Arlindo Rodrigues (Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1931 – Rio de Janeiro, 8 de outubro de 1987) foi um cenógrafo, figurinista e carnavalesco brasileiro.Carnavalescos - Arlindo Rodrigues. Aqui Só Samba
Trabalhou para o teatro e para a televisão, mas se destacou pelas suas criações para o carnaval, especialmente nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Estreou como carnavalesco em 1960, no Salgueiro. Influenciado por Fernando Pamplona, realizou diversos carnavais para a escola tijucana até 1972. Sua marca nesse período foram os enredos históricos, com forte presença de temas africanos.Os 25 anos sem Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto. Extra, 27 de janeiro de 2012
Trabalhou também para a Mocidade Independente (1974-1976, 1979), Vila Isabel (1977), Imperatriz Leopoldinense (1980-1983, 1985, 1987) e União da Ilha (1986). Foi oito vezes campeão do carnaval carioca, sendo cinco pelo Salgueiro, duas pela Imperatriz e uma pela Mocidade.
Arlindo Rodrigues faleceu vítima de complicações decorrentes do vírus HIV, no Rio de Janeiro.
Em 2022, foi homenageado pela Imperatriz Leopoldinense, com o enredo "Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”, assinado por Rosa Magalhães.
Biografia e Início de Carreira no Teatro Sem formação acadêmica prévia, Arlindo chegou ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro por indicação de um tio que trabalhava como secretário no local.ANTAN, Leonardo. Arlindo Rodrigues. In: Sal60: revolução em vermelho branco e negro. Rio de Janeiro: Selo Carnavalize, 2021. Nos bastidores do teatro, cruzou pela primeira vez com o cenógrafo Fernando Pamplona, formando uma dupla fundamental e complementar: enquanto Pamplona era organizado e simétrico, Arlindo representava a curva, a emoção e o assimétrico. Essa parceria no Municipal foi o que levou Arlindo para o universo do carnaval.ANTAN, Leonardo. 10 vezes que Arlindo Rodrigues foi o gênio barroco do carnaval. In: https://carnavalize.com/10-vezes-que-arlindo-rodrigues-foi-o-genio-barroco-do-carnaval/
A Revolução Salgueirense e o Gênio Barroco A estreia de Arlindo Rodrigues no carnaval ocorreu em 1960, no Acadêmicos do Salgueiro, quando Fernando Pamplona foi convidado por Nelson de Andrade para realizar o desfile da agremiação. Nesse ano, Arlindo esteve presente para desenhar os figurinos femininos da apresentação. O desfile marcou a Avenida com temas que valorizavam a cultura negra, abrangendo figuras pouco conhecidas daquela época, como Zumbi dos Palmares, e futuramente Dona Beija, Xica da Silva, Aleijadinho e Chico Rei.
Com a saída momentânea dos principais nomes da Revolução Salgueirense, Arlindo ganhou o palco ao propor o enredo de 1962, focado no "Descobrimento do Brasil". Ao invés de uma temática afro-brasileira, a escolha recaiu sobre a visão colonial e europeia da invasão portuguesa, inspirada em uma ópera do modernista Villa-Lobos. O objetivo era levar para a passarela uma história altamente teatralizada, inclusive anunciada pelo jornal O Globo como um "samba-cênico".
Em 1963, assumindo sozinho a criação artística do Salgueiro, Arlindo realizou um dos desfiles mais importantes da história do carnaval carioca: Xica da Silva. A ideia do enredo surgiu após ele visitar a boutique de uma amiga, a figurinista Kalma Murtinho, que se chamava "Chica da Silva". Arlindo uniu o discurso social e engajado a um impressionante espetáculo visual, importando uma linguagem cênica que cativou intelectuais, a mídia e a população. Elementos como a luxuosa fantasia de Isabel Valença e a famosa ala do minueto marcaram de forma definitiva essa nova visualidade. O desfile teve tanta repercussão que Arlindo foi premiado na categoria "teatro" da VII Bienal Internacional de Arte de São Paulo.
No carnaval seguinte, em 1964, Arlindo substituiu Xica por Chico Rei e tentou repetir os elementos estéticos consagrados do ano anterior. Embora opulento, o desfile acelerou demais o processo de espetacularização e acabou recebendo críticas, gerando a primeira grande discussão sobre a espetacularização nos desfiles de escola de samba como um valor negativo.
Profissionalização e Inovações nos Desfiles Após deixar o Salgueiro em 1972, Arlindo seguiu carreira vitoriosa em outras escolas e foi pioneiro na profissionalização da figura do carnavalesco como autor e artista independente. Diferente de seu amigo Pamplona, Arlindo passou a atuar (e cobrar por seus serviços) em várias agremiações, tornando-se o carnavalesco mais caro e disputado na década de 1970.
Suas principais contribuições e inovações estéticas incluem: Narrativa e Teatralidade: O carnavalesco importou a linguagem teatral para o formato das escolas, desenvolvendo narrativas e enredos lineares, com início, meio e fim. Novos Materiais: Foi pioneiro no uso de novos materiais que trariam brilho e suntuosidade à festa. Ele introduziu o uso do acetato, ráfias e das famosas fitas brilhantes de metaloide nas confecções carnavalescas. Unificação de Alas e Protótipos: Arlindo introduziu a confecção de fantasias-pilotos (protótipos) para serem apresentadas e só depois reproduzidas pela comunidade. Isso gerou uma unidade visual sem precedentes e maior harmonia estética nas alas. Ocupação do Espaço Cênico: Para preencher as grandes avenidas verticalizadas da época, Arlindo apostou no uso grandioso mas singelo do espaço. Isso é notado nas icônicas esculturas de grandes cabeções carnavalescos lúdicos e nas imensas baianas girando tabuleiros. O carnavalesco também tinha especial preferência pelo uso de manequins trajados em suas alegorias. Alegorias Espelhadas: No desfile Bahia de todos os deuses (1969) do Salgueiro, Arlindo inovou ao criar uma representação da divindade Iemanjá decorada inteiramente com espelhos cortados em círculos, causando um efeito deslumbrante. Formação de Novos Talentos: Ele levou Joãosinho Trinta para atuar como aderecista no carnaval entre 1963 e 1964, pavimentando o terreno para a fama e o sucesso do maranhense.
Ainda em sua carreira, ele foi o responsável por conceber o visual competitivo da Mocidade Independente de Padre Miguel nos anos 1970, o que levou ao primeiro título da história da agremiação em 1979 com o enredo sobre o descobrimento do Brasil. Posteriormente, o artista aliou o seu estilo barroco à Imperatriz Leopoldinense, uma parceria de cinco carnavais que gerou dois títulos inéditos para a escola em 1980 e 1981.
Carnavais Abaixo, a lista de desfiles assinados por Arlindo Rodrigues. AnoEscolaColocaçãoDivisãoEnredo1960Acadêmicos do SalgueiroCampeãGrupo 1Quilombo dos Palmares1961Acadêmicos do SalgueiroVice-campeãGrupo 1Vida e obra do Aleijadinho1962Acadêmicos do Salgueiro3.º lugarGrupo 1O Descobrimento do Brasil1963Acadêmicos do SalgueiroCampeãGrupo 1Chica da Silva1964Acadêmicos do SalgueiroVice-campeãGrupo 1Chico Rei1965Acadêmicos do SalgueiroCampeãGrupo 1História do Carnaval Carioca1967Acadêmicos do Salgueiro3.º lugarGrupo 1História da liberdade no Brasil1968Acadêmicos do Salgueiro3.º lugarGrupo 1Dona Beja, a feiticeira de Araxá1969Acadêmicos do SalgueiroCampeãGrupo 1Bahia de Todos os Deuses1970Acadêmicos do SalgueiroVice-campeãGrupo 1Praça XI carioca da gema1971Acadêmicos do SalgueiroCampeãGrupo 1Festa para um rei negro1972Acadêmicos do Salgueiro5.º lugarGrupo 1Nossa madrinha, Mangueira querida1973Mocidade Independente de Padre Miguel7.º lugarGrupo 1Rio Zé Pereira1974Mocidade Independente de Padre Miguel5.º lugarGrupo 1AA Festa do Divino1975Mocidade Independente de Padre Miguel6.º lugarGrupo 1AO Mundo Fantástico do Uirapurú1976Mocidade Independente de Padre Miguel3.º lugarGrupo 1AMãe Menininha do Gantois1977Unidos de Vila Isabel5.º lugarGrupo 1AAi que saudade que eu tenho1978Mocidade Independente de Padre Miguel3.º lugarGrupo 1ABrasiliana1979Mocidade Independente de Padre MiguelCampeãGrupo 1AO Descobrimento do Brasil1980Imperatriz LeopoldinenseCampeãGrupo 1AO que que a Bahia tem?1981Imperatriz LeopoldinenseCampeãGrupo 1AO teu cabelo não nega (só dá Lalá)1982Imperatriz Leopoldinense3.º lugarGrupo 1AOnde canta o Sabiá1983Imperatriz Leopoldinense4.º lugarGrupo 1AO rei da Costa do Marfim visita Chica da Silva em Diamantina1984Acadêmicos do Salgueiro4.º lugarGrupo 1ASkindô, SkindôUnidos de Padre MiguelCampeãGrupo 2AO Quilombo dos Palmares1985Imperatriz Leopoldinense8.º lugarGrupo 1AAdolã, a cidade mistério1986União da Ilha do Governador5.º lugarGrupo 1AAssombrações1987Imperatriz Leopoldinense6.º lugarGrupo 1AEstrela Dalva
Títulos e estatísticas Arlindo Rodrigues é o segundo carnavalesco com mais títulos na história do carnaval carioca, atrás apenas de Joãosinho Trinta. Divisão30x30pxCampeonatoAno30x30pxViceAno30x30pxTerceiro lugarAno30x30pxPrimeira divisão81960, 1963, 1965, 1969, 1971, 1979, 1980, 198131961, 1964, 197061962, 1967, 1968, 1976, 1978, 198230x30pxTerceira divisão11984 - - - -
Premiações
Estandarte de Ouro
1975 - Melhores fantasias (Mocidade) 1975 - Melhor enredo (Mocidade - "O Mundo Fantástico do Uirapurú") 1978 - Melhor enredo (Mocidade - "Brasiliana") 1979 - Melhor enredo (Mocidade - "O Descobrimento do Brasil") 1980 - Melhor enredo (Imperatriz - "O que que a Bahia Tem?")
Troféu Natal
1976 - Melhor figurinista (Mocidade)
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