thumb|200px|Pedra picta (Escócia).

Os Pictos eram um grupo de povos de língua celta que viveram nas atuais regiões do norte e leste da Escócia, a norte dos rios Forth e Clyde, durante a Idade do Ferro britânica tardia e os primeiros períodos medievais. Informações acerca da sua cultura e dos locais onde habitavam podem ser obtidos de textos datados dos inícios da idade média e de pedras pictas. Estas fontes relatam a existência de uma língua picta distinta, que hoje se acredita ter sido uma língua celta insular, intimamente relacionada à língua britónica falada pelos bretões que viviam a sul. O seu nome latino, Picti, aparece em registos escritos desde a Antiguidade Tardia ao .

Supõe-se que os pictos sejam descendentes dos Caledónios e de outras tribos da Idade do Ferro, mencionadas por historiadores romanos ou no mapa mundial de Ptolomeu. Os pictos e romanos tiveram uma relação de guerra frequente, algo que não se alterou com os seus vizinhos depois dos romanos se retirarem da Grã-Bretanha. Pictia ou Pictavia (Pictland em inglês) alcançou um grande grau de unidade política no final do e no início do VIII por meio do reino em expansão de Fortriu, os Verturiones da Idade do Ferro. Por volta do ano 900, o super-reino picto resultante tinha-se fundido ao reino gaélico de Dalriada para formar o Reino de Alba (Escócia). Já no , tinha-se expandido para incluir o antigo reino britânico de Strathclyde, parte nortumbre de Lothian, Galloway e as Hébridas Exteriores (também conhecidas como Ilhas Ocidentais).

A sociedade picta era típica de muitas sociedades da Idade do Ferro no norte da Europa, tendo "amplas conexões e paralelos" com grupos vizinhos. A arqueologia dá alguma impressão da sociedade dos pictos. Embora muito pouco na forma de escrita picta tenha sobrevivido, a história picta desde o final do é conhecida por uma variedade de fontes, incluindo a História Eclesiástica do Povo Inglês, escrito por Beda, vidas de santos como a de São Columba por Adomnano e vários Anais irlandeses.

Etimologia

Acredita-se que o termo Pict se tenha originado como um exónimo genérico usado pelos romanos em relação às pessoas que viviam ao norte do istmo Forth-Clyde. A palavra latina Picti ocorre pela primeira vez num Panegírico escrito por Eumenius em 297 d.C e significa "pessoas pintadas ou tatuadas" (do latim pingere "pintar"; pingo, on Perseus Digital Library pictus, "pintado", cf. grego "πυκτίς" pyktis, "imagem" πυκτίς, on Perseus Digital Library).

Pict é Pettr em nórdico antigo, Peohta em inglês antigo, Pecht em escocês e Peithwyr ("pict-men") em galês. Alguns historiadores pensam que essas palavras sugerem uma raiz picta original, em vez de uma derivação latina. Em textos irlandeses, uma infinidade de termos foi usada para se referir aos pictos e a um grupo de pessoas que viviam junto do povo de Ulaid na região oriental de Úlster: Cruthin, Cruthini, Cruthni, Cruithni ou Cruithini (irlandês moderno: Cruithne). É geralmente aceite que esses termos derivem de Qritani: « chefes », « primeiros », que é a versão gaélica do termo britónico Pritani. Daí surgiu a palavra Britanni, o nome romano para aqueles agora chamados de bretões.; Foi, também, sugerido que Cruthin era um nome usado para se referir a todos os bretões que não foram conquistados pelos romanos, ou seja, aqueles que viviam além da Britânia romana, ao norte da Muralha de Adriano.Paul Dunbavin; Picts and ancient Britons: an exploration of Pictish origins, Third Millennium Publishing, 1998, .

O que os pictos se chamavam é desconhecido, tendo sido proposto que se autodenominavam Albidosi, um nome encontrado na Crónica dos Reis de Alba durante o reinado de Malcolm I da Escócia, no entanto, essa ideia tem sido contestada., note 95; Uma identidade "picta" unificada pode ter sido consolidada com a hegemonia Verturiana estabelecida após a Batalha de Dunnichen em 685 d.C.,

História

miniaturadaimagem|205x205px|Whitecleuch Chain, corrente de prata picta de alto status, uma das dez existentes, datando de 400 a 800 d.C. As circunstâncias em que, na Antiguidade Tardia, a confederação Picta foi formada são desconhecidas. Alguns historiadores especularam que foi em parte em resposta ao crescimento do Império Romano.Veja a discussão sobre a criação da Confederação Francesa em A Crónica Picta, a Crónica Anglo-saxónica e os primeiros historiadores como Beda, Godofredo de Monmouth, Raphael Holinshed, entre outros, todos retratam os pictos como conquistadores de Alba provenientes da Cítia. No entanto, nenhuma credibilidade é agora dada a esse ponto de vista.; ; ;

A região de Pictia já havia sido descrito por escritores e geógrafos romanos como o lar dos Caledónios.e.g. por Tacitus, Ptolemeu, e como o Dicalydonii por Ammianus Marcellinus. Ptolomeu chamou o mar a oeste da Escócia de Oceanus Duecaledonius. Foi também relatado por Ptolomeu e Amiano Marcelino que outras tribos teriam vivido na área, como os Verturiones, Taexali e Venicones.e.g. Ptolomeu, Amiano Marcelino. Com exceção dos caledónios, os nomes poderiam ser informações de segunda mão, ou mesmo derivados, talvez trazidos de volta aos romanos por falantes das línguas britónicas ou gaulesa, que podem ter usado nomes diferentes para o mesmo grupo ou grupos.Caledónios são evidenciados numa lápide romana na Grã-Bretanha.

A primeira menção dos pictos é na obra de retórica de Eumène, em 297, Panegírico de Constâncio, onde evoca as vitórias deste último sobre o usurpador Aleto e a reconquista da ilha da Bretanha.Eumène d'Autun, Panegyricus Constantio Cæsari dictus, XI. Ele volta a mencionar novamente o povo dos pictos no ano de 309 ou 310, noutro panegírico, desta vez dirigido a Constantino.Eumène d'Autun, Panegyricus Constantino Augusto dictus, VII. Amiano Marcelino menciona a participação dos pictos na coalizão bárbara de 368 na Bretanha.Ammien Marcellin, Rerum gestarum, XXVII,8 et XXVIII,3. esquerda|miniaturadaimagem|288x288px|Cena da batalha em pedras pictas no local de Aberlemno, geralmente considerada como a Batalha de Dunnichen com os pictos à esquerda, os homens da Nortúmbria à direita e o cavaleiro Picta possivelmente representando o rei Bridei III. A história picta registada começa no início da Idade Média. Naquela época, os gaélicos de Dalriada controlavam o que agora é Argyll, como parte de um reino que se estendia pelo mar entre a Grã-Bretanha e a Irlanda. Os Anglos da Bernícia, que se fundiram com Deira para formar o Reino da Nortúmbria, dominaram os reinos britânicos adjacentes e, durante grande parte do , a Nortúmbria foi o reino mais poderoso da Grã-Bretanha.Ver e.g. Os pictos eram provavelmente tributários deste reino até o reinado de Bridei III, quando, em 685, os Anglos sofreram uma derrota na Batalha de Dunnichen, que interrompeu a sua expansão para o norte. Os nortumbres continuaram a dominar o sul da Escócia durante o restante período picto.

Dalriada foi um súbdito do rei picto Óengus I, durante o seu reinado (729-761), e embora tivesse os seus próprios reis, desde a década de 760, não parece ter adquirido a sua independência política dos pictos. tenta reconstruir a confusa história tardia de Dalriada. O silêncio nos anais irlandeses é ignorado por . Posteriormente, Causantín (793-820), durante o seu reinado como Rei dos Pictos, colocou o seu filho Domnall no trono de Dalriada, que governou durante 24 anos (811-835).De acordo com , mas a história de Dalriada depois disso é obscura. As tentativas dos pictos de alcançar um domínio semelhante sobre os britânicos de Alt Clut (Dumbarton) não tiveram sucesso.Cf. Os fracassos de Óengus I dos Pictos.

A Era Viquingue trouxe grandes mudanças não só na Britânia e na Irlanda, como também na Escócia, com os viquingues a conquistar e colonizar as ilhas e várias áreas continentais, incluindo Caithness, Sutherland e Galloway. Em meados do , Ketil Flatnose teria fundado o Reino de Mann e das Ilhas, governando muitos desses territórios. No final desse século os viquingues teriam destruído o Reino da Nortúmbria, aproveitando uma guerra civil em curso, enfraquecido enormemente o Reino de Strathclyde, subjugando-o ao tomar o Castelo de Dumbarton, e fundando o Reino de Iorque. Numa grande batalha em 839, os viquingues mataram o rei de Fortriu, Eógan mac Óengusa, o rei de Dalriada, Áed mac Boanta, e muitos outros. Annals of Ulster (s.a. 839): "The (Vikings) won a battle against the men of Fortriu, and Eóganán son of Aengus, Bran son of Óengus, Aed son of Boanta, and others almost innumerable fell there." Em sequência a estes acontecimentos, na década de 840, Kenneth I da Escócia (Kenneth MacAlpin) tornou-se rei dos pictos.

Durante o reinado do neto de Cínaed, Constantino II da Escócia (900-943), os outros povos começaram a referir-se à região como o Reino de Alba, em vez de Reino dos pictos, mas não se sabe ao certo se isso ocorreu devido à criação de um novo reino ou se Alba era simplesmente uma aproximação mais semelhante ao nome picto dos pictos. No entanto, embora a língua picta não tenha desaparecido repentinamente, um processo de gaelização (que pode ter começado em gerações passadas) estava claramente em andamento durante o reinado de Constantino e dos seus sucessores. A um certo ponto, provavelmente durante o , todos os habitantes do norte de Alba ter-se-iam tornado escoceses totalmente gaelicizados, e a identidade picta foi esquecida.; ; ; ; cf. , passim, representando a visão "tradicional". Mais tarde, a ideia dos pictos como uma tribo foi revivida em mitos e lendas.Por exemplo, Pechs, e talvez Pixie. No entanto, afirma : "they are apt all over Scotland to make everything Pictish whose origin they do not know." O mesmo pode ser dito sobre o pictos nos mitos.

Reis e Reinos

A história inicial da Pictia não é clara. No entanto, em períodos posteriores, existiram vários reis, governando reinos separados, com um rei (às vezes dois), a dominar mais ou menos os seus vizinhos mais pequenos.; para Irlanda ver, e.g. e mais genericamente . miniaturadaimagem|242x242px|Localização aproximada dos reinos pictos, com base nas informações dadas No que diz respeito à organização dos pictos, parece que os "reis pictos" nunca reinaram, exceto sobre uma confederação de chefias: havia vários "reinos" pictos contemporâneos entre si. De Situ Albanie, um documento tardio, a Crónica Picta, o Duan Albanach, junto com lendas irlandesas, foram usados para argumentar a existência de sete reinos pictos. A organização desses reinos permanece em grande parte hipotética, mas é possível que um "Rei Supremo" tenha existido. Em qualquer caso, a "realeza" dos pictos deve ter sido baseada no clã e não se sabe se foi exercida sobre um território bem definido.

No , o reino de Fortriu talvez tenha dominado as terras ao redor de Scone e Dunkeld: o seu nome deve ser comparado ao da tribo Verturiones, citado no por Cláudio Ptolemeu e, no , por Amiano Marcelino. Beda ainda cita o reino de Fib (Fife) nessa época. A Crónica Picta oferece uma lista de sete reinos (o caráter simbólico do número pode tê-lo ditado), onde os representados a negrito são conhecidos terem tido reis:

Cait, ou Cat, situado nas modernas Caithness e Sutherland; Ce, situado nas atuais regiões de Mar e Buchan; Circinn, talvez situado na atual Angus e nos Mearns;, Fib, atual Fife, agora conhecido popularmente como 'O Reino de Fife'; Fidach, local desconhecido, mas possivelmente perto de Inverness;História da Escóciaearls of moray. Irvinemclean.com (2010-12-15). Infomação recolhida a 2014-06-20.earls of ross. Irvinemclean.com (2011-04-22). Infomação recolhida a 2014-06-20. Fotla, atual Atholl(Ath-Fotla);; Fortriu, relacionado com os Verturiones dos Romanos; recentemente mostrado como centrada na região de Moray.; . Compara trabalhos iniciais tal como .