María Cristina de Giácomi, mais conhecida pelo seu nome artístico Cris Morena, (Buenos Aires, 23 de agosto de 1956) é atriz, cantora, compositora, escritora, produtora e apresentadora argentina.

Trabalha na televisão argentina há mais de 20 anos e desde quando estreou o "game-show" Jugate Conmigo, se tornou uma das estrelas mais conhecidas daquele país. Após anos trabalhando para o canal argentino Telefe, Cris Morena criou a sua própria produtora: a Cris Morena Group em 2002. Atualmente, é uma das empresas mais respeitadas em sinônimo de criação e produção para TV no segmento de infantojuvenil no mundo.

Biografia Cris Morena é a terceira filha de quatro irmãos, seu pai foi engenheiro e sua mãe socióloga. Estudou em um colégio de freiras, o San Martín de Tours, localizado no bairro de Palermo (Buenos Aires) e na rua Figueroa Alcorta. No prédio aonde viveu a sua adolescência, era vizinha de um fotógrafo de uma importante revista que ofereceu trabalho de modelo, Cris aceitou e assim começou sua carreira.

Aos 17 anos fez seus trabalhos fotográficos e foi a capa do jeans Lee durante algum tempo. Mais tarde, foi selecionada para trabalhar no elenco de um programa para adolescentes: "Vol Tops". Ali conheceu seu primeiro marido, Gustavo Yankelevich, aos 21 anos, Cris se casou apenas no civil porque Gustavo é judeu e ela católica. Estiveram juntos durante 24 anos e em pouco tempo de casados, Cris ficou grávida de Romina Yan e anos depois de Tomás Yankelevich. Quando teve seus filhos, Cris decidiu se retirar do lado artístico para cuidar de sua família. Mais tarde, Cris começou a atuar em teatros maiores, como o Payró. Também trabalhou em sua primeira novela de Gerardo Romano chamada "Dulce Fugitiva". Nessa novela ela interpretou a personagem: Laura Morena, que fez grande sucesso à época, é daí que vem seu nome artístico - "Cris Morena", pois o roteirista da novela, Carlos Lozano Dana, disse-lhe que seu sobrenome "de Giácomi", era difícil de ser lembrado pelo grande público, por isso ela optou por tomar para si o nome de sua personagem.

A compositora Em 1980, começou sua carreira profissional como compositora musical, depois de ter estudado música e piano. Carlos Moreno propôs que seus poemas fossem transformados em canções, então Cris fez o exame para entrar no SADAIC, e hoje é a compositora que mais vende na Argentina, juntamente com seu companheiro, Carlos Nilson. Dentre os artistas mais conhecidos para os quais Cris compôs estão: Silvana Di Lorenzo, Sergio Denis, Cae, Sandra Mihanovich, Xuxa, Flavia Palmiero, Milady e Michel, e mais notavelmente para os programas de televisão: Ritmo de la Noche, Mi família es un Dibujo, Brigada Cola, Indiscreciones, e também para as suas próprias produções: Jugate Conmigo, Verano del '98, Chiquititas, Cebollitas, Rebelde Way, Rincón de Luz, entre outros. Esta é a fase de Cris que poucos conhecem, mas uma das mais importantes, já que faz isso desde menina e não só escrevia canções, mas também poemas, histórias e peças de teatro. Atualmente, estão registradas mais de 300 músicas em seu nome e no ano de 1999 editou seu primeiro livro de canções chamado "Canciones de Cris para personas Chiquititas", da Editorial Sudamericana.

Sua carreira como atriz deslanchou por algum tempo durante uma das inúmeras recessões argentinas. Quando Cris ainda era casada com Gustavo, decidiu se tornar estilista, desenhando roupas para crianças. Logo as coisas começaram a melhorar e Cris voltou a atuar, fazendo 3 filmes dirigidos por Enrique Carreras. Também interpretou a ascensorista do programa humorístico "Mesa de Notícias", o que a consagrou como comediante. Junto com Nito Artaza, apresentou um programa para crianças na cidade de Córdoba e em 1990 foi namorada de Carlín Calvo em "Amigos son los Amigos".

A apresentadora Mas, o melhor momento profissional veio em 3 de junho de 1991. Neste dia estreou o programa Jugate Conmigo, que foi inspirado pela produção da Nickeloden, Double Dare. Além de apresentadora, Cris assumiu a função de produtora executiva do programa. Com este programa, ela esteve durante quatro anos em primeiro lugar na audiência, pela Telefe, tendo sido produzidos mais de 700 programas e ganhando um prêmio Martín Fierro - a versão argentina do Troféu Imprensa e dos Globos de Ouro. Depois de Jugate, passou a produzir também seus próprios discos e com isto obteve vários discos de ouro e platina, chegando a vender mais de 500.000 discos. Nas férias de inverno dos anos de 92 a 94, Cris levou o Jugate Conmigo para o Estadio Obras Sanitárias e ao Teatro Gran Rex, respectivamente, com um sucesso impressionante. Em 1993, voltou a atuar, desta vez como protagonista da novela "Quereme", juntamente com Juan Palomino e o elenco do programa Jugate. Quando o programa Jugate Conmigo terminou, idealizou, produziu e apresentou um novo desafio, Jugate Con Todo, que era exibido aos domingos à noite e era focado em um público diferente do habitual. O programa foi um fracasso e foi produzida apenas uma temporada de 20 programas.

A produtora Em 16 de agosto de 1995, estreou o seu maior sucesso, a telenovela "Chiquititas", que foi protagonizada por sua filha Romina Yan nas três primeiras temporadas. Este seria uma divisor de águas em sua carreira. Ao contrário de suas produções anteriores, esta era dedicada ao mundo infantil, um mundo de sonhos e esperanças, onde tudo é possível e foi inspirada, em parte, por musicais hollywoodianos e da Broadway, como Annie, A Noviça Rebelde e Cantando na Chuva. Imediatamente, a novela se tornou o maior produto de importação da história da televisão argentina. Seguindo as suas inspirações, Cris decidiu levar a novela para o teatro em espetáculos musicais de grande porte. Durante sete anos, mais de 1,2 milhão de pessoas assistiram aos musicais. Além disso, compôs todos os temas musicais do programa, tendo recebido vários discos de platina.

O fenômeno Chiquititas, se estendeu para muitos países de toda a América Latina, como Chile, Uruguai, Paraguai, Equador e o Peru, além de países europeus e do Oriente Médio, como a Turquia e Israel. O sucesso da novela foi tão grande que foram produzidas duas adaptações para o Brasil (feitas pelo SBT, a primeira em 1997 e a segunda em 2013), e uma para o México. Ambas foram produzidas na Argentina, mas com elenco de seus respectivos países. A primeira versão brasileira foi um sucesso instantâneo e durou 5 anos, batendo diversos recordes de audiência e de vendagem de discos, enquanto que a versão mexicana, produzida em 1998 pela TV Azteca, foi um fracasso.

No Brasil Seguindo o mesmo passo, em 28 de julho de 1997, numa coprodução inédita o SBT e Telefe, estrearam em rede nacional (às 20 horas) "Chiquititas", versão brasileira da trama, estrelada por atores brasileiros. A novela estreava depois do infantil "Disney Club", antes da novela adulta "Os Ossos do Barão" (produção do SBT) e estreava no lugar de "Maria do Bairro" (Maria la del Barrio), que era a conclusão da "Trilogia das Marias" da Televisa.

Na época, durante a coletiva de imprensa, o diretor artístico da emissora, Nilton Travesso, disse à imprensa que não acreditava que a versão brasileira da trama de Cris Morena duraria muito tempo no ar como a versão argentina, que já estava a um ano e meio no ar, e disse também que esperava cerca de 10 pontos de audiência. Em seis meses, as previsões foram água abaixo. A primeira versão brasileira de Chiquititas, versão brasileira, estreou com picos de 18 pontos e média cerca de 15 durante a primeira temporada, números dados do IBOPE.

Por questões contratuais, a produção foi terceirizada e o elenco brasileiro se mudou para a Argentina (apesar de que a maioria das cenas externas e videoclipes foram gravadas em São Paulo). Para Cris, esta produção é marcante, pois Chiquititas foi o começo da internacionalização de sua produtora. Para a emissora, a trama trouxe resultados impressionantes. Em 1997, o SBT registrou um aumento de mais três milhões de espectadores em relação ao ano anterior. O mesmo sucesso que a trama teve na Argentina se refletiu em uma escala muito maior no Brasil, resultando em uma trama que durou cinco temporadas. Com isso, Chiquititas se tornou uma das maiores tramas da teledramaturgia brasileira, recorde que não é considerado oficial devido ao fato de que a trama não teve uma exibição contínua durante a sua duração.

Três meses depois da estreia de Chiquititas, Cris Morena lançava a trilha sonora em CD da novela, com versões em português de algumas canções interpretadas na primeira temporada argentina. As canções foram adaptadas por Caion Gadia. O CD imediatamente se tornou um sucesso de vendas, à frente de fenômenos brasileiros na época como o grupo de axé É o Tchan e os sertanejos Zezé di Camargo & Luciano e João Paulo & Daniel.

Em novembro de 1997, o elenco de Chiquititas retornou ao Brasil pela primeira vez desde o início da trama. A função do retorno de parte do elenco era participar do programa Domingo Legal, que estava no ápice da guerra de audiência com o Domingão do Faustão, transmitido pela Rede Globo. No dia 3 de novembro de 1997, com o programa sendo então apresentado por Gugu Liberato, na mesma hora em que o elenco de Chiquititas estava se apresentando no SBT, no programa da Rede Globo entrava o grupo É o Tchan!, que estava lançando o seu segundo álbum. O pico da audiência foi de 27 pontos, justamente na hora em que o fenômeno de Cris Morena entrou no ar. Semanas depois, o então apresentador do Domingo Legal foi até Buenos Aires para entrevistar o elenco e conhecer a rotina do elenco.

Tanto a versão argentina como a brasileira tiveram um merchandising que vendeu como água, composto por álbuns de figurinhas, revista (que teve uma tiragem de 5 anos) e uma inúmera gama de produtos licenciados que ia de reproduções dos uniformes usados no orfanato, passando por material escolar, alimentos e brinquedos, todos sob supervisão de Cris Morena. Um dos casos mais impressionantes do fenômeno Chiquititas aconteceu em Israel, onde o programa se transformou em uma adaptação local das peças teatrais, mas com um elenco local, durando 8 meses. Em 1998, no Brasil, a convocatória de testes para a renovação do elenco da trama praticamente parou as afiliadas do SBT, onde milhares de crianças fizeram os testes, causando uma grande repercussão na mídia nacional

No mesmo ano, seguindo o sucesso no Brasil e Argentina, o México também estreou a sua versão nacional de Chiquititas, mas não obteve o mesmo sucesso, pois era exibida na recém-inaugurada TV Azteca, e concorria com a noela "O Diário de Daniela". A versão mexicana também foi gravada em Buenos Aires. Apesar do fracasso, da trama saiu o ator Felipe Colombo. O ator trabalhou na versão mexicana e acabou indo para a versão original, se instalando assim por definitivo na Argentina. Posteriormente, Felipe trabalharia novamente com Cris em Rebelde Way.

Em 2005, a Band adquire os direitos de Floricienta para fazer um remake intitulado Floribella. A versão brasileira seguiu o texto das duas temporadas da versão argentina, pois a própria Cris Morena traduziu os textos. Tal como a versão argentina, a trama foi um sucesso imediato e registrou audiências espetaculares para a emissora. Em apenas um mês de exibição, mais de 1 milhão de itens com a marca da novela foram vendidos.

Em 2010, outra obra de Cris Morena é exibida no Brasil, desta vez "Casi Ángeles", pela Bandeirantes. A emissora optou por transmitir a segunda e a terceira temporada da trama, a segunda com uma audiência extraordinária para a emissora. Entretanto, a terceira foi um fracasso, resultado de diversos cortes que foram feitos pela emissora, respeitando a classificação indicativa estabelecida pelo Ministério da Justiça. Para promover a trama, a banda Teenangels, derivada da trama, visitou o país e gravou a versão em português de três músicas da trilha sonora original. Todas as cópias disponíveis do CD foram vendidas em apenas um mês.