O Museu de Arte da Bahia (conhecido pelo acrônimo MAB) é um museu público estadual localizado na cidade de Salvador. Fundado em 1918, é o mais antigo museu da Bahia e um dos dez primeiros fundados no Brasil. Estabelecido segundo o modelo de museu enciclopédico, sob a denominação de Museu do Estado, a instituição surgiu como depositária do patrimônio histórico, etnográfico e científico da Bahia, especializando-se gradualmente nas décadas seguintes como um espaço museológico devotado às artes visuais e decorativas.Athayde (ed.), 1997, pp. 5.

Possui um acervo composto por aproximadamente 5 000 obras de grande valor histórico e artístico, formado por meio da reunião de diversas coleções organizadas na Bahia desde meados do século XIX, como as de Jonathas Abbott e de Góis Calmon, ambas adquiridas pelo governo baiano. A coleção abarca pinturas da escola baiana e de artistas estrangeiros, datadas do século XVI em diante, imaginária do período colonial e um amplo conjunto de artes decorativas, com peças brasileiras, europeias e orientais. Possui também um rico acervo documental, composto por fotografias, mapas, correspondências, etc.Athayde (ed.), 1997, pp. 22.

Desde 1982, o Museu de Arte da Bahia encontra-se instalado no Palácio da Vitória, uma edificação em estilo neocolonial que serviu no passado como sede da Secretaria de Educação e Saúde. O espaço é dotado de uma biblioteca especializada, com cerca de 12 000 livros, e auditório. O MAB sedia exposições permanentes e temporárias e organiza múltiplas atividades culturais, como cursos, ciclos de conferências, apresentações musicais e exibição de filmes.Athayde (ed.), 1997, pp. 5-6.

História Antecedentes thumb|direita|180px|João Francisco Lopes Rodrigues - Retrato do Conselheiro Jonathas Abbott, s.d. Acervo do MAB. Parte substancial do patrimônio histórico-artístico hoje conservado no Museu de Arte da Bahia tem sua origem na coleção de obras de arte de Jonathas Abbott, médico inglês radicado em Salvador na primeira metade do século XIX. Notável colecionador, Abbott chegou a reunir, ao longo de muitas décadas, quase 400 peças, pinturas em sua maior parte. As obras estrangeiras foram provavelmente adquiridas por ocasião das estadias de Abbott na Europa, em 1820, entre 1830 e 1832 e entre 1852 e 1853.Athayde (ed.), 1997, pp. 26.

No que se refere à arte brasileira, Abbott dedicou-se a adquirir obras da escola baiana de pintura (telas e painéis de José Joaquim da Rocha, José Teófilo de Jesus, Franco Velasco, etc.), constituindo um exemplo raro, se não único, de colecionismo voltado à arte do período colonial brasileiro ainda no século XIX — com a consolidação do academismo, a produção artística dos tempos coloniais foi por muito tempo ignorada ou relegada à condição de cultura artística inferior, situação que só começaria a mudar a partir da ação da primeira geração de modernistas.

Após a morte de Abbott, uma pequena parte de sua coleção foi desmembrada e seguiu junto com seu filho para o Rio de Janeiro. A maior parte das peças restantes foi adquirida junto à família do médico em 1871 por ordem do vice-presidente da província da Bahia, Francisco José da Rocha. Com a aquisição, Rocha buscava formar uma galeria de arte no Liceu de Artes e Ofícios. As peças adquiridas pelo governo provincial foram escolhidas por uma comissão, da qual tomou parte o pintor José Rodrigues Nunes. As telas permaneceram expostas nas salas do Liceu até o ano de 1925.Athayde (ed.), 1997, pp. 9.

A fundação e os primeiros anos O Museu de Arte da Bahia foi oficialmente estabelecido em 23 de julho de 1918, sob a denominação de Museu do Estado da Bahia. Instituído pela lei n.º 1 255, durante o governo de Antônio Muniz Sodré de Aragão, foi a primeira instituição museológica da Bahia e uma das dez primeiras do Brasil. Durante as primeiras décadas de existência, o Museu do Estado funcionaria como um anexo do Arquivo Público da Bahia (criado em 1890). Não possuía então o atual perfil de museu de artes visuais, mas sim de museu enciclopédico, de cunho histórico-naturalista, reunindo um acervo diversificado, composto por gravuras, mobiliário, numismática, coleções etnológicas e peças relacionadas às ciências naturais. O historiador Francisco Borges de Barros, um dos principais idealizadores da instituição, foi nomeado como seu primeiro diretor, permanecendo à frente do museu até 1930, período em que acumulou também o cargo de diretor do Arquivo Público.

Durante o governo de José Joaquim Seabra, o Arquivo Público e o Museu do Estado tiveram suas funções e estruturas organizacionais regulamentadas por meio do decreto n.º 2 220 de 26 de junho de 1920. As duas instituições passaram a ser geridas pela Secretaria do Interior, Justiça e Instrução Pública. O acervo do Museu do Estado, organizado em três seções principais (etnologia, numismática e história) passou a ser gradualmente ampliado por meio de aquisições e doações. Em 1925, por decisão do governo Góis Calmon, a coleção Jonathas Abbott que até então se encontrava conservada no Liceu de Artes e Ofícios foi transferida para o Museu do Estado, dando origem a um novo núcleo do acervo: a pinacoteca, reunindo obras dos mais representativos autores baianos. Ainda no governo Góis Calmon, o museu teve seu nome alterado para Museu da Bahia. O acervo foi reorganizado nas seções de arquivo, museu e gabinete numismático.Athayde (ed.), 1997, pp. 10.

Em 1930, durante o governo do interventor Bastos do Amaral, novos decretos alteraram a estrutura da instituição. O Arquivo Público foi elevado à condição de inspetoria (sob o nome de Arquivo Público e Inspetoria de Monumentos) e a coleção de arte ganhou o status de órgão independente, desmembrando-se do arquivo e sendo renomeada como Pinacoteca do Estado da Bahia, tendo o Museu Histórico (coleções de etnologia, história, ciências naturais e numismática) como anexo. Mas foi somente no ano seguinte que o acervo histórico-artístico da pinacoteca e de seu anexo foi aberto à visitação pública, após sua instalação no Solar Pacífico Ferreira, situado na Praça Dois de Julho, bairro de Campo Grande, no terreno onde hoje se encontra construído o Teatro Castro Alves. Ainda em 1931, foi inaugurada a biblioteca do museu.

A gestão Valladares Em 1933, por decisão do governo Juracy Magalhães, a instituição foi elevada à categoria de inspetoria, sob a denominação de Pinacoteca e Museu do Estado, passando a ser diretamente subordinada à Secretaria do Estado do Interior, Justiça e Saúde Pública. Sucederam-se respectivamente em sua direção, ao longo dos anos 30, os inspetores Gabriel Inácio Godinho, Antonio de Araújo Bulcão Sobrinho e Guiomar Carvalho Florence. Na gestão do último, uma nova reforma estatutária vinculou a instituição à Secretaria de Educação, Saúde e Assistência Pública. O então titular desta pasta, Isaías Alves, teve papel de destaque na orientação da instituição rumo ao perfil de centro popular de estudos históricos, artísticos e etnográficos, de cunho eminentemente pedagógico.

A partir de 1939, a Pinacoteca e Museu do Estado da Bahia passou a ser gerida pelo historiador e crítico de arte José Antônio do Prado Valladares. Sua gestão, que se estendeu até a sua morte em 1959, foi de grande relevância para a consolidação da instituição como museu de artes visuais, bem como para a normatização de suas funções e para sua projeção no âmbito nacional. Valladares foi o responsável pelas primeiras atividades de catalogação sistemática do acervo e de organização da documentação museológica e histórica. Deu início a uma linha de publicações editadas pelo próprio museu, contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas amparadas no próprio acervo. Criou o Salão Baiano de Belas Artes, sediado na instituição ao longo de quase um decênio, responsável por atrair a atenção dos artistas e críticos de arte de todas as regiões do Brasil à instituição. Por fim, contribuiu para a expansão da biblioteca do museu, adquirindo uma vasta bibliografia especializada. Os estudos e publicações de Valladares, como seu livro Museus para o povo, resultado de estudos realizados nos Estados Unidos, constituem até hoje uma referência de primeira importância para a museologia baiana.

Em 1943, o acervo do museu foi expressivamente enriquecido graças à aquisição de uma grande coleção de artes decorativas, composta por peças importantes de mobiliário baiano, porcelanas orientais e europeias, cristais, ourivesaria, prataria, alfaias, esculturas religiosas e pinturas, que pertencera ao ex-governador Góes Calmon. Na mesma ocasião, o governo do estado adquiriu também o Palacete Góes Calmon, situado na Avenida Joana Angélica, no bairro de Nazaré. Três anos mais tarde, em 1946, a instituição foi transferida para o palacete, após obras de reforma e adaptação, uma vez que o Solar Pacífico Pereira não comportava mais o crescente acervo.Athayde (ed.), 1997, pp. 11.

Dos anos 1960 à gestão Emanoel Araújo Em 1959, a coleção de arte moderna e contemporânea da Pinacoteca e Museu do Estado da Bahia foi desmembrada e transferida para o Solar do Unhão, servindo de acervo base do recém-fundado Museu de Arte Moderna da Bahia, dirigido por Lina Bo Bardi. Sucedendo Prado Valladares, Carlos Eduardo da Rocha assumiu nesse mesmo a direção do museu, permanecendo no cargo até 1974.

Durante o governo de Luís Viana Filho, a sede do museu, o Solar Góis Calmon, passou por uma ampla reforma. Em função dos trabalhos, parte do acervo foi transferido para locais provisórios, nomeadamente as salas do Convento do Carmo. Outras obras foram transferidas em regime de comodato para o conjunto arquitetônico do Engenho Freguesia, na cidade de Candeias, servindo de acervo inaugural do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, criado em 1971. Terminada a reforma em 1970, a instituição, já renomeada Museu de Arte da Bahia, foi reaberta à visitação pública.

Após Carlos Eduardo Rocha, ocuparam, a direção do MAB, a museóloga Ana Lúcia Uchoa Peixoto (1975-1979), o decorador e crítico de arte José de Souza Pedreira (1979-1981) e o artista plástico Emanoel Araújo (1981-1983). Durante a gestão de Emanoel Araújo, com apoio do então governador Antônio Carlos Magalhães, o museu foi transferido do Solar Góis Calmon para sua sede atual, o Palácio da Vitória, na Avenida Sete de Setembro. A transferência da instituição, antiga reivindicação dos funcionários do museu e da comunidade artística local, ocorreu após uma longa reforma no palácio, visando a adaptá-lo às necessidades museológicas. O planejamento e execução das transferências ficou a cargo do diretor do museu. O MAB foi reinaugurado em 5 de novembro de 1982.

O novo espaço permitiu, ao MAB, ampliar sua atuação segundo o modelo de centro cultural, sediando atividades múltiplas, como exposições temporárias, cursos, conferências, concertos e sessões de cinema etc. Ainda sob a gestão Emanoel Araújo, grande parte do acervo foi restaurada.

Dos anos 1980 aos dias de hoje Após a saída de Emanoel Araújo, sucederam-se, na direção do Museu de Arte da Bahia, o artista plástico Luiz Jasmin (1983-1987) e as museólogas Antonia Barros Pinheiro (1987-1989) e Valdete Paranhos (1989-1991). Na gestão da última, o museu viu-se obrigado a fechar as portas às visitas públicas, apenas sete anos após sua reinauguração no Palácio da Vitória, devido à falta de manutenção do imóvel, aliada a diversas outras deficiências.Athayde (ed.), 1997, pp. 6.