O Blumenau Esporte Clube, popularmente conhecido como BEC, é um clube de futebol sediado em Blumenau, Santa Catarina, Brasil. Fundado em 1919 com o nome de Brasil Football Club, passou posteriormente pelas denominações Recreativo Brasil Esporte Clube e Palmeiras Esporte Clube, até adotar o nome atual, em 1980.

Ganhou destaque nacional nas décadas de 1980 e 1990, quando disputou competições como o Campeonato Brasileiro Série B, o Campeonato Brasileiro Série C e a Copa do Brasil. Após grave crise financeira, o futebol profissional foi desativado no final da década de 1990, com breve retorno em 2003 e nova paralisação em 2004.

No ano de 2006 utilizou a razão social do Sport Club Madureira, com o objetivo de resgatar o futebol do Blumenau Esporte Clube, grande expoente do esporte da cidade, mas foi impedido por questões judiciais. Em 2013 voltou novamente ao cenário futebolístico, em 2015 mudou novamente seu nome, dessa vez para Blumenau Esporte Clube.

As cores oficiais do time são verde, grená e branco, simbolizando a união das duas equipes clássicas: Palmeiras (que usava verde e branco) e Olímpico (que usava grená e branco). Seu mascote é a capivara.

História Início (1919–1944) miniatura|140px|right|Escudo do time quando se chamava Brasil Em 19 de Julho de 1919 foi fundado o primeiro clube de futebol de Blumenau, chamado Brasil Football Club. Junto com a Sociedade Desportiva Blumenauense, eram os dois principais clubes da cidade, trazendo a população para os estádios e criando a saudável rivalidade.Leal, Ubiratan. Blumenau tenta sair do ostracismo. Balípodo (27 de outubro de 2006). Retirado em 26 de janeiro de 2008. O futebol estava começando a se popularizar no estado e não havia torneios expressivos, limitando-se a partidas amistosas. Pouco depois, com a criação da Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres, começou a ser realizado um campeonato estadual, no qual os clubes de Blumenau passaram a competir. O Brasil conquistou dois vice-campeonatos seguidos em 1927 e 1928, ambos perdendo para o Avaí.

Em 1936, mudou a razão social do clube para Recreativo Brasil Esporte Clube, devido a sérios problemas financeiros, que com essa mudança, desapareceram. Mesmo com a modificação, o Brasil continuou forte, com uma grande torcida e venceu os campeonatos da Liga Blumenauense de Futebol, criada em 1941 e que realizava um torneio com todos os times da cidade (Amazonas Esporte Clube, Brasil, América, Vasto Verde e Blumenauense), em 1941 e 1942. Futebol do BEC. Retirado em 26 de janeiro de 2008.

Palmeiras Esporte Clube (1944–1980) miniatura|140px|right|Escudo quando o time se chamava Palmeiras Após definir seu apoio ao lado dos Estados Unidos contra o chamado Eixo na 2ª Guerra Mundial, o então Presidente da República Getúlio Vargas assinou um decreto de lei determinando que clubes esportivos estariam proibidos de ter nomes de nações, estados, territórios e municípios, nem mesmo podendo a associação incorporar ao seu nome próprio a palavra Brasil. Os quatro principais clubes da cidade teriam até março para mudar seus nomes ou entrar com recurso exigindo direito de manter o título. A diretoria do Brasil encaminhou requerimento ao Ministério da Educação e Saúde, por intermédio do CRD, a fim de obter permissão para continuar como Brasil, o que no fim foi negado. Assim, no dia 12 de março de 1944, houve uma reunião no Clube Náutico América em que por decisão unânime o nome do Brasil foi oficialmente mudado para Palmeiras Esporte Clube, motivado pelo time mandar seus jogos na Rua das Palmeiras, atual Alameda Duque de Caxias. Os outros times de Blumenau mudaram seus nomes para Aimoré (Amazonas), Guarani Esporte Clube (América) e Grêmio Esportivo Olímpico (Blumenauense). Retirado em 22 de Fevereiro de 2007.

A fase Palmeiras representa a parte mais frutífera da história do clube em relação a títulos. O time, junto ao seu rival Olímpico, foi ganhando mais notoriedade no cenário estadual, devido a quatro vice-campeonatos estaduais e do seu tetracampeonato local (de 1944 a 1947), com a conquista do super campeonato no ano seguinte. O clube também conquistou alguns torneios menores pela região. Durante este período fez-se necessária a construção de um novo estádio para o clube, uma vez que uma enchente que havia assolado a cidade em outubro de 1954 havia destruído completamente o campo do Palmeiras. O Estádio Aderbal Ramos da Silva foi inaugurado na década de 1960 e passou a ser um símbolo do clube.

Blumenau Esporte Clube (1980–2004) miniatura|140px|right|Escudo na mudança para BEC, perdurou até meados de 1997 Em 1980, um grupo de empresários começou a investir alto no futebol blumenauense com o intuito de elevar o nome da cidade, polo industrial do Vale do Itajaí, porém, exigiam a mudança de nome do único clube restante da cidade, o Palmeiras, uma vez que os outros quatro clubes haviam desativado o futebol profissional em meados da década de 1970. A ideia já havia sido proposta cinco anos antes pelo então presidente Melchior Barbieri, mas não foi levada adiante para não mexer com as raízes já firmadas da denominação Palmeiras.

Empossado em março daquele ano com a demissão de Altair Carlos Pimpão, Ivan Carlos Rizzeto buscou apoio de contribuições da comunidade e empresários para que o futebol continuasse a ser algo sustentável. Após reuniões fora dos olhos da imprensa, um grupo de trinta empresários reuniu com o presidente do clube no Restaurante Chinês, em 19 de julho de 1980, onde o presidente expôs o seu projeto, que foi logo aprovado, gerando assim um suporte financeiro para as pretensões da diretoria de investir em grandes contratações e criar um elenco competitivo, e assim, na mesma ocasião, foi decidido o novo nome: Blumenau Esporte Clube. Com a nova denominação criada, adiantou-se as eleições para compor a primeira diretoria do Blumenau, disputada em chapa única resultando na re-eleição de Ivan Carlos Rizzeto. Logo, grandes contratações foram realizadas a fim de justificar os altos investimentos feitos, e também foram adotadas novas cores para o clube, simbolizando a união dos antigos rivais Palmeiras (verde), Olímpico (grená) e Guarani (branco) - algo que patrimonialmente nunca aconteceu.Kohler, Silvio. O que falta ao futebol de Blumenau?. Futebol Sul (31 de outubro de 2006). Retirado em 25 de janeiro de 2008.

miniatura|140px|right|Escudo adotado em 1997 e que perdurou até 2004, ano de fechamento do clube O primeiro jogo aconteceu em 2 de setembro de 1980, entre Blumenau e Joaçaba pela Taça Santa Catarina. Antes do começo do jogo solenidades de inauguração da nova denominação Blumenau Esporte Clube foram realizadas, com as autoridades hasteando a bandeira do país, do Palmeiras, do Blumenau e a do estado, sob forte tensão emocional da torcida no lotado estádio. Após discursarem o presidente do Palmeiras, o então prefeito Renato Vianna e o secretário Ingo Zadrozny, enquanto a banda do 23º Batalhão de Infantaria tocava o hino nacional, foi feita uma alocução por Pedro Lopes sobre a criação do Blumenau Esporte Clube. Depois, os jogadores entraram em campo vestindo a camisa do Palmeiras por cima da camisa do Blumenau e após o cumprimento, tiraram as camisas verdes e brancas e jogaram-as à torcida, sob aplausos. No jogo, o Blumenau derrotou o Joaçaba com um gol de Cabinho, o primeiro da nova denominação em uma partida oficial. O mais importante era que a torcida havia aceitado a nova denominação, gritando "Blumenau, Blumenau" durante todo o jogo.

Com a extinção da rivalidade Olímpico-Palmeiras, criou-se uma expectativa entusiasmadora sobre o BEC tomando como exemplo o surgimento do futuro rival JEC em Joinville, que devido ao apoio de sua torcida ganhou nove títulos estaduais em dez anos; porém, ao invés de se unirem, as duas facções rivais dos dois antigos clubes da cidade começaram a boicotar pessoas que fossem ligadas a outra. Mesmo com este obstáculo, o time conseguiu chegar às semifinais do primeiro Campeonato Catarinense com a nova denominação e em 1982, conquistou o título estadual de juniores. Futebol SC (17 de junho de 2005). Retirado em 19 de junho de 2008. Porém, em 1985, foi rebaixado pela primeira vez em sua história, retornando a elite catarinense dois anos depois após conquistar o título da segunda divisão em cima do Figueirense. Em 1988, conseguiu um dos principais êxitos de sua história, o vice-campeonato estadual decidido em uma final histórica contra o Avaí na Ressacada. Tal feito possibilitou o BEC a participar de sua primeira e única Copa do Brasil, em 1989, sendo eliminado pelo Flamengo nas oitavas-de-finais, jogando em pleno Maracanã. Após essa experiência, o BEC começou a se aventurar a nível nacional, disputando o Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão de 1989 a 1991, e a 3ª Divisão em 1988, 1992, 1994, 1997 e 1998, todos sem muito êxito. Arquivo Grená. Retirado em 10 de junho ed 2008. Bola N@ Área. Retirado em 10 de junho de 2008. Ainda em 1998, com o novo rebaixamento no campeonato estadual e acometido por uma grave crise financeira, o futebol profissional do BEC foi desativado. As consequências foram danosas: através de ação jurídica, o INSS conseguiu a penhora do patrimônio do BEC por conta das dívidas do clube, prometendo retornar em 2000, mas ao invés o clube optou por decretar falência. Nos anos seguintes, houve tentativas de fazer renascer o futebol da cidade com a criação de clubes como Santa Catarina, Real e Metropolitano.

Em 2003, a justiça autorizou à Associação Beneficente União do Vale, administradora no processo de insolvência do clube, a gestão do clube e consequente retorno do clube ao futebol profissional, administrando a receita e dívidas do clube. O acordo previa que toda receita gerada pelo BEC teria 5% do valor destinado ao pagamento de dívidas anteriores do clube. Arquivo de Clubes. Retirado em 18 de outubro de 2007. Com o espírito renovado e reformas no Aderbal Ramos da Silva, o Blumenau Esporte Clube partiu para a disputa da série B1 do Campeonato Catarinense de 2004. No Turno alternava-se na liderança da competição, perdendo sua invencibilidade somente na última rodada contra o Brusque, e acabou chegando às semifinais, sendo eliminado pelo Juventus. No Returno, não teve o mesmo desempenho de antes, graças a crises financeiras e indefinição sobre novos patrocinadores, fazendo com que o clube ficasse na sexta posição na classificação geral. Após a frustração no campeonato, a justiça destituiu a Associação Beneficente União do Vale como gestora da insolvência do BEC, nomeando um novo gestor: o advogado André Jenichen, que consegue quitar algumas dívidas do clube. Mesmo assim, o futebol profissional fechou as portas novamente.

A era pós-BEC miniatura|120px|right|Escudo do antigo Madureira, que viria a se tornar o BEC atual Após o segundo fechamento do clube, surgiram novos clubes a fim de recuperar a herança deixada pelo BEC.