkis e David Gerrold. Propostas iniciais para a série incluía uma onde alguns membros do elenco original poderia aparecer como "velhos estadistas", e Roddenberry especulou no final de outubro de 1986 que o novo programa poderia nem usar uma nave estelar, já que "pessoas poderiam viajar por outros meios" 100 anos depois da Enterprise (NCC-1701). Uma mudança de última hora foi sua crença de que conflitos interpessoais no lugar de trabalho não existiriam mais no futuro; assim, o programa não teria paralelos com as frequentes "brincadeiras crocantes" entre Kirk, Spock e McCoy. De acordo com Patrick Stewart, Berman era mais receptivo em relação a Roddenberry ao programa abordar questões políticas. The Next Generation foi filmada em filme de 35 mm, e o orçamento para cada episódio era de US$ 1.3 milhões, entre os maiores para programas de uma hora de duração.

Sindicação e audiência Apesar do sucesso de Star Trek, a NBC e a ABC se ofereceram para apenas considerar roteiros para um piloto, e a CBS se ofereceu para exibir uma minissérie que poderia se tornar uma série se fosse bem recebida. O tratamento de série comum que as três grandes emissoras deram a propriedade mais importante da Paramount ofendeu o estúdio. A FOX estava "desesperadamente ávida" para o programa para ajudar a lançar uma nova emissora, porém eles queriam apenas em março de 1987 e se comprometeriam com apenas 13 episódios ao invés de uma temporada completa, como a Paramount queria. As negociações sem sucesso convenceram o estúdio de que o único modo de proteger Star Trek era tendo o controle total da produção.

A Paramount aumentou e acelerou a rentabilidade do programa ao, incomumente, exibir a série por sindicação tanto em emissoras independentes—cujos números haviam triplicado desde 1980—e afiliadas das três principais. Em um exemplo de "troca de favores na sindicação", a Paramount ofereceu o programa para as estações locais de graça; as emissoras venderiam cinco minutos do tempo de comerciais para anunciantes locais e a Paramount venderia os sete restantes para anunciantes nacionais; todavia, as emissoras se comprometeriam a comprar as reprises no futuro. Como incentivo adiciona, apenas as emissoras que exibissem a nova série poderiam comprar as populares reprises da série original.

A estratégia do estúdio foi um sucesso. Apesar da dificuldade de montar uma rede nacional informal para a nova série, 210 emissoras que cobriam 90% do território dos Estados Unidos concordaram em exibir The Next Generation. Mais de 50 emissoras afiliadas anteciparam suas estreias do piloto da série, "Encounters at Farpoint", para o começo de outubro de 1987; uma emissora previu que "Star Trek promete ser um dos programas de maior sucesso da temporada". O novo programa realmente se saiu bem; a audiência do piloto foi maior que a maioria dos programas das grandes emissoras. Apesar da desvantagem de cada canal exibir a série em um dia diferente e com horários variados, várias vezes fora do horário nobre, ao final da primeira temporada a Paramount recebia US$ 1 milhão em propaganda por cada episódio, mais que os usuais US$ 800 mil que as emissoras recebiam em programas de uma hora; em 1992, quando o orçamento de cada episódio havia crescido para US$ 2 milhões, o estúdio ganhava US$ 90 milhões em propagandas, com cada 30 segundos valendo US$ 115 000.

The Next Generation tinha uma média de 20 milhões de espectadores, que frequentemente excedia sucessos da sindicação como Wheel of Fortune e das emissoras grandes como Cheers e L.A. Law. Se beneficiando em parte pela decisão de muitas emissoras exibirem cada novo episódio duas vezes por semana, a série consistentemente aparecia entre os dez dramas de uma hora de duração mais assistidos do país.

1ª Temporada

Apesar da equipe ter tido liberdade criativa devido a falta de interferência de uma emissora, a primeira temporada foi marcada pela saída dos roteiristas D. C. Fontana e David Gerrold depois de disputas com Roddenberry.

A temporada recebeu críticas quanto a lenta caracterização dos personagens, efeitos especiais fracos e pelo deus ex machina de Wesley Crusher salvando a nave. Entretanto, a atuação de Patrick Stewart foi elogiada e os críticos notaram que os personagens receberam um grande potencial para desenvolvimento, maior que os da série original.

Apesar dos eventos da maioria dos episódio serem fechados, muitos desenvolvimentos importantes para o programa como um todo ocorreram durante a temporada. A ameaça recorrente de Q foi introduzida no piloto "Encounter at Farpoint", os Ferengi apareceram pela primeira vez em "The Last Outpost", as capacidades do holodeque foram exploradas e a história de Riker e Troi foi investigada.

Os episódios do final da temporada armaram o terreno para vários arcos. O episódio "Datalore" introduziu o irmão malvado de Data, Lore, que apareceu em vários episódios subsequentes. "Coming of Age" lidou com as tentativas de Wesley para entrar na Academia da Frota. "Heart of Glory" explorou o personagem de Worf, a cultura klingon e as relações difíceis entre a Federação e o Império Klingon, três temas que seriam de grande importância futuramente. Tasha Yar deixou o programa após o episódio "Skin of Evil", se tornando a primeira personagem principal de Star Trek a morrer permanentemente em uma série ou filme. O final de temporada, "The Neutral Zone", estabeleceu a presença de dois vilões recorrentes, os Romulanos, fazendo sua primeira aparição desde a série original, e, por um prenúncio, os Borg.

O piloto da série se tornou o primeiro programa de televisão a ser indicado ao Hugo Award desde 1972. Seis episódios foram indicados ao Emmy Award; "11001001" venceu em Melhor Edição de Som, "The Big Goodbye" venceu em Melhor Figurino, e "Conspiracy" venceu em Melhor Maquiagem.

2ª Temporada