A Confederação Brasílica, também chamada de Confederação de Benguela, foi uma confederação de vilas e cidades, de curta duração, que existiu entre 1822 e 1825, durante o período colonial angolano. Seus integrantes principais eram basicamente as localidades de Benguela (centro separatista e capital de facto), Quicombo, Sumbe, Porto Amboim, Luanda, Massangano e Feira de Cassange. A confederação, surgida no bojo das revoluções atlânticas, era uma proposta do oficialato luso-angolano, que fundou uma filial do "Partido Brasileiro", que aglutinava lusitanos, angolanos e brasileiros.
Seu principal líder era um homem negro chamado Domingos Pereira Diniz. Ele declarou a formação e presidiu uma Junta Provisória Governativa da Confederação em janeiro de 1822, angariando apoio de dois dos três deputados angolanos eleitos para as Cortes Gerais de 1822, sendo Eusébio de Queirós Coutinho da Silva e Fernando Martins do Amaral Gurgel e Silva, e de Andrada Machado, líder da bancada brasileira nas Cortes Gerais. Pereira Diniz confeccionou a "bandeira do Café e do Marfim de Benguela", e a hasteou no Forte de São Filipe de Benguela, que tornou-se a sede do governo. Cabe destacar, porém, que todos os líderes mencionados participavam do comércio Atlântico de pessoas escravizadas.
Embora dominasse principalmente cidades litorâneas do centro e norte angolano, a Confederação pretendia juntar a si todo o território angolano à época, do Cabo de Santa Maria a Cabinda (litoral), passando por Quibaxe, São José do Encoje e Caconda (outros marcos máximos do interior). Havia ainda a proposta de incluir São Tomé e Príncipe, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau. Todos esses territórios, após unificados, deveriam ser juntados em uma grande confederação com o recém-independente Império do Brasil. Na verdade houve enorme expectativa entre os nacionalistas destes territórios de que a proposta fosse adiante.
A Confederação de Benguela, porém, nunca foi reconhecida oficialmente por nenhum Estado independente, nem mesmo o Império do Brasil (mesmo que houvesse suporte financeiro e político), ao qual depositavam esperanças, assim não conseguindo apoio diplomático numa investida militar contra o Reino de Portugal. Mesmo assim, amplos setores da sociedade brasileira chegaram a reclamar a necessidade de uma união brasileira com Angola e as outras colónias lusitanas.
A oposição à Confederação de Benguela se organizaria pelo terceiro deputado de Angola às Cortes Gerais, Manuel Patrício Correia de Castro, pelo bispo de Angola e Congo, João Damasceno da Silva Póvoas, pelo administrador colonial Cristóvão Avelino Dias e pelo chefe-de-esquadra naval António Pusich. No final de 1822, um Batalhão Expedicionário com 435 soldados partiu para São Tomé para preparar uma invasão a Angola. Por fim, em 5 de maio de 1823, a esquadra portuguesa de Pusich, estacionada em São Tomé, partiria para combater a Confederação. As tropas de Pereira Diniz foram vencidas em 2 de junho de 1823, com a queda de Benguela.
Mesmo vencida em Benguela, as localidades sob influência de Amaral Gurguel, isto é, Feira de Cassange, Massangano, Pungo-Andongo e Encoje, permeneceram leais à Confederação, e portanto rebeladas até 1825.
Ver também
Divisão Naval do Leste História de Angola Relações entre Angola e Brasil
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