A eleição parlamentar finlandesa de 2023 ocorreu em e destinou-se a renovar a totalidade dos 200 assentos do Parlamento da Finlândia para a 39.ª legislatura, iniciada em 2023 e que será concluída em 2027.
Antecedentes
Governo Rinne thumb|130px|esquerda|Antti Rinne governou o país em 2019
Nas eleições parlamentares de 2019, o Partido Social Democrata ficou em primeiro lugar, com 17,7% dos votos e 40 cadeiras, sendo seguido pelo Partido dos Verdadeiros Finlandenses, com 17,5% e 39 cadeiras, e o Partido da Coligação Nacional, que recebeu 17% dos votos e elegeu 38 parlamentares. O Partido do Centro, do primeiro-ministro Juha Sipilä, ficou em quarto lugar, perdendo um terço de suas cadeiras e registrando seu pior resultado eleitoral, enquanto a Aliança dos Verdes e a Aliança dos Verdes receberam mais votos do que nas eleições anteriores.
Na primeira vitória eleitoral dos sociais-democratas em vinte anos, o líder do partido, Antti Rinne, conseguiu formar um governo majoritário em 6 de junho, com o apoio de outros quatro partidos: Centro, Aliança dos Verdes, Aliança de Esquerda e Popular Sueco. O Parlamento aprovou sua indicação como primeiro-ministro por 111 votos a favor e 74 contra, e o novo governo contava com uma maioria parlamentar confortável.
Um escândalo político ocorreu no mesmo ano devido às revelações de que a ministra Sirpa Paatero tinha conhecimento de um plano que visava enfraquecer os direitos de trabalhadores dos correios. Paatero renunciou em novembro de 2019, mas Rinne era pressionado por membros de sua coligação, sendo também acusado de ter ciência do plano. Uma das principais parceiras, a vice-primeira-ministra e líder do Partido do Centro, Katri Kulmuni, expressou publicamente sua falta de confiança em Rinne e o pressionou a deixar o cargo. Em 3 de dezembro, Rinne apresentou sua renúncia.
Governo Marin thumb|esquerda|130px|Sanna Marin se tornou primeira-ministra em dezembro de 2019
A ministra dos Transportes, Sanna Marin, substituiu Rinne como primeira-ministra, mantendo a composição da coligação governista. Aos 34 anos de idade, converteu-se na pessoa mais jovem a, naquele momento, governar um país. O governo Marin propôs metas mais ambiciosas para a mudança climática e a proteção ambiental, enquanto visava reduzir as desigualdades sociais e econômicas, inclusive na educação e na saúde. O gabinete Marin foi formado por doze mulheres e sete homens; os cinco partidos políticos da coalizão eram liderados por mulheres.
A pandemia de COVID-19 foi um dos principais desafios de Marin. O governo adotou medidas para liminar a propagação do vírus, abrangendo o fechamento de bares, restaurantes e escolas, assim como restringindo reuniões e apoiando as empresas afetadas. As medidas foram bem recebidas pela população, e o governo desfrutou um aumento em sua popularidade. Marin registrou uma opinião favorável recorde que chegou a 85%. O SDP foi superado pelos Verdadeiros Finlandeses nas pesquisas de opinião após abril de 2021, e a Coligação Nacional se tornou o partido mais popular em julho de 2021.
Em 2022, Marin adotou uma posição firme em resposta à invasão russa da Ucrânia, fornecendo armas à Ucrânia e rompendo a posição histórica de neutralidade da Finlândia. Em maio de 2022, o país pediu para se tornar membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), apesar das ameaçadas de autoridades russas. Poucos dias antes das eleições legislativas de 2023, os países integrantes da OTAN aprovaram o ingresso dos finlandeses na organização.
Sistema eleitoral
Os 200 membros do Parlamento da Finlândia são eleitos através da representação proporcional de lista aberta, sendo alocados de acordo com o Método D'Hondt. Há treze distritos eleitorais e a cada um deles atribui-se uma quantidade de vagas correspondente ao tamanho de suas populações. O mais populoso, o distrito de Uusimaa, escolhe 36 parlamentares. As Ilhas Åland elegem somente um deputado, tendo também seu próprio sistema partidário. De 22 a 28 de março de 2023, os eleitores poderiam votar de forma antecipada.
Para 2023, foi estabelecida a seguinte divisão de parlamentares por distrito:
N° Distrito Cadeiras180px 1 Helsinki 22 2 Uusimaa 36 3 Sudoeste da Finlândia 17 4 Satakunta 8 5 Åland 1 6 Häme 14 7 Pirkanmaa 19 8 Sudeste da Finlândia 17 9 Savo-Karelia 15 10 Vaasa 16 11 Finlândia Central 10 12 Oulu 18 13 Lapland 7
Já o Parlamento, no momento de sua dissolução, tinha a seguinte composição:
center|300x300px Partido Assentos Partido Social-Democrata 40 Partido dos Verdadeiros Finlandeses 39 Partido da Coligação Nacional 37 Partido do Centro 31 Aliança dos Verdes 20 Aliança de Esquerda 16 Partido Popular Sueco 10 Democratas Cristãos 5 Movimento Agora 1 O Poder Pertence ao Povo 1
Partidos políticos Partido Ideologia e plataforma Lema eleitoral Líder Social-DemocrataSPD Centro-esquerda. Apoia a redistribuição de riqueza dos ricos para os pobres, mais investimentos em serviços públicos e estilos de vida liberais. A coragem de estar ao seu lado 70px Sanna Marin Verdadeiros FinlandesesPS Nacionalista. Defende uma política restritiva de imigração, o combate consistente ao crime e deseja um Estado-nação forte. De índole nacionalista, se opõe à União Europeia. Salve a Finlândia! 70px Riikka Purra Coligação NacionalKok Conservador liberal. Contrário a regulamentações excessivas dos mercados, favorecendo um comércio mundial livre e cortes de impostos. Agora é a hora 70px Petteri Orpo CentroKesk Centrista. Apoia um Estado-nação forte e coloca os interesses econômicos e a estabilidade acima da proteção ambiental. Adiante! Responsabilidade por toda a Finlândia 70px Annika Saarikko Aliança dos VerdesVihr Defende estilos de vida liberais, um mundo aberto sem fronteiras e uma política de imigratória menos restritiva. Proteja a vida 70px Maria Ohisalo Aliança de EsquerdaVas Esquerda. Busca mais investimentos em serviços públicos, favorece redistribuições financeiras de ricos para pobres e defende estilos de vida liberais. Um amanhã mais justo para todos, não para poucos! 70px Li Andersson Popular SuecoSFP Centrista. É um partido reformista que busca promover a igualdade. Almeja representar dos interesses da população de língua sueca na Finlândia. Avançando juntos 70px Anna-Maja Henriksson Democrata-CristãoKD Centro-direita. Favorece estilos de vida tradicionais, quer um Estado-nação forte e defende o combate consistente ao crime. A voz da razão 70px Sari Essayah Movimento AgoraLN Centro-direita. Descrito como uma "startup política", que apoia uma visão liberal de mercado e adota um caráter reformista. Atreva-se a ser diferente 70px Hjallis Harkimo O Poder Pertence ao PovoVKK Extrema-direita. Considerado pró-Rússia e anti-imigração, o VKK se opõe à vacinação contra a COVID-19 e propõe uma "democracia direta" por meio de referendos. Reconstruindo uma república soberana 70px Ano Turtiainen
Campanha eleitoral thumb|Cartazes de campanha em Helsinque em março de 2023
A emissora Yle considerou que os principais assuntos debatidos durante a campanha eleitoral foram o endividamento do governo, a sustentabilidade das finanças públicas, as mudanças climáticas e o declínio educacional. Paul Kirby, da BBC News, observou que a invasão russa da Ucrânia teve "pouco impacto na campanha" e acrescentou que a disputa se concentrou em questões relacionadas à economia. O Deutsche Welle classificou a escassez de trabalhadores como uma questão-chave, enquanto a Associated Press notou que foram objeto de discussões a economia, as mudanças climáticas, a educação e os benefícios sociais. Markku Jokisipilä, professor assistente da Universidade de Turku, disse que nos debates Marin "se destacou de forma mais vigorosa", enquanto também observou que o Partido dos Verdadeiros Finlandeses teve a presença mais forte nas redes sociais. Teivo Teivainen, professor da Universidade de Helsinki, disse que o principal problema para os oponentes do SDP era o gasto público. As agências de notícias descreveram a eleição como uma disputa acirrada entre o SDP, o Partido da Coligazão Nacional e o Partido dos Verdadeiros Finlandeses.
O Partido dos Verdadeiros Finlandeses, que fez campanha com uma plataforma anti-imigração e anti-UE, frisou como prioridade reduzir a imigração de países não pertencentes à União Europeia, enquanto Petteri Orpo, líder do Partido da Coaligação Nacional, propôs a redução dos gastos com benefícios habitacionais e para desempregados. Durante a campanha, Orpo prometeu propiciar o crescimento econômico, o equilíbrio das finanças, a "construção da relação OTAN-Finlândia" e a construção de usinas nucleares. Riikka Purra, líder do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, pediu austeridade e disse que "também queremos endurecer nossa atitude em relação à União Europeia", enquanto afirmou que o partido atrasaria a meta de neutralidade de carbono introduzida pelo governo de Marin. Marin permaneceu crítica aos partidos de direita, afirmando que oferecem "uma alternativa que torna a vida miserável para todos nós, corta serviços, meios de subsistência para os mais pobres"; também afirmou seu apoio aos gastos com educação e saúde pública, dizendo que isso ajudaria a Finlândia a evitar a solicitar empréstimos. A campanha da Aliança dos Verde se concentrou nos serviços de saúde mental e na renda básica universal, enquanto o Partido do Centro focou em temas regionais.
Resultados eleitorais +350pxPartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido da Coligação Nacional643 87720.82 3,82 10Partido dos Verdadeiros Finlandeses620 10220.05 2,57 7Partido Social-Democrata616 21819.93 2,20 3Partido do Centro349 36211.30 2,46 8Aliança dos Verdes217 4267.03 4,46 7Aliança de Esquerda218 2907.04 1,11 5Partido Popular Sueco133 3184.31 0,22Partido Democrata-Cristão131 3684.26 0,35Movimento Agora74 9622.42 0,17Outros (com menos de 1,00%)87 4952.83 0,48 1Votos Inválidos16 1190.58–Total3 108 537100Eleitorado/Participação4 277 48772.67FonteMinistério da Justiça
Repercussão pós-pleito Negociações Na sequência das negociações para formar um novo governo, a imprensa finlandesa anunciou em finais de abril que os grupos parlamentares tinham designado o líder Petteri Orpo do Partido da Coligação Nacional para iniciar sondagens visando formar um novo governo. A possível coligação governamental seria liderada pelo Partido da Coligação Nacional (conservador), e incluiria o Partido dos Verdadeiros Finlandeses (nacionalista), o Partido Democrata-Cristão e o Partido Popular Sueco, contando assim com uma maioria parlamentar de 108 deputados. Nesta fase das negociações, o Partido Social Democrata ficaria fora da equação e remetido para a oposição. Para acelerar o processo, Petteri Orpo enviou anteriormente um questionário com 24 perguntas aos outros grupos parlamentares.
Acordo preliminar Em meados de junho, o líder parlamentar Petteri Orpo - designado para tentar formar um novo governo - anunciou que havia um acordo final entre os partidos da futura coligação governamental. O teor do referido acordo ainda não era público, nem a distribuição das pastas entre os partidos participantes. Faltava agora a aprovação do projeto pelos quatro partidos. Quando isso estivesse pronto, a Finlândia tem um novo governo de direita-nacionalistas.
Divulgação do plano de governo O programa de governo - resultado do acordo entre o Partido da Coligação Nacional (conservador), o Partido dos Verdadeiros Finlandeses (nacionalista), o Partido Popular Sueco (liberal sueco) e o Partido Democrata-Cristão - tem páginas e foi apresentado oficialmente em 16 de junho no palácio Ständerhuset em Helsínquia.
Distribuição ministerial entre partidos O governo de Petteri Orpo terá 19 pastas ministeriais, distribuídas pelos membros da coligação:
Partido da Coligação Nacional (conservador) - 8 (Negócios Estrangeiros, Defesa, Trabalho,...) Partido dos Verdadeiros Finlandeses (nacionalista) - 7 (Finanças, Justiça, Migração,...) Partido Popular Sueco (liberal sueco) - 2,5 (Ensino, Assuntos Europeus,...)