O foi um navio de guerra operado pela Marinha Imperial Japonesa e a segunda embarcação da Classe Kongō, depois do Kongō e seguido pelo Kirishima e Haruna. Sua construção começou em novembro de 1911 no Arsenal Naval de Yokosuka como um cruzador de batalha e foi lançado ao mar um ano depois, sendo comissionado na frota em agosto de 1914. Era armado com uma bateria principal de oito canhões de 356 milímetros, possuía inicialmente um deslocamento normal de mais de 27 mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 27 nós.

O navio passou seus primeiros anos patrulhando as águas perto da China durante a Primeira Guerra Mundial e ajudou a resgatar sobreviventes do Grande Sismo de Kantō em 1923. Ele foi convertido em um navio de treinamento em 1929 para não ser desmontado pelos termos do Tratado Naval de Washington. Depois disso ele passou por uma grande reconstrução entre 1937 e 1940, em que sua blindagem foi reforçada, sua superestrutura reconstruída, seus maquinários substituídos, seus armamentos incrementados com uma defesa antiaérea maior, entre outras modificações.

Reclassificado como couraçado, o Hiei teve uma carreira ativa na Segunda Guerra Mundial. Ele escoltou porta-aviões no Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941 e proporcionou suporte para a invasão das Índias Orientais Holandesas em março de 1942 e em ações no Oceano Índico no mês seguinte. Também esteve presente nas batalhas de Midway em junho, Salomão Orientais em agosto e Ilhas Santa Cruz em outubro. O Hiei foi afundado em 13 de novembro na Primeira Batalha Naval de Guadalcanal depois de ser danificado por navios e aeronaves norte-americanas.

Características

O Hiei foi o segundo cruzador de batalha da Marinha Imperial Japonesa. A Classe Kongō era tão grande, cara e bem armada quanto um couraçado, porém abria mão de proteção para alcançar uma velocidade maior. Eles foram projetados pelo engenheiro naval britânico George Thurston e encomendados em 1910 no Decreto de Expansão Naval Emergencial, em resposta ao britânico . Os quatro membros da Classe Kongō foram projetados para se igualarem aos cruzadores de batalha operados pelas outras grandes potências navais da época. O tamanho de seus canhões principais e o nível de sua proteção de blindagem, que compunha 23,3 por cento de seu deslocamento em 1913, eram muito superiores a de todos os outros navios capitais japoneses da época.

Como originalmente construído, o Hiei tinha 214,58 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 28,04 metros, um calado de 8,22 metros e deslocamento normal de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha 36 caldeiras Kampon que impulsionavam duas turbinas a vapor Parsons, cada uma girando duas hélices, que foram projetadas para produzirem 65 mil cavalos-vapor (47,8 mil quilowatts) de potência. O Hiei alcançava uma velocidade máxima 27,5 nós (50,9 quilômetros por hora). Ele carregava 4,3 mil toneladas de carvão e mil toneladas de óleo combustível que era borrifado no carvão com o objetivo de aumentar sua taxa de queima, o que proporcionava um alcance de oito mil milhas náuticas (quinze mil quilômetros) a uma velocidade de catorze nós (26 quilômetros por hora).

A bateria principal do Hiei consistia em oito canhões de 356 milímetros. Estes eram montados em quatro torres de artilharia duplas, duas na proa e duas na popa. Seus armamentos secundários originalmente tinham dezesseis canhões calibre 50 de 152 milímetros montados em casamatas a meia-nau, além de oito canhões de 76 milímetros. O navio também foi equipado com com oito tubos de torpedo submersos de 533 milímetros. O cinturão de blindagem superior tinha 152 milímetros de espessura, enquanto o cinturão inferior tinha espessura de 203 milímetros, com eles se afinando para 76 milímetros próximo da proa e da popa. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 38 milímetros até setenta milímetros de espessura. As torres de artilharia tinham placas de blindagem de até 229 milímetros de espessura. Por fim, a proteção da torre de comando chegava em até 229 milímetros de espessura.

História Primeiros anos thumb|240px|esquerda|O Hiei em 23 de março de 1914 O batimento de quilha do Hiei ocorreu em 4 de novembro de 1911 no Arsenal Naval de Yokosuka. A maioria dos componentes usados na construção foram produzidos no Reino Unido. O lançamento foi em 21 de novembro de 1912, porém a equipagem só começou em dezembro de 1913. O capitão Shichitaro Takagi foi nomeado no dia 5 de dezembro como o oficial chefe encarregado da equipagem. O Hiei foi completado em 4 de agosto de 1914 e comissionado na frota japonesa no mesmo dia. Ele foi primeiro designado para servir no Distrito Naval de Sasebo, mas apenas duas semanas depois foi transferido para a Divisão de Couraçados 3 da 1.ª Frota.

A Primeira Guerra Mundial começou em 3 de agosto de 1914 e o Japão declarou guerra contra a Alemanha no dia 23, ocupando as colônias alemãs nas Ilhas Carolinas, Palau, Marshall e Marianas. O Hiei deixou Sasebo em outubro junto com o para apoiarem o Cerco de Tsingtao, porém retornaram no dia 17. Os dois navios participaram em 3 de outubro de 1915 do afundamento do antigo pré-dreadnought Iki como alvo de tiro; este era o antigo navio blindado Imperator Nikolai I da Marinha Imperial Russa, capturado em 1905 nna Guerra Russo-Japonesa. O Hiei patrulhou o litoral da China com seus irmãos e em abril de 1916. Ele permaneceu principalmente no Distrito Naval de Sasebo desde meados de 1917 até o fim da Primeira Guerra Mundial no final de 1918, patrulhando várias vezes os litorais chinês e coreano junto com seus irmãos.

O Japão ganhou o controle das antigas possessões alemãs no Pacífico Central pelos termos do Tratado de Versalhes. Os japoneses tinham na época boas relações com britânicos e norte-americanos, e assim o Hiei e outros navios de guerra ficaram cada vez mais inativos pós-Primeira Guerra Mundial. O navio permaneceu atracado em portos japoneses, com a exceção de uma patrulha próxima da China em março de 1919 junto com o Kirishima e o Haruna. Ele foi colocado na reserva em 13 de outubro de 1920. O Grande Sismo de Kantō ocorreu em setembro de 1923 e vários navios capitais da Marinha Imperial auxiliaram nos trabalhos de resgate até o fim do mês. O Hiei voltou para o Distrito Naval de Kure em 1.º de dezembro para manutenções que aumentaram a elevação máxima de sua bateria principal e reconstruíram seu mastro principal.

thumb|240px|O Hiei em junho de 1926 A assinatura do Tratado Naval de Washington em 6 de fevereiro de 1922 limitou o tamanho da Marinha Imperial para uma razão de 5:5:3 com Reino Unido e Estados Unidos, significando que os japoneses poderiam ter três navios capitais para cada cinco dos britânicos e norte-americanos. Isto ocorreu porque o Japão estava limitado a um único oceano, enquanto os outros tinha acesso a dois. O Japão mesmo assim ficou com mais navios que França e Itália. O tratado também proibiu a construção de novos navios capitais até 1931, com nenhuma embarcação podendo exceder 36 mil toneladas de deslocamento. Foi permitido que navios capitais existentes fossem aprimorados com protuberâncias antitorpedo e conveses blindados, contanto que essas modificações não excedessem três mil toneladas. Na época que o tratado foi totalmente implementado, o Japão tinha três classes de navios capitais da época da Primeira Guerra Mundial: os cruzadores de batalha da Classe Kongō e os couraçados das classes Fusō e Ise.

Nobuhito, Príncipe Takamatsu e irmão do imperador Hirohito, foi designado para servir no Hiei em julho de 1927. O navio passou por uma pequena reforma em Sasebo entre outubro e novembro para acomodar dois hidroaviões Yokosuka E1Y, porém nenhuma catapulta de lançamento foi instalada. A embarcação deixou Sasebo em 29 de março de 1928 junto com o Kongō e os couraçados e para patrulharem o arquipélago chinês de Chusan, retornando para Ryojun em abril na companhia do Kongō. Ele voltou para Kure em outubro de 1929 em preparação para sua desmilitarização e reconstrução.

Navio de treinamento thumb|esquerda|260px|O Hiei em agosto de 1933, depois de sua conversão para navio de treinamento A Marinha Imperial, para evitar que o Hiei fosse desmontado pelos termos do Tratado Naval de Washington, decidiu converter a embarcação em um navio de treinamento desmilitarizado. Ele entrou em uma doca seca do Arsenal Naval de Kure em 15 de outubro de 1929. Sua quarta torre de artilharia principal foi removida, assim como todos os seus oito tubos de torpedo submersos, seus canhões de 152 milímetros e seu cinturão de blindagem. Vinte e sete caldeiras também foram removidas, deixando apenas nove, o que reduziu sua velocidade máxima para dezoito nós (33 quilômetros por hora). Sua terceira chaminé foi eliminada. O Hiei foi reclassificado como navio de treinamento no final de novembro de 1929. A reconstrução foi paralisada em 24 de abril de 1930 devido à assinatura do Tratado Naval de Londres, que restringiu ainda mais a construção e posse de couraçados pelas grandes potências. Trabalhos de preservação começaram em Sasebo e a reconstrução só foi retomada em julho de 1931.

Unidades do Exército Imperial invadiram a província chinesa da Manchúria em setembro de 1931. O Hiei foi designado em dezembro de 1932 para a esquadra de treinamento da Marinha Imperial. A Sociedade das Nações considerou em 25 de fevereiro de 1933 que o Japão tinha violado a soberania da China e as leis internacionais na invasão da Manchúria. Os japoneses se recusaram a aceitar esse julgamento e saíram da organização no mesmo dia. O país também renunciou de seus compromissos com o Tratado Naval de Washington e o Tratado Naval de Londres, dessa forma eliminando todas as restrições sobre o número e tamanho de seus navios de guerra. O Hiei recebeu aprimoramentos entre 31 de maio e 13 de agosto que permitiram que ele realizasse funções regulares para o imperador, servindo como seu navio de observação durante a Revista Naval Imperial três dias depois. A embarcação serviu Hirohito novamente em novembro de 1935 durante suas visitas oficiais às prefeituras de Kagoshima e Miyazaki.

Reconstrução thumb|240px|Configuração do Hiei pós-reconstrução A Marinha Imperial prosseguiu para modernizar o Hiei da mesma maneira que tinha feito com seus irmãos. Ele recebeu onze novas caldeiras Kampon e quatro novas turbinas, enquanto sua popa foi alongada em 7,9 metros para aumentar sua velocidade. Sua quarta torre de artilharia de 356 milímetros foi reinstalada e novos sistemas de controle de disparo para toda a bateria principal foram adicionados. A elevação máxima das armas principais e secundárias foi aumentada e a embarcação recebeu hidroaviões de reconhecimento Nakajima E8N e Kawanishi E7K, com uma catapulta de lançamento sendo instalada entre as duas torres de artilharia traseiras. Catorze canhões de 152 milímetros foram reinstalados, e o Hiei também recebeu uma bateria antiárea composta por oito canhões de duplo propósito de 127 milímetros e dez canhões de 25 milímetros em montagens duplas. Sua superestrutura foi reconstruída como um protótipo de torre que depois seria usada na Classe Yamato, então ainda em projeto.