Santa Cruz do Rio Pardo é um município do estado de São Paulo. Sua população era de 46.442 habitantes, segundo o Censo 2022 (IBGE), sendo o 143° mais populoso do estado. O município é formado pela sede e pelos distritos de Caporanga, Clarínia e Sodrélia.
História As origens do primitivo bairro de Santa Cruz assentam-se na criação de uma sesmaria concedida a Antunes Cardia, em 1818, por D. João VI, a que daria origem ao povoamento de Lençóis Paulista.
Daquela vila, conhecida como Boca do Sertão, partiriam, por volta de 1850, José Theodoro de Souza, e mais tarde, Joaquim Manuel de Andrade e Manoel Francisco Soares, os primeiros sertanistas mineiros, desbravadores do Sertão do Paranapanema, colonizadores do distante bairro de Santa Cruz, região originalmente habitada por indígenas coroados, e se fixam na região.
Nessa época, os mineiros fundam, às margens do Rio Pardo, na confluência com o ribeirão São Domingos, o povoado de Capela de São Pedro. Uma grande cruz plantada às margens de um pardacento rio, iluminada, à noite, com tochas e velas, para espantar os índios, daria origem ao nome do nascente lugarejo e futura cidade.
Em 1872, o povoado de Capela de São Pedro é elevado à categoria de freguesia, com o nome "Santa Cruz do Rio Pardo", subordinada à vila de Lençóis. Em 1876, devido ao desenvolvimento da Freguesia, Santa Cruz do Rio Pardo se torna vila, emancipando-se de Lençóis. Em 1884, se torna sede de comarca.
A economia santa-cruzense, que originalmente era baseada no cultivo de milho e cereais e depois na criação de gado bovino e suíno, passa a ter, no final do século XIX, a cafeicultura como grande produto. Para o cultivo do café, vieram para Santa Cruz do Rio Pardo milhares de imigrantes italianos. A vila se desenvolve rapidamente e, com isso, a sua Câmara Municipal tenta lhe dar o título de cidade em 1896, algo só concretizado dez anos depois, tendo sido eleito o primeiro prefeito o Dr. Olympio Rodrigues Pimentel. Em 1908, a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana à cidade alavanca o desenvolvimento. Entretanto, faltavam muitos serviços básicos e a primeira escola só foi inaugurada em 1915.
No final do século XIX e primeiras décadas do século XX, os principais distritos de Santa Cruz do Rio Pardo são emancipados, como Campos Novos (1885), São Pedro do Turvo (1891), Salto Grande (1911), Ipaussu (1915), Óleo (1917), Chavantes (1922) e Bernardino de Campos (1923).
Com o fim do ciclo do café, ocorrido devido à Grande Depressão, a economia da cidade passa a ser baseada em outras culturas e a produção de alfafa passa a se destacar entre as demais. Houve um grande crescimento ao longo da década de 1940 e Santa Cruz teve melhoramentos antes de muitas outras cidades do interior.
Na década de 1950, a agricultura entra em decadência. A Estrada de Ferro Sorocabana foi desativada na década seguinte.
Formação territorial-administrativa Histórico da formação do município: Freguesia criada com a denominação de Santa Cruz do Rio do Pardo, pela Lei Provincial n.º 71, de 20/04/1872. Elevado à categoria de vila com a denominação de Santa Cruz do Rio do Pardo, pela Lei Provincial n.º 6, de 24/02/1876, desmembrado do município de Lençóis. Formado pela sede e pela freguesia de São Pedro do Turvo, transferida do município de Lençóis. Instalado a 20/01/1877. Pela Lei Provincial n.º 62, de 13/04/1880, é criada a freguesia de Campos Novos. Pela Lei Provincial n.º 25, de 10/03/1885, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo a freguesia de Campos Novos, elevada à categoria de município com a denominação de Campos Novos do Paranapanema.
Pelo Decreto Estadual n.º 155, de 14/04/1891, é criado o distrito de Salto Grande. O Decreto Estadual n.º 181, de 29/05/1891, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de São Pedro do Turvo, elevado à categoria de município. Pelo Decreto Estadual n.º 205, de 06/06/1891, é criado o distrito de Óleo. A Lei Estadual n.º 187, de 23/08/1893, anexou-lhe o território da povoação de Ilha Grande, que pertencia ao município de Piraju. Pela Lei Estadual n.º 550, de 13/08/1898, é criado o distrito de Ilha Grande. Pela Lei Estadual n.º 942, de 10/08/1905, é criado o distrito de Mandaguari, extinto pela Lei Estadual n.º 1.114, de 24/12/1907. Santa Cruz do Rio do Pardo é elevada à condição de cidade pela Lei Estadual n.º 1.038, de 19/12/1906. Pela Lei Estadual n.º 1.172, de 22/10/1909, é criado o distrito de Irapé. A Lei Estadual n.º 1.294, de 27/12/1911, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Salto Grande, elevado à categoria de município com a denominação de Salto Grande do Paranapanema. A Lei Estadual n.º 1.465, de 20/09/1915, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Ilha Grande, elevado à categoria de município com a denominação de Ipaussu. Pela Lei Estadual n.º 1.554, de 08/10/1917, a sede do distrito de Irapé foi transferida para o povoado de Santana da Cachoeira, passando o distrito a ser denominado Chavantes. Pela Lei Estadual n.º 1.570, de 06/12/1917, é criado o distrito de Bernardino de Campos. A Lei Estadual n.º 1.576, de 14/12/1917, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Óleo, elevado à categoria de município. A Lei Estadual n.º 1.885, de 04/12/1922, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Chavantes, elevado à categoria de município. A Lei Estadual n.º 1.929, de 09/10/1923, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Bernardino de Campos, elevado à categoria de município. Pela Lei Estadual n.º 2.366, de 07/11/1929, é criado o distrito de Sodrélia. O Decreto Estadual n.º 6.448, de 21/05/1934, extinguiu o município de Espírito Santo do Turvo, anexando seu território ao município de Santa Cruz do Rio Pardo. Pelo Decreto Estadual n.º 9.775, de 30/11/1938, o distrito de Espírito Santo do Turvo tomou a denominação de Rio Turvo. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 14.334, de 30/11/1944, foram criados os distritos de Caporanga e Clarínia. Pela Lei Estadual n.º 2.456, de 31/12/1953, o distrito de Rio Turvo voltou a denominar-se Espírito Santo do Turvo. A Lei Estadual n.º 6.645, de 09/01/1990, desmembra do município de Santa Cruz do Rio Pardo o distrito de Espírito Santo do Turvo, elevado à categoria de município.
Geografia A sua extensão territorial é de 1 114,984 km² (Lista dos municípios de São Paulo por área), o que lhe confere a densidade demográfica de aproximadamente 37,9 hab/km² e ser o 26º maior município em área territorial do estado.
Hidrografia
Rio Pardo Rio Turvo Ribeirão Mandassaia Ribeirão da Onça Ribeirão São Domingos Ribeirão do Alambari Rio Apiaí Ribeirão da Figueira
Rodovias SP-327 - Rodovia Orlando Quagliato SP-280 - Rodovia Castelo Branco SP-225 - Rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó Rodovia Vicinal Plácido Lorenzetti Rodovia Vicinal Anísio Zacura Rodovia Vicinal Paulo Blumer
Demografia
População
Composição étnica Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 33.923 brancos (73,04%), 10.311 pardos (22,2%), 1.952 pretos (4,2%), 232 amarelos (0,5%) e 24 indígenas (0,05%).
Política e administração
Governo Legislatura 2025/2028: Prefeito: Otacílio Parras Assis Vice-prefeito: Milton de Lima Presidente da câmara: Cesar de Souza
Subdivisões O município possui dois bairros urbanos localizados fora da cidade: Sodrélia e Caporanga.
Sodrélia Localizado à beira da Rodovia Vicinal Anísio Zacura, Sodrélia possui 200 habitantes e está a 11 km da cidade.
Caporanga Localizado à beira da Rodovia João Baptista Cabral Rennó, Caporanga possui 830 habitantes e está a 28 km da cidade
Economia Agricultura Santa Cruz sempre se destacou no cultivo do arroz irrigado.Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo A produção de arroz é a principal atividade do município desde o princípio, mantendo-se até meados do século XX, quando iniciou a atividade canavieira extensiva – com técnica adquirida dos holandeses que aqui residiram, como Haward Hollenbark e Van der Hellyk II.Memórias holandesas no Brasil - uma exposição do governo da Bahia Mas a cidade continua até hoje a ser o principal polo arrozeiro do estado de São Paulo.
Ao menos 30% de todo arroz consumido no Estado de São Paulo são provenientes das cerealistas de Santa Cruz do Rio Pardo e a indústria do setor a cada ano aumenta sua capacidade de beneficiamento, aumentando seus portfólios em variedades de produtos. Sendo a cidade um dos grandes pólos de alimentos do Estado.
Apresenta também números relevantes na plasticultura (cultura sob plástico). É a maior representante no estado de São Paulo, com setenta hectares de estufas de hortaliças e legumes. 66% dessa produção é destinada à CEAGESP e 34% distribuído na região.livro "Santa Cruz do Rio Pardo: Memórias" Autor: Magali Junqueira
Indústria Atualmente, Santa Cruz é o quarto polo calçadista do Estado de São Paulo; possuindo cerca de 32 fábricas de calçados, com produção diária de 25 mil pares. Por ano, isso significa uma produção de aproximadamente 5 milhões de pares.
Infraestrutura
Comunicações O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1978 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1978 com o código de área (0143). Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB).
Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (014), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.
Outras informações DDD: (14) Prefixos de Telefone: 3372/3373 (residencial da cidade); 3332 (comercial-DDR); 3374 (distrito de Caporanga); 3376 (distrito de Sodrélia) CEP: 18900-000
Educação
Ensino superior FASC - Fasuldade de Administração de Santa Cruz do Rio Pardo Em 1936, as Madres Espanholas chegaram em Santa Cruz do Rio Pardo e fundaram a comunidade “Companhia de Maria”, com a colaboração de Plácido Lorenzetti, que doou o terreno para a construção do colégio, e da população, que cedeu os materiais de construção.
Em 1970, o imóvel foi adquirido pela prefeitura, na gestão de Onofre Rosa de Oliveira. Atualmente, é cedido ao Grupo Oapec/ Fasc, por meio de uma concessão.
Transportes Viação Riopardense Avoa Viação Manoel Rodrigues San Carlos Turismo
Frota (2013) Automóvel : 14.587 automóveis Caminhão: 1.384 caminhões Caminhão trator: 394 caminhões Trator Caminhonete: 2.619 caminhonetes Camioneta: 582 camionetas Micro-ônibus: 105 micro-ônibus Motocicleta: 5.415 motocicletas Motoneta: 1.444 motonetas Ônibus: 97 ônibus Trator de rodas: 4 tratores de rodas Utilitário: 95 utilitários Outros: 1.219 veículos
Cultura e lazer Atrativos culturais Estação Kafé
Em julho de 2008 foi inaugurada a Graal Estação Kafé, localizada na rodovia SP-225. Além do objetivo comercial, a inauguração objetivou também o resgate da história da ferrovia e do café no noroeste do estado de São Paulo e em Santa Cruz do Rio Pardo.
Uma das grandes atrações é a réplica da antiga estação da Sorocabana e uma locomotiva a vapor de 1907, que percorre um pequeno trecho para os visitantes. Há ainda esculturas humanas em vários pontos do estabelecimento e um armazém cenográfico com histórias e relíquias antigas para apreciação.
Foi o segundo lugar da categoria "Posto Temático" no 15º concurso "O Posto Mais Bonito do Brasil".
Museu Histórico e Pedagógico “Ernesto Bertoldi” Outrora pertencente à Estrada de Ferro Sorocabana, a Estação de Santa Cruz do Rio Pardo foi inaugurada em 1908 como ponta do ramal. Seu projeto foi feito pelo arquiteto Ramos de Azevedo.
Utilizando a centenária estação ferroviária, que foi restaurada para abrigar o Museu Municipal em 2009 e inaugurada em 2011 com um acervo audiovisual, possui visitas guiadas.
Casarão “Plácido Lorenzetti”