João Gonçalves do Prado foi um sertanista ativo no final do e nas primeiras décadas do . Estabelecido nas Minas do Rio das Velhas, destacou-se pela abertura de uma variante do Caminho da Bahia considerada mais curta entre as Minas Gerais e a Bahia, atravessando a Serra do Espinhaço entre a região do atual Curvelo e a bacia superior do rio de Contas. Também foi associado às expedições promovidas pela administração colonial para a descoberta de novas rotas para as minas de ouro e, posteriormente, a explorações nos vales dos rios Jequitinhonha e rio Pardo, bem como na Serra dos Aimorés.
Vida
Pouco se sabe sobre a vida de João Gonçalves do Prado. Em algumas obras, como a de Urbino Vianna, seu nome aparece alterado para "João Gonçalves da Costa", embora sem justificativa documental conhecida. Documentos de época demonstram que Prado estava ligado aos núcleos mineradores do interior. Em carta de sesmaria concedida em 11 de junho de 1708 pelo governador-geral Fernando Martins Mascarenhas Lencastre, é mencionado como "morador nas Minas do rio das Velhas", onde vivia com toda a sua família e necessitava de terras para lavouras e criação de gado. Sua atuação provavelmente esteve relacionada às expedições enviadas pelo governador-geral João de Lencastre aos sertões da Bahia entre 1700 e 1701. Essas entradas tinham como objetivo localizar rotas mais diretas para as minas de ouro, especialmente pelas regiões dos rios das Velhas e Verde Grande, afluentes do rio São Francisco. Embora não haja documentação que atribua explicitamente a João Gonçalves do Prado a descoberta da nova rota, estudiosos consideram provável que ele tenha participado de uma dessas expedições e aberto o caminho posteriormente mencionado por André João Antonil.
No começo do , a principal rota que ligava as Minas Gerais e a Bahia era o chamado Caminho da Bahia. Ao descrever os itinerários entre a Bahia e as Minas Gerais, Antonil registrou que os viajantes que chegavam à localidade de Tranqueira podiam seguir por um "caminho novo e mais breve que fez João Gonçalves do Prado", passando pelas nascentes do rio Verde, pelo Campo da Garça e pelo arraial do Borba até alcançar as Minas do rio das Velhas. A existência dessa rota parece ser confirmada por carta enviada em 15 de janeiro de 1702 pelo sertanista Domingos Afonso Sertão ao governador João de Lencastre, na qual menciona um caminho recém-aberto a partir da Bahia, pelo vale do rio Paraguaçu, que alcançava o rio São Francisco próximo à barra do rio das Velhas e era considerado mais curto do que os percursos anteriormente utilizados. Ele passava pelo espigão principal da Serra do Espinhaço entre a região de Curvelo e a bacia superior do rio de Contas, Em 1735, João Gonçalves do Prado voltou a ser mencionado em relatos sobre a exploração do rio Jequitinhonha, do rio Pardo e da Serra dos Aimorés, região onde teriam sido identificadas ocorrências auríferas.
Bibliografia
Categoria:Sertanistas Categoria:História de Minas Gerais