Monica Tereza Azeredo Benicio (Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1986) é uma arquiteta, urbanista e política brasileira, filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Está no segundo mandato como vereadora do Rio de Janeiro. É militante dos direitos humanos, ativista LGBT, feminista lésbica e viúva da vereadora Marielle Franco.
Biografia Monica Benicio nasceu no Conjunto Esperança, uma das 16 favelas do Complexo da Maré. Segundo seus relatos, sua mãe era costureira e auxiliar de dentista, e seu pai trabalhava em obras e almoxarifado. Em 2004, concluiu o ensino médio e matriculou-se no pré-vestibular comunitário do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM). Em 2007, ingressou na graduação de psicologia, dois anos depois migrou para o curso de Arquitetura e Urbanismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Em 2014, se formou com a tese de tema: comUNIDADE - Requalificação de Área de Conflito na Favela da Maré. Em 2019, apresentou na mesma universidade, sua dissertação de mestrado "Todos os mundos. Um só mundo. Uma Maré de cidade": violência, espaços públicos e intervenção urbana.
Relacionamento com Marielle Franco e busca por justiça miniaturadaimagem|Monica Benicio em reunião com finalistas do Prêmio Sakharov em 2019, representando Marielle Franco, que concorreu postumamente; a honraria europeia foi entregue a Ilham Tohti Monica e Marielle se conheceram em uma viagem com amigas para Saquarema em 2004, quando tinham 18 e 25 anos, respectivamente. Até então, ambas só haviam se relacionado com homens e não se entendiam como mulheres LGBT. Em 2005 começaram a namorar, sendo as primeiras mulheres uma na vida da outra. Durante os anos que estiveram juntas, terminaram e voltaram a relação algumas vezes. Os términos causados pela lesbofobia familiar e social faziam com que Marielle se relacionasse com homens quando estavam separadas. Monica se entendeu mulher lésbica e reivindicou sua sexualidade como ato político. Ambas retomaram o relacionamento em definitivo no fim de 2015, e no ano seguinte Marielle foi eleita vereadora. Em janeiro de 2017, passaram a morar juntas. Quando Marielle foi assassinada em março de 2018, as duas viviam com a filha dela, que tinha 5 anos, na região da Tijuca. As duas planejavam uma festa de casamento para o dia 7 de setembro de 2019.
Após a morte de sua companheira, enquanto enfrentava o luto, o alcoolismo e disputas sobre seu legado, Monica assumiu a luta de justiça por Marielle, indo a países estrangeiros falar sobre o legado e memória de sua companheira e buscando apoio internacional para que o assassinato fosse elucidado e os mandantes do crime identificados; o que ocorreu em março de 2024 com a prisão dos mandantes, o conselheiro Domingos Brazão, o deputado Chiquinho Brazão e do delegado Rivaldo Barbosa, após a delação de Ronnie Lessa; os réus foram condenados no Supremo Tribunal Federal em fevereiro de 2026.
Em abril de 2024, Monica lançou um livro sobre a história de seu relacionamento com Marielle.
Duas semanas antes das condenações dos mandantes do crime, Lessa e Élcio Queiroz foram condenados a pagar 200 mil reais e uma pensão mensal por danos morais a Monica, que considerou a decisão um reconhecimento da interrupção da história que construía com Marielle e do futuro que lhes foi negado.
Carreira política miniaturadaimagem|Foto de urna em 2026|150px Em 2020, Monica Benicio foi eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL com 22 919 votos, sendo a 11.ª mais votada para o cargo. Em sua campanha Monica defendeu um mandato feminista e antifascista.
Em setembro de 2021, a Câmara Municipal aprovou um projeto de sua autoria para conferir uma pensão vitalícia às famílias das vítimas do massacre de Realengo, ocorrido em 2011.
É autora da lei /2022, que entrou em vigor em março do referido ano, que institui o Programa de Apoio e Acolhimento de Pessoas LGBTQIA+ em situação de violência e/ou vulnerabilidade social. No mês seguinte, entrou em vigor a lei /2022, de sua autoria, que instituiu o Programa Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio. A lei é voltada à prevenção e ao combate ao feminicídio, extremo da violência contra mulheres e meninas. Em setembro do mesmo ano, foi aprovado um projeto de lei de sua autoria, junto a Tainá de Paula, que estabelece o Dia Municipal da Visibilidade Lésbica. O projeto havia sido criado por Marielle Franco e apresentado em 2017, quando foi derrotado no plenário da Câmara Municipal.
Em novembro de 2023, a Câmara Municipal promulgou um projeto de sua autoria, junto a Chico Alencar, que determinava a remoção de monumentos e homenagens públicas a escravocratas e pessoas que violaram direitos humanos, e sua devida contextualização nos locais onde estes fossem expostos; a lei foi revogada em janeiro de 2025.
Em 2024, foi reeleita vereadora com votos.
Em 2026, é candidata ao Senado pelo estado do Rio de Janeiro. Por ser um pleito em que cada eleitor vota em dois candidatos ao Senado, Monica apoia Benedita da Silva como segundo voto, mesmo não sendo sua companheira de chapa.
Obra
Ligações externas
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