Mary Abby van Kleeck (Glenham, 26 de junho de 1883Kingston, 8 de junho de 1972) foi uma cientista social americana. Foi uma figura notável no movimento trabalhista americano, bem como uma defensora da administração científica e de uma economia planificada.

Holandesa-americana, van Kleeck foi uma nova-iorquina ao longo da vida, com exceção de seus estudos de graduação no Smith College, em Massachusetts. Começou sua carreira como parte do movimento de assentamento, investigando o trabalho feminino na cidade de Nova Iorque. Ganhou destaque como diretora do Departamento de Estudos Industriais da Fundação Russell Sage, que liderou por mais de trinta anos, começando em 1916. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi nomeada pelo presidente dos EUA, Woodrow Wilson, para liderar o desenvolvimento de padrões de trabalho para as mulheres que entram na força de trabalho, tornando-se a primeira mulher nomeada para um cargo de autoridade no governo federal americano durante a guerra.

Após a guerra, van Kleeck liderou a criação de uma agência federal para defender as mulheres na força de trabalho, intitulado Women's Bureau, antes de retornar à Fundação Sage e continuar sua determinada pesquisa sobre questões trabalhistas. Na década de 1930, tornou-se socialista, argumentando que planejamento central das economias era a maneira mais eficaz de proteger os direitos trabalhistas. Além disso, foi uma notável crítica de esquerda do New Deal e do capitalismo americano durante a Grande Depressão, defendendo uma agenda radical para reformadores sociais e trabalhadores.

Posteriormente, ao concluir suas atividades na Fundação Sage em 1948, concorreu ao Senado do Estado de Nova Iorque como membro do Partido Trabalhista Americano, mas perdeu a eleição e retornou seu foco para o ativismo pela paz e o desarmamento nuclear. Como uma longa defensora das economias planificadas, se tornou uma defensora da amizade soviético-americana, levando à suspeita do poderoso movimento anticomunista. Morreu aos 88 anos em 1972.

Primeiros anos Filha de Eliza Mayer de Baltimore e Robert Boyd van Kleeck, um ministro episcopal de origem holandesa, van Kleeck nasceu em 26 de junho de 1883, em Glenham, no Condado de Dutchess, Nova Iorque. Por parte de pai, era descendente da família Schenck do Brooklyn. Foi a caçula dos cinco irmãos, incluindo um irmão que morreu na infância. Seu avô se chamava Charles F. Mayer, um notável advogado e político de Baltimore. Na relação familiar, era mais apegada com a mãe, e tinha um relacionamento distante com seu pai que, muitas vezes, estava doente quando era jovem. Ele morreu em 1892, quando a filha tinha apenas nove anos. Van Kleeck foi a oradora de sua turma na Flushing High School em Nova Iorque, onde também foi líder estudantil e debatedora. Além disso, uma de suas principais características era a forte reputação de inteligência e força de personalidade entre seus colegas. Escreveu em seu discurso de despedida: Estamos vivendo em uma época de disputas, e de forma alguma, a menor delas é a questão da mulher e seus direitos(...) [aqueles que defendem as mulheres] cometem um grande erro — defendem corajosamente a mulher, mas esquecem que ela não precisa de defesa, suplicam eloquentemente sua libertação dos laços da escravidão, mas esquecem que seu papel não é como uma escrava.— Mary van Kleeck, 1900.miniaturadaimagem|Van Kleeck estudou no Smith College antes de iniciar sua carreira em Nova IorqueVan Kleeck estudou no Smith College de 1900 a 1904, onde floresceu — estudando cálculo, escrevendo poesia e desfrutando de popularidade entre seus colegas. van Kleeck ingressou na Smith College Association for Christian Work (SCACW), a principal organização estudantil do campus. Posteriormente, trabalhou como presidente da SCACW em 1903. Por meio dessa organização, conheceu a YWCA, à qual permaneceu vinculada pelo resto de sua vida. Em um retiro de verão da YWCA em Silver Bay, em Nova Iorque, foi atraída pelas ideias de Florence Simms, a secretária industrial da YWCA. Deste modo, optou por dedicar sua carreira ao serviço público, projeto na qual dedicou um poema no anuário de Smith.

Início de carreira Um ano depois de se formar em Smith com um grau acadêmico Bachelor of Arts, van Kleeck recebeu uma bolsa de pós-graduação conjunta da College Settlement Association e da Smith College Alumnae Association, que lhe permitiu realizar pesquisas na cidade de Nova Iorque. Como parte desse trabalho, realizou investigações sobre a aplicação da lei trabalhista que rege a semana de trabalho (limitada a 60 horas no momento, embora esta disposição tenha sido frequentemente ignorada pelos empregadores).

Van Kleeck também trabalhou para o Comitê de Trabalho Infantil de Nova Iorque e para a Consumers League. Seu trabalho para a College Settlement Association, juntamente com seu papel como secretária industrial do Alliance Employment Bureau (AEB), levou ao início de sua pesquisa sobre mulheres na indústria e trabalho infantil. Para a AEB, desenvolveu um estudo sobre as condições irregulares de trabalho de modistas e fabricantes de flores artificiais, ambas as principais fontes de emprego das mulheres na época. Ademais, também realizou trabalhos de pós-graduação em economia social na Universidade de Columbia durante esse período. Posteriormente, teve aulas com o experiente economista trabalhista Henry Rogers Seager e os sociólogos Franklin Giddings e Samuel McCune Lindsay, mas nunca concluiu um doutorado.

Fundação Russel Sage Van Kleeck ganhou o apoio da Fundação Russel Sage em 1907, logo após a sua criação, o início de uma relação profissional que duraria quarenta anos. A organização foi fundada por Margaret Olivia Sage para apoiar o ativismo social e as reformas progressistas por meio de pesquisas científicas dedicadas. Orientada e treinada por Florence Kelley e Lilian Brandt, notáveis ativistas trabalhistas e reformadores sociais, foi contratada diretamente pela Fundação em 1910 para liderar seu Comitê sobre o Trabalho das Mulheres. Seu salário inicial era de dólares por ano. Seu papel foi fundamental na aprovação das leis de Nova Iorque proibindo longas horas de trabalho em 1910 e 1915. Diante disso, publicou junto com a Fundação Sage uma série de livros baseados em sua pesquisa: Artificial Flower Makers (1913), Women in the Bookbinding Trade (1913) e Wages in the Millinery Trade (1914). miniaturadaimagem|Van Kleeck trabalhando para a Fundação Russell Sage antes da Primeira Guerra Mundial Em 1916, van Kleeck convenceu a Fundação a criar a Divisão de Estudos Industriais ao atribuí-la como chefe. Como diretora do projeto, posteriormente foi ampliado e teve seu nome renomeado para Departamento de Estudos Industriais, tornando-se uma figura bem conhecida no estudo das condições de trabalho industrial e do emprego das mulheres na indústria. Seu departamento foi o resultado de uma organização conhecida por sua especialização em indústria e trabalho, por treinar estudantes de pós-graduação e por desenvolver novos métodos de investigação. Seu trabalho foi caracterizado por "cuidado no empirismo, revisão colegiada e cooperação com órgãos estatais e privados", segundo o historiador Guy Alchon.

O departamento de van Kleeck frequentemente recomendava reformas trabalhistas, como o estabelecimento de comissões salariais cooperativas. Mais de uma vez, a Fundação Sage foi obrigada a proteger o Departamento de Estudos Industriais de represálias de corporações prejudicadas que haviam sido investigadas pelo departamento. A empresa de fabricação Remington Arms, criticada pelo departamento em 1916 por fornecer condições precárias para seus trabalhadores, tentou suprimir o relatório resultante, mas foi rejeitada por Robert DeForest, vice-presidente da fundação.

Ao lado de Eleanor Roosevelt, van Kleeck também foi co-vice-presidente do Women's City Club of New York, fundado em 1915. Durante esse período, a produção de estudos trabalhistas e outros artigos realizados pela cientista foi prodigiosa, e ela, muitas vezes, trabalhou em estreita colaboração com a Women's Trade Union League (WTUL). Por exemplo, ao escrever um artigo na revista científica Journal of Political Economy, argumentou que as meninas trabalhadoras deveriam ter acesso a cursos noturnos sem obstáculos financeiros, publicado em maio de 1915. A cientista social também encontrou tempo para trabalhar no Comitê de Desemprego do prefeito de Nova Iorque, John P. Mitchel. Além disso, ministrou uma série de cursos sobre questões industriais na Escola de Filantropia de Nova Iorque da Universidade de Columbia, entre 1914 a 1917. Na Columbia, encontrou as ideias de Taylorismo (também conhecido como administração científica) e rapidamente se tornou uma referência, vendo-o como uma "ciência social de potencial utópico". Posteriormente, foi membro notável da Taylor Society por várias décadas.

Primeira Guerra Mundial e Women's Bureau miniaturadaimagem|Van Kleeck investigou as condições de trabalho feminino durante a Primeira Guerra Mundial, como essas fabricantes de munições na Pensilvânia Em 1917, os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial. A essa altura, van Kleeck gozava de "uma merecida reputação como uma das maiores especialistas do país em emprego feminino". A pedido do War Industries Board (WIB) e de Herman Schneider, decidiu investigar a possibilidade de empregar mulheres nos armazéns do Exército dos EUA. Também recomendou a criação de uma Women's Bureau no Departamento de Guerra e, como resultado, foi escolhida pelo presidente Woodrow Wilson para liderar um novo grupo de Serviço de Mulheres na Indústria, uma subagência do Departamento de Trabalho. Diante disso, tornou-se a primeira mulher nos Estados Unidos escolhida para um cargo de autoridade no governo federal desde o início do envolvimento do país na Primeira Guerra Mundial. Ademais, escreveu que o grande número de mulheres trazidas para a força de trabalho pela guerra representou uma "nova liberdade" para as mulheres: "liberdade de defender seu país através de sua indústria, não como mulheres, mas como trabalhadoras julgadas pelos mesmos padrões e recompensadas com a mesma recompensa que os homens".

O grupo Women in Industry Service produziu uma série de relatórios documentando disparidades salariais, condições de trabalho inseguras e discriminação contra trabalhadoras, realizando investigações em 31 estados. Suas recomendações foram, muitas vezes, ignoradas e, em uma conferência de outubro de 1918 para discutir o trabalho das mulheres organizada por van Kleeck, o secretário do Trabalho, William Wilson, se recusou a tomar medidas para lidar com a desigualdade salarial. A cientista social priorizou a nomeação de uma mulher negra para a equipe do grupo Women in Industry Service, trabalhando com George Haynes para encontrar um candidato adequado. Eventualmente, uma pesquisadora experiente chamada Helen Irvin, formada pela Universidade Howard, foi contratada da Cruz Vermelha.

Em dezembro de 1918, o grupo publicou um amplo relatório intitulado Standards for the Employment of Women in Industry. O relatório foi usado, mais tarde, como base para o inovador Fair Labor Standards Act de 1938, que aplicava padrões aos locais de trabalho em todo o país. Após a guerra, o grupo formado por van Kleeck criou o United States Women's Bureau. A cientista social escreveu a lei que permite essa transição em junho de 1920. Em 14 de julho, foi escolhida como chefe da nova agência do Departamento do Trabalho. Embora esperassem que van Kleeck liderasse o Bureau permanentemente, só foi chamada para ajudar a cuidar de sua mãe que estava morrendo, renunciando após algumas semanas. Mary Anderson, sua amiga e colega de trabalho, tornou-se sua primeira diretora de longo prazo.

Trabalho pós-guerra