Carnaval de São Paulo é a uma festa de momo realizada na cidade de São Paulo, no estado brasileiro homônimo. É composto pelo desfile das escolas de samba no sambódromo do Anhembi, bailes em clubes e blocos de rua. Atualmente, é considerado um dos maiores e mais importantes eventos populares do Brasil, sendo reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil e Patrimônio Imaterial do Estado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).

História O Carnaval teve sua origem como uma brincadeira onde as pessoas atiravam água e outros líquidos entre si, existente desde o século XV. A partir dai ele se desenvolveu e tomou formas diferentes nos diversos lugares em que se disseminou e floresceu. Em São Paulo, sob forte influência das populações que migravam do campo para a cidade e com o contexto da crise da economia cafeeira, foi a população resultante do êxodo rural causado pela crise do café que desencadeou o início do Carnaval de São Paulo

As comemorações carnavalescas e o próprio samba diferenciam um pouco da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, exceto por uma nítida diferença de andamento da candência do som, ou seja, a grosso modo, de velocidade, de tempo da música. O sambista paulista, acostumado à árdua vida nas lavouras de café e migrando para a cidade para realizar o trabalho operário, fazia o que Plínio Marcos denominou de "samba de trabalho, durão, puxado para o batuque", contrastando com o lirismo e a cadência do samba carioca. Além disso, o samba paulistano era decisivamente influenciado por outros ritmos fortemente percussivo, como o jongo-macumba, também conhecido por Caxambú. Data dessa época o início da relação entre o Carnaval e o direito: a repressão policial sofrida pelos sambistas, feita de forma dura e sem critério. Os sambistas, não só no Carnaval, mas durante todo o ano, eram vistos como marginais e duramente perseguidos pelas autoridades. Na periferia marginalizada de uma São Paulo em construção, o som dos batuques anunciava uma cultura imigrante que mais tarde influenciaria a cultura brasileira de forma definitiva.

Na data de 1885, ocorreu a primeira intervenção da Prefeitura Municipal de São Paulo no Carnaval, promovendo o primeiro desfile carnavalesco dos cordões existentes à época. Os cordões por longo tempo definiram a musicalidade da população operária paulistana, e neles é que se desenvolvia o samba paulistano. No entanto, as manifestações carnavalescas das classes menos abastadas, de forte influência negra, eram praticamente ignoradas pela grande imprensa da época, bem como pelo poder público, que por vezes as reprimia extensivamente.

Em 1914, foi criado o Cordão da Barra Funda, por Dionísio Barbosa, sendo este cordão um ancestral da Camisa Verde e Branco.Jornal USP ano XXII no.790 Ele morou no Rio de Janeiro, onde teve contato com as bandas militares e com carnavalescos que eram populares no século XX, só que os cordões carnavalescos paulistanos exibiam características peculiares. Na frente dos cordões vinha o Baliza, personagem responsável pela execução do malabarismo com bastões para abrir caminho para os demais componentes passarem por ali, além disso, ele também defendia o estendarte do grupo. As características musicais eram a batucada, que ficava responsável pelo ritmo e era executada através dos instrumentos de percussão e sopro, dando destaque ao bumbo, e o choro, que ficam responsáveis pelo acompanhamento melódico e harmônico, além disso também tinha os instrumentos de corda. Destacaram-se posteriormente outros como, Geraldinos, Mocidade do Lavapés, Ruggerone e Campos Elyseos, os maiores da cidade até então.

Década de 1930

Foi instituída em 1933 a Taça Arthur Friendenreich pela Frente Negra Brasileira, com o objetivo de valorizar as agremiações de raiz africana,que era relacionada principalmente com as características rítimico-musicais e coreografias do samba, que até então eram excluídas dos certames oficiais. Dela participaram o Cordão da Barra Funda, Bloco do Boi, Cordão das Bahianas e Bloco da Mocidade. Em 1934, o mesmo concurso foi novamente realizado, sendo vencido pelo Vae-Vae. Graças à influência da Rádio Nacional, que começara a transmitir os desfiles carnavalescos do Rio, nasce a Primeira de São Paulo, no ano de 1935, considerada a primeira escola de samba da capital paulista. Nesse ano, agremiações de cunho mais popular foram incluídas no Carnaval oficial da Prefeitura de São Paulo, que passou a oferecer local, arquibancadas, infraestrutura, além de apoiar e oficializar campeonatos através do Conselho dos Festejos Populares, Recreações e Divertimentos da Cidade, ou das federações. Nessa época, não havia ainda uma diferenciação clara em São Paulo entre cordões, blocos e escola de samba, que desfilavam competindo pelo mesmo certame.

Paralelamente, muitas agremiações já desfilavam pelas ruas da cidade.27/12/1935 - Acervo Folha de S.Paulo - http://acervo.folha.com.br/resultados/buscade_talhada/?all_words=&commit.x=39&commit.y=12&date[day]=&date[month]=&date[year]=&fdm=1&fdn=1&final_date=&fsp=on&group_id=0&initial_date=&page=142&phrase=Escola+de+Samba&theme_id=0&utf8=%E2%9C%93&without_words=&words= Já existiam nessa época os ranchos Mimosa, Príncipe Negro e Diamante Negro; os Cordões: Ruggerone, Campos Elyseos, Geraldinos, Baianas Paulista Marujos Paulistas, Vai-Vai, Cordão Camisas Verdes, Maricota, A.A. Bom Retiro, 13 de Maio, Sabratino, Barra Funda e Flor da Mocidade; os Blocos: Artistas de Cor, Caprichosos de São Paulo, 11 Irmãos Patriotas, Nossa Vida é Um Mistério, Enxada, Moderado e Roma; e as Escolas de Samba: Primeira de São Paulo, Desprezados da Penha, Grupo Regional Vim do Sertão e a Mocidade do Lavapés. Os desfiles começavam no Largo São Bento, desciam a Rua Libero Badaró e acabavam na Praça Patriarca ou no Largo do São Bento, de forma ainda corriqueira, onde as escolas, ranchos e cordões se apresentavam em um tablado, com uma mesa julgadora, e lá cantavam Marchinhas, e apresentavam suas fantasias. A Campeã foi a Mocidade do Lavapés e a Vice Campeã foi a Desprezados da Penha.

Décadas de 1940 e 1950 A década de 1940 é marcada, pela afirmação dos Blocos, Cordões e Escolas. Outros integrantes se reuniam no Largo da Banana (Onde é atualmente o Memorial da América Latina), entre danças, jogos de pernada, e baralho, começava a se formar um movimento muito forte do samba paulistano naquele espaço. Na Zona Leste de São Paulo, no antigo Largo da Penha (onde se encontra a Igreja da Penha), também surgia um movimento muito parecido com o que havia no Largo da Banana, com os negros e brancos pobres da região. Mesmo com cerca de quatro escolas de samba ativas em São Paulo, os desfiles no Rio de Janeiro, começam a ser divulgados por todo Brasil, isso acaba fomentando e atraindo o interesse da população da cidade paulistana, que começa a agregar e abraçar os desfiles da capital.

Em 1940 nasce a E.S. Preto e Branco, e também e criada a agremiação E.S. Henrique Dias, que tinha a frente do comando o Pres. Aparecido Durval de Oliveira, a escola tinha sua sede na Rua São Joaquim nº129, Centro da Cidade. Durante esse período, também ganha força o colunista da Folha da Manhã "Lord Charuto" que fazia artigos contando sobre o samba paulista no jornal, além das instituições carnavalescas, apontando os favoritos e visitando os bairros onde se faziam desfiles, cortejos e bailes em geral. Em 1941 é criado o primeiro Grito de Carnaval, uma parceria do antigo Clube Roxy com a Primeira de São Paulo a frente dos festejos, acontecendo assim a primeira participação de uma escola de samba em um show de entretenimento, o grito foi transmitido pela Rádio Record para todo país, também sendo a primeira transmissão de uma escola de São Paulo em todo Território Nacional.

Durante o pré-carnaval acontece o primeiro concurso de Escolas de Samba, Blocos e Cordões, no dia 16 de fevereiro, realizado em homenagem ao Folha da Manhã (Atual Folha de S.Paulo), o desfile foi realizado no Largo do Arouche, no bairro da República. O desfile foi transmitido para toda Capital e Grande São Paulo pela antiga Rádio Kosmos. Outro fato curioso, que marcou o pré carnaval naquele dia foi a competição da campeã de 1940 do Carnaval Carioca a Portela, que veio à São Paulo, disputar uma espécie de Rio-SP de escolas de samba, organizado pela quermesse da "Casa do Ator", juntou com a Campeã de São Paulo, União Filme do Brasil. A escola do Rio trouxe figuras famosas como seu cofundador Paulo da Portela, e Heitor dos Prazeres além de Cartola famoso compositor da Mangueira, a escola Filme do Brasil tinha os sambistas Edgard da Filme e Durval Soares. A apresentação começa com a escola paulistana que conta com Edgard no microfone, segundo o jornal "Folha da Manhã"Jornal Folha da Noite (Acervo Folha de S.Paulo 17/2/1941) cantou vários sambas e era dono de uma voz valorosa. A Portela por sua vez canta o samba Pauliceia e o samba São Paulo, é aplaudida pelo público, que traz Heitor e Cartola ao microfone.

O resultado foi surpreendente, a escola União de Filme Brasil empata, e conquista talvez o maior resultado de uma escola até aquele momento. O Carnaval de São Paulo conquista seu primeiro grande resultado ao enfrentar de igual para igual uma escola do porte da Portela, multicampeã da época. O Carnaval do Povo (Como era chamado o concurso da prefeitura) fez vários torneios, em conjunto com Rádios e Imprensa da cidade, realizado no bairro do Bixiga, além do concurso, um dia antes foi realizado o desempate entre Filme do Brasil e Portela, houve tumulto devido a tamanha repercussão e torcida que foi até à Casa do Ator acompanhar, segundo notícia, cerca de 5000 pessoas. Não houve resultado final divulgado infelizmente, porém fica mais um adendo a história do samba paulista que já atraia multidões as suas organizações e festas. No ano de 1941, o Torneio mais valoroso era o realizado na "Cidade Folia", onde a Rádio São Paulo e o C.C.R-SP (Clube dos Cronistas Radiofônicos de São Paulo) em conjunto com a FEPSC (Federação das Pequenas Sociedades Carnavalescas) realizava com total cobertura. Sendo assim então, em 1941 a verdadeira campeã do Carnaval paulistano foi o bloco do Clube Ruggerone, composto por italianos e brancos trabalhadores da Lapa. O Carnaval de 1942 tem seus primeiros suspiros ao começo de fevereiro, no dia 6 tem a "Primeira Batalha de Conffetti" , torneio realizado pelo CPCC e pela Prefeitura com o seu "Carnaval do Povo",Acervo Folha - Folha da Manhã (6/2/1942) na Praça Fernando Prestes, o carnaval passa a ser temático, as instituições são obrigadas a contar sobre alguma das 200 cidades paulistas que compunham até então o Estado.