Erika Santos Silva (Franco da Rocha, ), mais conhecida como Erika Hilton, é uma política, ativista e modelo brasileira. Identifica-se como mulher trans e travesti. É filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e atua em diversas causas, mas principalmente as voltadas aos direitos das pessoas negras e LGBT.

Nas eleições estaduais em São Paulo de 2018, integrou o mandato coletivo da Bancada Ativista, encabeçado por Mônica Seixas. Após as eleições de 2020, obteve notoriedade nacional e internacional ao tornar-se a primeira vereadora transgênero eleita pela cidade de São Paulo e a parlamentar municipal mais votada do país. Durante o mandato, discutiu questões de gênero, desigualdade e foi responsável pela criação da CPI da Transfobia, entre outros feitos. Devido à visibilidade alcançada, ganhou, em 2021, o prêmio "Generation Change" no MTV Europe Music Awards.

Em 2022, ingressou na disputa eleitoral por uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo estado de São Paulo, conquistando o cargo de deputada federal com votos. No mandato parlamentar, foi contra a PEC da Blindagem, que ampliaria a proteção de parlamentares contra investigações e processos criminais e civis, e tem lutado a favor da PEC do Fim da Escala 6x1, proposta da qual é coautora ao lado do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Foi reconhecida como uma das "100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo" pela BBC em 2022. No ano seguinte, por votação do público, ficou em segundo lugar entre os melhores parlamentares no Prêmio Congresso em Foco, bem como em sexto lugar na escolha do júri especializado. Já em 2024, Erika se tornou a primeira pessoa trans a assumir a liderança de seu partido (Federação PSOL REDE) na Câmara, a deputada também venceu a votação popular da mesma premiação e foi eleita a melhor Deputada do Brasil. Em março de 2026, foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Primeiros anos Erika Santos Silva nasceu no município de Franco da Rocha, em 9 de dezembro de 1992, e cresceu na periferia de Francisco Morato, sendo os ambos municípios da região metropolitana da capital paulista. Aos 14 anos se mudou com a família para Itu, no interior de São Paulo, tendo sido criada pela mãe, tias e avós.

Quando adolescente, vivendo com seus tios evangélicos, sofreu violência por sua expressão de gênero, sendo forçada a frequentar a igreja, em busca de uma "cura divina". Aos quinze anos foi expulsa de casa, onde estando em situação de rua, recorreu à prostituição para sobreviver. Após seis anos foi resgatada por sua mãe, quem a apoiou para retomar os estudos.

Formação acadêmica Concluindo o ensino médio através do programa para Educação de Jovens e Adultos, ingressou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde iniciou, mas não concluiu, o curso de gerontologia, mais tarde concluindo o curso de pedagogia. Foi em seu período de graduação que ingressou no movimento estudantil, dando o pontapé inicial para a carreira política que viria a consolidar.

Carreira política Iniciou sua carreira política em 2015, após uma disputa com uma empresa de ônibus. Na ocasião, ao tentar comprar uma passagem de ônibus em Itu, a empresa se recusou a imprimir seu nome social feminino na passagem. A legislação em São Paulo que garante direitos de identidade às pessoas trans não se aplicava a empresas privadas. Hilton lançou petições online defendendo o direito de pessoas trans escolherem seus próprios nomes. Após grande engajamento, Hilton acabou obtendo êxito.

220px|miniaturadaimagem|esquerda|Marcha do Orgulho Trans, em 2019| alt=Erika Hilton na marcha do orgulho trans de 2019, em São Paulo. Com a repercussão do caso, Hilton ganhou reputação como defensora dos direitos de pessoas trans e começou a receber convites para dar palestras em universidades. Foi convidada a se filiar ao PSOL e em 2016 se candidatou a vereadora pelo município de Itu, onde não conseguiu se eleger.

Bancada Ativista Em 2018 Hilton recebeu o convite para integrar a Bancada Ativista. O grupo que reunia nove pessoas lançou uma candidatura coletiva para uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). A Bancada Ativista, representada oficialmente por Mônica Seixas, foi eleita com votos e Hilton, junto com Seixas e outras sete pessoas assumiram um mandato compartilhado, algo inédito na ALESP. Hilton foi nomeada como assessora e recebia salário correspondente à função, embora atuasse quase como parlamentar. Para comportar a estrutura diferente a ALESP abriu exceções, como permitir a foto de todos os membros do coletivo na porta do gabinete.

Vereadora de São Paulo Deixou o mandato na ALESP em 2020 para lançar sua candidatura para vereadora em São Paulo. Foi eleita com votos, se tornando a vereadora mais votada do Brasil e a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo. No mesmo pleito Thammy Miranda (PL) foi o primeiro homem trans a ser eleito naquela casa com votos, sendo o 9.º mais votado na cidade.

No dia 27 de dezembro de 2020, antes de assumir o mandato como vereadora de São Paulo, Hilton acionou o Ministério Público contra atos do prefeito Bruno Covas (PSDB) e do governador João Doria (PSDB) que retiraram a gratuidade para idosos acima de 60 anos no transporte público de São Paulo.

Assumiu o mandato de vereadora em 1.º de janeiro de 2021 na 18.ª legislatura da Câmara Municipal de São Paulo. Concorreu à presidência da Câmara e foi derrotada pelo vereador Milton Leite (DEM), por 49 votos a 6, recebendo apoio apenas de seu partido.

Em março de 2022, Erika Hilton anunciou que concorreria ao cargo de Deputada Federal pelo PSOL de São Paulo. "Minha pretensão de ir a Brasília é pela necessidade de refundação do Brasil", declarou à Folha de S.Paulo na ocasião. Ela logrou êxito, tendo sido eleita para ocupar o cargo de deputada federal com votos.

No mandato como vereadora da cidade de São Paulo, Erika Hilton teve como prioridade as temáticas relacionadas à defesa e preservação dos Direitos Humanos, o combate à fome, a defesa da saúde pública e gratuita, bem como o foco nas políticas públicas para a população LGBT. Hilton debateu tais questões no âmbito da Câmara Municipal de São Paulo e teve ampla atuação e repercussão, sendo escolhida líder da bancada do PSOL na casa, a terceira maior da capital paulista, em 9 de agosto de 2022.

Foi eleita e reeleita, por unanimidade, a presidente da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Cidadania, tornando-se a primeira representante do PSOL a presidir uma Comissão na cidade de São Paulo e uma das primeiras pessoas trans a alcançar tal feito no Brasil. Foi, ainda, membra titular da Comissão de Administração Pública e suplente da Comissão de Educação e Cultura.

Projetos de Lei Dentre os projetos de lei propostos por Erika Hilton cita-se a aprovação da Lei que criou o Fundo Municipal de Combate à Fome com o objetivo de financiar políticas públicas de segurança alimentar na cidade. Erika também é a responsável pela aprovação da Lei que criou o "Dia Municipal pela Vacinação e em Defesa das Trabalhadoras da Saúde". A vereadora ainda aprovou projetos homenageando mulheres trans e travestis da cidade de São Paulo. 220px|miniaturadaimagem|direita|Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sedia discussão sobre cota em empresas para pessoas LGBT, em 2019 No seu primeiro ano de mandato Erika Hilton propôs aproximadamente 116 projetos de lei, tornando-se a parlamentar com a maior produção de propostas legislativas da Câmara de SP. No total foram propostos até julho de 2022 aproximadamente 162 sugestões de leis.

Audiências Públicas e Emendas Parlamentares O mandato de Erika Hilton foi o responsável por realizar Audiências Públicas temáticas como a que discutiu a situação das políticas para HIV/AIDS no Município e a Audiência Pública Políticas LGBTQIA - Cidadania, Diversidade e Direitos. Ao todo foram 10 audiências públicas que abordaram questões sobre população em situação de rua, saúde e negritude, dentre outras. Erika Hilton também foi a parlamentar que articulou o protocolo do requerimento pela criação da Frente Parlamentar LGBTQIA+ por Cidadania e Direitos na Câmara Municipal de São Paulo.

Durante o auge da pandemia Erika Hilton destinou R$ 1 milhão em emendas parlamentares para a compra de vacinas pela Prefeitura de São Paulo. Também destinou R$ 1 milhão em emendas para o Fundo Municipal de Combate à Fome, além de destinar outros R$ 200 mil para a proteção de vidas durante o frio e organizar a campanha que arrecadou cerca de dois mil agasalhos. A Vereadora também aprovou a criação do Observatório contra a Fome na cidade de São Paulo. Comissão de Direitos Humanos Na Comissão Extraordinária de Direitos Humanos, Erika Hilton liderou os trabalhos do organismo, sendo eleita por dois mandatos a presidenta da comissão. Sob a sua condução em 2021 foram realizadas 12 reuniões ordinárias, 7 reuniões extraordinárias, 9 audiências públicas e 2 seminários, com a aprovação de 55 requerimentos.

Como Presidenta da Comissão, Erika Hilton participou de uma série de visitas aos Centros Temporários de Acolhimento (CTA) da Prefeitura, instalações nas quais pessoas em situação de grave vulnerabilidade social recebem acolhimento, atendimento e apoio para reinserção no mercado de trabalho e na sociedade. As visitas tinham como objetivo avaliar a infraestrutura do espaço e fiscalizar o trabalho de acolhida. Da mesma forma foram feitas visitas à Praça Princesa Isabel e à Praça da Sé para avaliar a situação dos direitos das pessoas em situação de rua que se alojaram nesses locais.220px|miniaturadaimagem|direita|Campanha eleitoral para as eleições municipais de 2020Conforme detalha o Relatório publicado pela Comissão, as ações temáticas realizadas durante a presidência de Erika Hilton incluem a criação do Observatório contra a Fome na cidade de São Paulo, debates sobre a visibilidade intersexo, a realização de audiências públicas sobre as políticas públicas para HIV/AIDS no Município de São Paulo e sobre a saúde da população negra, dentre outras, além da questão do acesso e gestão dos serviços da assistência social que atendem e acolhem a população em situação de rua.

Da mesma forma, o Agosto Indígena e a fome/segurança alimentar também foram objeto de audiências convocadas pela comissão. Além disso, houve a realização de seminários sobre a ocupação de edifícios antigos na cidade, bem como reuniões nas quais a pauta discutiu o trabalho análogo à escravidão e a qualidade da educação durante o período pandêmico.

Comissão de Administração Pública Como membra titular da Comissão de Administração Pública, fórum responsável por opinar sobre matérias destinadas à estruturação de órgãos da Administração e sobre temas gerais da Administração como o funcionalismo público e prestação de serviços públicos, Erika Hilton foi a responsável pela proposição do requerimento que culminou na audiência pública sobre o Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo,

Erika Hilton teve como atribuição a relatoria de diversos projetos de lei em trâmite na Comissão. Dentre eles destacam-se o PL n.º 580/2016, que dispõe sobre a criação do Fundo Municipal de Garantia dos Direitos das Mulheres, o PL n.º 14/2020, responsável por criar a Frente Parlamentar em defesa da periferia, o PL n.º 267/2018, que estabelece penalidades aos estabelecimentos que pratiquem atos de discriminação em São Paulo e o PL n.º 436/2019, que defende acrescentar nas escolas municipais o ensino a respeito de educação financeira.

Ainda defendeu um reajuste salarial amplo e irrestrito aos servidores da Guarda Civil Metropolitana durante a tramitação do PL 292/2022, que reestruturou a carreira da GCM, apontando que “de fato o que impacta na qualidade de vida desses trabalhadores, como as questões de carreira e remuneração, ficou sem nada. Isso não foi atendido”.

CPI da Transfobia