Os coelhos são uma espécie de mamíferos quadrúpedes da ordem dos lagomorfos pertencente à família dos leporídeos, em geral dos gêneros Oryctolagus e Sylvilagus. Caracterizam-se pelas orelhas e patas compridas e vasta pelagem. Esses pequenos mamíferos encontram-se facilmente em muitas regiões do planeta. São animais herbívoros utilizados pelo homem para alimentação, o pêlo para vestuário ou comumente como cobaias em estudos científicos.
O ser humano introduziu o coelho-europeu na Austrália no século XIX, em um episódio que perturbou o meio ambiente naquele país. Ao chegar na Austrália, o coelho-europeu multiplicou-se com uma taxa muito elevada por não ter predador natural, e se transformou num empecilho que prejudicou economicamente a agricultura. A totalidade dos esforços para o controle da situação não tiveram utilidade. Mas um dia chegou a disseminação da mixomatose infecciosa. A mixomatose infecciosa é uma doença endêmica entre os coelhos brasileiros. Porém, o índice provável de fatalidade no coelho-europeu foi de infelizmente 99% dos casos.
Definição Etimologia As línguas pré-romanas que existiam na Península Ibérica originaram o termo latino cuniculu que, por sua vez, deu origem ao termo "coelho"FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.425.
O termo é utilizado para se referir às espécies de oito géneros, incluindo o coelho-de-amami (Pentalagus), os coelhos-americanos (Sylvilagus) e o coelho-pigmeu (Brachylagus). Alguns autores incluem o género Caprolagus no grupo dos coelhos (coelho-asiático), mas a maioria classifica-o como pertencente às lebres. A espécie mais comum é a Oryctolagus cuniculus, ou coelho-europeu. direita
Classificação Família Leporidae Gênero Pentalagus Lyon, 1904 Pentalagus furnessi (Stone, 1900) - Coelho-de-Amami Gênero Bunolagus Thomas, 1929 Bunolagus monticularis (Thomas, 1903) -Coelho-bosquímano Gênero Nesolagus Forsyth-Major, 1899 Nesolagus netscheri (Schlegel, 1880) - Coelho-de-Sumatra ou Coelho-listrado-de-Sumatra Nesolagus timminsi Averianov, Abramov e Tikhonov, 2000 - Coelho-listrado-de-Annam Gênero Romerolagus Merriam, 1896 Romerolagus diazi (Ferrari-Pérez, 1893) - Coelho-Zacatuche Gênero Brachylagus Miller, 1900 Brachylagus idahoensis (Merriam, 1891) - Coelho-pigmeu Gênero Sylvilagus Gray, 1867 Subgênero Tapeti Gray, 1867 Sylvilagus aquaticus (Bachman, 1837) - Coelho-do-pântano Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus, 1758) - Tapiti ou Coelho-brasileiro Sylvilagus dicei Harris, 1932 - Coelho-de-Dice Sylvilagus insonus (Nelson, 1904) - Coelho-de-Omilteme Sylvilagus palustris (Bachman, 1837) - Coelho-do-brejo Sylvilagus varynaensis Durant e Guevara, 2001 - Coelho-de-Barinas Subgênero Sylvilagus Gray, 1867 Sylvilagus audubonii (Baird, 1858) - Coelho-do-deserto Sylvilagus cognatus Nelson, 1907 Sylvilagus cunicularius (Waterhouse, 1848) - Coelho-mexicano Sylvilagus floridanus (J. A. Allen, 1890) - Coelho-da-Flórida Sylvilagus graysoni (J. A. Allen, 1877) - Coelho-das-Três-Marias Sylvilagus nuttallii (Bachman, 1837) - Coelho-de-Nuttall Sylvilagus obscurus Chapman e Cramer, 1992 - Coelho-das-Apalaches Sylvilagus robustus (Bailey, 1905) Sylvilagus transitionalis (Bangs, 1895) - Coelho-da-Nova-Inglaterra Subgênero Microlagus Trouessart, 1897 Sylvilagus bachmani (Waterhouse, 1839) - Coelho-do-chaparral Sylvilagus mansuetus Nelson, 1902 - Coelho-de-São-José Gênero Oryctolagus Liljeborg, 1874 Oryctolagus cuniculus - Coelho-comum ou Coelho-europeu Gênero Poelagus St. Leger, 1932 Poelagus marjorita (St. Leger, 1929) - Coelho-de-Bunyoro Gênero Pronolagus Lyon, 1904 Pronolagus crassicaudatus (I. Geoffroy St.-Hilaire, 1832) - Lebre-vermelha-de-Natal Pronolagus randensis Jameson, 1907 - Lebre-vermelha-de-Jameson Pronolagus rupestris (A. Smith, 1834) - Lebre-vermelha-de-Smith Gênero Caprolagus Blyth, 1845 Caprolagus hispidus (Pearson, 1839) - Coelho-asiático Gênero Lepus Linnaeus, 1758 Subgênero Macrotolagus Mearns, 1895 Lepus alleni Mearns, 1890 - Lebre-antílope Subgênero Poecilolagus Lyon, 1904 Lepus americanus Erxleben, 1777 - Lebre-americana Subgênero Lepus Linnaeus, 1758 Lepus arcticus Ross, 1819 - Lebre-ártica Lepus othus Merriam, 1900 - Lebre-da-Beríngia Lepus timidus Linnaeus, 1758 - Lebre-da-Eurásia Subgênero Proeulagus Gureev, 1964 Lepus californicus Gray, 1837 - Lebre-da-Califórnia ou lebre-de-cauda-negra Lepus callotis Wagler, 1830 - Lebre-de-flanco-branco Lepus capensis Linnaeus, 1758 - Lebre-do-Cabo ou Lebre-marron-africana Lepus flavigularis Wagner, 1844 - Lebre-de-Tehuantepec Lepus insularis Bryant, 1891 - Lebre-negra Lepus saxatilis F. Cuvier, 1823 Lepus tibetanus Waterhouse, 1841 Lepus tolai Pallas, 1778 - Lebre-de-Tolai Subgênero Eulagos Gray, 1867 Lepus castroviejoi Palacios, 1977 - Lebre-cantábrica Lepus comus J. A. Allen, 1927 - Lebre-de-Yunnan Lepus coreanus Thomas, 1892 - Lebre-coreana Lepus corsicanus De Winton, 1898 - Lebre-italiana Lepus europaeus Pallas, 1778 - Lebre-comum ou lebre-marron-européia Lepus granatensis Rosenhauser, 1856 - Lebre-ibérica Lepus mandshuricus Radde, 1861 - Lebre-da-Manchúria Lepus oiostolus Hodgson, 1840 - Lebre-peluda Lepus starcki Petter, 1963 - Lebre-dos-planaltos-etíopes Lepus townsendii Bachman, 1839 - Lebre-de-cauda-branca Subgênero Sabanalagus Averianov, 1998 Lepus fagani Thomas, 1903 - Lebre-etíope Lepus microtis Heuglin, 1865 - Lebre-das-savanas Subgênero Indolagus Gureev, 1953 Lepus hainanus Swinhoe, 1870 - Lebre-de-Hainan Lepus nigricollis F. Cuvier, 1823 - Lebre-indiana Lepus peguensis Blyth, 1855 - Lebre-da-Birmânia Subgênero Sinolagus Averianov, 1998 Lepus sinensis Gray, 1832 - Lebre-chinesa Subgênero Tarimolagus Gureev, 1947 Lepus yarkandensis Günther, 1875 - Lebre-de-Yarkand Subgênero Incertae sedis Lepus brachyurus Temminck, 1845 - Lebre-japonesa Lepus habessinicus Hemprich e Ehrenberger, 1832 - Lebre-da-Abissínia
Origem e história da domesticação miniaturadaimagem|Imagem de um coelho branco com manchas marrons, em floresta. Não é duvidoso ou controverso o fato de que a totalidade dos coelhos domésticos é formada por descendentes do coelho selvagem europeu (Oryctolagus cuniculus). Basta compararmos e teremos uma visão de que eles não são apreciavelmente diferentes. Os coelhos e lebres não têm diferenças apreciáveis tanto nas suas formas, fisiologia ou hereditariedade. Todas essas diferenças apreciáveis não incluem o caráter calmo do doméstico e o arisco do selvagem. O fato que se conhece é que, se dermos liberdade aos coelhos-domésticos nos campos, eles logo vão ser transformados em animais selvagens. Enquanto isso, se dermos prisão a certos filhotes de coelhos selvagens, eles vão se tranquilizar e terão facilidade de domesticação. Porém, os coelhos têm possibilidade de conservação a um fato muito propenso de retornar à vida selvagem. Não existe outro animal, exceto, talvez, o cachorro, durante o fato do homem ter domesticado, que tanto se transformou como os coelhos.
Do coelho selvagem europeu, originou-se a obtenção de muitas raças diferentemente coloridas e pesadas. Dentre as raças de coelhos, os Gigantes de Flandres tiveram o alcance de um peso da ordem de 9 kg. Essa medida de peso constitui a representação de 5 vezes superiores em relação ao peso do coelho selvagem. Além disso, o coelho foi profundamente modificado na cor do manto, na cor dos olhos e no comprimento do pelo e das orelhas. Já 2600 anos antes da era cristã, de acordo com o que dizem os estudiosos da área, a referência dada por Confúcio, um chinês, era o fato de que o coelho existia na China.
A consideração da maior parte dos autores é de que o coelho se originou na Península Ibérica, mais precisamente na Espanha. Apesar disso, o julgamento de outros autores é de que o seu berço é a África. Outros ainda, o sul da Europa. A opinião dos que têm como consideração de que a África é o berço do coelho, se refere à sua transferência para a Europa. Existem, aqueles que se espalham nas regiões montanhosas da Arábia, Síria e Palestina, um animal que se parece muito com o coelho: ele se chama "sphan". De maneira provável, isso tem levado os Fenícios a darem a denominação de "sphania". O termo "sphania" tem o significado de costa dos coelhos. A costa dos coelhos, atualmente Espanha, foi a região onde ocorreu o desembarque dos fenícios. A origem do nome Espanha vem do fato de que muitos desses animais foram encontrados pelos fenícios. Os fenícios, propriamente ditos, foram responsáveis pela confusão do coelho com aquele roedor do Oriente. Estrabão, o grande geógrafo grego também chamou de "Cuniculosa" a Hispânia. A menção dada por Estrabão se refere à rápida multiplicação dos os coelhos. Por causa disso, foram transformados em animais perigosos para os seus habitantes.
A afirmação dada por Plínio se refere à dispersão dos coelhos, de Tarragona para as ilhas do mar Mediterrâneo e a grande reprodução deles na ilha Minorca. Por causa disso, houve o pedido feito pelos seus moradores ao Imperador Romano Augusto do envio de seus legionários para o combate desses pequenos animais perigosos. Das ilhas Baleares, de acordo com o que diz Ayala, a disseminação dos coelhos ocorreu pelos países mediterrâneos e, daí, pela Europa Central e do Norte.
Na Inglaterra, de acordo com o que diz Brehn, os entusiastas da caça introduziram o coelho em 1309. Os antigos egípcios, gregos, hindus e chineses já tiveram criação de coelhos de acordo com revelação feita nos documentos escritos nos séculos XVIII e XIX. Na cultura da China o coelho é o símbolo da fecundidade. Naquele país, os chineses sacrificaram em 1600 templos uma quantidade superior a 30 mil coelhos. Durante a primavera, o pedido feito pelos chineses aos deuses se referia à fecundidade da terra da mesma forma que esses animais. Já, no outono, os chineses agradeceram pela produção feita pela terra.
Hoje em dia, os coelhos se espalham pela totalidade dos continentes. A sua grande capacidade de reprodução, ou seja, o fato de serem prolíficos é a mais importante característica que têm. A grande capacidade que têm de se reproduzirem tem reconhecimento a partir da mais alta antiguidade. A qualidade que torna um dos animais domésticos de maior perigo de descontrolar animais (se tiver um macho e uma fêmea). A cunicultura terá a possibilidade de alcance da imensidão de um número imenso. Quando os coelhos machos chegam à idade adulta tornam-se briguentos. Isso dificulta o seu controle. Os coelhos, como já mencionado, é originário da Europa.
Como o homem levou os coelhos para a Austrália, não se deram de encontro com inimigos naturais e sim clima de sol e variedade e abundância de alimentação. Na Austrália, ocorreu a rápida multiplicação dos coelhos em grande quantidade. Foram transformados em animais terrivelmente epidêmicos. A terrível praga dos coelhos foi um problema de calamidade pública até agora sem solução. Isso porque os coelhos prejudicaram muito a agricultura australiana. Foram responsáveis pela devastação das suas pastagens e plantações. Atualmente, calcula-se em 500 milhões o número de coelhos que existem na Austrália.
A situação chegou a tal ponto em que a praga biológica dos coelhos invadiu a totalidade da Austrália. O homem construiu uma cerca de tela feita de arame de 2 metros de altura e com 2 240 km de extensão. Os australianos dividiram o país em ambas as partes. Uma delas os coelhos dominam. A totalidade dos métodos para combater e exterminar essa qualidade dos coelhos já tiveram várias tentativas. Porém os resultados não satisfizeram. Por serem prolíficos, foram transformados em animais perigosos na Austrália. O mesmo já está tendo início de ocorrência no sul da Argentina e do Chile.
Características
miniaturadaimagem|esquerda|Anatomia interna do coelho. direita