Sleepaway Camp é um filme de terror norte-americano de 1983, do subgênero slasher, escrito e dirigido por Robert Hiltzik. Os papéis principais são interpretados por Felissa Rose, Katherine Kamhi, Paul DeAngelo, Mike Kellin e Christopher Collet. É o primeiro filme da franquia Acampamento Sinistro e seu enredo gira em torno de uma série de assassinatos que assola um acampamento de verão para jovens.
De produção independente, o longa-metragem foi filmado no interior do estado de Nova Iorque em meados de 1982 e distribuído nos Estados Unidos no ano seguinte pela United Film Distributors. Lançado num momento em que os filmes slasher começavam a ganhar popularidade, arrecadou aproximadamente 11 milhões de dólares de bilheteria. Entretanto, recebeu avaliações desfavoráveis dos críticos, muitos dos quais o consideraram apelativo e derivado de filmes como Sexta-Feira 13 (1980).
Nos anos seguintes ao seu lançamento, Sleepaway Camp se estabeleceu como uma produção cult, bem como ganhou notoriedade pelo seu final surpreendente, frequentemente listado na posteridade como um dos mais chocantes do gênero terrorDentre as fontes que apontam a reviravolta final de Sleepaway Camp como uma das mais chocantes do gênero horror, estão: e da história do cinema em geral.Dentre as fontes que apontam a reviravolta final de Sleepaway Camp como uma das mais chocantes da história do cinema, estão: O filme também se tornou alvo de análises divergentes de críticos modernos em relação aos temas de identidade de gênero por ele suscitados. Foi seguido por quatro sequências, lançadas entre 1988 e 2012.
Enredo John e seu namorado Lenny levam os pequenos Angela e Peter, filhos de John, para um passeio de barco. John e uma das crianças morrem atingidos por uma lancha. Oito anos depois, a sobrevivente Angela, que agora vive com sua tia Martha, é enviada com o primo Ricky para o acampamento Arawak. Muito introvertida, Angela sofre bullying das colegas campistas Judy e Meg. O cozinheiro Artie tenta molestar Angela e, mais tarde, alguém faz derramar água fervente sobre ele, escaldando-o gravemente. Ricky e o amigo Paul brigam com Kenny e Mike, que zombavam de Angela. Paul faz amizade com ela e posteriormente a beija. Kenny morre afogado misteriosamente.
Após implicar com Angela, o campista Billy é picado até a morte após alguém prendê-lo com uma colmeia no banheiro. O diretor do acampamento, Mel, desconfia que há um assassino no local. Angela e Paul se beijam novamente e ela lembra de um momento da infância em que viu o pai fazendo sexo com outro homem. Ela flagra Paul e Judy se beijando e fica chateada. Judy e Meg jogam Angela na água. À noite, Meg morre esfaqueada durante o banho e o corpo dela é encontrado por Mel. Enquanto Judy está sozinha arrumando o cabelo, o assassino usa uma chapinha quente para matá-la. Mel culpa Ricky pelos assassinatos e o agride até deixá-lo inconsciente.
O verdadeiro assassino aparece e mata Mel com uma flechada na garganta. A polícia chega e Angela marca um encontro com Paul no lago. Os monitores Ronnie e Susie encontram Angela nua e segurando a cabeça decepada de Paul. Eles ficam chocados ao descobrir que a tímida garota é, na verdade, um menino. É revelado que a verdadeira Angela morreu no acidente e Peter, o irmão dela que se pensava estar morto, sobreviveu. Depois que conseguiu a guarda de Peter, a excêntrica Martha, que sempre quis ter uma filha, decidiu criá-lo como menina. "Angela" se levanta, com a genitália masculina à vista, e começa a grunhir com uma expressão ameaçadora.
Elenco Este é o elenco principal do filme, na ordem dos créditos finais e conforme descrição do Instituto Americano de Cinema:
Felissa Rose como Angela Jonathan Tiersten como Ricky Karen Fields como Judy Christopher Collet como Paul Mike Kellin como Mel Katherine Kamhi como Meg Paul DeAngelo como Ronnie Tom Van Dell como Mike Loris Sallahain como Billy
John Dunn como Kenny Willy Kuskin como Mozart Desiree Gould como Tia Martha Owen Hughes como Artie Robert Earl Jones como Ben Susan Glaze como Susie Frank Trent Saladino como Gene Rick Edrich como Jeff Fred Greene como Eddie
Allen Breton como Policial Frank Michael Mahon como Hal Dan Tursi como John James Paradise como Lenny Alyson Mord como Mary Ann Carol Robinson como Dolores Lisa Buckler como Leslie Colette Lee Corcoran como jovem Angela Frank Sorrentino como jovem Peter
Produção Desenvolvimento O conceito do filme surgiu no início da década de 1980, quando Robert Hiltzik, um jovem estudante de pós-graduação em cinema da Universidade de Nova Iorque, decidiu que a melhor maneira de entrar na indústria cinematográfica era escrever, produzir e dirigir seu próprio longa-metragem. Ele optou por fazer um filme de terror apostando no apelo comercial desse gênero, que começava a ganhar popularidade na época, decorrente do sucesso de produções como The Evil Dead (1981) e, principalmente, dos slashers como Friday the 13th (1980). Apesar de não ser o gênero que mais lhe agradava como cinéfilo, Hiltzik considerava que o terror lhe permitiria fazer algo interessante com pouco dinheiro e boas chances de distribuição, ressaltando que a ideia de ambientar a história num acampamento foi uma estratégia financeira, pois filmar em um único local ajudaria a economizar muito o orçamento. Ele estava no terceiro e último ano da faculdade e começou a trabalhar no filme sem que a escola soubesse.
Roteiro A ideia era fazer algo diferente. Em vez de todos os monitores serem assassinados e cometerem toda a matança, deixe as crianças se divertirem! Eu queria fazer algo um pouco mais interessante do que apenas alguém correndo por aí esfaqueando pessoas e, sabe, deixar as crianças serem crianças — Entretenimento!— Robert Hiltzik, sobre a concepção do roteiro Segundo Hitzilk, a inspiração para a história de Sleepaway Camp não veio de outro filme ou diretor em particular, mas sim do próprio cenário escolhido para a realização das filmagens: Camp Algonquin, um verdadeiro acampamento de verão situado no interior de Nova Iorque. O cineasta disse ter frequentado esse estabelecimento na infância, de modo que vários elementos do roteiro surgiram a partir das lembranças de situações que marcaram sua experiência lá, incluindo uma supervisão muito baixa e crianças correndo soltas. Ele também ouviu falar do "Maníaco de Cropsey", uma lenda sobre um funcionário de acampamento ou morador local que assassinava campistas como vingança por ter sido ferido ou desfigurado.
Hiltzik descreveu o cenário principal do filme inteiramente com base nas dependências do acampamento, antes mesmo de saber se teria acesso ao local, uma vez que já estava bastante familiarizado com o ambiente. Primeiro, o cineasta escreveu o início e o fim da história para só depois começar a adicionar detalhes ao enredo. Seu objetivo era criar uma trama completamente centrada nas crianças frequentadoras do acampamento, idealizando-as tanto como vítimas quanto vilões. Ele queria ainda um final chocante ou uma reviravolta sobre a qual o público conversasse quando saísse do cinema, o que levou à revelação final da transgeneridade da protagonista, algo que o diretor acreditava nunca ter sido visto antes. Para prenunciar esse desfecho, ele decidiu incrementar o filme com um ângulo psicossexual, incluindo alguns elementos homoeróticos como cenas de homens correndo nus e dormindo juntos na cama.
Seleção do elenco Para a maior parte do elenco principal foram contratados jovens atores iniciantes de Nova Iorque. Ao contrário de muitos filmes de terror da época, que traziam adultos interpretando jovens, Sleepaway Camp diferenciou-se por ter um elenco composto principalmente por adolescentes. Isso aconteceu porque Hiltzik se incomodava com a escalação de intérpretes mais velhos para papéis juvenis e considerava que a novidade de um elenco realmente adolescente agradaria o público. Além disso, a equipe reuniu mais de 75 crianças locais, algumas muito pequenas, para atuarem como figurantes. O diretor relatou que, apesar da natureza do filme, os pais não se opuseram à participação dos filhos menores nem interferiram na produção e, inclusive, deixaram as crianças aos cuidados dele e da equipe ao longo das semanas de filmagem.
miniatura|esquerda|upright|Felissa Rose tinha 13 anos quando foi escalada para interpretar Angela, a protagonista do filme. A escolhida para interpretar a protagonista Angela, Felissa Rose, tinha 13 anos. Foi seu primeiro trabalho como atriz profissional, permitindo-lhe ingressar no Screen Actors Guild. Ela conseguiu o papel por intermédio de seu agente, que lhe informou que o projeto era uma nova visão sobre o enredo de "crianças mortas no acampamento" estabelecido anos antes com Friday the 13th. Segundo a artista, aparentemente o diretor queria apenas que a intérprete fosse uma moça de "olhos arregalados, peito pequeno e silenciosa". No teste de elenco, ele pediu que Rose improvisasse situações simples, como sentar numa cadeira e "olhar para o nada" fingindo comer um doce ou imaginar-se desconfortável na praia. A mãe de Rose a acompanhou o tempo todo no set, assegurando-se de que a jovem não fizesse nada perigoso.
O teste de Jonathan Tiersten para o papel de Ricky consistiu em xingar Hiltzik, a pedido do próprio diretor. A vilanesca Judy, que Hiltzik considerava um papel adequado para uma loira, seria interpretada por Jane Krakowski, que deixou o elenco após se opor à cena de morte da personagem. Sua substituta, Karen Fields, fez um único teste de improvisação sem preparação nem leitura do roteiro. Fields, tida como uma adolescente tímida e quieta, disse que surpreendeu o elenco e a equipe por conseguir interpretar a mal-intencionada personagem. Katherine Kamhi e John Dunn, que atuavam desde a infância e contracenaram na telessérie All My Children, foram escalados como Meg e Kenny, respectivamente. Kamhi foi selecionada para o filme enquanto participava de gravações da série. Loris Sallahian, de pequenos papéis anteriores na Broadway, na televisão e no longa-metragem Fame (1980), foi escolhido para o papel de Billy.
Desiree Gould, cuja única experiência anterior na tela havia sido uma breve participação no telefilme You Can't Go Home Again (1979), deu vida a Martha, a excêntrica tia de Angela. Por indicação de um amigo que era colega de classe de Hiltzik na Universidade de Nova Iorque, Dan Tursi fez um teste e conseguiu o papel de John, o pai de Angela; antes, Tursi já havia trabalhado em alguns curtas-metragens do cineasta. Com apenas oito anos, Frank Sorrentino foi escolhido para o papel do jovem Peter, sendo este seu primeiro trabalho como ator. Entre os intérpretes dos funcionários do acampamento estavam os veteranos Robert Earl Jones como Ben, um ajudante de cozinha, e Mike Kellin como Mel, o gerente do estabelecimento. Foi o último filme de Kellin, que morreu em 26 de agosto de 1983, alguns meses antes do lançamento de Sleepaway Camp. Hiltzik comentou que a presença de Kellin contribuiu para que o filme recebesse uma distribuição ampla: "Ajudou ter Mike Kellin envolvido só porque ele era um 'nome'... não muito grande, mas mesmo assim era um nome".
Locações e cenários As filmagens foram realizadas na zona rural do estado de Nova Iorque, na área de entorno do lago Summit. O cenário usado para o fictício acampamento Arawak foi uma propriedade situada em Argyle, no condado de Washington, onde funcionava o Camp Algonquin, um antigo acampamento de verão no qual Hiltzik costumava passar férias quando criança. O diretor conhecia os donos da propriedade e disse que eles não viram problemas nas cenas violentas do roteiro, apenas se preocupavam em receber o pagamento. A sequência de abertura no lago foi filmada em Lake Luzerne, no condado de Warren. Uma residência em Glens Falls, na mesma região, foi escolhida aleatoriamente por Hiltzik para representar a fachada da casa de Tia Martha, com as cenas internas sendo registradas numa réplica de estúdio.
Filmagens