Os confrontos entre Palmeiras e Flamengo no futebol envolvem as partidas disputadas entre SE Palmeiras e CR Flamengo, dois dos maiores clubes de futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente. O clássico, disputado desde 1929, reúne duas das equipes com maiores torcidas e número de conquistas do país, sediadas nas cidades de maior poderio econômico, importância política e concentração populacional: São Paulo e Rio de Janeiro.

Devido às reestruturações administrativas e financeiras recentes em ambos os clubes, o confronto ganhou relevância nacional. Nos últimos anos, as equipes voltaram a se enfrentar em decisões continentais, incluindo as finais da Libertadores de 2021 e de 2025. Reportagens e colunas apontam a concentração de conquistas como um processo de "espanholização" do futebol brasileiro, com 16 das últimas 33 taças de maior relevância atribuídas à dupla na última década. Nesse contexto, o jornalista Maurício Noriega cravou a alcunha de Superclássico para o duelo.

História Primeiros duelos miniaturadaimagem|esquerda|200px|Nonô, do Flamengo, marcando o único gol do primeiro jogo de 1929. O primeiro confronto entre as equipes ocorreu em 24 de março de 1929, no Estádio da Rua Paysandu, no Rio de Janeiro, e terminou com vitória do Flamengo por 1 a 0 sobre o Palestra Italia. A partida integrou uma excursão do time paulista à capital fluminense e gerou grande expectativa na imprensa carioca. Como era comum na época, o amistoso contou com a entrega de um troféu comemorativo ao vencedor, a Taça Palestra Italia, que ficou com o Flamengo. Mesmo derrotada, a equipe palestrina recebeu elogios pelo futebol apresentado e pela boa organização tática demonstrada no jogo.

Menos de dois meses depois, em 19 de maio de 1929, ocorreu a revanche no Estádio Palestra Italia, em São Paulo, com goleada palestrina por 5 a 0, que marcou o primeiro encontro entre as equipes em território paulista. Assim como no Rio, este amistoso também teve uma taça em disputa, a chamada Taça Flamengo. O troféu, conquistado pelo time palestrino, tornou-se um registro marcante desse início de rivalidade interestadual graças à repercussão da goleada e aos episódios ocorridos durante o jogo, que incluíram desentendimentos em campo e um incidente nas arquibancadas, onde o ex-técnico rubro-negro Ramón Platero, então ligado ao Palestra, foi agredido por um torcedor. A vitória elástica e a cerimônia de premiação fortaleceram a percepção pública de uma disputa emergente entre paulistas e cariocas, que seria aprofundada nos confrontos das décadas seguintes.

Uma das várias curiosidades que cercam o clássico é o fato de o Flamengo ter sido o último adversário do clube paulista com sua antiga denominação. Pelo Torneio Quinela de Ouro (pentagonal que também incluía Fluminense, São Paulo e Corinthians), a 25 de março de 1942, houve um empate em 2 a 2. Após este jogo, o clube da colônia ítalo-paulistana teve de mudar de nome, por força de determinação do então presidente Getúlio Vargas. Como o Brasil entrara em guerra com o Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão, o governo ordenou que todos os clubes, colégios e entidades cujos nomes fizessem referência a essas nações teriam de alterá-los.

Taça dos Campeões Rio–São Paulo de 1942

miniaturadaimagem|direita|200px|Jornal dos Sports destaca derrota do Flamengo, com o jogador uruguaio do Palmeiras Segundo Villadóniga na capa.|alt=Recorte da capa do jornal Jornal dos Sports nº 4.159 de 4 de março de 1943 com a manchete “Derrotado o Flamengo! Grande atuação do Palmeiras”. A primeira decisão entre os clubes em torneios interestaduais ocorreu na Taça dos Campeões Estaduais Rio–São Paulo de 1942, em jogo único realizado no Estádio do Pacaembu em 3 de março de 1943. O torneio colocou frente a frente o campeão paulista de 1942, Palmeiras, e o então campeão carioca de 1942, Flamengo, vencido pelo time paulista por 3 a 0, com dois gols de Peixe e um de Lima, conquistando o título.

O feito foi amplamente repercutido na imprensa da época. O jornal Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro, publicou na capa de 4 de março de 1943 a manchete “Derrotado o Flamengo!”, enaltecendo a atuação dos jogadores Oberdan, Junqueira, Og Moreira e Lima. O Correio Paulistano também noticiou o resultado, descrevendo a vitória como “brilhante” e destacando o domínio alviverde durante a partida. Ao Palmeiras foi entregue o troféu "Taciano de Oliveira" o qual está exposto na Sala de Troféus do clube.

Taça dos Campeões Rio–São Paulo de 1944 A edição da Taça dos Campeões Rio–São Paulo de 1944 foi disputada em partida única no Estádio do Pacaembu, em 24 de março de 1945, entre o Palmeiras, campeão paulista de 1944, e o Flamengo, campeão carioca do mesmo ano. O formato de jogo único foi mantido devido à dificuldade de conciliar calendários entre as federações paulista e carioca e à ausência de um regulamento que previsse partidas de ida e volta. O empate por 3 a 3 levou à divisão do título, conforme o regulamento vigente. Os gols palmeirenses foram marcados por Gonzalez e Villadoniga (duas vezes).

O Jornal dos Sports destacou a partida como "Batalha dos Campeões", notando o domínio inicial do Flamengo, que chegou a abrir 3 a 1, antes da reação alviverde nos minutos finais. A renda foi considerada modesta (Cr$ 65.740), em razão do mau tempo e da pouca presença de público. O empate em 3 a 3 resultou na divisão do título, consagrando Palmeiras e Flamengo como campeões da competição interestadual entre os vencedores dos campeonatos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Maior goleada do clássico em 1951 miniaturadaimagem|direita|200px|Capa do jornal A Gazeta Esportiva destaca a goleada do Palmeiras sobre o Flamengo. Em 1951, o Palmeiras aplicou a maior goleada da história do confronto até hoje, ao vencer o Flamengo por 7 a 1 no Estádio do Pacaembu, pelo Torneio Rio-São Paulo. O atacante Liminha foi o grande destaque da tarde, marcando quatro gols em sua estreia pelo clube alviverde, enquanto Aquiles, Lima e Rodrigues completaram o marcador.

O domínio palmeirense foi absoluto do início ao fim, com atuação amplamente elogiada pela imprensa paulista e carioca. Os jornais da época destacaram a força ofensiva do time treinado por Ventura Cambón e a segurança defensiva de Oberdan Cattani, que neutralizou as principais jogadas do ataque rubro-negro. O resultado ganhou dimensões históricas tanto pela diferença de gols quanto pelo contexto, já que o Flamengo vinha de uma sequência de boas campanhas e era considerado um dos favoritos do torneio. Décadas mais tarde, o placar seria lembrado como um dos maiores da chamada "era de ouro" do futebol paulista e símbolo do poderio técnico do Palmeiras nos anos 1950.

Quadrangular Internacional de Goiás de 1975

Em 1975, Flamengo e Palmeiras decidiram, no Estádio Serra Dourada, o Torneio Leonino Caiado de Futebol mais conhecido como Torneio Quadrangular Internacional de Goiás, uma competição amistoso integrado às festividades de inauguração do estádio e do sistema de refletores. No dia 16 de março, o Flamengo venceu o jogo por 1 a 0, com gol de Paulinho, ficando com o título.

Foi o primeiro encontro, ainda que amistoso, entre os clubes em final de caráter internacional. A imprensa registrou o evento como uma decisão simbólica das festividades de inauguração do estádio, destacando o prestígio do confronto entre os dois campeões nacionais e a realização preliminar entre a Seleção Goiana e um combinado da Seleção Argentino que disputaria os Jogos Pan-Americanos.

Copa Mercosul de 1999

Em 1999 as equipes disputaram o título da Copa Mercosul. Pelo regulamento, o campeão seria definido pela soma de pontos em até dois jogos e, se necessário, um terceiro sem uso de saldo de gols; quem alcançasse quatro pontos nas duas primeiras partidas ficaria com o título. O Flamengo venceu o primeiro duelo por 4 a 3, no Maracanã, e empatou o segundo por 3 a 3, no Palestra Italia, resultado que garantiu o título rubro-negro pela pontuação acumulada.

Campeonato Brasileiro de 2009

O duelo entre Palmeiras e Flamengo teve papel decisivo no desfecho do Campeonato Brasileiro de 2009, temporada marcada por uma disputa intensa pelo título e pela virada rubro-negra na reta final. Líder por 17 rodadas, o Palmeiras iniciou uma série negativa a partir da 28ª rodada e perdeu a ponta na 33ª. Um marco dessa virada foi o 2 a 0 do Flamengo no Estádio Palestra Italia em 18 de outubro de 2009, com dois gols de Dejan Petković, incluindo um olímpico, resultado que acabou tornando-se simbólico da arrancada rubro-negra rumo ao título.

A queda palmeirense somou tropeços contra equipes ameaçadas de rebaixamento e perda de referências técnicas por lesão, com ex-integrantes do elenco apontando a falta de reposição ao estilo de Cleiton Xavier após a 31ª rodada como fator relevante. Ao fim do campeonato, o Flamengo, com 67 pontos, sagrou-se campeão apenas na última rodada, enquanto o Palmeiras, com 62 pontos, encerrou a competição em quinto lugar, ficando fora da Libertadores de 2010.

Rivalidade contemporânea Campeonato Brasileiro de 2016

miniaturadaimagem|direita|200px|Partida entre Palmeiras e Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2015. O Campeonato Brasileiro de 2016 é frequentemente apontado como o marco inicial da fase recente da rivalidade entre Palmeiras e Flamengo, quando processos de reestruturação administrativa e financeira em ambos os clubes começaram a se refletir em desempenho competitivo. Naquela edição, as duas equipes travaram disputa direta pelas primeiras posições ao longo do segundo turno, com confrontos equilibrados e alternância de liderança. O Palmeiras terminou campeão, enquanto o Flamengo fechou o campeonato no grupo de cima da tabela, consolidando o embrião do ciclo de protagonismo compartilhado que se veria na década seguinte.

No contexto cultural daquela campanha, popularizou-se entre torcedores do Flamengo o bordão "cheirinho", associado à expectativa pelo título que a equipe liderou em parte do campeonato, com ampla repercussão em redes sociais e na mídia esportiva à época. Nas rodadas finais, quando o Flamengo deixou de ter chances matemáticas de título, jogadores do Palmeiras fizeram referências irônicas ao termo, registrando o episódio como um dos marcos simbólicos do início da intensificação da rivalidade entre as torcidas dos dois clubes.

Supercopa Rei de 2021

O confronto entre Palmeiras e Flamengo na Supercopa Rei de 2021 reuniu as equipes campeãs de 2020 do Campeonato Brasileiro (Flamengo) e da Copa do Brasil (Palmeiras) em jogo único disputado no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, em abril de 2021. O campeão do torneio nacional foi Flamengo, que conquistou a taça em disputa por pênaltis, após uma partida decisiva bastante disputada que terminou empatada por 2 a 2.

Copa Libertadores de 2021

miniaturadaimagem|direita|200px|Gustavo Gómez em disputa de bola com Bruno Henrique durante a final. O mais importante do duelo entre os clubes na história deste clássico nacional, até então, foi a final da Copa Libertadores de 2021. A partida, disputada em jogo único em Montevideo, no Uruguai, no Estádio Centenário, reunia uma série de fatos históricos marcantes, sendo, entre eles, a primeira vez que ambas as equipes duelavam no torneio, o duelo que trazia os clubes mais fortes economicamente do Brasil na época, a primeira vez que os dois últimos campeões de Libertadores se enfrentaram numa final e a possibilidade de o Brasil ter um novo clube tricampeão da Libertadores.