Éris (), na mitologia grega, era a deusa da discórdia. Filha de Nix sozinha. Seu equivalente romano é Discórdia. O oposto grego de Éris é Harmonia, cuja contraparte latina é Concórdia. Homero igualou-a com a deusa da guerra Ênio, cuja contraparte romana é Belona. O planeta anão Éris é nomeado sobre a deusa. Foi desposada pelo deus primordial Éter (Deus do espaço imaterial), com o qual concebeu catorze filhos. Cada um deles dotado de um poder maligno o que a alcunhou como Mãe dos Males. Éris sempre fora companheira de seus irmãos em questões terrenas, sobretudo de Ares nas batalhas.

Fontes literárias Hesíodo em Os Trabalhos e os Dias e Teogonia aponta Éris como a filha primogênita de Nyx, a Noite, e mãe de outras entidades peculiares.

Por sua parte, Éris deu à luz o doloroso Ponos (desânimo e fadiga), aos Macas (batalhas), Limos (fome) e Horcos (juramento); e a Lete (esquecimento), as chorosas Algea (tristeza), Hisminas (discussões e disputas), as Fonos (dor e matança), as Androctasias (devastações e massacres), as Neikea (ódio), as Pseudólogos (palavras mentirosas), as Anfilogias (ambiguidades; dúvidas e traições), Disnomia (desrespeito) e Até (insensatez) todos eles companheiros inseparáveis. Esse grupo de daemones compostos pelos filhos de Éris eram chamados pelos gregos de Érides (Ἔριδες); as "desgraças" para os romanos.

Já Homero, na Ilíada, refere-se a Éris como irmã de Ares e, portanto, presume-se ser filha de Zeus e Hera (IV, 440-443, tradução livre):

"(...) a Discórdia infatigável, Companheira e irmã do homicida Ares, Quem a princípio se apresenta timidamente, mas que logo Anda pela terra enquanto a fronte toca o céu."

A lenda mais famosa referente a Éris relata o seu papel ao provocar a Guerra de Troia. As deusas Hera, Atena e Afrodite haviam sido convidadas, juntamente com o restante do Olimpo, para o casamento forçado de Peleu e Tétis, que viriam a ser os pais de Aquiles, mas Éris fora desdenhada por conta de seu temperamento controvertido — a discórdia, naturalmente, não era bem-vinda ao casamento. Mesmo assim, compareceu aos festejos e lançou no meio dos presentes o pomo da discórdia, uma maçã dourada com a inscrição καλλίστη (kallisti, ou "à mais bela"), fazendo com que as três deusas discutissem entre si acerca da destinatária. Príamo, o rei de Troia foi o escolhido por Zeus para resolver a contenta, que não queria também sofrer a cólera das duas perdedoras da escolha. Porém, o rei já estava velho e deixou tal pendência para seu filho, o incauto Páris, um pastor de rebanhos e Príncipe de Troia, para escolher a mais bela. Cada uma das três deusas presentes imediatamente procurou suborná-lo: Hera ofereceu-lhe poder político e a chance de ser o mais forte rei de todos os tempos; Atena, habilidade na batalha e o homem mais sábio de todos os tempos; e Afrodite, a atual mulher mais bela mulher do mundo, Helena, esposa de Menelau de Esparta. Páris elegeu Afrodite para receber o pomo, atraindo assim a ira de Hera e Atena. Tal história marca o início da Guerra de Troia, seja com o rapto de Helena, como por parte dos seres mitológicos na divisão entre Troia, protegida por Afrodite, e as cidades gregas com a benção de Hera e de Atena. Assim, a escolha de Páris acabou condenando sua cidade, que foi destruída na guerra que se seguiu.

Árvore genealógica

Derivações A palavra "erística", em português, vem do nome da deusa grega da discórdia. Significa a arte da disputa argumentativa no debate filosófico, desenvolvida sobretudo pelos sofistas, e baseada em habilidade verbal e acuidade de raciocínio (Houaiss).

Também leva o nome Éris um planeta anão no disco disperso do Sistema Solar (com a designação oficial 136199 Éris). Seu satélite natural chama-se Disnomia (segundo os antigos gregos, uma das filhas de Éris).

Culto no discordianismo miniaturadaimagem|O Chao Sagrado, símbolo do discordianismo que incorpora a maçã dourada de Éris com a inscrição "kallisti"

Éris é cultuada como divindade central do discordianismo, movimento religioso contemporâneo fundado em 1958. A escolha da deusa relaciona-se com sua associação mitológica ao caos e à discórdia, conceitos que os discordianos reinterpretam de forma positiva, transformando-a de personificação negativa em símbolo de criatividade e pensamento livre que desafia estruturas rígidas de autoridade.

O mito do pomo da discórdia é particularmente significativo para os discordianos. A maçã dourada com a inscrição "kallisti" tornou-se elemento central de sua simbologia, representada no Chao Sagrado, principal símbolo do movimento. A partir do episódio mitológico no casamento de Peleu e Tétis, desenvolveram a chamada Lei do Crescimento Erístico, segundo a qual a tentativa de impor ordem resulta paradoxalmente em maior desordem.

Diferentemente da interpretação tradicional que retrata Éris como força destrutiva, os discordianos a celebram como patrona da ruptura com convenções opressivas, utilizando humor e paradoxo como ferramentas de questionamento filosófico.

Eris Categoria:Deuses do caos Categoria:Personagens da Ilíada Categoria:Éris Categoria:Deuses traiçoeiros Categoria:Deusas da guerra