Dom José Joaquim Ribeiro (Degolados, Campo Maior, 4 de fevereiro de 1918 - Évora, 27 de julho de 2002) foi um bispo católico romano português e um grande defensor intransigente dos timorenses, tanto no período final dos portugueses, quer na invasão cruel de Timor-Leste pelos indonésios em 7 de dezembro de 1975. Esteve perto de dois anos a viver sob à invasão bárbara das Forças Armadas da Indonésia (Bakin) perpetou sobre Timor-Leste.

Biografia Frequentou o Seminário Maior de Évora, onde foi ordenado sacerdote, na Arquidiocese de Évora, em , na Capela do Carmelo de Fátima, e mais tarde celebrando a primeira missa em Elvas, no dia seguinte.

Exerceu os cargos de prefeito e professor do Seminário Menor de Vila Viçosa, 1940-1944; e prefeito, professor e diretor espiritual do Seminário Menor de Vila Viçosa, e vice-reitor, em 1951.

Preparou e dirigiu o Congresso Eucarístico de Elvas, em 1949, e organizou várias peregrinações diocesanas ao solar da padroeira em Vila Viçosa. Em viagem de estudo, percorreu os seminários de Espanha, França e Bélgica, em estágios de espiritualidade na "Solitude", em Issy, em Paris, e no Seminario Diocesano Vitoria-Gastez, em Espanha.

Foi nomeado cónego da Sé de Évora a .

A foi eleito Bispo titular de Egeia e auxiliar do Arcebispo de Évora, D. Manuel Trindade Salgueiro, tendo sido sagrado na Sé de Évora a pelo Arcebispo de Évora, sendo consagrantes os Bispos do Algarve e Auxiliar de Braga, o D. Francisco Rendeiro, O.P., e D. Francisco Maria da Silva.

Tomou como divisa das suas armas de fé: Christus heri et hodie / Cristo é o mesmo ontem e hoje.

"Para a sua nomeação fez-se decerto sentir a influência do clero alentejano, se não foi o Núncio Apostólico [em Lisboa], monsenhor [Maximilien de] Fürstenberg, que impôs a sua marca protetora".Joaquim Veríssimo Serrão (2010), História de Portugal - A Governação de Salazar: Grandeza e Declínio, 1960-1968, 18.º vol., Lisboa, Babel, pp. 439-440. A foi nomeado bispo coadjutor do Bispo de Díli, com o direito de sucessão, tendo chegado a Díli, em .Padre Manuel Teixeira (1974), Macau e a sua Diocese: Missões de Timor, Macau, Tipografia da Missão do Padroado, p. 515.

Partiu no dia do Aeroporto de Lisboa e passou por Francoforte, Roma, Carachi, Bombaim, Banguecoque e Hong Kong. Aqui deu um salto "a Macau para, nesta cidade, demorar-se por alguns dias, no intuito de conhecer e contatar com o grupo de seminaristas timorenses que lá fazem os seus cursos de Filosofia e Teologia. Em Macau, o Sr. Bispo Coadjutor foi hóspede" do prelado,"A Diocese de Díli com os sentimentos de uma só alma que englobavam o venerando Prelado, Clero, Congregações Religiosas e Fiéis, prestou carinhosa receção ao Ex.mo. e Rev.mo. Sr. Bispo Coadjutor", Seara: Suplemento Semanal do "Boletim Eclesiástico da Diocese de Díli", ano 1, 3.ª série, n.º 6 (23 de fevereiro de 1966), p. 1. D. Paulo José Tavares.Ibid. Depois retomou a sua viagem em Hong Kong foi a Darwin, na Austrália, aonde ficou permaneceu de 14 a 16 de fevereiro na companhia do seu bispo D. John Patrick O'Loughlin, dos Missionários do Sagrado Coração (MSC). Finalmente, chegou ao Aeroporto Internacional de Baucau em 16 de fevereiro de 1966, para exercer as funções para que havia sido nomeado pelo Papa Paulo VI."A Diocese de Díli", Seara: Suplemento Semanal do "Boletim Eclesiástico da Diocese de Díli", ano 1, 3.ª série, n.º 6 (23 de fevereiro de 1966), p. 1. Posteriormente, o Bispo Coadjutor e o Bispo Residencial fizeram de Baucau até o Aeródromo Humberto da Cruz, de Díli, nos Transportes Aéreos de Timor (TAT). Esperavam por eles os mais alto representantes do meio civil e religioso, entre os quais o governador de Timor, o coronel de Estado-Maior José Alberty Correia. Ele acentuou que "vim eu e comigo veio tudo o que era meu - para a Diocese de Díli trago tudo o que sou e tudo o que tenho para me pôr incondicionalmente ao serviço da Igreja em Timor"."A Diocese de Díli com os sentimentos de uma só alma que englobam o venerando Prelado, Clero, Congregações Religiosas e Fiéis, prestou carinhosa receção ao Ex.mo. e Rev.mo. Sr. Bispo Coadjutor", Seara: Suplemento Semanal do "Boletim Eclesiástico da Diocese de Díli", ano 1, 3.ª série, n.º 6, (23 de fevereiro de 1966), p. 8.

Durante cerca de um ano como Bispo Coadjutor, ele teve como "as visitas pastorais e particulares à maior parte da Diocese; alguns turnos de Exercícios Espirituais a Religiosas e às estudantes do lar académico de Díli; e as conferências sobre os temas conciliares proferidas na pro-catedral. Sua Excia Revma. tem-se dedicado também aturadamente ao estudo dos magnos documentos do Concílio Vaticano II".

Em Díli decorreu, no dia 10 de outubro de 1966, a cerimónia do lançamento, pelo governador de Timor, coronel de Estado-Maior José Alberty Correia, da primeira pedra de futuro edifício da Escola Técnica Professor Doutor Joaquim da Silva Cunha, tendo a bênção sido administrada pelo Bispo Coadjutor, D. José Joaquim Ribeiro. Seguiu-se a sessão solene de abertura das aulas nos estabelecimentos de ensino secundário, que decorreu no Liceu Dr. Francisco Machado."Timor" in Boletim Geral do Ultramar, ano 17, n.º 496 (outono de 1966), p. 205.

No dia 28 de dezembro de 1966, o Bispo de Díli, D. Jaime Garcia Goulart informa que pediu a sua resignação em setembro ao Papa Paulo VI e aguarda "devido ao meu precário estado de saúde e fadiga".<ref>"Diocese de Díli: Timor - Comunicado Oficial do Bispo de Díli, D. Jaime Garcia Goulart", Seara: Suplemento Semanal do "Boletim Eclesiático da Diocese de Díli", ano 2, 3.ª série, n.º 51 (4 de janeiro de 1967), p. 1.</ref>

Até o dia 31 de janeiro de 1967, quando foi nomeado Bispo de Díli."O Novo Bispo de Timor é o Sr. D. José Joaquim Ribeiro", Diário da Manhã, ano 36, n.º 12.766 (2 de fevereiro de 1967), p. 1.

Episcopado em Díli Neste dia assumiu ipso facto o governo da Diocese de Díli, como seu Bispo Residencial em virtude de a Santa Sé ter aceitado, nesta data, a resignação do seu primeiro Bispo, D. Jaime Garcia Goulart.Tomás Bettencourt Cardoso, coord., (1999), Textos de D. Jaime Garcia Goulart: Bispo de Díli-Timor, 1945-1967, Macau, Fundação Macau, p. 351; e Jorge Barros Duarte (1981), Ainda Timor, Lisboa, GATIMOR - Gabinete dos Estudos de Timor, p. 20.

Começa logo a "aconselhar" a aposentação e a retirar dos lugares-chaves que ocupavam há muito tempo, alguns, com dezenas de anos, os velhos padre.

Pouco tempo depois, o Bispo de Díli veio a Lisboa, Évora e o Estado da Santa Sé, para tratar de assuntos da sua diocese. Entretanto, o governo do episcopado foi deixado ao padre novo José Correia Rolo, que era dos Salesianos. No dia 22 de agosto de 1967 ele regressou a Díli e logo teve pela frente o Stanley Ho Hung-sun (何鴻燊), pois fundou a Sociedade de Turismo e de Diversões de Timor (STDT), o concessionário dos jogos, com a conivência do governador coronel José Alberty Correia. A partir de 23 de dezembro de 1968 começam a explorar os slot machines e os jackpots da STDT. E é a partir daí que ele se tornou um crítico desta empresa e de sucessivos governadores do Timor português. Por exemplo, no dia 11 de fevereiro de 1970, o bispo de Díli, D. José Joaquim Ribeiro, fez uma incitação pascal em que afirmou que: " ...aos queridos cristãos timorenses exortamos e pedimos com toda a veemência da nossa alma que estejam de sobreaviso, defendam-se e ajudem os seus irmãos a defenderam-se deste trágico flagelo do jogo e da impureza que só traz a ruína, aumenta a miséria e tira a paz aos nossos lares"."Exortação Pastoral de Sua Ex.ª Rev.ma o Senhor Bispo da Diocese de Díli", Seara: Suplemento Quinzenal do "Boletim Eclesiástico da Diocese de Díli", ano 5, 4.ª série, n.º 166 (21 de fevereiro de 1970), p. 6.

Em 1969, D. José Joaquim Ribeiro e a Diocese de Díli promoveram a Fundação Bispo Medeiros com vista a fomentarem a formação dos jovens timorenses, porque ele acreditava "proféticamente" que: "[d]entro de 10 anos irá haver uma grande reviravolta em Timor. Portanto, é urgente a formação de quadros timorenses da Igreja e da sociedade civil".Timor-Diáspora (http://timor-diaspora.com/?page_id=155 ), acesso em 1 de novembro de 2015. No dia 10 de dezembro de 1971 fala-se na Fundação Bispo Medeiros e passados uns dias é publicados uma exposição no Seara. No dia 25 de dezembro de 1971, publica o Conselho Superior da Fundação Bispo Medeiros que é constituída pelo prelado, como presidente; Eng.º Mário Carrascalão, como vice-presidente; Dr. Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz, como secretário; Paulo Quintão da Costa, vogal; e António Pedro Baptista, como vogal, que foi também publicado na Seara.

Em 1972, aconselhou o Irmão Luís de Sousa Coutinho a partir para as montanhas de Manu-Mera, porque esperava-o uma ordem de deportação para Portugal. Segundo este Irmão Luís de Sousa Coutinho: "Aí viveu por dois anos e meio, saindo de Timor em 1974, por questões de segurança, aquando do início da guerra civil, e, uma vez mais, a conselho do Bispo de Díli".http://abracarmanumera.blogs.sapo.pt/mau-bere-kohe-1069

Em março de 2016, o cientista social das Relações Internacionais, Moisés Silva Fernandes, chegou a uma conclusão que o novo bispo de Díli, D. José Joaquim Ribeiro, "conseguiu esclarecer uma desinformação javanesa acerca de uma alegada entrega pacífica do Timor português à Indonésia, por parte do seu antecessor no cargo",Moisés Silva Fernandes (2016), "A tentativa gorada de rever pelo Partido Católico da Indonésia, em 1962: Franscicus Xaveirus Seda e a Comissão Eclesiástica da Indonésia que recusou o pedido de integração pacífica do Timor Português na Indonésia", Relações Internacionais, n.º 49, pp. 95-110. D. Jaime Garcia Goulart. Segundo lhe confidenciou o bispo apostólico romano de Atambua, D. Theodorus van den Tillaart, no dia 12 de dezembro de 1967, com "o apoio dos meios eclesiásticos em Jacarta"Ibid., p. 99. fizeram uma tentativa juntos dos dois bispos indonésios, que vivem perto de Timor português. Mas os dois bispos indonésios, D. Theodorus van den Tillaart, SVD, de Atambua, e D. Gabriel Wilhelmus Manek, SVD, de Ende, da ilha das Flores, "recusaram a tarefa de que pretenderam encarrega-los sob a alegação de que, como católicos, não deveriam interferir nos assuntos políticos que só ao Estado Indonésio competia resolver".

Na qualidade de Bispo de Díli passou nas suas homilias dominicais a ser muito contundente sobre as precárias condições que os timorenses hodiernos tinham comparativamente com os seus antepassados de 400 anos. Mas ele não cessou.

Na manhã do dia 7 de dezembro de 1975, o Bispo de Díli, D. José Joaquim Ribeiro, e o Vigário-Geral, Pe. Martinho da Costa Lopes, estavam a transportar num "jeep" vários feridos timorenses para o Hospital Guildo Valadares, com a ajuda de dois jovens timorenses. Todavia, o Bispo de Díli teve que ficar com dois jovens timorenses, porque o "comandante indonésio", que falava inglês, não permitia que os dois jovens timorenses pudessem ir ao respetivo hospital e porque estavam a alegar a sua "morte". Assim, o Pe. Martinho da Costa Lopes continuou a sua viagem, de 5 quilómetros, com os timorenses feridos até ao Hospital Guildo Valadares. Após ter regressado, o D. José Joaquim Ribeiro "estava a pedir com o seu rosário à Deus", os dois jovens timorenses estavam à seu cargo e era 12h00. Como estavam a comer os soldados indonésios, o Bispo de Díli e o Vigário-Geral pediram que os quatro fossem para o sua residência episcopal. Após diversas instruções e contradições, o "comandante" do ABRI deu autorização para que os quatro elementos pudessem regressar a sua residência episcopal, o Bispo de Díli, o Vigário-Geral e os dois jovens timorenses, que foram salvos.