A Antropologia da Religião envolve o estudo das instituições religiosas em relação a outras instituições sociais, e da comparação de crenças e práticas religiosas em diferentes culturas.
Perspectivas No século XIX, a Antropologia era dominada por um interesse na evolução cultural; a maioria dos antropólogos assumiu uma distinção simples entre religião considerada "primitiva" e "moderna" e tentou fornecer relatos de como a primeira evoluiu para a segunda. No século XX, a maioria dos antropólogos rejeitou essa abordagem.
Hoje, a Antropologia da Religião reflete a influência ou o envolvimento de teóricos como Karl Marx, Sigmund Freud, Émile Durkheim, Max Weber, Marcel Mauss, Victor Turner, Clifford Geertz e Talal Asad, dentre outros.
A religião para a Antropologia Evolucionista Os antropólogos evolucionistas postulavam que certas práticas e crenças religiosas eram universais a todas as culturas. Todas as sociedades, em algum momento do seu desenvolvimento, teriam desenvolvido a crença em espíritos ou fantasmas, ou teriam feito uso de magia como um meio de controlar o supernatural; teriam também feito o uso de adivinhação como um meio de descobrir conhecimento oculto; ou ainda, buscariam os resultados de rituais tal como oração e sacrifício como um meio de influenciar o resultado de vários eventos através de uma agência sobrenatural, às vezes sob a forma de xamanismo ou culto aos antepassados.
Por situar-se no entrecruzamento de dois fenômenos caros às sociedades ocidentais, a ciência e a religião, a magia foi uma das primeiras e mais fecundas questões teóricas da Antropologia. A primeira teorização da magia na antropologia – feita pela Escola Evolucionista – a concebeu como um estágio anterior à ciência, pelo qual todas as sociedades deveriam passar. James Frazer considerava a magia uma forma de ciência, pelo fato dela pretender agir sobre a natureza; contudo, por oferecer apenas explicações parciais, ela a considerava uma protociência. Para chegar ao estatuto de verdadeira ciência, a magia deveria, antes, transformar-se em religião. Para sustentar esta hipótese, Frazer partiu do princípio de que a magia sustentar-se-ia no temor pelo desconhecido e inexplicável, a religião ensinaria a veneração e a ciência demonstraria o amor à verdade.
Frazer elaborou uma teoria geral da magia para as sociedades primitivas, segundo a qual ela seria regida por dois princípios, o da similaridade e o do contato, que governariam as associações de ideias no espírito humano. A partir destes dois princípios Frazer classificou a magia em dois tipos, a magia imitativa – regida pela lei da similaridade - e a magia contagiosa – regida pela lei do contato. Da mesma forma que Edward Tylor, Frazer concebeu a magia como uma associação de ideias errôneas e, por este motivo, a classificou como “simpática”, ou seja, como algo que estabelece entre as coisas relações que não existem.
A religião para Durkheim: As Formas Elementares da Vida Religiosa
Em 1912 Émile Durkheim publicou o livro As Formas Elementares da Vida Religiosa. Baseado no trabalho de Feuerbach, o sociólogo considerou a religião "uma projeção dos valores sociais da sociedade", "um meio de fazer afirmações simbólicas sobre a sociedade", "uma linguagem simbólica que faz afirmações sobre a ordem social"; em suma, "religião é sociedade que se cultua a si mesma". miniaturadaimagem|Símbolos religiosos
Geertz e a abordagem hermenêutica da religião Clifford Geertz buscou compreender a religião como fato cultural. O antropólogo norte-americano compreendia a cultura como um sistema de códigos simbólicos, construídos pelo próprio processo de desenvolvimento social e decodificados pelos membros que vivem neste sistema (tendo em vista que "a cultura é pública porque seu significado o é". O homem, segundo Geertz, é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo ajudou a tecer. Se cultura é uma teia de significados, mediada por símbolos, portanto a religião é um sistema de símbolos.
Geertz investigou como os símbolos adequam as ações humanas à ordem cósmica, à visão de mundo descrita pela religião. A religião seria a instância que ajustaria as ações humanas a esta ordem cósmica, projetando esta ordem nas próprias ações. O ritual, por sua vez, era compreendido por Geertz como um comportamento consagrado, que reforça a ideia de que as concepções religiosas são verdadeiras e as ações propostas, corretas. É no ritual que acontece a “transformação idiossincrática”, a “fusão simbólica” entre o ethos e a visão de mundo.
De acordo com Clifford Geertz, religião é "(1) um sistema de símbolos que atua para (2) estabelecer poderoso, penetrante, e modos de longa duração e motivações nos homens por (3) formulação de concepções de ordem geral da existência e (4) vestindo essas concepções com tal aura de factualidade que (5) os humores e motivações parecem singularmente realistas" (Geertz 1966).C. Geertz, "Religião como Sistema Cultural," em Anthropological Approaches to the Study of Religion , ed. M. Banton (Londres: Tavistock, 1966): 1-46
A religião como uma categoria antropológica Talal Asad discute a elaboração de teorias que afirmam a especificidade da religião frente a outras esferas sociais. De acordo com o autor, muitas das teorias sobre religião partem de um modelo ocidental moderno, o qual imprime à religião um caráter trans-histórico e transcultural. Seu argumento é que “não pode haver uma definição universal de religião, não apenas porque seus elementos constituintes e suas relações são historicamente específicos, mas porque esta definição é ela mesma o produto histórico de processos discursivos".
Neste sentido, o autor propõe que a antropologia da religião assuma como sua tarefa principal a explicitação das condições sociais de produção da religião, descrevendo e analisando os processos sociais que configuram o que é religioso em cada sociedade, ao invés de supor a existência de critérios cognitivos e universais capazes de determinar o que é a religião. Para isso, os antropólogos devem lançar mão da comparação como estratégia metodológica para demonstrar como as religiões são produtos de configurações sociais específicas.
Outras perspectivas tipológicas Anthony F.C. Wallace propõe quatro categorias de religião. Essas são, no entanto, categorias sintéticas e não abrangem necessariamente todas as religiões:
Individualista: Exemplo: busca da visão. Xamanístico: Praticante religioso em tempo parcial, usa a religião para curar, para adivinhar, geralmente em nome de um cliente. Os Tillamook têm quatro categorias de xamã. Exemplos de xamãs: espiritualistas, curadores da fé, leitores da palma da mão. Aquele que adquiriu autoridade religiosa através dos seus próprios meios. Comunal: elaborado conjunto de crenças e práticas; grupo de pessoas dispostas em clãs por linhagem, faixa etária ou algumas sociedades religiosas; as pessoas assumem papéis baseados no conhecimento e no culto ancestral. Eclesiástico: Incorpora elementos dos três anteriores.
Práticas e crenças religiosas específicas
Amuleto Animismo Apoteose Apotropismo Astrologia Autoridade Culto Culto dos mortos Daemon Demónio Deus Deusa Dor Esoterismo Exorcismo Êxtase religioso Fantasma Fertilidade Fetiche Gênio Heresia Ícone Imortalidade Intercessão Magia Magia simpática Maldade Maldição Mana Maná Máscara Medicina Milagre Mito Monoteísmo Necromancia Nova Era Ocultismo Oferenda Oração Peregrinação Politeísmo Presságio Profecia Religião de mistérios Renascimento Ritual Salvação Sacrifício Sobrenatural Súplica Talismã Tarô Teísmo Totem Xamanismo
Ver também Sociologia da religião
Nota Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Anthropology of religion».
Referências
Bibliografia
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Ligações externas
Homepage of The Society for the Anthropology of Religion within The American Anthropological Association M.D. Murphy, University of Alabama
Andrew Lang, Anthropology and Religion, The Making of Religion, (Chapter II), Longmans, Green, and C°, London, New York and Bombay, 1900, pp. 39-64. ISER - Instituto de Estudos da Religião