O Cerco de Gidá foi uma batalha naval que aconteceu na baia de Gidá entre uma frota Portuguesa liderada por Lopo Soares de Albergaria e a defesa Otomana comandada por Salmane Reis.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 50-51, citando a al-Shiḥrī A frota Portuguesa chegou à costa da cidade na Páscoa do ano de 1517 (dia 12 de abril), ano Hijri 923, e se ancorou no canal.Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 223. Depois de uma batalha rápida com poucas baixas, a artilharia costal não deixou que os portugueses pousaram pé na terra e o clima finalmente os obrigou a retirar-se.Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 223, citando as Lendas da India por Gaspar Correa

Contexto

Relações entre os portugueses, os mamelucos, e os otomanos no Mar Vermelho eram contenciosas nos anos antes do cerco de Gidá considerando as incursões marítimas dos portugueses no meio oriente. As ilhas de Socotorá e Ormuz tinham sido capturadas pelos portugueses para controlar rotas de comercio nas entradas do Mar Vermelho e o Golfo Pérsico em 1506 e 1515, respectivamente.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 43-44, e Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 221. Por isso, laços políticos informais foram formados entre os impérios otomanos e mamelucos para combater as incursões portuguesas.Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 222. Os otomanos mandaram ao seu almirante Salmane Reis com naves e provisões para que ele se unisse à defesa mameluca da cidade de Gidá comandada pelo Mirocém.

Construções nas defesas da cidade tem continuado desde 1506, ano Hijri 912, e incluíram a adição de uma muralha, 8 torres, e vários elementos de artilharia.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 160-161.

esquerda|miniaturadaimagem|277x277px|Defesas de Gidá

Um mapa de Gidá feito pelo C. Niebuhr em 1762 revela partes dessa defesa, incluindo 1) a casa do Pasha, 2) Bāb Sharīf, 3) Bāb Jadīd, 4) Bāb Makka, 5) torres na rua em direcao a Meca, 6) campos para a cultivacao de sal, 7) um cemeterio Cristiano 8) torres com artilharia, 9) porto dos galeãos, 10) a casa de Niebuhr e companheiros, 11) a alfândega, 12) a casa do Kiḫya, 13) a tomba de Eva, 14) morros de coral e concha e 15) ancoragem para naves da India e de Suez.Maneval, Stefan. “A Brief History of Jeddah in the Nineteenth and Twentieth Centuries.” New Islamic Urbanism: The Architecture of Public and Private Space in Jeddah, Saudi Arabia, UCL Press, 2019, pp. 22–39. JSTOR, https://doi.org/10.2307/j.ctv13xprrv.7.

Batalha

Depois de navegar desde Goa, os portugueses chegaram no Áden em fevereiro de 1517, onde conseguiram pilotos locais para navegar até Gidá. Depois de que a frota portuguesa chegasse na baia de Gidá, em Pascoa de 1517, (dia 12 de abril), ano Hijri 923, os relatos dos otomanos e dos portugueses deixam de concordar.Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 224.

De acordo com o cronologista otomano, enquanto percebeu a frota portuguesa na baia, o almirante Salmane Reis, “os procurou em um ou dois barcos...e abriu fogo neles com seus canhões, destruindo a dois ou três das naves.” Em algum ponto na ação, um dos canhões otomanos sofreu uma falha técnica e explodiu. O historiador Hadrami Al-Shiri conta que:

“O artilheiro adicionou alguma coisa na pólvora para que a arma deixasse de funcionar, e o fogo queimou parte da nave onde ficava Salmane; se falou que o artilheiro era um Cristiano servindo com Salmane – mas Salmane mandou que ele fosse executado e volto bem a Gidá.”Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 51, citando a al-Xihri

Ainda que parte da nave dele estivesse queimada, Salmane foi capaz de expulsar aos portugueses que se foram na direção de Iémen.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 51.

O relato português, em contraste, diz que depois de chegar na baia, a frota de Lopo de Soares encontrou-se incapaz de pousar pé na terra a causa da artilharia mameluca. Ainda que os portugueses tenham logrado queimar algumas das naves ancoradas na baia, as condições climáticas impossibilitaram a navegação.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 170, citando a Gaspar Correa Depois de ter esperado 13 dias por clima favorável, falta de água e danos nas naves fizeram que os portugueses abandonassem o ataque.

Resultado

Os portugueses se retiraram à Ilha do Camarão, onde ficaram presos pela falta de vento por 3 meses. Lopo Soares de Albergaria pronto precisou de provisões e mandou um bergantim para se reabastecer na costa árabe. A missão falhou depois de que “Salmane ou um dos seus homens seguiram [aos portugueses] numa nave até a localidade de al-Luhaiyah [Al Luhayyah]” onde capturaram aos 17 marinheiros portugueses e enviaram-lhes à Constantinopla.Serjeant, R. B. (1974). The Portuguese off the South Arabian Coast: Hadramī chronicles, with Yemeni and European accounts of Dutch pirates of mocha in the seventeenth century. Librairie du Liban. 170. Só um foi capaz de escapar e voltar a Portugal para contar a história.

Ainda que os portugueses tenham falhado em capturar a cidade, eles lograram bloquear o comercio no porto com obrigar ao governador de Calicute a diminuir exportas a Gidá.Meloy, J. L. (2010). Imperial power and Maritime Trade: Mecca and Cairo in the later Middle Ages. Publicado pelo Middle East Documentation Center por parte do Center for Middle Eastern Studies, University of Chicago. 225 Além disso, o historiador ibne Ias conta que “Huceine, o superintendente de Gidá, cobrou uma decima parte do valor dos produtos dos mercadores indianos, então eles deixaram de frequentar Gidá e a condição do porto decaiu." Em corto prazo, o bloqueio e os impostos reduziram a importância de Gidá como porto estratégico nas rotas comerciais da zona.  

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