Tiradentes é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região central mineira e ocupa uma área de cerca de , sendo que estão em perímetro urbano. Sua população foi estimada em habitantes em 2022.
Anteriormente denominada São José del Rei, foi uma das mais importantes vilas mineiras do Brasil Colônia, sendo um dos polos da produção aurífera. O seu atual nome é uma homenagem a Tiradentes. Sendo um dos primeiros atos da proclamação da República.
História Os primeiros humanos na região Muito antes da chegada dos colonizadores portugueses, a região onde atualmente se localiza Tiradentes era ocupada por diferentes povos indígenas. Integrante da bacia do Rio das Mortes, cujo nome indígena não é sabido, o território constituía área de circulação, caça, pesca e coleta, conectada a antigas rotas que ligavam o interior do atual estado de Minas Gerais a outras regiões do Brasil Central e do Sudeste.
As fontes coloniais registram a presença de grupos pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê, especialmente os chamados Cataguás, denominação empregada pelos portugueses para diferentes populações indígenas que habitavam vasta área do centro-sul mineiro. Também são mencionados grupos identificados como Puris, Coroados e Botocudos, embora a composição étnica da região tenha variado ao longo do período colonial e muitas dessas designações correspondam a classificações produzidas pelos próprios colonizadores.
A expansão da mineração, iniciada nos primeiros anos do século XVIII, provocou profundas transformações nesse território. A abertura de caminhos, o estabelecimento de arraiais e a exploração aurífera intensificaram os conflitos com as populações indígenas, resultando em deslocamentos forçados, incorporação de indígenas ao trabalho colonial e redução progressiva de sua presença nas áreas ocupadas pelos novos núcleos mineradores.
A resistência indígena, contudo, persistiu ao longo de todo o período colonial e manifestou-se de diversas formas na Vila de São José del-Rei (atual Tiradentes). Enquanto a vila servia de apoio financeiro e logístico para expedições militares contra grupos como os Botocudos no século XVIII, os indígenas nos sertões vizinhos continuavam a resistir à invasão de suas terras. Além da luta armada, a resistência ocorria nos tribunais: alguns indígenas acionavam a justiça para mover ações de liberdade, contestando a escravidão ilegal disfarçada e reivindicando sua condição de súditos livres da Coroa.
Invasão dos europeizados esquerda|miniaturadaimagem|278x278px|Tiradentes, anos 1950. Arquivo Nacional.
A ocupação colonial da região teve início no contexto da expansão da mineração aurífera na Capitania de Minas Gerais, nos primeiros anos do século XVIII. Em 1702, o bandeirante João de Siqueira Afonso descobriu jazidas de ouro nas encostas da Serra de São José, dando origem ao arraial que posteriormente receberia o nome de Santo Antônio.
Ao longo do período colonial, o núcleo urbano foi conhecido pelas denominações de Arraial Velho de Santo Antônio, Vila de São José do Rio das Mortes</ref> e, posteriormente, São José del-Rei. A designação "São José" constituiu homenagem ao então príncipe de Portugal, futuro José I.
Criação da vila A Vila de São José do Rio das Mortes foi criada por Alvará de 12 de janeiro de 1718, sendo instalada em 28 do mesmo mês e ano. Sua criação resultou do desmembramento da Vila de São João del-Rei, estabelecendo-se como limite jurisdicional entre ambas o Rio das Mortes, conforme determinado no próprio alvará de criação. Tornou-se a segunda vila integrante da Comarca do Rio das Mortes e a oitava fundada na Capitania de Minas Gerais.
A criação do distrito-sede data de 16 de fevereiro de 1724. Posteriormente, a vila passou a ser denominada São José del-Rei.
A disputa de limites entre São João del-Rei e São José del-Rei (1718-1755) A elevação do antigo Arraial Velho de Santo Antônio à condição de Vila de São José del-Rei, em 1718, implicou a criação de um novo termo municipal, cuja delimitação permaneceu indefinida durante décadas. A separação administrativa reduziu a extensão territorial anteriormente submetida à Câmara de São João del-Rei, provocando sucessivas contestações entre as duas municipalidades quanto ao exercício da jurisdição civil, fiscal, eclesiástica e administrativa sobre diversas fazendas e arraiais da região.
As divergências envolveram aspectos práticos da administração colonial, como arrecadação de impostos, nomeação de oficiais, prestação de serviços públicos, realização de eleições camarárias e definição da competência judicial. A inexistência de uma demarcação precisa favoreceu interpretações distintas acerca dos limites dos termos municipais, produzindo conflitos recorrentes entre autoridades locais durante a primeira metade do século XVIII.
Entre as áreas objeto de controvérsia encontrava-se a Fazenda do Pombal, onde nasceu Joaquim José da Silva Xavier. Embora a região permanecesse litigiosa durante parte do período, a decisão régia de 1755 confirmou sua incorporação ao termo da Vila de São José del-Rei, encerrando formalmente a disputa territorial.
A consolidação dessa solução administrativa tornou-se posteriormente um dos principais fundamentos documentais utilizados pela historiografia para sustentar a naturalidade civil de Tiradentes como pertencente à Vila de São José del-Rei, independentemente das transformações territoriais ocorridas após a Independência e da criação de novos municípios na região. Extinção e restauração do município A Vila de São José del-Rei foi suprimida pela Lei provincial nº 360, de 30 de setembro de 1848, incorporada à São João del-Rei. Após pouco mais de um ano, a vila foi restaurada pela Lei n° 452, de 20 de outubro de 1849, com território desmembrado novamente de São João del-Rei.
Alteração de nome Ao ser proclamada a República, o governo republicano precisava de um herói que, segundo os novos governantes, representava esses ideais. A escolha caiu sobre o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), que, além de tudo, combateu um governo monárquico. Dessa feita, foi mudado o nome da cidade para Tiradentes, por meio do Decreto estadual n.° 3, de 6 de dezembro de 1889.
Atualidade Em 1924, os modernistas paulistas organizaram a caravana em Minas, que buscava pesquisar a identidade nacional e investigar o barroco como o primeiro movimento artistico brasileiro. Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Godofredo da Silva Telles, René Thiollier, Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado e Blaise Cendrars passaram em São João del-Rei, Tiradentes e depois seguiram para Ouro Preto.
Em 1938 o seu conjunto arquitetônico e urbanístico foi tombado pelo IPHAN, como patrimônio nacional, por representar "um dos mais importantes episódios de interiorização e consolidação da colonização do território brasileiro". A cidade tornou-se, nas rotas turísticas, um dos centros históricos da arte barroca. Geografia Localiza-se a uma latitude 21º06'37" sul e a uma longitude 44º10'41" oeste, estando a uma altitude de 927 metros. Possui uma área de . Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Tiradentes é um município da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.
Desmembramentos O antigo distrito de Prados, juntamente com outros territórios desmembrados do município de Barbacena, é elevado à categoria de município com a denominação de Prados, pelo decreto nº 47, de 12- 04-1890, deixando de fazer parte de Tiradentes.
Em 1911, o antigo Distrito da Lage foi emancipado, vindo a se separar oficialmente de Tiradentes no ano seguinte, passando e a se chamar Resende Costa.
Em 17 de dezembro de 1938, pelo decreto-lei estadual nº 148, Tiradentes perdeu o distrito de Barroso, transferido para o município recém-criado de Dores de Campos, além de parte da área do seu distrito sede, para o município de Prados.
Em 21 de dezembro de 1995, pela lei estadual nº 12.030, perdeu o antigo distrito de Santa Cruz de Minas,que adquiriu a emancipação política.
A Lei municipal nº 1.738, cria os distritos do Elvas e Caixa D'Água da Esperança.
Circunscrição eclesiástica católica romana A paróquia Santo Antônio pertence à Diocese de São João del-Rei.
Pontos turísticos thumb|Relógio de sol.
Igreja Matriz de Santo Antônio Tiradentes tem dentre suas igrejas a Matriz de Santo Antônio, construída em 1710 é a segunda igreja em ouro do Brasil, sendo a primeira em Salvador (BA), é uma das mais belas construções barrocas do país. No interior do templo há um órgão datado de 1788, considerado um dos quinze mais importantes do mundo.
Câmara Municipal Localizada próxima à Matriz, na ladeira que é caminho para esta, construída em meados do século XVIII, servia para abrigar a administração pública no período colonial e imperial. A Câmara Municipal de Tiradentes foi construída longe da cadeia pública, o que é incomum na maioria das cidades do século XVIII.
Fundação Oscar Araripe Realiza exposições de pintura temporárias e permanentes de seu acervo.
Capela Nossa Senhora das Mercês
Capela rococó do final do século XVIII, com um único altar multicolorido, dois belos forros com pinturas em estilo rococó, cenas alusivas à Virgem Maria e imagem da padroeira. Pertencia à irmandade dos pretos crioulos, ou seja, os pretos nascidos no Brasil. Toda a pintura da capela foi executada por Manoel Victor de Jesus, pintor mulato, falecido em 1828, é datada do início do século XIX.
Capela do Bom Jesus da Pobreza
Capela de dimensões modestas e decoração singela, mas notável pela sua estatuária e como exemplo da interpretação popular do estilo Barroco.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Capela construída em cantaria (pedra), em lugar da capela primitiva, tem três altares de talha de meados do século XVIII e os santos negros São Benedito, Santo Antônio de Cartagerona e Santo Elesbão.miniaturadaimagem|Restauração do Museu Casa Padre Toledo
Museu Casa de Padre Toledo
É um museu da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade, ligada à UFMG. O prédio é uma construção do final do século XVIII, com esquadrias em cantaria lavradas, sete forros pintados, destaca-se aquele que representa os cinco sentidos, com figuras da mitologia grega. Nesta casa morou Padre Toledo, um dos idealizadores da Inconfidência Mineira, tendo sido local de conspiração para a revolta de 1789. Santuário da Santíssima Trindade
Sua construção data de 18 de outubro de 1822. Nesta igreja ocorrem anualmente o Jubileu da Santíssima Trindade.thumb|Chafariz São José, construído no Século XVIII.
Chafariz São José
Na ladeira que leva à Igreja Matriz, localiza-se um chafariz, construído em 1749 para abastecer a então vila com água potável. Era também utilizado para lavagem de roupa e como um bebedouro de animais, sobretudo equinos. Conta com um aqueduto construído com trabalho escravizado da época, trazendo a água de uma nascente a 1 quilômetro de distância, o chafariz está em funcionamento até hoje.thumb|Locomotiva nº 68 na rotunda de Tiradentes. right|thumb|A popular "Maria-Fumaça". Locomotiva 42 na Estação de Tiradentes.
Estrada de Ferro Oeste de Minas A Estrada de Ferro Oeste de Minas, que atualmente liga São João del-Rei a Tiradentes, foi inaugurada em 1881, com a presença do Imperador Dom Pedro II, funcionando ininterruptamente até hoje. A linha foi construída em bitola de 762mm. O trem é puxado por locomotivas a vapor popularmente conhecidas por "Maria Fumaça". Há exemplares de fins do século XIX, mas as locomotivas que circulam são do início do século XX. A EFOM já possuiu 720 quilômetros em bitola de 762mm. Hoje somente o trecho de 12 quilômetros que liga São João del-Rei a Tiradentes está em funcionamento. Este trecho é administrado pela Ferrovia Centro Atlântica (FCA). Os trens partem nas Sextas, Sábados, Domingos e feriados são 10h e 15h de São João del-Rei e 13h e 17h de Tiradentes.
Instituto Mario Mendonça