O Bem-Amado é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 22 de janeiro a 3 de outubro de 1973, em 178 capítulos. Substituiu O Bofe e foi substituída por Os Ossos do Barão, sendo a 17.ª "novela das dez" produzida pela emissora.

Sua história central é baseada na peça teatral Odorico, o Bem-Amado, escrita na década de 1960 por Dias Gomes, também autor da trama, que desenvolveu a novela como uma crítica velada à política do país, que na época passava pelo regime da Ditadura Militar. Com direção de Régis Cardoso, foi a primeira produção dramatúrgica em cores da TV brasileira e a primeira novela do país a ser exportada para outros países; entre eles México, Chile e Estados Unidos.

Conta com as atuações de Paulo Gracindo, Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Jardel Filho, Sandra Bréa, Ida Gomes, Dorinha Duval e Dirce Migliaccio nos papéis principais.

Sinopse O prefeito Odorico Paraguaçu é um político demagogo e corrupto que, com seus discursos inflamados e verborrágicos, ilude o simplório povo da pequena Sucupira, no litoral baiano. A meta prioritária de sua administração é a inauguração do cemitério local, criticada pela oposição ao seu governo, liderada pela família Medrado, que comanda a polícia local, pelo dentista Lulu Gouveia e pelo jornalista Neco Pedreira, editor-chefe do jornal A Trombeta.

O braço direito de Odorico na prefeitura é seu secretário Dirceu Borboleta, um tipo tímido, gago e desastrado que ama caçar lepidópteros. As maiores correligionárias do prefeito são as irmãs Cajazeiras: Doroteia, Dulcineia e Judiceia. Solteironas e falsas carolas, cada uma mantem um caso secreto com Odorico, sem que uma saiba da outra. Até que Dulcineia engravida e o prefeito arma para que a paternidade do bebê recaia sobre o desligado Dirceu.

Maquiavelicamente, Odorico planeja a morte de alguém na cidade para que seu cemitério seja inaugurado. Porém, acaba sempre malsucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do depressivo farmacêutico Libório, todas frustradas, nem o desejo de Zelão de voar como um pássaro (e a expectativa de que ele se arrebente no chão), nem um tiroteio na praça, um crime e um moribundo da cidade vizinha lhe proporcionam a realização desse sonho.

Até que o prefeito tem a ideia de mandar trazer a Sucupira o famoso matador Zeca Diabo para encomendar o serviço, não importando a vítima. Só que Odorico não contava que o assassino profissional, arrependido de seu passado de crimes, estivesse aposentado, importando-se apenas com a mãe velhinha, a crença no Padre Cícero e com o sonho de tornar-se cirurgião-dentista.

Odorico ainda enfrenta o idealista médico Juarez Leão, obstinado na missão de salvar vidas. Abalado pelo trauma de ter perdido a esposa em suas mãos durante uma cirurgia, o doutor bebe, mas faz um bom trabalho em Sucupira cuidando da saúde do povo – para o desespero do prefeito. Juarez arrebata o coração de Telma, a temperamental filha de Odorico, que vive a criticar os métodos do pai, desconfiada de que ele foi responsável pela morte de sua mãe.

Elenco Intérprete Personagem Paulo Gracindo Odorico Paraguaçu José Tranquilino da Conceição (Zeca Diabo) Emiliano Queiroz Dirceu Pena (Dirceu Borboleta) Jardel Filho Dr. Juarez Leão Sandra Bréa Telma Cajazeira Paraguaçu Ida Gomes Dorotéia Cajazeira (Dó) Dorinha Duval Dulcinéia Cajazeira (Du/Dulce) Dirce Migliaccio Judicéia Cajazeira (Juju) Carlos Eduardo Dolabella Manoel Pedreira (Neco) Gracindo Júnior Jairo Portela Maria Cláudia Adalgisa Portela (Gisa) Zilka Salaberry Donana Medrado Dilma Lóes Anita Medrado Rogério Fróes Padre Honório (Vigário) Ana Ariel Zora Paraguaçu Ruth de Souza Francisca da Anunciação (Chiquinha do Parto) Milton Gonçalves Zelão das Asas João Paulo Adour Cecílio Cajazeira Paraguaçu (Cecéu) Lutero Luiz Luiz Gouveia (Lulu Gouveia) Joaquim Medrado (Joca) Angelito Mello Mestre Ambrósio da ConceiçãoRafael de Carvalho Coronel Emiliano MedradoÁlvaro Aguiar Coronel Hilário Cajazeira Wilson Aguiar Nezinho do Jegue Arnaldo Weiss Libório Nascimento Suzy Arruda Dona Florzinha Pena Augusto Olímpio Cabo Ananias Jorge Botelho Arnaldo Fernandes (Nadinho) Juan Daniel Seu Pepito / Don Pepito João Carlos Barroso Eustórgio Tranquilino da Conceição / Eustórgio Penha da Conceição Maria Teresa Barroso Cotinha Cajazeira Dartagnan Mello Carlito Medrado Apolo Corrêa Maestro Sabiá Antônio Carlos Ganzarolli Tião Moleza Guiomar Gonçalves Maria da Penha (Penha) Tereza Cristina Mariana da Conceição Isolda Cresta Odete Nascimento Marta Anderson Jerusa Eliezer Motta Quelé Nair Prestes Balbina Jorge Cândido Plácido

Participações especiais Intérprete Personagem Analy Alvarez Lúcia Leão Paulo Ramos Dr. Gerson NovaisAndré ValliErnesto Cajazeira (Primo Ernesto)Lídia MattosVirgínia Fernandes (mãe do Nadinho)Paulo RezendeAntônio Cajazeira (Tonico)Rogério D'ÉliaFábio Cajazeira (Fabinho)Carmem CéliaDona Hermínia da Conceição (mãe de Zeca Diabo, Mestre Ambrósio e Mocinha/Jaciara) Enock Batista VilelaFausto FamaVereador Minondas Geny do Amaral Rosa Cajazeira Paraguaçu (falecida esposa de Odorico, mãe de Telma e Cecéu) Milenka Rangan Telma (criança) Nanai Vereador Demerval Pereira da Silva (Demerval Barbeiro) Maria Lygia Anália Gouveia Valéria Amar Jaciara da Conceição, (chamada inicialmente de Mocinha, é irmã de Zeca Diabo e Mestre Ambrósio) Alciro Cunha Delegado que colhe depoimentos de Juarez, sobre da morte do Dr. Nésio Frota Antônio Victor Juiz de Sucupira César Augusto morador de Sucupira Cláudio Ayres da Motta jornalista estrangeiro Claudioney Penedo jagunço de Hilário Irma Álvarez secretária do editor no Rio que debocha do livro de Neco Isabela Garcia uma das filhas de Ernesto Ivan de Almeida pescador interpelado por Chiquinha, que busca notícias de ZelãoJoão SignorelliJornaleiro / Engraxate José Maria Monteiro promotor que investiga a suspeita de Anita ter assassinado Nadinho Lionel Fischer policial do Rio que vai a Sucupira prender Jairo, condenado por estelionato, no final Luiz Magnelli entre os investigadores que prendem Neco Pedreira e Jerusa no Rio Marcelo Baraúna advogado de Jairo Mário Lago narrador no último capítulo Ricardo Garcia menino no consultório de Lulu com medo de Zeca Diabo Samuel Bertoldo amigo de Odorico Thelma Reston dona da pensão em Salvador onde Odete aluga um quarto Carla Daniel figurante do Grande Hotel Daniel Filho figurante no Grande Hotel Júlio César figurante no Grande Hotel

Produção Antecedentes A trama principal de O Bem-Amado é baseada em um texto escrito no início da década de 1960 pelo dramaturgo Dias Gomes, que inspirou-se em uma história contada pelo jornalista Nestor de Holanda. Segundo este, o cantor Jorge Goulart, ao se apresentar em uma cidade do Espírito Santo, soube, através dos moradores, que o prefeito havia construído um cemitério, porém não pôde inaugurá-lo por ninguém falecer. Assim, Gomes escreveu a peça Odorico, o Bem-Amado pensando em levá-la para encenação ao Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, cujo diretor Flávio Rangel recusou-a por optar representar outra obra.

Em 1962 a revista Claudia encomendou um conto para sua edição de Natal a Dias Gomes, que mandou Odorico, o Bem-Amado. Benjamin Cattan, diretor e produtor do TV de Vanguarda, programa da TV Tupi de São Paulo, solicitou autorização da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais para produzir e transmitir a obra na atração, sendo exibida em junho de 1964. A peça estreou no teatro em Salvador, capital da Bahia, no ano de 1965, passando a ser excursionada em outras cidades e obtendo sucesso.

O texto de Gomes foi adaptado com modificações para ser uma novela na TV Globo, que teve produção iniciada em 1972.

Gravações Primeiras feitas em cores para uma telenovela no Brasil, com parte dos custos arcados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica através de subvenção, as gravações de O Bem-Amado começaram em novembro de 1972, quando uma equipe composta de diretores, técnicos e atores protagonistas viajou a Salvador para realizar as primeiras cenas, externas, em que o personagem Odorico Paraguaçu visitava a cidade vindo da fictícia Sucupira, também na Bahia — esta foi reproduzida no bairro Sepetiba e em áreas próximas, no Rio de Janeiro, onde toda a trama foi rodada. As filmagens em estúdio ocorreram na sede da Globo, no Jardim Botânico, também no Rio.

Censura Transmitida no período em que o Brasil estava sob ditadura militar, a novela foi afetada por intervenções do serviço de censura do governo federal. Para que fossem ao ar, os capítulos eram editados com antecedência e enviados para avaliação do órgão responsável por aprovar ou não a divulgação pública de obras de entretenimento.

As ações dos censores, que temiam intranquilidade quanto aos textos de Dias Gomes, críticos ao regime, consistiram em vetos de diversas páginas dos roteiros de 37 capítulos da trama e proibição de palavras como "coronel" e "capitão" (o termo "coronel" era usado para Odorico Paraguaçu, Hilário Cajazeira e Emiliano Medrado, já o termo "capitão" era usado para Zeca Diabo e eram considerados pelos militares como de utilização negativa ligada a eles), resultando no apagamento do áudio de gravações já realizadas, além de haver implicação com os comportamentos dos personagens Odorico, que mantinha relação com as três irmãs Cajazeiras, e de Telma, taxada de libertina.

O tema de abertura original da novela, que seria "Paiol de Pólvora", foi impedido de ser utilizado antes da estreia devido a versos vistos como forma de protesto contra atos de militares na ditadura. Segundo Toquinho, que compôs e interpretou a música com Vinicius de Moraes, ela era uma referência ao Teatro Paiol, em Curitiba. Em substituição a esta, ele escreveu "O Bem-Amado", cantada pelo grupo MPB4, creditado no disco da trilha sonora nacional da trama como Coral Som Livre, mas foi usado na vinheta de intervalo.

Exibição Os capítulos de O Bem-Amado estrearam primeiro na TV Globo Rio de Janeiro, sendo exibidos de 22 de janeiro a 3 de outubro de 1973, enquanto na emissora de São Paulo foram ao ar de 24 de janeiro a 9 de outubro. Com 177 capítulos no roteiro, a novela teve um a mais no tempo de arte devido ao desmembramento do de número 175 em dois.

Reprises Foi reprisada entre 3 de janeiro e 24 de junho de 1977, em 120 capítulos, também na faixa das 22 horas, de forma emergencial devido ao veto pela censura do governo brasileiro a Despedida de Casado, que não teve sinopse aprovada, pouco antes da estreia. Na ocasião, O Bem-Amado substituiu Saramandaia e foi substituída por Nina.

Foi reprisada em um compacto de noventa minutos no Festival 15 Anos, especial comemorativo de aniversário da Globo, em 6 de março de 1980, com apresentação da atriz Zilka Salaberry.

Foi reprisada pelo Vídeo Show de forma compacta em quinze capítulos da trama no quadro Novelão, de 7 a 25 de janeiro de 2013.

Exibição internacional O Bem-Amado foi a primeira produção dramatúrgica do Brasil a ser exportada, abrindo o mercado estrangeiro para exibição das novelas do país — até então apenas textos eram comercializados. A primeira veiculação internacional ocorreu em 1976 pela Monte Carlo Televisión, do Uruguai, e no México. No ano seguinte, a trama estava sendo transmitida na América Latina (exceto Venezuela) e nos Estados Unidos através da Spanish International Network. Os 178 capítulos foram editados em 223 na distribuição por ser exigida uma duração menor. O folhetim também foi vendido para Portugal. Ao todo trinta países exibiram a novela.

Outras mídias Em outubro de 2012 O Bem-Amado foi lançada em um box de 10 DVDs pela Globo Marcas.