The Celebration Tour foi a décima segunda turnê da cantora estadunidense Madonna. Com espetáculos na Europa, América do Norte e América do Sul, teve início em 14 de outubro de 2023 na The O2 Arena em Londres, Inglaterra, e encerrou-se em 4 de maio de 2024 durante um concerto gratuito na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, Brasil. Os rumores sobre uma excursão começaram no final de 2022, após o lançamento da coletânea Finally Enough Love: 50 Number Ones, sendo oficializado em 17 de janeiro de 2023, tendo como foco o catálogo musical e os 40 anos de carreira de Madonna. Inicialmente, a digressão estava prevista para iniciar em 15 de julho de 2023, em Vancouver, no Canadá, mas foi adiada para outubro após a musicista ser hospitalizada no final de junho devido a uma infecção bacteriana.

A The Celebration Tour contou com a direção criativa de Lewis James e Jamie King, figurinos concebidos por vários estilistas, como Guram Gvasalia, Donatella Versace, Jean Paul Gaultier, Dilara Fındıkoğlu e coreografia realizada pelo conjunto francês (La)Horde. O palco, estruturado como um mapa abstrato de Nova Iorque, foi desenvolvido pela empresa britânica Stufish, que já havia colaborado anteriormente com a artista. O repertório da turnê foi constituído por canções que Madonna não cantava ao vivo há mais de uma década. Ao decorrer dos espetáculos, que foram divididos em cinco segmentos temáticos, a cantora homenageou a comunidade LGBT, amigos que faleceram em decorrência do HIV/AIDS e artistas que a inspiraram.

A turnê foi recebida com análises positivas de críticos de música e entretenimento por seu caráter nostálgico, embora o atraso da cantora tenha gerado críticas e duas ações judiciais por parte dos espectadores. Foi bem sucedida comercialmente, vendeu 1,1 milhão de ingressos e lucrou 225,4 milhões de dólares, de acordo com a Billboard, tornando-se uma das turnês mais lucrativas de 2024. O concerto realizado gratuitamente no Rio de Janeiro atraiu 1,6 milhão de pessoas, sendo o maior público da carreira de Madonna e um dos espetáculos gratuitos mais assistido da história. Além de ter impulsionado o turismo e a economia local, gerou uma receita estimada em 293,4 milhões de reais e atraiu turistas de vários países.

Antecedentes miniatura|esquerda|190px|Bob the Drag Queen se apresentando durante um dos concertos, o mesmo esteve presente no vídeo de anúncio da turnê. Em 19 de agosto de 2022, Madonna lançou Finally Enough Love: 50 Number Ones, um álbum de remisturas com seus maiores sucessos na Dance Club Songs, tabela musical da Billboard. Para divulgar a coletânea, a cantora publicou um vídeo no YouTube respondendo a perguntas de fãs, incluindo sobre uma possível turnê, ao que respondeu: "Vocês querem que eu faça [uma turnê]?". Durante uma entrevista para Variety, referiu-se aos palcos como seu "refúgio". Em outubro, especulações sobre uma excursão surgiram após a imprensa latino-americana divulgar que a artista havia reservado o Estádio Centenário, em Montevidéu, com a finalidade de se apresentar no local em outubro de 2023.

Em 4 de janeiro de 2023, meios de comunicação, como o tabloide britânico The Sun, anunciou que Madonna estava cogitando um turnê em comemoração aos seus 40 anos de carreira, com datas já reservadas na The O2 Arena em Londres. Os rumores se intensificaram após a cantora excluir todas suas publicações no Instagram em 16 de janeiro. No dia seguinte, Madonna anunciou oficialmente a The Celebration Tour por meio de um vídeo, com a participação de várias celebridades, incluindo Amy Schumer, que a desafiou a sair em turnê para "celebrar todos os seus sucessos". Em seu site, declarou: "Estou empolgada em explorar o maior número possível de canções, com a esperança de oferecer aos meus fãs o espetáculo que estavam esperando". Os concertos da The Celebration Tour foram anunciados em arenas, distinguindo-se da Madame X Tour (2019–2020), que ocorreu em teatros.

Adiamento Em 24 de junho, Madonna foi hospitalizada em Nova Iorque após ser encontrada inconsciente em casa devido a uma grave infecção bacteriana. O empresário da cantora, Guy Oseary, recorreu ao Instagram para divulgar um comunicado, no qual escreveu: "A saúde [de Madonna] está melhorando, mas ainda está sob cuidados médicos [...] neste momento, precisaremos pausar todos os compromissos, o que inclui a turnê". Com isso, a Live Nation adiou a primeira etapa da digressão, que se iniciaria em 15 de julho em Vancouver.

No final de julho, a artista expressou sua gratidão aos fãs, equipe e família: "Obrigada por toda energia positiva, orações, palavras de cura e encorajamento [...] meu foco agora é recuperar a minha saúde e ficar mais forte, garanto a vocês que voltarei assim que possível. O plano atual é reagendar a etapa norte-americana da turnê e iniciar em outubro, na Europa". Em entrevista à Pollstar, Oseary comentou que "a excursão celebra tanto a carreira quanto a vida de Madonna. Não foi necessário fazer alterações; isso apenas adicionou um significado extra e mais emoção ao espetáculo, tornando-o ainda mais significativo após tudo o que ela superou". A The Celebration Tour, que teve suas novas datas anunciadas em 15 de agosto, teve início em Londres em 14 de outubro de 2023 e terminou com um concerto gratuito na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 4 de maio de 2024. Em comemoração aos concertos em Londres, a fabricante de bandeiras da família real britânica, Flying Colours, confeccionou uma bandeira em homenagem à cantora. Chris Taylor, da mesma, comentou: "[Madonna] é a verdadeira realeza do pop. Fazemos bandeiras para a Família Real há mais de 20 anos, mas nunca fizemos uma bandeira como esta".

Desenvolvimento Concepção e ensaios

Lewis James e Jamie King, com quem Madonna já havia trabalhado, foram designados diretores criativos da The Celebration Tour. A musicista ficou interessada em trabalhar com James após ver seu trabalho em um concerto de Post Malone. De acordo com James, a artista estava "extremamente comprometida [...] e sabia exatamente o que queria". Ricardo Gomes foi contratado como cinegrafista da turnê, onde filmava os concertos e verificava se os ângulos das câmeras haviam sido alterados. A coreografia ficou a cargo do conjunto (La)Horde, sediado em Marselha e composto por Martina Brutti, Jonathan Debrouwer e Arthur Harel. Madonna tomou conhecimento do trio através de um de seus bailarinos e os contatou através do Instagram. Ao coreografar os números, o trio se inspirou no passado da cantora. "Exploramos a ideia de uma retrospectiva, ora atualizando coreografias, ora comparando a Madonna de hoje com a do passado", recordou Brutti.

O músico britânico Stuart Price foi designado como diretor musical após uma ligação com Madonna, comentando que o enredo do concerto seria "altamente evoluído". A equipe da turnê contava com 24 dançarinos, 30 fisioterapeutas e mais de 200 pessoas, das quais 25 eram do departamento de figurinos. Bob the Drag Queen foi escolhido por Madonna para ser mestre de cerimônias e hype man da turnê, após ambos se conhecerem durante um evento em 2022. Bob relembrou, com humor, que a artista entrou em contato com sua mãe através do Instagram, dizendo: "Madonna quer trabalhar comigo!". Sara Zambreno, cogerente da cantora, revelou que o seu extenso catálogo dificultou a elaboração do repertório e a equipe considerou separar os segmentos do espetáculo por décadas. Os ensaios da excursão tiveram início no começo de abril de 2023, e foram retomados em meados de agosto, no Nassau Coliseum em Uniondale, após a cantora receber alta. E segundo a revista GQ, duraram seis semanas. Lipson, diretor de palco da Stufish Entertainment, notou que "Madonna ensaiava de maneira diferente, participando intensamente dos ensaios, ao contrário de outros artistas".

Palco e repertório

Para o palco, Madonna colaborou com a empresa londrina Stufish, com a qual já havia trabalhado em suas turnês anteriores, The MDNA Tour (2012), Rebel Heart Tour (2015–2016) e Madame X Tour (2019–2020). Lipson ressaltou que a equipe desejava criar uma experiência mais imersiva. Segundo James, o espetáculo explora quatro temas centrais: o tempo, a cidade de Nova Iorque, fragmentos e "a história de Madonna". Com base nesses elementos, a estrutura também foi projetada como um mapa abstrato de Nova Iorque, com palcos secundários e passarelas inspiradas nas ruas e bairros de Manhattan, como Uptown, Downtown, Midtown, East e West. A equipe desenvolveu um palco central circular de três níveis, inspirado tanto no bolo de casamento da apresentação de "Like a Virgin" no MTV Video Music Awards de 1984, quanto em um relógio. Um retângulo que flutuava pelo ar, elevava a cantora a do chão, onde apresentava "Live to Tell". Em "Bedtime Story", a cantora se deitava sobre um cubo que se suspendia a do público. Tal foi criado pelo artista visual brasileiro Gabriel Massan e inspirado no videoclipe da canção supracitada. O palco incluía um extenso sistema de iluminação circular, com 14 refletores, 600 luzes móveis e mais de 8,800 sinais de iluminação.

Price anunciou que o repertório da turnê contaria com mais de 40 canções, além de alguns discursos. Além disso, a The Celebration Tour foi a primeira excursão de Madonna a não apresentar uma banda ao vivo, uma decisão da própria. Publicações como Billboard, Variety, Rolling Stone UK e Consequence criaram seu "repertório dos sonhos" após o anúncio. Em fevereiro, a cantora perguntou aos fãs no Instagram quais canções deveriam incluir na digressão. Em seguida, listou algumas faixas que poderiam integrar o set list, como "Like a Virgin", "Papa Don't Preach", "Crazy For You", "Lucky Star", "Rescue Me", "Erotica" e "Bad Girl". Seguidamente, a Billboard criou uma enquete para os fãs escolherem quais músicas que desejavam ouvir na turnê. O repertório foi composto por faixas que não eram apresentadas há mais de uma década, como "Bad Girl", "Rain", "Bedtime Story" e "Nothing Really Matters". Além de versões covers de "I Will Survive", de Gloria Gaynor, e "Don't Cry for Me Argentina".

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