O HMS Lion foi um cruzador de batalha operado pela Marinha Real Britânica e a primeira embarcação da Classe Lion, seguido pelo . Sua construção começou em novembro de 1909 no Estaleiro Real de Devonport e foi lançado ao mar em agosto do ano seguinte, sendo comissionado na frota em junho de 1912. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 343 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 31 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 28 nós.
O Lion teve um início de carreira tranquilo e sem incidentes. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e ele atuou como a capitânia dos cruzadores de batalha da Grande Frota. Participou em agosto da Batalha da Angra da Heligolândia, quando ajudou a resgatar cruzadores rápidos britânicos e afundou o cruzador rápido alemão SMS Cöln. Em janeiro de 1915 esteve na Batalha de Dogger Bank, sendo seriamente danificado por vários acertos dos cruzadores de batalha alemães a ponto de precisar ser rebocado de volta para o porto, ficando sob reparos por dois meses.
O navio participou da Batalha da Jutlândia em meados de 1916, novamente enfrentando os cruzadores de batalha alemães e sendo mais uma vez seriamente danificado, desta vez quase a ponto de sofrer uma detonação em um dos seus depósitos de munição. Foi consertado e passou o restante do conflito realizando patrulhas sem grandes incidentes pelo Mar do Norte. Continuou servindo depois do fim da guerra, sendo colocado na reserva em 1920 e descomissionado em maio de 1922. Foi desmontado dois anos depois de acordo com os termos do Tratado Naval de Washington.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Lion Os cruzadores de batalha Classe Lion foram projetados para serem superiores à nova Classe Moltke da Marinha Imperial Alemã. O aumento de velocidade, blindagem e tamanho do armamento principal forçou um aumento de 65 por cento de tamanho em relação à predecessora Classe Indetafigable.
O Lion tinha 213,4 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 27 metros e um calado máximo de 9,88 metros. O deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por 42 caldeiras Yarrow que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor Parsons, cada um girando duas hélices. A potência indicada era de 70,7 mil cavalos-vapor para uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora). Podia carregar até 3,6 mil toneladas de carvão e toneladas de óleo combustível que era borrifado em cima do carvão, tendo uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora).
O armamento principal do Lion era composto por oito canhões Marco V calibre 45 de 343 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, duas sobrepostas à vante da superestrutura, uma à meia-nau e outra à ré. O armamento secundário tinha dezesseis canhões Marco VII calibre 50 de 102 milímetros, a maioria dos quais em casamatas. Também haviam dois tubos de torpedo submersos de 533 milímetros, um em cada lateral. O cinturão principal de blindagem era feito de aço Krupp e tinha 229 milímetros de espessura à meia-nau e 102 milímetros nas extremidades. As torres de artilharia tinham laterais de 229 milímetros e tetos de 64 a 83 milímetros, ficando em cima de barbetas que eram protegidas por 203 a 229 milímetros. O convés tinha de 25 a 64 milímetros, já a torre de comando tinha laterais com 254 milímetros.
Modificações O Lion recebeu um diretório de controle de disparo entre 1915 e 1916 que centralizou a mira e disparo dos canhões principais sob o comando de um diretório no mastro do traquete. Os tripulantes da torre de artilharia tinham que apenas seguir instruções a fim de alinharem os canhões ao alvo. Isto aumentou muito a precisão das armas, pois facilitava a observação de onde os projéteis caiam e eliminava o problema em que o balanço do navio dispersava os projéteis enquanto cada torre disparava individualmente.
Dois canhões de 102 milímetros montados acima do primeiro grupo de casamatas receberam escudos entre 1913 e 1914 para melhor proteger seus artilheiros do clima e do inimigo, enquanto os quatro canhões secundários de vante de estibordo foram removidos após abril de 1917. Um único canhão antiaéreo Hotchkiss de 57 milímetros foi instalado em outubro de 1914 e removido em julho de 1915. Um canhão antiaéreo de 76 milímetros foi adicionado em janeiro de 1915, com um segundo instalado em julho. Blindagem adicional de 25 milímetros de espessura foi adicionada no teto das torres de artilharia e nos depósitos de munição após a Batalha da Jutlândia em 1916. Plataformas de aeronaves foram instaladas no topo da terceira e quarta torres de artilharia no início de 1918, com cada uma recebendo um hangar de papelão para proteger os aviões do clima.
Carreira O batimento de quilha do Lion ocorreu em 29 de novembro de 1909 no Estaleiro Real de Devonport em Plymouth. Foi lançado ao mar em 6 de agosto de 1910 e comissionado em 4 de junho de 1912. Ao entrar em serviço se tornou a capitânia da 1ª Esquadra de Cruzadores, esta renomeada em janeiro de 1913 para 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha. O contra-almirante David Beatty assumiu o comando da formação em 1º de março. O Lion e o resto da 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha fizeram uma visita à Brest na França em fevereiro de 1914 e à Rússia em junho, com os oficiais do navio recepcionando a família imperial russa a bordo enquanto estavam em Kronstadt.
Angra da Heligolândia
thumb|260px|Mapa da fase final da batalha A Primeira Guerra Mundial começou para o Reino Unido no início de agosto de 1914 e a primeira ação do Lion foi no dia 28 na Batalha da Angra da Heligolândia. A 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha originalmente daria suporte distante para cruzadores e contratorpedeiros britânicos próximos do litoral alemão caso os navios da Frota de Alto-Mar fizessem uma surtida em resposta. Estes foram atacados por cruzadores e barcos torpedeiros alemães e não conseguiram recuar antes da maré subir a ponto de permitir que os navios capitais da Frota de Alto-Mar saíssem do estuário do rio Jade, assim os cruzadores de batalha britânicos foram para o sul em velocidade máxima às 11h35min. O cruzador rápido HMS Arethusa foi incapacitado e ficou sob fogo dos cruzadores rápidos e SMS Cöln quando os cruzadores de batalha apareceram no horizonte às 12h37min. O Strassburg conseguiu se esconder na bruma e escapar, mas o Cöln permaneceu visível a rapidamente foi acertado pelos disparos britânicos. Beatty acabou se distraindo pela aparição repentina do cruzador rápido SMS Ariadne diretamente à vante, indo persegui-lo e rapidamente destruindo-o com três salvas a uma distância de menos de 5,5 quilômetros. Os cruzadores de batalha viraram para o norte às 13h10min e Beatty deu sinal para voltarem para casa. No caminho encontraram o incapacitado Cöln e este foi afundado por duas salvas do Lion.
Scarborough
A Marinha Imperial tinha estabelecido uma estratégia de bombardear cidades britânicas no Mar do Norte com o objetivo de atrair e destruir elementos da Grande Frota. Um ataque anterior contra Yarmouth tinha sido parcialmente bem sucedido, assim uma operação maior foi elaborada pelo contra-almirante Franz Hipper. Os cruzadores de batalha alemães realizariam o bombardeio enquanto o resto da Frota de Alto-Mar ficaria ao leste de Dogger Bank para dar cobertura e destruir quem quer que respondessem ao ataque. Entretanto, os alemães não sabiam que os britânicos podiam ler seus códigos navais e estavam planejando pegar a força de bombardeio na viagem de volta, porém não sabiam que a Frota de Alto-Mar também faria uma surtida. A 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha nesta altura estava reduzida a apenas quatro navios, incluindo o Lion. A 2ª Esquadra de Batalha do vice-almirante sir George Warrender, composta por seis couraçados, foi destacada da Grande Frota para ajudar os cruzadores de batalha a interceptarem os alemães.
A força de Hipper, o I Grupo de Reconhecimento, partiu em 15 de dezembro, mas contratorpedeiros escoltando a 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha encontraram barcos torpedeiros alemães às 5h15min e travado uma ação inconclusiva. Warrender foi informado às 5h40min que o contratorpedeiro HMS Lynx estava enfrentando barcos torpedeiros inimigos, mas Beatty não recebeu esse relato. O contratorpedeiro HMS Shark avistou o cruzador blindado e suas escoltas às 7h00min, mas só conseguiu transmitir uma mensagem 25 minutos depois. Warrender e o cruzador de batalha receberam a mensagem, mas Beatty novamente não, mesmo com o New Zealand tendo sido encarregado especificamente de repassar mensagens entre os contratorpedeiros e o almirante. Warrender tentou falar com Beatty às 7h36min, mas só conseguiu fazer contato com o Lion às 7h55min. Beatty mudou de curso assim que recebeu a mensagem e ordenou que o New Zealand procurasse pelo Roon. Ele recebeu mensagens às 9h00min de que Scarborough estava sendo bombardeada, assim ordenou que o New Zealand voltasse para a esquadra e virou para o oeste em direção da cidade.
As forças britânicas se dividiram ao redor de uma parte rasa do Dogger Bank; a 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha passou pelo norte e a 2ª Esquadra de Batalha passou pelo sul enquanto navegavam rumo oeste com o objetivo de bloquearem a rota principal pelos campos minados que protegiam o litoral britânico. Isto deixou um espaço de quinze milhas náuticas (28 quilômetros) entre as duas formações pelo qual as forças rápidas alemãs começaram passar. Os cruzadores rápidos do II Grupo de Reconhecimento começaram a passar pelos britânicos às 12h25min. O cruzador rápido HMS Southampton avistou o cruzador rápido e enviou um relato para Beatty. Este virou seus cruzadores de batalha cinco minutos depois em direção aos alemães. O almirante presumiu que os cruzadores eram a vanguarda dos cruzadores de batalha de Hipper, mas estes estavam aproximadamente cinquenta quilômetros atrás. A 2ª Esquadra de Cruzadores Rápidos, que estava escoltando a força de Beatty, foi destacada para perseguir os cruzadores alemães, mas eles acabaram voltando para suas posições de escolta por interpretarem errado uma mensagem enviada dos cruzadores de batalha. Esta confusão permitiu que os alemães escapassem, também alertando Hipper sobre a posição da principal força britânica. O I Grupo de Reconhecimento virou para o nordeste e conseguiu escapar.
Dogger Bank
O I Grupo de Reconhecimento fez uma surtida para Dogger Bank em 23 de janeiro de 1915 com o objetivo de encontrar quaisquer barcos pesqueiros britânicos ou embarcações pequenas que possivelmente estivessem coletando informações sobre os movimentos alemães. Entretanto, os britânicos novamente decodificaram suas mensagens e partiram para interceptá-los com uma força maior de cruzadores de batalha, incluindo o Lion. Contato foi estabelecido às 7h20min do dia seguinte quando o Arethusa avistou o cruzador rápido SMS Kolberg. Os alemães avistaram a 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha quinze minutos depois e Hipper ordenou uma virada para o sul e um aumento de velocidade para vinte nós (37 quilômetros por hora), acreditando que isto seria suficiente caso os navios avistados ao seu noroeste fossem couraçados, podendo aumentar ainda para 23 nós (43 quilômetros por hora), que era a velocidade máxima do cruzador blindado , caso os inimigos fossem cruzadores de batalha.
esquerda|245px|thumb|Pintura de Arthur Burgess do Lion sob fogo na Batalha de Dogger Bank