Rio Carnaval 2022 é um álbum com os sambas de enredo das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o carnaval do ano de 2022. Foi lançado nas plataformas de streaming de áudio em 7 de novembro de 2021. O álbum foi distribuído pela Universal Music, com produção fonográfica da Editora Musical Escola de Samba (Edimusa) e selo musical da Gravadora Escola de Samba (Gravasamba). Foi gravado no estúdio Cia. dos Técnicos, em Copacabana, no Rio, com produção de Mário Jorge Bruno; direção artística de Hélio Motta; e arranjos musicais de Alceu Maia, Jorge Cardoso e Rafael Prates.
Campeã do carnaval de 2020, a Unidos do Viradouro estampa a capa do álbum e é a faixa de abertura do disco com um samba, em forma de carta, sobre o carnaval de 1919, realizado ao fim da pandemia de gripe espanhola. Vice-campeã de 2020, a Grande Rio apresenta um samba sobre Exu. Carlinhos Brown estreia como compositor de samba-enredo assinando a obra da Mocidade Independente de Padre Miguel, sobre Oxóssi. Contando a lenda do guaraná, o samba da Unidos da Tijuca é interpretado por Wantuir e sua filha, Wic Tavares, efetivada como intérprete da escola ao lado do pai. A obra da São Clemente homenageia o humorista Paulo Gustavo, morto em maio de 2021, vítima da COVID-19. Campeã da Série A (segunda divisão do carnaval) de 2020, a Imperatriz Leopoldinense retorna ao Grupo Especial com um samba em homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, morto em 1987.
Diversos sambas exaltam a cultura negra e homenageiam afro-brasileiros. A canção da Paraíso do Tuiuti celebra histórias de luta de negros. A Beija-Flor apresenta um samba com mensagens antirracistas. A obra do Salgueiro aborda a contribuição de negros em diversos setores da sociedade. A canção da Portela, sobre os baobás, árvores milenares de origem africana, também exalta a cultura afro-brasileira. A Unidos de Vila Isabel homenageia seu presidente de honra, o cantor e compositor Martinho da Vila. A Mangueira também homenageia personalidades importantes de sua história: o cantor e compositor Cartola; o intérprete Jamelão; e o mestre-sala Delegado. O samba da Beija-Flor foi o único a receber nota máxima de todos os julgadores no Desfile das Escolas de Samba de 2022. As obras de Grande Rio e Mocidade foram as mais premiadas do ano.
Antecedentes
Cancelamento do carnaval de 2021 Na quarta-feira de cinzas do carnaval de 2020, dia 26 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde do Brasil confirmou o primeiro caso de COVID-19 no país: um homem de 61 anos, morador da cidade de São Paulo e recém chagado da Itália. Com a confirmação de novos casos no Brasil e o avanço da doença em todo o mundo, as escolas de samba suspenderam atividades, fecharam instalações e adiaram eventos. Em setembro de 2020, a Liga Independente das Escolas de Samba decidiu adiar o desfile de 2021 para outra data, fora do carnaval. Foi cogitado realizar o evento entre os meses de maio e julho de 2021. Mais tarde, com o avanço da pandemia, o desfile de 2021 foi oficialmente cancelado, sendo a primeira vez, desde a criação do concurso, em 1932, que o evento não foi realizado. Com o avanço da vacinação contra a COVID e a queda na quantidade de mortes pela doença, as escolas começaram a se preparar para o carnaval de 2022. Com o aumento dos casos de COVID no país, devido ao avanço da variante Ómicron, o desfile das escolas de samba que ocorreriam no carnaval de 2022 foram adiados para abril do mesmo ano, durante o feriado de Tiradentes.
Escolas trocam de equipes Com o agravamento da pandemia, as escolas paralisaram as atividades presenciais nas quadras e barracões, mas seguiram se preparando para o desfile futuro. Campeã da Série A (segunda divisão do carnaval) de 2020 e promovida de volta ao Grupo Especial, de onde foi rebaixada em 2019, a Imperatriz Leopoldinense recontratou a carnavalesca Rosa Magalhães, que esteve à frente da escola entre 1992 e 2009. A escola também contratou Bruno Ribas para formar um trio de intérpretes com Arthur Franco e Preto Jóia. Mais tarde, Preto foi desligado da escola, que manteve Arthur e Bruno. A São Clemente efetivou seu cantor de apoio, Maninho, ao posto de intérprete oficial da agremiação junto à Leozinho Nunes. Em 2020, Leozinho cantou junto com Bruno Ribas e Grazzi Brasil, que não continuaram na escola. A São Clemente também trocou de carnavalesco. Com a saída de Jorge Silveira para o carnaval de São Paulo, a agremiação contratou os carnavalescos João Vitor Araújo e Tiago Martins. Mais tarde, a escola dispensou João, mantendo Tiago sozinho como carnavalesco.
O carnavalesco Jack Vasconcelos se desligou da Mocidade Independente de Padre Miguel, sendo substituído por Fábio Ricardo. O carnavalesco Paulo Barros se desligou da Unidos da Tijuca, sendo substituído por Jack Vasconcelos. A Tijuca também efetivou a cantora Wic Tavares como intérprete oficial da escola junto com seu pai, Wantuir. Paulo Barros foi contratado pela Paraíso do Tuiuti, escola pela qual teve uma passagem marcante em 2003. A Tuiuti também contratou o intérprete Carlos Jr para formar dupla com Celsinho Mody. Em comum acordo, Beija-Flor e Cid Carvalho decidiram encerrar a parceria. A escola manteve apenas Alexandre Louzada como carnavalesco. Escolha dos enredos esquerda|miniaturadaimagem|Martinho da Vila é o enredo da Vila Isabel para o carnaval de 2022. A Unidos de Vila Isabel foi a primeira escola a confirmar seu enredo para o carnaval de 2021, posteriormente adiado para 2022. No dia 2 de março de 2020, a escola divulgou que homenagearia o cantor e compositor Martinho da Vila, presidente de honra da agremiação. O enredo "Canta, Canta Minha Gente! A Vila É de Martinho!" é assinado pelo carnavalesco Edson Pereira em seu terceiro carnaval na agremiação. No desfile das campeãs de 2020, o presidente da Mocidade anunciou que a escola teria o azeite como enredo. Posteriormente, no dia 10 de março de 2020, a escola divulgou seu enredo sobre Oxóssi. O enredo é um pedido antigo da comunidade da escola, já que uma das marcas da Não Existe Mais Quente, bateria da agremiação, é o toque de caixa em homenagem à Oxóssi. O enredo "Batuque ao Caçador" é assinado pelo carnavalesco Fábio Ricardo e aborda a ligação do orixá com a bateria da escola."Vamos contar a história do orixá e mostrar todas as referências que o ligam a Mocidade. Quero que as pessoas entendam o porquê de Oxóssi ter as características que tem. Acredito que isso nunca tenha sido abordado desta forma no carnaval. Plasticamente busquei referências que ainda não passaram na Avenida. Acho importante citar a questão do racismo. Hoje não tem como falar de um orixá no carnaval sem buscar a afirmação do povo negro, do samba e das religiões de matriz africana. Não é o mote principal do enredo, mas não tem como deixar de abordar."
Campeã do carnaval de 2020, a Unidos do Viradouro anunciou seu enredo no dia 23 de abril de 2020. "Não Há Tristeza que Possa Suportar Tanta Alegria" é assinado pelo casal de carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. O enredo trata do carnaval de 1919, quando os cariocas foram às ruas para celebrar o fim da pandemia de gripe espanhola. O carnaval daquele ano é considerado por muitos como o maior do século 20. O enredo foi inspirado no livro "O Carnaval da Guerra e da Gripe", do escritor e jornalista Ruy Castro. O título do enredo é um verso de uma marchinha cantada em 1919 pelo Clube dos Democráticos, uma das principais sociedades carnavalescas da época. A Beija-Flor divulgou seu enredo através de suas redes sociais no dia 7 de junho de 2020. "Empretecer o Pensamento É Ouvir a Voz da Beija-Flor" exalta a intelectualidade negra e o combate ao racismo. A escola convidou artistas negros para auxiliar o carnavalesco Alexandre Louzada.
Vice-campeã do carnaval de 2020, a Grande Rio divulgou seu enredo à meia-noite de 13 de junho de 2020, data comemorativa de Exu. "Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu" é assinado por Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal. O enredo tem como tema Exu, cultuado no Candomblé e na Umbanda. O título do enredo faz referência à catadora de lixo Estamira, morta em 2011, que parecia se comunicar com Exu por meio de um telefone usando a frase "Câmbio, Exu. Fala, Majeté!". Protagonista de um premiado documentário com seu nome, Estamira vivia no aterro sanitário de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, cidade-sede da Grande Rio. O anuncio do enredo repercutiu nas redes sociais, figurando entre os assuntos mais comentados no Twitter."Estamos falando de novas epistemologias, que muitos pensadores e artistas contemporâneos têm trabalhado. Não é por acaso que Exu tem aparecido tanto na arte urbana, nos museus, na música, na literatura, nas bandeiras que tanta gente está levantando. É uma resposta aos tempos do hoje e uma proposta também. Ocupamos um lugar privilegiado enquanto narradores e precisamos, mais do que nunca, usar esse espaço para combater o racismo epistêmico e o racismo religioso. Nada foi mais demonizado que Exu, por isso vamos raspar o fundo. A gente quer cada vez mais Exu nas escolas e nas escolas de samba."
No dia 3 de julho de 2020, a Portela divulgou seu enredo, sobre histórias e a simbologia dos baobás, árvores gigantescas e milenares de origem africana. O enredo "Igi Osè Babobá" é assinado pelo casal de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage. No dia 8 de julho de 2020, o Salgueiro divulgou seu enredo, "Resistência", sobre a luta dos negros para garantir a preservação de aspectos da própria cultura, fé e sobrevivência. O enredo é assinado pela historiadora Helena Theodoro, com concepção de Eduardo Pinto e Marcelo Pires, integrantes da Diretoria Cultural do Salgueiro e desenvolvimento do carnavalesco Alex de Souza."O Salgueiro é pioneiro em revelar a questão preta no Brasil e alçar ao seu devido lugar de destaque personagens da nossa história. Desta vez, estamos juntos, eu e o Departamento Cultural, para realizar este trabalho que tem a chancela da Helena (Theodoro), uma mulher preta, escritora, ativista e salgueirense. Estamos felizes com a contribuição dela neste projeto que nasceu dentro de um espectro de luta, afinal, vivemos um momento de transformação do mundo e das pessoas."
A Unidos da Tijuca divulgou seu enredo no dia 1 de outubro de 2020. Assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, o enredo "Wanarã - A Reexistência Vermelha" conta uma lenda sobre a origem do guaraná e a formação do povo indígena Sateré Mawé. No dia 22 de outubro de 2020 a Imperatriz Leopoldinense anunciou seu enredo em homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, morto em 1987. Arlindo foi carnavalesco da escola em 1980 e 1981, quando a Imperatriz conquistou seus dois primeiros títulos de campeã do carnaval. O enredo "Meninos Eu Vivi... Onde Canta o Sabiá, Onde Cantam Dalva e Lamartine" é assinado pela carnavalesca Rosa Magalhães. O título do enredo faz referência aos enredos de Arlindo de 1981 ("O Teu Cabelo não Nega", em homenagem à Lamartine Babo); de 1982 ("Onde Canta o Sabiá"); e o último desfile de Arlindo, em 1987 ("Estrela Dalva", em homenagem à Dalva de Oliveira). A homenagem à Arlindo era um desejo de Luizinho Drumond, presidente da Imperatriz, morto meses antes, em 1 de julho de 2020.
No dia 17 de dezembro de 2020, a Estação Primeira de Mangueira anunciou seu enredo em homenagem à três importantes personalidades de sua história: o cantor e compositor Cartola, morto em 1980; o intérprete Jamelão, morto em 2008; e o mestre-sala Delegado, morto em 2012. O enredo "Angenor, José e Laurindo" é assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, e seu título faz referência aos nomes de batismo dos homenageados: Angenor de Oliveira (Cartola), José Bispo Clementino dos Santos (Jamelão) e Hélio Laurindo da Silva (Mestre Delegado).