A contusão, também conhecida como trauma contuso ou trauma não penetrante, é um trauma físico, ocorrendo particularmente por quedas em idosos. É contrastado com o trauma penetrante, que ocorre quando um objeto perfura a pele e entra em um tecido do corpo, criando ferida aberta e hematoma.
O trauma contuso pode resultar em contusões, escoriações, lacerações, hemorragias internas, fraturas ósseas, assim como a morte.
Em todo o mundo, uma causa significativa de incapacitação e morte em pessoas com idade inferior a 35 anos são os traumas, sendo a maioria classificada como traumas contusos.
Classificação
Contusão abdominal ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/09/Leftrenalarteryinjury.png/220px-Leftrenalarteryinjury.png|direita|miniaturadaimagem| TC abdominal mostrando lesão da artéria renal esquerda O trauma abdominal contuso (TAB) representa 75% de todos os traumas contusos e é o exemplo mais comum dessa injúria. 75% dos TAB ocorrem em colisões de veículos motorizados, em que a desaceleração rápida pode impulsionar o motorista contra o volante, opainel de bordo ou o cinto de segurança, causando contusões em casos menos graves ou ruptura de órgãos internos nos casos mais graves devido ao rápido aumento da pressão intraluminal, dependendo da força aplicada. Inicialmente, pode haver poucos indícios de que tenha ocorrido lesão abdominal interna grave, tornando a avaliação mais desafiadora e requerendo alto grau de suspeita clínica.
Existem dois mecanismos físicos básicos a se levar em consideração no potencial de lesão de órgãos intra-abdominais: a compressão e a desaceleração. A primeira ocorre a partir de um golpe direto, como um soco ou compressão contra um objeto resistente, como um cinto de segurança ou uma coluna de direção. Essa força pode deformar um órgão oco, aumentando sua pressão intraluminal ou interna e possivelmente levar à ruptura do mesmo.
A desaceleração, por outro lado, causa estiramento e cisalhamento nos pontos onde os conteúdos móveis do abdomen, como os intestinos, estão ancorados. Isso pode causar ruptura do mesentério intestinal e lesões nos vasos sanguíneos que passam por ele. São exemplos clássicos desses mecanismos ruptura no fígado por meio de seu ligamento redondo e lesões nas artérias renais.
Quando o trauma abdominal fechado é complicado por "lesão interna", o fígado e o baço (ver trauma esplênico fechado) são envolvidos com maior frequência, seguidos pelo intestino delgado.
Em casos raros, essa injúria tem sido atribuída a técnicas médicas, como a manobra de Heimlich, tentativas de RCP e impulsos manuais para desobstruir alguma via respiratória. Embora estes sejam exemplos raros, sugere-se que eles sejam causados pela aplicação de pressão excessiva ao realizar tais técnicas de salvamento. Finalmente, a ocorrência de ruptura esplênica com trauma abdominal contuso leve em pacientes em recuperação de mononucleose infecciosa ou 'mono' é bem reportada.
Trauma abdominal contuso nos esportes O ambiente supervisionado em que ocorrem a maioria das lesões esportivas permite leves desvios dos algoritmos tradicionais de tratamento de trauma, como o Suporte Avançado de Vida no Trauma, devido à maior precisão na identificação do mecanismo da injúria. A prioridade na avaliação do trauma contuso em lesões esportivas é separar contusões e lesões músculo tendinosas de lesões em órgãos sólidos e nos intestinos, reconhecer o potencial para desenvolver perda de sangue e reagir de acordo. Lesões contundentes nos rins por capacetes, ombreiras e joelhos são descritas no futebol americano, futebol europeu, artes marciais e acidentes com todos os veículos terrestres. ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/39/Flail_chest_mechaincs.jpg/220px-Flail_chest_mechaincs.jpg|miniaturadaimagem| Uma ilustração de Tórax Instável, um trauma torácico contuso muito grave
Trauma torácico contuso O termo trauma torácico contuso ou, mais informalmente, contusão pulmonar, abrange uma variedade de lesões no tórax. No geral, também se incluem danos causados por força contundente direta (como um soco forte), aceleração ou desaceleração (como a de uma batida na traseira do veículo), tensão de cisalhamento (uma combinação de aceleração e desaceleração), compressão (como um objeto pesado caindo sobre uma pessoa) e rajadas de energia (como algum tipo de explosão). Os sinais e sintomas comuns incluem algo tão simples quanto hematomas, mas ocasionalmente tão complicados quanto hipóxia, desequilíbrio ventilação-perfusão, hipovolemia e redução do débito cardíaco, dependendo da forma como os órgãos torácicos tiverem sido afetados. O trauma torácico fechado nem sempre é clinicamente perceptível e tais lesões internas podem não apresentar sinais ou sintomas no momento em que ele ocorre ou mesmo horas depois. Às vezes, um alto grau de suspeita clínica pode ser necessário para identificar tais lesões, e uma tomografia computadorizada pode ser útil nesses casos. Aqueles que sofrem complicações mais óbvias de uma lesão torácica fechada deverão passar por Avaliação Focada com Ultrassonografia para Trauma (de sigla em inglês FAST), que pode detectar com segurança quantidades significativas de sangue ao redor do coração ou nos pulmões usando uma máquina especial que visualiza as ondas sonoras enviadas através o corpo. Apenas 10 a 15% dos traumas torácicos requerem cirurgia, mas podem ter sérios impactos no coração, pulmões e grandes vasos. ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/Common_Blunt_Thoracic_Injuries.png/220px-Common_Blunt_Thoracic_Injuries.png|miniaturadaimagem| Esta tabela representa os mecanismos de trauma torácico fechado e as lesões mais comuns de cada mecanismo As lesões com mais imediato risco de morte que podem ocorrer incluem pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax, tórax instável, tamponamento cardíaco e obstrução/ruptura das vias aéreas. ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b1/Main_bronchus_laceration.jpg/220px-Main_bronchus_laceration.jpg|miniaturadaimagem| Exemplo de tubo torácico As lesões podem exigir uma interferência médica, sendo a mais comum a inserção de um dreno intercostal ou dreno torácico. Esse tubo é tipicamente instalado porque ajuda a restaurar um certo equilíbrio nas pressões (geralmente devido ao ar extravasado ou ao sangue circundante) que impedem a capacidade dos pulmões de inflarem-se e, assim, trocar gases vitais que permitem a função corporal. Um procedimento menos comum que pode ser empregado é a pericardiocentese que, ao remover o sangue rodeando o coração, permite que este recupere alguma capacidade de bombear sangue adequadamente. Em certas circunstâncias mais graves, uma toracotomia de emergência pode ser feita.
Trauma craniano contuso A principal preocupação clínica com o trauma contuso na cabeça é o dano ao cérebro, embora outras estruturas, como crânio, face, órbitas e pescoço, também possam estar em risco. Após haver avaliação das vias aéreas, circulação e respiração, um colar cervical pode ser colocado no paciente se houver suspeita de trauma no pescoço. Em seguida, procede-se com levantamento secundário de evidências de que haja trauma craniano, como a presença de hematomas, contusões, lacerações e escoriações. Além de se observarem lesões externas, o exame neurológico completo é tipicamente realizado para que sejam avaliados danos ao cérebro. Dependendo do mecanismo da lesão e das avaliações, tomografia computadorizada do crânio e do cérebro pode ser realizada. Ela normalmente é feita para avaliar se há hemorragia intracraniano ou fratura dos ossos cranianos. ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f9/EpiduralHematoma.jpg/220px-EpiduralHematoma.jpg|miniaturadaimagem| Uma tomografia computadorizada mostrando um hematoma epidural, uma variedade de sangramento intracraniano comumente associada a trauma fechado na região temporal
Traumatismo cranioencefálico O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma causa significativa de morbidade e mortalidade, sendo mais comumente causada por quedas, acidentes automobilísticos, lesões esportivas, acidentes de trabalho e agressões. É a causa mais comum de morte em pacientes de até 25 anos. O TCE é classificado de leve a grave, com maior gravidade sendo correlacionada com aumentos da morbidade e mortalidade.
A maioria dos pacientes com grave traumatismo cranioencefálico apresenta uma combinação de lesões intracranianas, podendo ser incluídas lesão axonal difusa, contusões cerebrais e hemorragias intracranianas, como hemorragia subaracnóidea, hematoma subdural, hematoma epidural e hemorragia intraparenquimatosa. A recuperação da função cerebral após uma lesão traumática é altamente variável e depende das lesões intracranianas específicas existentes. Porém, existe uma significativa correlação entre gravidade da lesão inicial e nível de função neurológica durante a primeira avaliação e o nível de déficits neurológicos duradouros. O tratamento inicial pode ser direcionado à redução da pressão intracraniana se houver preocupação com inchaço ou sangramento dentro do crânio, podendo exigir cirurgias como a hemicraniectomia, na qual parte do crânio é removida. ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/65/Diagrams_illustrating_how_to_set_a_broken_arm._Stipple_engra_Wellcome_V0016831.jpg/220px-Diagrams_illustrating_how_to_set_a_broken_arm._Stipple_engra_Wellcome_V0016831.jpg|miniaturadaimagem| Uma fratura, uma lesão no componente esquelético da extremidade superior.
Trauma contuso nas extremidades ligação=//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ee/Pad_abi.jpg/220px-Pad_abi.jpg|miniaturadaimagem| O Índice Tornozelo-Braquial é mostrado aqui. Nota: o aumento dos pulsos por ultrassom não é necessário, mas pode ser útil. Lesões nas extremidades (como braços, pernas, mãos e pés) são extremamente comuns. As quedas são a etiologia mais comum, representando até 30% das injúrias dos membros superiores e 60% das dos membros inferiores. O mecanismo mais comum para as exclusivas dos membros superiores é a operação de máquinas ou o uso de ferramentas. Acidentes de trabalho e colisões de veículos são causas também comuns. A extremidade lesionada é examinada quanto a quatro principais componentes funcionais, sendo eles tecidos moles, nervos, vasos sanguíneos e ossos. Os vasos são examinados quanto à presença de hematomas em expansão, ruídos, sinais/sintomas de isquemia e exame de pulso distal é feito. Essencialmente, se pergunta: "O sangue parece estar passando pela área lesionada de uma maneira suficiente para chegar à da lesão?" Quando a resposta "sim" não for óbvia, um índice de extremidade lesionada ou Índice Tornozelo-Braquial pode ser usado para ajudar a orientar se deve haver avaliação adicional com arteriografia portomografia computadorizada. Dessa forma, usa-se um scanner especial e uma substância que torna mais fácil examinar os vasos com mais detalhes do que as mãos ou os olhos humanos podem sentir ou ver. Danos nos tecidos moles podem levar à rabdomiólise (uma rápida ruptura do músculo lesionado que pode sobrecarregar os rins) ou pode ser desenvolvida a síndrome compartimental (quando apressão se acumula nos compartimentos fasciais e danifica os nervos e vasos nos mesmos). Os ossos são avaliados com radiografia simples ou tomografia computadorizada se forem observadas deformações (mudanças de formatos), hematomas ou frouxidão articular (frouxidão ou maior flexibilidade do que o normal). A avaliação neurológica envolve o teste das principais funções nervosas dos nervos axilar, radial e mediano na extremidade superior, bem como dos nervos femoral, ciático, fibular profundo e tibial na extremidade inferior. Pode ser necessário tratamento cirúrgico dependendo da extensão da lesão e das estruturas envolvidas, mas muitas vezes opta-se por tratamento não-cirúrgico.
Trauma pélvico contuso