Suriname (; ; ; ), oficialmente chamado de República do Suriname (em neerlandês: Republiek Suriname), é um país do norte da América do Sul, limitado a norte pelo oceano Atlântico, a leste pela França (Guiana Francesa), a sul pelo Brasil e a oeste pela Guiana. Com pouco menos de 165 000 km², é o menor país da América do Sul. O Suriname tem uma população de aproximadamente (2022 est.), a maioria dos quais vive na costa norte do país, dentro ou nos arredores da capital e maior cidade do país, Paramaribo. O Suriname tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,722, considerado alto, e com uma renda per capita de US$ 6 373 e perspectiva média de vida ao nascimento de .
Suriname foi por muito tempo habitado por vários povos indígenas antes de ser explorado e contestado pelas potências europeias do século XVI, chegando finalmente ao domínio holandês no final do século XVII. Durante o período colonial holandês, foi principalmente uma economia de plantação dependente de escravos africanos, mas que, após a abolição da escravidão, servos da Ásia foram contratados. Em 1954, Suriname tornou-se um dos países constituintes do Reino dos Países Baixos. Em 25 de novembro de 1975, Suriname deixou o Reino dos Países Baixos para se tornar um estado independente, mantendo, no entanto, estreitos laços econômicos, diplomáticos e culturais com seu antigo colonizador.
A rigor, apesar da contiguidade geográfica, é incorreto classificar o país como sendo integrante da América Latina devido à sua colonização pelos Países Baixos, cujo idioma, o neerlandês é de matriz germânica, assim como o inglês. Este fato favorece um vínculo cultural com a Guiana e com vários países da região do Caribe colonizados por britânicos e neerlandeses.
O Suriname é considerado um país culturalmente caribenho e é membro da Comunidade do Caribe (CARICOM). Enquanto o neerlandês é a língua oficial do governo, dos negócios, da mídia e da educação, o sranan ou surinamês, uma língua crioula baseada no inglês, é uma língua franca amplamente usada no país. O Suriname é a única nação soberana fora da Europa, onde o neerlandês é falado pela maioria da população. Como legado da colonização, o povo do Suriname está entre os mais diversos do mundo, abrangendo uma grande quantidade de grupos étnicos, religiosos e linguísticos.
Etimologia O nome Suriname pode derivar de um povo indígena chamado Surinen, que habitava a área na época do contato com os europeus."Suriname", The New Encyclopædia Britannica, Encyclopædia Britannica, Volume 5. Edição 15, Encyclopædia Britannica, 2002, p. 547 O sufixo -ame, comum em nomes de lugares e rios surinameses (veja também o rio Coppename), pode vir de aima ou eima, significando a foz do rio ou riacho em lokono, uma língua aruaque falada no país. As primeiras fontes europeias dão variantes de "Suriname" como o nome do rio no qual as colônias foram fundadas. Lawrence Kemys escreveu em "Relation of the Second Voyage to Guiana" sobre a passagem de um rio chamado "Shurinama" enquanto viajava ao longo da costa. Em 1598, uma frota de três navios holandeses em visita à Costa Selvagem menciona a passagem pelo rio "Surinamo". Em 1617, um notário holandês soletrou o nome do rio em que existia um entreposto comercial holandês três anos antes como "Surrenant". Os colonos britânicos, que em 1630 fundaram a primeira colônia europeia em Marshall's Creek ao longo do rio Suriname, soletraram o nome como "Suriname"; essa seria por muito tempo a grafia padrão em inglês. O navegador holandês David Pietersz de Vries escreveu sobre viajar pelo rio "Sername" em 1634 até encontrar uma colônia inglesa ali; a vogal terminal permaneceu nas futuras grafias e pronúncias holandesas. Em 1640, um manuscrito espanhol intitulado "Descrição geral dos domínios de Sua Majestade na América" chamou o rio de "Soronama". Em 1653, instruções dadas a uma frota britânica navegando para encontrar Lord Willoughby em Barbados — que na época era a sede do governo colonial inglês na região — novamente soletrou o nome da colônia como "Suriname". Uma carta real de 1663 dizia que a região ao redor do rio era "chamada de Serrinam, também Surrinam".
Como resultado da grafia "Surrinam", fontes britânicas do século XIX ofereceram a etimologia popular "Surryham", dizendo que era o nome dado ao rio Suriname por Lord Willoughby, na década de 1660, em homenagem ao Duque de Norfolk e ao Conde de Surrey, quando uma colônia inglesa foi estabelecida sob uma concessão do rei Carlos II. Esta etimologia popular pode ser encontrada repetida em fontes posteriores da língua inglesa. Quando o território foi tomado pelos holandeses, passou a fazer parte de um grupo de colônias conhecido como Guiana Holandesa. A grafia oficial do nome em inglês do país foi alterada para "Suriname" em janeiro de 1978, mas "Surinam" ainda pode ser encontrado em inglês.
História
Colonização
esquerda|thumb|Javaneses imigrantes trazidos como trabalhadores contratados das Índias Orientais Holandesas. A foto foi tirada entre 1880 e 1900.
O Suriname foi primariamente conquistado por espanhóis no e em meados do XVII os ingleses estabeleceram-se lá.
Embora mercadores neerlandeses tivessem estabelecido várias colónias na região da Guiana antes, os neerlandeses não tomaram posse do que é hoje o Suriname até ao Tratado de Breda, em 1667,Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1 que marcou o fim da Segunda Guerra Anglo-Holandesa. Em 1863 foi abolida a escravatura, e devido a isso começaram a ser trazidos trabalhadores da Índia e de Java.
Independência, golpe militar e guerra civil
thumb|upright|Paramaribo em 1955
Depois de se tornar numa parte autônoma do Reino dos Países Baixos, em 1954, o Suriname conseguiu a independência em 25 de novembro de 1975. Um regime militar dirigido por Desi Bouterse governou o país nos anos 80 até que a democracia foi restabelecida em 1988. É um país de baixa densidade demográfica. Diferentemente de outros países da América Latina que tiveram governos militares nas décadas de 1960 e 1970, o Suriname sofreu com um golpe de estado em 25 de fevereiro de 1980 dado pelo General Desi Bouterse, declarando o país como uma República Socialista. No dia seguinte o primeiro-ministro foi afastado por decisão do Conselho Militar Nacional (CMN) que fez um apelo aos líderes da oposição para governar o país, momento no qual vários líderes de esquerda tomaram as rédeas do governo.
Nos primeiros anos o governo estabeleceu relações com Cuba, enfrentando oposição interna e externa vinda principalmente dos Estados Unidos e dos Países Baixos. Em 8 de dezembro de 1982 jornalistas, intelectuais e líderes sindicais contrários ao governo de Bouterse foram presos, torturados e assassinados, provocando a suspensão de todos os acordos de cooperação assinados entre os Países Baixos e sua ex-colônia (desde agosto de 2008 Bouterse aguarda julgamento no Suriname por estes crimes). Em um esforço para reduzir o isolamento do Suriname, o governo aderiu à Comunidade do Caribe (CARICOM), como observador, restabelecendo relações com países como Granada, Nicarágua, Brasil e Venezuela. thumb|upright|Tenente Coronel Desiré Delano Bouterse, que destituiu Johan Henry Eliza Ferrier depois do golpe militar de fevereiro de 1980.
Em 29 de novembro de 1986, mais uma vez a violência do governo de Bouterse foi direcionada contra os opositores em um ataque efetuado por uma unidade militar à aldeia de Moiwana. A casa do chefe da oposição armada, Ronnie Brunswijk, foi incendiada e 35 pessoas foram sumariamente executadas, principalmente mulheres e crianças. A repressão foi tanta que quando as investigações do caso foram reabertas em 1990, o inspetor-chefe encarregado do novo inquérito, Herman Gooding, foi assassinado, sendo seu corpo jogado na frente dos escritórios de Bouterse.
Em abril de 1987, a assembleia nacional aprovou uma constituição que proporcionou um enquadramento para o retorno às instituições. O projeto teve o apoio dos três principais partidos políticos do país e do exército. Nas eleições de 1988, a Frente para a Democracia e Desenvolvimento foi vitoriosa. Em julho de 1989, o presidente Ramsewak Shankar negociou uma anistia para os guerrilheiros, dando a possibilidade destes manterem-se armados no interior da selva. Bouterse, do PDN (Partido Democrático Nacional) opôs-se à medida, alegando que seria legalizar uma força militar autônoma.
A Nova Frente (NF) venceu as eleições para a Assembleia Nacional em maio de 1991, e uma das suas principais propostas foi a de restabelecer as relações com o governo neerlandês. Em 16 de setembro, Ronald Venetiaan, líder da NF, foi eleito presidente em outubro e iniciou uma política de redução de gastos da defesa e das Forças Armadas. Deu-se início a um processo de paz com a guerrilha e movimentos de desarmamento, sob a supervisão da Guiana e do Brasil, representando as Nações Unidas. Em 1993, o país sofreu com a queda no preço de bauxita e sua economia diminuiu a uma taxa média anual de 2,6%. O novo governo civil teve um rigoroso programa de ajustamento estrutural, o que resultou em um significativo descontentamento na população. Pobreza e desemprego no país formaram o pano de fundo da ocupação da barragem de Afobakka, a 100 km ao sul de Paramaribo, em março de 1994. Os rebeldes, que exigiam a deposição do governo, foram expulsos por tropas governamentais após quatro dias de ocupação.
Em abril de 1997, os Países Baixos lançaram um mandado de captura internacional contra o ex-ditador Bouterse, que era suspeito de manter ligações com o tráfico de drogas no Suriname. Em resposta, o presidente Jules Wijdenbosch foi nomeado como assessor do ex-ditador do Estado, com o que ganhou imunidade diplomática. Mais tarde naquele ano, uma tentativa de golpe levou à prisão de 17 oficiais de baixa graduação. A tentativa de golpe foi relacionada às condições de trabalho dos soldados, prejudicada pelos baixos salários e equipamentos obsoletos. Agitação social e uma crise econômica sem precedentes intensificaram-se no início de 1999. A maior greve geral na história do Suriname, que praticamente paralisou o país, e grandes manifestações de protesto ocorreram em Paramaribo tomou meses para colocar ao parlamento em Junho, o gabinete Wijdenbosch, acusando o colapso econômico do país.
Século XXI Em maio de 2000, a NF venceu as eleições parlamentares e, em agosto, Venetiaan foi eleito presidente com 37 dos 51 votos da Assembleia Nacional. As tensões entre Suriname e Guiana, devido à disputa que durante décadas foi exacerbada por águas territoriais, aumentaram em junho de 2000, quando um navio surinamês foi forçado a retirar para a empresa canadense CGX Energia, que tinha obtido permissão de exploração petrolífera da Guiana. Em julho, depois de os líderes de ambos os países não chegarem a um acordo após vários dias de negociações na Jamaica, a empresa canadense suspendeu o projeto. Em meados de 2001, durante a cerimônia de transferência de comando, o antigo comandante do exército nacional Sedney Glenn ofereceu suas desculpas à comunidade surinamesa por "feridas e divisões" que os militares haviam causado no passado.
Em maio de 2002, o presidente Ronald Venetiaan expressa a necessidade de monitorar continuamente o respeito pela liberdade de expressão e do reconhecimento de que, em 1980 e as décadas de 1990, houve incidentes de intimidação contra jornalistas e editores e estações de rádio. Venetiaan assinou a Declaração de Chapultepec, pela liberdade de expressão. A Associação dos Jornalistas recebeu as boas-vindas, salientando a necessidade de alterar algumas leis em conformidade com as orientações contidas na declaração.