Martin Ludwig Bormann (Wegeleben, 17 de junho de 1900 – Berlim, 2 de maio de 1945) foi um destacado oficial durante a Alemanha Nazi, chefe da Parteikanzlei (Chancelaria do Partido Nazista). Acumulou um poder muito significativo no Terceiro Reich ao usar a sua posição de secretário privado de Adolf Hitler para controlar o fluxo de informação e acesso ao Führer.
Bormann entrou para a organização paramilitar Freikorps em 1922, enquanto trabalhava como administrador de uma grande propriedade. Esteve preso durante um ano por cumplicidade com o seu amigo Rudolf Höss (mais tarde comandante do campo de concentração de Auschwitz) na morte de Walther Kadow. Bormann entrou para o Partido Nazi em 1927 e para as Schutzstaffel (SS) em 1937. Inicialmente, trabalhou no serviço de seguros do partido, sendo depois transferido em julho de 1933 para o escritório do Delegado do Führer Rudolf Hess, onde foi chefe de pessoal.
Bormann usou a sua posição para criar uma extensa burocracia e envolver-se o mais possível nos processos de decisão. Consegue ser aceito no círculo privado de Hitler, acompanhando-o para todo o lado, fornecendo-lhe relatórios e notas de acontecimentos e solicitações. Bormann começou a servir de secretário pessoal de Hitler em 1935, um cargo para o qual foi oficialmente nomeado em 1943. Depois do voo de Hess para o Reino Unido em 10 de maio de 1941 para tentar a paz pela via da negociação com o governo britânico, Bormann assumiu as funções de Hess, com o título de Chefe do Parteikanzlei (Chancelaria do Partido Nazi). Tinha o poder de aprovação final das nomeações do serviço civil, tal como da revisão e aprovação de legislação e, em 1943, tinha o controlo de facto sobre todos os assuntos internos. Bormann foi um dos principais proponentes da perseguição às igrejas cristãs e era a favor do tratamento repressivo dos judeus e dos eslavos nas regiões conquistadas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.
Bormann regressou ao Führerbunker com Hitler, em Berlim, em 16 de janeiro de 1945, pois o Exército Vermelho aproximava-se da cidade. Depois do suicídio de Hitler, Bormann e outros tentaram fugir de Berlim no dia 2 de maio para evitarem ser apanhados pelos soviéticos. Bormann ter-se-ia suicidado numa ponte perto de da estação de Lehrter. O corpo foi enterrado ali perto em 8 de maio de 1945, mas não foi encontrado até 1972. Bormann foi julgado in absentia pelo Tribunal Militar Internacional nos Julgamentos de Nuremberga de 1945 e 1946. Foi condenado à morte por enforcamento por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Primeiros anos Martin Bormann nasceu em Wegeleben (atualmente na região de Saxônia-Anhalt), Reino da Prússia. Bormann era filho de Theodor Bormann (1862–1903), funcionário dos correios, e da sua segunda esposa, Antonie Bernhardine Mennong. A família seguia o luteranismo. Tinha dois meios-irmãos (Else e Walter Bormann) do anterior casamento do seu pai com Louise Grobler, que morreu em 1898. Antonie Bormann deu à luz três filhos: Theodor morreu quando Martin tinha três anos; Martin (nascido em 1900) e Albert (nascido em 1902).
Bormann estudou numa escola superior de agricultura e interrompeu os seus estudos quando entrou para o 55.º Regimento de Artilharia Terrestre, como artilheiro, em junho de 1918, nos últimos dias da Primeira Guerra Mundial. Bormann nunca chegou a entrar em ação, mas prestou serviço militar num quartel até fevereiro de 1919. Depois de trabalhar por pouco tempo num moinho de alimentação de gado, Bormann tornou-se administrador de uma quinta de grande dimensão em Meclemburgo. Pouco depois de ter começado a trabalhar na propriedade, Bormann juntou-se a uma associação de proprietários anti-semita. Ao mesmo tempo que a hiperinflação na República de Weimar significava que o dinheiro estava desprovido de valor, a comida armazenada nas quintas e propriedades via aumentado o seu valor. Muitas propriedades, incluindo a de Bormann, tinha unidades de Freikorps a guardar o local e os armazéns de pilhagens. Em 1922, Bormann entrou para o Freikorps liderado por Gerhard Rossbach, como líder de secção e tesoureiro.
No dia 17 de março de 1924, Bormann foi condenado a passar um ano na Prisão de Elisabethstrasse por ter sido cúmplice do seu amigo Rudolf Höss no assassinato de Walther Kadow. Os dois homens acreditavam que Kadow tinha ido dizer às autoridades francesas que ocupavam o distrito do Ruhr, que o membro do Freikorps Albert Leo Schlageter, estava a realizar operações de sabotagem contra as indústrias francesas. Schlageter foi detido e executado em 23 de maio de 1923. Na noite de 31 de maio, Höss, Bormann e outros levaram Kadow para uma floresta fora da cidade, onde foi espancado e morto. Após a confissão de um dos participantes no crime, a polícia desenterrou o corpo e apresentou queixa em julho. Bormann foi libertado da prisão em fevereiro de 1925. Juntou-se à Frontbann, uma organização para-militar de curta duração do NSDAP, criada para substituir a Sturmabteilung (SA), que tinha sido dissolvida no rescaldo do fracassado golpe de Estado de Munique em 9 de novembro de 1923. Bormann regressou ao seu trabalho em Mecklenburg, ficando até maio de 1926, mudando-se, depois, com a sua mãe para Oberweimar.
Carreira no Partido Nazi Em 1927, Bormann entrou para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). O seu número de membro era o . No dia 1 de janeiro de 1937, juntou-se às Schutzstaffel (SS), sendo o número . Por ordem especial de Heinrich Himmler em 1938, foi atribuído o número 555 das SS a Bormann para espelhar o seu estatuto de Alter Kämpfer (Antigo Combatente).
Início de Carreira Bormann começou a trabalhar no jornal semanal Der Nationalsozialist, editado pelo membro do NSDAP Hans Severus Ziegler, Gauleiter (líder de partido) pela Turíngia. Depois de entrar para o NSDAP em 1927, Bormann começou a trabalhar como oficial regional de imprensa, mas a sua falta de capacidade de falar em público dificultou-lhe a sua vida profissional. Em vez disso, decidiu aplicar as suas capacidades para gerir os negócios da Gau (região). Em outubro de 1938, foi para Munique onde trabalhou no escritório de seguros das SA. De início, o NSDAP fornecia seguros, através de companhias seguradoras, aos membros que eram feridos ou mortos nas escaramuças com outros membros de outros partidos políticos. À medida que as companhias de seguros começaram a ter dificuldades em pagar os incidentes, em 1930 Bormann criou o Hilfskasse der NSDAP (Fundo Auxiliar do NSDAP), um fundo de benefícios directamente gerido pelo partido. Cada membro tinha de pagar uma quota e poderia receber uma compensação por ferimentos sofridos enquanto prestava serviços para o partido. Os pagamentos fora do fundo tinham de ser aprovados por Bormann. Ele começou a ganhar a reputação de ser um especialista em finanças, e muitos membros do partido passaram em ficar em dívida para com Bormann por este lhes ter pago do fundo. A acrescentar à função principal do fundo, este era por vezes usado para financiamento do NSDAP que, habitualmente, tinha poucos meios financeiros naquela altura. Depois do sucesso do NSDAP nas eleições gerais de 1930, onde alcançou 107 lugares, os membros do partido aumentaram exponencialmente. Por volta de 1932, o fundo recebia três milhões de Reichsmark por ano.
Bormann também trabalhou nos quadros das SA entre 1928 e 1930, e, enquanto lá, fundou o Corpo de Automóveis Nacional-Socialista, precursor do Nationalsozialistische Kraftfahrkorps (Corpo de Transporte Automóvel Nacional-Socialista). A organização era responsável por coordenar a utilização dos motores disponibilizados aos membros do partido, e mais tarde utilizado para treinar os membros na condução de viaturas.
Reichsleiter e chefe da chancelaria do partido Depois do Machtergreifung (tomada do poder pelo NSDAP) em Janeiro de 1933, o fundo de apoio passou a cobrir seguros sobre acidentes, de uma forma genérica, e de propriedade, o que levou Bormann a demitir-se da sua administração. Candidatou-se a uma transferência e foi aceite como chefe de pessoal no escritório de Rudolf Hess, o Delegado do Führer, em 1 de julho de 1933. Bormann também foi secretário pessoal de Hess entre 4 de julho de 1933 e 11 de maio de 1941. O departamento de Hess era responsável por resolver disputas dentro do partido e agir como intermediário entre o partido e o Estado no que respeitava a decisões políticas e legislação. Bormann serviu-se da sua posição para criar muita burocracia e envolver-se o mais possível nos processo de tomada de decisões. Em 10 de outubro, Hitler nomeou Bormann para Reichsleiter (líder nacional — o topo da hierarquia) do NSDAP, e, em novembro, foi escolhido para Delegado do Reichstag. Por volta de junho de 1934, a reputação de Bormann chegou até Hitler que o aceitou no seu círculo privado, e passou a acompanhá-lo para todo o lado, fornecendo-lhe relatórios e memorandos de eventos e solicitações.
miniatura|Bormann em 1939
Em 1935, Bormann foi nomeado para encarregado da obra na Berghof, a propriedade de Hitler em Obersalzberg. No início da década de 1930, Hitler comprou a residência, a qual arrendava desde 1925 para servir de retiro de férias. Depois de se tornar chanceler, Hitler elaborou um plano de expansão e remodelação da casa principal e escolheu Bormann para supervisionar a construção. Bormann também tratou da construção de casernas para os guardas das SS, estradas e caminhos, garagens para veículos motorizados, uma casa para convidados, alojamento para o pessoal e outras comodidades. Usando o seu novo cargo, Bormann adquiriu quintas vizinhas até a área total atingir os dez quilómetros quadrados. Os membros do círculo privado também construíram casas dentro da propriedade, incluindo Hermann Göring, Albert Speer e o próprio Bormann. Bormann também tratou da construção do Kehlsteinhaus (Ninho da Águia), uma casa de chá por cima da Berghof, como presente a Hitler no seu 50.º aniversário (20 de abril de 1939). Hitler poucas vezes utilizou o edifício, mas Bormann gostava de impressionar os convidados ao levá-los lá.
Enquanto Hitler se encontrava na residência de Berghof, Bormann tratava dos assuntos do Führer como secretário pessoal. Nesta função, começou a controlar o fluxo de informação e acesso a Hitler. Durante este período, Hitler entregou o controlo das suas contas pessoais a Bormann. Para além dos salários como chanceler e presidente, os rendimentos de Hitler incluíam dinheiro dos royalties do seu livro Mein Kampf, e direitos de imagem em selos. Bormann criou o Fundo de Adolf Hitler para o Comércio e Indústria Alemães, o qual recolhia dinheiro dos industriais alemães em nome de Hitler. Alguns dos fundos recebidos através deste programa eram entregues a vários líderes do partido, mas Bormann ficava com a maior parte para uso pessoal de Hitler. Bormann e outros tomavam notas sobre os pensamentos que Hitler expressava durante o jantar e em monólogos que se prolongavam pela noite dentro, e guardavam-nos. O material foi publicado depois da guerra com o título Tischgespräche im Führerhauptquartier (Conversas à mesa do Führer).
O escritório do Delegado do Führer tinha o poder de aprovação final sobre nomeações para o serviço público, e era Bormann quem revia os ficheiros pessoais e tomava as decisões sobre as nomeações. Este poder chocava com a tutela do ministro do Interior Wilhelm Frick, e era um exemplo da sobreposição de responsabilidades do regime nazi. Bormann viajava para todo o lado com Hitler, tal como para a Áustria, em 1938, depois do Anschluss (anexação da Áustria pelo regime nazi), e para a Região dos Sudetas, após a assinatura do Acordo de Munique no final desse ano. Bormann foi escolhido para responsável da organização dos comícios de Nuremberga de 1938, um evento anual do partido de grande importância.