Lucélia Borges Pardim, também conhecida como Lucélia Borges (Bom Jesus da Lapa (Bahia), 19 de julho de 1981), é uma artista plástica, pesquisadora das tradições populares e contadora de histórias brasileira, que se dedica principalmente à arte da xilogravura.

Biografia Borges possui graduação em Letras com habilitação em Línguas Portuguesa e Inglesa pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB - (2002-2006) e é mestre em Estudos Culturais pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente reside em São Paulo, onde atua como produtora cultural, xilogravadora e contadora de histórias.

Sua estreia profissional na xilogravura ocorreu em 2017, após uma oficina ministrada na cidade de Lorena (SP), por Valdeck de Garanhuns e Regina Dozina, seus mestres e verdadeiros iniciadores nesta arte milenar. A primeira capa para um folheto nasceu de uma encomenda do poeta Pedro Monteiro, que adaptou para o cordel a lenda piauiense do Cabeça de Cuia. Em um cenário predominantemente masculino, como o da xilogravura popular e do cordel, enfrentou, em vários momentos, o machismo e a misoginia, além de apropriações indevidas de sua arte.

Com vistas à promoção da literatura de cordel como patrimônio cultural brasileiro e de suas interfaces, assumiu, em dezembro de 2025, a presidência do Instituto Cordel sem Fronteiras, sediado em São Paulo, cuja diretoria é composta majoritariamente por mulheres.

Usando a técnica da xilogravura, ilustrou vários folhetos de cordel de autores como José Walter Pires, Nilza Dias, Daniella Bento, João Gomes de Sá, Josenir Lacerda, Maria Celma, Paulo Dantas, Telma Braga, Braulio Tavares, Isabelly Moreira e Auritha Tabajara, e os livros infantojuvenis Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova Alexandria) e Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse (Editora de Cultura). Ilustrou, ainda, A jornada heroica de Maria, de Marco Haurélio (Melhoramentos), obra selecionada para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha (Itália) e premiada com os selos Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, com o selo Seleção Cátedra-Unesco da PUC-Rio, , alémde ter sido selecionada para o PNLD Literário 2024.

A artista colabora frequentemente com seu esposo, o pesquisador e cordelista Marco Haurélio, na recolha e transcrição de contos populares, brincadeiras e rondas infantis em livros como Vozes da Tradição (IMEPH), Contos e fábulas do Brasil (Nova Alexandria) e Vamos todos cirandar (Movimenta). Assina ainda as xilogravuras do livro Contos encantados do Brasil (Aletria), de Marco Haurélio, premiado com o selo Seleção Cátedra-Unesco da PUC-Rio (produção de 2022). O mesmo livro recebeu, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o selo Altamente Recomendável na categoria Reconto e integra as obras selecionadas para o PNLD Literário 2024. Em 2026, uma obra do casal, O Dragão da Maldade e a Donzela Guerreira, com texto de Haurélio e ilustração de Borges, foi selecionada como leitura obrigatória do Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, para o Exame de Seleção para os Cursos de Mestrado e Doutorado – ingresso 2027, da Universidade de São Paulo, ao lado de clássicos de Guimarães Rosa, José de Alencar e Florbela Espanca.

Participou de importantes exposições pelo Brasil, entre elas as mostras Mulheres na xilogravura, do Museu do Folclore, no Rio de Janeiro, e Vidas em Cordel, do Museu da Pessoa, atuando como curadora visual desta última. Suas obras também fazem parte da exposição permanente  Migrar – Histórias Compartilhadas Sobre Nós, do Museu da Imigração de São Paulo.

Obra

Como ilustradora Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova Alexandria, 2019). Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse (Editora de Cultura, 2019). A jornada heroica de Maria, de Marco Haurélio (Melhoramentos, 2019). Contos encantados do Brasil, de Marco Haurélio (Aletria, 2022). O sonho de Lampião, de Penélope Martins e Marco Haurélio (Principis/Ciranda Cultural, 2022). O Dragão da Maldade e a Donzela Guerreira, de Marco Haurélio (Palavras, 2023). Muntara, a guerreira, de Penélope Martins e Tiago de Melo Andrade (Lê Editorial, 2024). Cordéis antológicos de Bule-Bule (Nova Alexandria, 2024). Histórias por um mundo melhor, de Costa Senna (Global Editora, 2025). Cordéis para a vida inteira, de Marco Haurélio (Movimenta, 2025). Entrevistas de repente, de Alexandre de Castro Gomes (Editora Baobá, 2026). Um cordel para Aldear a Educação, de Auritha Tabajara (Instituto Socioambiental, 2026). Úrsula em Cordel, de Nilza Dias (Nova Alexandria, 2026). Como autora Vamos todos cirandar, parceria com Marco Haurélio. Ilustrações de Aline Guimarães (Movimenta, 2025).

Categoria:Artistas plásticos do Brasil