O massacre do Instituto Politécnico de Querche foi um ataque ocorrido em 17 de outubro de 2018 em Querche, Crimeia. O estudante Vladislav Roslyakov, de 18 anos, matou 21 pessoas (durante o ataque) e feriu outras 73 antes de cometer suicídio.
Eventos miniaturadaimagem|Explosão no refeitório do instituto Vladislav Roslyakov adquiriu legalmente uma caçadeira em 8 de setembro de 2018 e comprou 150 cartuchos em uma loja de armas em 13 de outubro de 2018. Em 17 de outubro de 2018, por volta das 11h40, ele entrou no Instituto Politécnico de Querche, iniciando pouco depois o ataque. O estudante Yuri Kerpek afirmou que o tiroteio durou mais de 15 minutos.
Várias testemunhas descreveram um único atirador circulando pelos corredores do instituto e disparando contra estudantes e professores. Também foram relatados disparos contra monitores de computador, portas trancadas e extintores de incêndio.
Durante o ataque, uma bomba de pregos foi detonada no refeitório do instituto, e a polícia local informou que outros explosivos foram posteriormente desativados no campus. Relatos iniciais dos sobreviventes divergiram, com alguns descrevendo uma grande explosão e outros relatando apenas tiros e o uso de dispositivos semelhantes a granadas. Um estudante afirmou que o barulho da explosão teria sido causado por múltiplos disparos, e não por um artefato automático.
O site da cidade informou que a explosão ocorreu no primeiro andar do edifício, enquanto o tiroteio teria ocorrido no segundo. A CNN noticiou que o canal estatal Rossiya 24 informou o envio de cerca de 200 militares ao local. Testemunhas relataram tempos de resposta policial entre 10 e 15 minutos, apesar de a delegacia estar localizada a cerca de do instituto.
O ataque terminou quando o atirador cometeu suicídio na biblioteca do instituto.
Imagens captadas por câmeras de vigilância do instituto, que mostram o ataque, foram posteriormente publicadas no YouTube e no site do programa de notícias Vesti.Krym, sendo removidas pouco depois de ambas as plataformas.
Vítimas O Comité Nacional Antiterrorismo da Rússia disse que a maioria das vítimas eram adolescentes. De acordo com o Comité de Investigação, quinze estudantes e cinco professores morreram, todos devido a ferimentos de bala.
O vice-prefeito de Querche, Dilyaver Melgaziyev, inicialmente esclareceu rumores em 18 de outubro de que seis das vítimas tinham menos de 18 anos. Este número foi posteriormente revisado para onze. A ministra da saúde da Rússia, Veronika Skvortsova, disse a repórteres que um total de 70 pessoas ficaram feridas, 10 das quais foram descritas como em estado "crítico", incluindo cinco em coma.
O presidente do Conselho de Estado da Crimeia, Vladimir Konstantinov, disse que um total de 67 pessoas ficaram feridas e 21 pessoas foram mortas no ataque, 15 estudantes, 5 funcionários e o próprio perpetrador; 16 pessoas morreram no local, incluindo o suspeito, 4 pessoas morreram em hospitais e 1 durante o transporte. Também anunciou que as famílias das vítimas receberiam compensação financeira, com discussões preliminares sugerindo que os pagamentos seriam de 1 milhão de rublos () do orçamento federal russo e 1 milhão de rublos do orçamento local.
As autoridades da Crimeia divulgaram uma lista das 20 vítimas iniciais:
Lista de vítimasNome da vítimaIdadeOcupaçãoCircunstância de morteSvetlana Yuriyivna Baklanova57Vice-diretora de assuntos académicosDocente de matemáticaFerimento de bala no peitoAnastasia Viatcheslavovna Baklanova26Diretora de trabalho de informação e orientação profissionalChefe do departamento de TIC e relações públicasDocente de finanças e economiaFerimento de bala na cabeçaLarisa Borisovna Kudryavtseva62Diretora do departamento de disciplinas químico-tecnológicas e mecânicasDocente de equipamentos tecnológicosFerimento de bala no peitoOlexander Volodimirovich Moiseenko46Docente de tecnologia da informação, ciência da computação, computação gráfica e astronomiaCurador do grupo MEPZ-15-1/9, onde Roslyakov estudou.Ferimentos de balaLyudmila Alexandrovna Ustenko64SecretáriaFerimentos de balaKsenia Alexandrovna Boldina17EstudanteMorreu como resultado da explosãoVladislav Yevhenovich Verdibojenk15EstudanteVictoria Vitalievna Demchuk17EstudanteFerida na explosão. Morreu no hospital devido a ferimentos após cirurgia para amputar a pernaRuden Rishatovich Juraev16EstudanteFerimento de balaAnna Alexandrovna Juravleva19EstudanteRoman Valerievich Karymov21EstudanteAlina Sergeyevna Kerova16EstudanteMorreu como resultado da explosãoAlexey Vitaliovich Lavrinovich19Estudante. Estudou no mesmo grupo com Roslyakov.Morreu no hospital devido a um ferimento de bala.Vladislav Vitaliovich Lazarev19EstudanteRuslan Valerievich Lysenko17EstudanteEgor Andriovich Perepelkin19EstudanteDanil Igorovich Pipenko 16EstudanteFerimento de bala nas costasSerguey Alexandrovich Stepanenko15EstudanteNikita Danilovich Florensky16EstudanteDaria Alexandrovna Chegerest16EstudanteVladislav Igorevich Roslyakov18Estudante. Perpetrador do assassinatoFerimento de bala na cabeça (suicídio)
Perpetrador
O ataque foi perpetrado por um estudante do quarto ano do instituto, Vladislav Igorevich Roslyakov ().
Quando Roslyakov tinha cerca de dez anos, o seu pai sofreu um grave ferimento na cabeça e passou a apresentar comportamento agressivo junto ao abuso de álcool, o que contribuiu para a separação dos pais. Segundo a imprensa, Roslyakov apresentava baixo desempenho escolar, tinha poucos amigos e demonstrava interesse por armas e videogames.
Em 2015, ingressou no Instituto Politécnico de Querche para estudar eletricidade. Durante o período de estudos, passou a demonstrar maior interesse por armas e explosivos, tendo sido relatado que levava uma faca para as aulas e, em uma ocasião, acionou spray de pimenta em sala sem apresentar justificativa.
Diversas fontes relataram que Roslyakov expressava ressentimento em relação ao instituto, mencionando ter sido alvo de bullying por parte de colegas.
Imagens de vigilância mostram Roslyakov vestindo calças pretas e uma t-shirt branca com a palavra russa "" (ódio), enquanto portava uma espingarda Hatsan Escort calibre 12. A semelhança visual com os autores do massacre da Columbine High School levou parte da imprensa a classificar o ataque como um possível crime imitador.
Após o ataque, o corpo de Roslyakov permaneceu sem ser reclamado por várias semanas. Em novembro de 2018, veículos russos relataram que ele teria sido cremado e enterrado sob um nome falso.
Investigação thumb|left|Serviço de emergência do lado de fora do Instituto Politécnico de Querche O Comité de Investigação da Rússia inicialmente classificou o ataque como terrorismo, mas depois mudou-o para assassinato em massa. Após os primeiros relatos de um suposto ataque terrorista em Querche, muitos políticos e os média russos sugeriram que os eventos eram atividades de "sabotadores ucranianos" e que o governo ucraniano era responsável, mas mudaram de opinião depois que mais informações surgiram, enquanto outros questionaram se Roslyakov foi devidamente verificado antes de ser autorizado a comprar uma arma e munições, o que ele fez legalmente.
Nos dias imediatamente após o massacre, investigadores pesquisaram o passado de Roslyakov na tentativa de determinar precisamente o seu motivo. Esses investigadores também revelaram que, em última análise, estavam a tratar o incidente como um tiroteio escolar calculado. As autoridades investigaram questões preocupações no caso, como onde Roslyakov conseguiu - rublos (cerca de US$ 450-600) para a arma, e onde ele aprendeu a usá-las. Foi descoberto que Roslyakov obteve uma licença de arma em 2018 e possuía a arma legalmente, depois de completar um treinamento legalmente exigido sobre segurança de armas e apresentar todos os documentos necessários, incluindo relatório médico. Ele frequentava periodicamente um clube de tiro. Pouco antes do tiroteio, ele comprou legalmente 150 cartuchos de munição.
O Comité de Investigação ordenou uma avaliação psiquiátrica póstuma de Roslyakov. O primeiro-ministro da Crimeia, Serguey Aksyonov, afirmou em 18 de outubro que era possível que o perpetrador tivesse um cúmplice, e a polícia estava à procura do indivíduo que "estava a treinar" Roslyakov para o crime. No entanto, em 9 de novembro de 2018, o Comité de Investigação chegou à conclusão de que Roslyakov agiu sozinho.
Reações miniaturadaimagem|Vladimir Putin durante a XV reunião do clube Valdai, em 18 de outubro de 2018 Após o ataque, as autoridades locais e federais reagiram rapidamente. O primeiro-ministro da Crimeia, Serguey Aksyonov, decretou três dias de luto oficial em memória das vítimas, com bandeiras a meio-mastro e o cancelamento de eventos públicos. O presidente do Conselho de Estado da Crimeia, Vladimir Konstantinov, afirmou que era difícil conceber que o autor do ataque, Vladislav Roslyakov, de 18 anos, tivesse preparado a ação de forma totalmente independente. Embora as investigações iniciais tenham indicado que ele agiu sozinho, Konstantinov declarou que, em sua opinião e na de outros colegas, seria improvável que um jovem conseguisse organizar os preparativos sem qualquer influência externa.
Representantes dos serviços de segurança russos também se pronunciaram. Sergey Mikhailovich Smirnov, vice-chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB), afirmou que o episódio evidenciava a necessidade de um maior controlo estatal sobre o conteúdo disponível na Internet, em particular em relação à radicalização e à disseminação de violência entre jovens.
O presidente russo Vladimir Putin comentou o ataque durante um discurso no Clube de Discussão Valdai, realizado em Sochi. Putin afirmou que o massacre parecia estar relacionado aos efeitos da globalização, das redes sociais e da cultura disseminada pela Internet, argumentando que muitos desses fenômenos teriam origem em episódios de violência escolar ocorridos nos Estados Unidos. Segundo ele, a ausência de “conteúdo saudável” para jovens contribuiria para tragédias desse tipo.
Analistas e comentaristas próximos ao governo russo reforçaram esse discurso. O analista político Sergey Mikheyev, em declarações à televisão estatal russa, atribuiu o ataque ao que descreveu como uma “subcultura ocidental”, caracterizada, segundo ele, pelo culto à violência e pela glorificação do uso de armas. Observadores internacionais interpretaram essas declarações como parte de uma narrativa mais ampla que buscava associar o ataque à influência cultural do Ocidente. O The Irish Times observou que tais posições refletiam uma visão cética das autoridades russas em relação à Internet e às redes sociais, frequentemente percebidas como tecnologias dominadas por países ocidentais e potencialmente utilizadas para estimular dissidência e protestos.
A tragédia gerou uma onda de condolências internacionais. Líderes e representantes de diversos países, incluindo Alemanha, Arménia, Bélgica, Canadá, Itália, Polónia, Reino Unido, Tailândia e Venezuela, expressaram solidariedade às famílias das vítimas.
O presidente ucraniano Petro Poroshenko também manifestou condolências, descrevendo as vítimas como cidadãos ucranianos e anunciando que a Procuradoria-Geral da República Autónoma da Crimeia havia iniciado processos criminais sob a tipificação de “ato de terrorismo”.
Organizações internacionais também reagiram. O secretário-geral do Conselho da Europa, Thorbjørn Jagland, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressaram condolências e solidariedade às famílias das vítimas, condenando o ataque e destacando a necessidade de combater a violência em ambientes educacionais.