thumb|Igreja do Mosteiro de Ganfei

O Convento de Ganfei, ou Mosteiro de Ganfei, que inclui no seu complexo a Igreja do Salvador de Ganfei, também designada de Igreja Paroquial de Ganfei, Igreja do Divino Salvador, Igreja de Ganfei e Igreja matriz de Ganfei ou Igreja Paroquial de Ganfei é o complexo patrimonial associado ao antigo mosteiro beneditino, situado na freguesia de Ganfei, no município de Valença.Ficha na base de dados SIPA

Edificação que remonta provavelmente ao século XII, englobando uma Igreja românica de três naves, o Convento de Ganfei encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público.

Localização Situa-se a 5 km nordeste de Valença, no lugar da Igreja.

História A fundação do mosteiro foi feita no período visigótico.

Segundo uma inscrição no claustro o mosteiro foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor sendo reconstruído em 1018 sob o patrocínio de Ganfrido (Ganfried ou Ganfei), um cavaleiro francês que se tornou santo e que deu origem ao nome da povoação e do mosteiro. Contudo, historiadores apontam que esta inscrição terá sido fruto de uma má interpretação ou leitura tardia dos factos por parte de cronistas posteriores, levantando dúvidas sobre a exatidão dessa atribuição.

A primeira menção ao convento data dos tempos de Dona Teresa (1112-1128) quando esta lhe doou metade da igreja de S. Paio de Mozelos (Paredes de Coura), altura em que provavelmente terá adotado também a Regra de São Bento.

Sendo do padroado real, em 1499 D. Manuel passou o padroado para o Marquês de Vila Real, cujos sucessores passaram a eleger os abades comendatários entre os membros da sua própria família, até à morte do último, D. André de Noronha, em 1581.

A transição do Mosteiro de Ganfei para as mãos da Ordem de São Bento foi um processo complexo e marcado por intensas disputas judiciais com a Casa dos Marqueses de Vila Real. Há registos que apontam que os Beneditinos tomaram uma posse inicial do mosteiro a 2 de outubro de 1569, a qual só se terá efetivado a 5 de maio de 1588 após o sustento da contenda com os marqueses e durante a qual o convento retorna ao padroado real, em 1574. Outros autores referem que a Congregação de São Bento de Portugal apenas assume o controlo do convento de forma condicional em 1589 e, finalmente, de modo definitivo em 1599, tendo sido forçada a ceder uma parte substancial das propriedades do cenóbio aos Marqueses de Vila Real para encerrar o litígio.

Entre 1632 e 1761 é fixado o aspeto atual, ao construíram-se as novas fachada e capela-mor, ao estilo barroco, mantendo o restante da traça românica apesar de transformações substanciais nos edifícios conventuais. Em 1760, com o termo das obras, foram transferidos os restos mortais de S. Ganfei para a igreja.

Tendo sido incendiado em 1801 pelas tropas de Soult, foi depois reedificado de forma simplificada .

Caracterização arquitectónica File:Iglesia de São Salvador de Ganfei (3418286709).jpg|thumb|Interior da Igreja. A Igreja é uma das poucas em todo o país românico a possuir um corpo de três naves e quatro tramos e uma cabeceira tripartida, cuja capela-mor e absidíolos, muito curtos, possuem dois tramos abobadados. Sem transepto saliente, tem cobertura de madeira, assente sobre pilares rectangulares que se ligam às naves laterais por arcos de descarga. A destruição da fachada não preservou nada da escultura do portal. A cabeceira , inicialmente tripartida, era constituída por uma ábside semicircular, hoje setecentista e rectangular, e dois absidíolos de planta idêntica. Igreja Matriz de Ganfei, Valença, Portugal (3607243438).jpg|thumb|Capitel com aves bebendo de taça comum A escultura românica aplicada do templo manifesta-se nos arcos, colunas e capitéis, que apresentam motivos fitomórficos (vegetais) e zoomórficos (animais). Intimamente ligados à influência artística da Galiza, os capitéis refletem o estilo do estaleiro da Sé de Tui da segunda metade do século XII, caracterizando-se por um relevo volumoso, embora pouco saliente do cesto, o que os distingue da maior exuberância ornamental observada nos mosteiros vizinhos de Friestas e de Longos Vales. Apesar de não constituírem um conjunto temático coerente, notam-se temas comuns ao românico regional e ao contexto do Caminho de Santiago, tais como representações de aves bebendo de uma taça comum e de figuras humanas em atitude meditativa.

O retábulo da capela-mor, decorado em estilo barroco do século XVIII, destaca-se como um dos raros exemplares no distrito construídos em painéis de tábuas lisas e ornamentados apenas com pintura, sem recurso à tradicional talha esculpida. thumb|Nicho da fachada principal. A fachada principal da igreja, virada a oeste, é construída em cantaria de pedra rebocada e pintada de branco. Visualmente, está dividida em três secções verticais por pilastras rematadas por pináculos, e dividida horizontalmente em dois pisos por uma larga cornija moldurada. No piso inferior do corpo central abre-se o portal principal de linha reta, decorado com um frontão triangular e duas urnas decorativas nas laterais; as secções laterais dispõem apenas de pequenas janelas simples. No piso superior, a fachada é rematada por um formato triangular (empena) e destaca-se ao centro um nicho com arco de volta inteira que alberga a imagem de São Bento, decorado com volutas e ladeado por duas janelas. Ficheiro:Convento de Ganfei (1).jpg|thumb|Torre sineira. A torre sineira tem a forma de um prisma quadrangular e é construída em pedra à vista (cantaria aparente). As suas paredes são abertas por pequenas frestas verticais sobrepostas e, no topo de cada uma das quatro faces, situam-se duas janelas para os sinos (dupla sineira). A torre é rematada por uma varanda de pedra (balaustrada) com pináculos nos quatro cantos (cunhais), sendo coroada por um teto em forma de pirâmide.

Nas fachadas laterais, em cantaria aparente, a parte exterior da nave central e o absidíolo meridional são percorridos por uma cornija sobre cachorrada. O convento, com escala e caraterísticas barrocas, estende-se perpendicularmente à fachada lateral norte da igreja. Os alçados são ritmados por colunas realçadas por pináculos acima dos telhados. O claustro tem dois pisos separados por friso, sendo o primeiro percorrido por uma colunata jónica que suporta arcos de volta inteira, e o segundo por janelas de sacada com guarda de ferro.

No espaço da cerca, que originalmente funcionava como área agrícola, situam-se a horta e o pomar defronte à fachada leste do conjunto. Esta zona encontra-se estruturada segundo o gosto cenográfico do Barroco, integrando diversas fontes, escadarias e bancos corridos que definem a divisão dos espaços. Na mesma área localizam-se ainda as dependências de lavoura, caracterizadas por possuírem um piso único.

Interesse público O convento foi classificado como Imóvel de Interesse Público, nomeadamente: a Igreja pelo Decreto nº 40 684, DG, 1.ª série, n.º 146 de 13 julho 1956 e o claustro e elementos arquitectónicos existentes na cerca pelo Decreto nº 44 075, DG, 1.ª série, n.º 281 de 05 dezembro 1961.

Categoria:Ganfei Categoria:Património edificado em Valença Categoria:Edifícios monásticos cristãos classificados como imóvel de interesse público em Portugal Categoria:Imóveis de interesse público no distrito de Viana do Castelo Ganfei Categoria:Edifícios monásticos do distrito de Viana do Castelo Categoria:Igrejas classificadas como imóvel de interesse municipal em Portugal Categoria:Igrejas no distrito de Viana do Castelo Categoria:Igrejas românicas em Portugal