Estandarte de Ouro é o mais antigo e importante prêmio extraoficial do carnaval do Rio de Janeiro, sendo conhecido como "Óscar do samba" ou "Óscar do carnaval", numa referência ao Prêmio Óscar. Foi criado em janeiro de 1972, numa conversa de bar entre os jornalistas do O Globo Heitor Quartin e Roberto Paulino O prêmio é organizado e oferecido pelos Jornais O Globo e Extra à personalidades e segmentos que se destacaram nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.

A primeira edição ocorreu no carnaval de 1972, sendo entregues prêmios em dez categorias. Ao longo dos anos, novas categorias foram criadas, enquanto outras foram extintas. Desde 2026 são entregues dezesseis prêmios ao Grupo Especial (a primeira divisão do carnaval carioca) e três prêmios à Série Ouro (a segunda divisão). A premiação é dividida em categorias individuais (como melhor mestre-sala, melhor porta-bandeira, entre outras) e categorias coletivas (melhor samba-enredo, melhor bateria, entre outras). O Estandarte de melhor escola é considerado o prêmio principal. Um júri formado por jornalistas e artistas ligados à música e às artes assistem aos desfiles em um camarote reservado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, e, após a última apresentação, se reúnem, em um debate, para eleger os premiados em cada categoria. O resultado é divulgado ao final da reunião, na terça-feira de carnaval, pouco depois do último desfile. Cerca de uma semana após o desfile das campeãs, é organizada uma festa para a entrega dos troféus aos vencedores.

A Mangueira é a maior vencedora da categoria principal, de melhor escola, com nove Estandartes, seguida pelo Salgueiro com oito Estandartes. No ranking geral, somando todas as categorias, a Mangueira também é a maior vencedora da premiação, seguida pelo Salgueiro. Entre as personalidades mais premiadas estão os carnavalescos Renato Lage, Rosa Magalhães, Joãosinho Trinta, Max Lopes; os compositores Aluízio Machado, Arlindo Cruz e Martinho da Vila; os intérpretes Jamelão, Neguinho da Beija-Flor e Nêgo; os diretores de bateria Mestre Louro e Mestre Átila; os coreógrafos Fábio de Mello e Carlinhos de Jesus; as porta-bandeiras Selminha Sorriso, Neide da Mangueira, Rita Freitas e Vilma Nascimento; e os mestres-sala Claudinho, Élcio PV e Ronaldinho. Dentre os sambas-enredo premiados pelo Estandarte, estão "Bumbum Paticumbum Prugurundum" (1982) do Império Serrano, "Kizomba, a festa da raça" (1988) da Unidos de Vila Isabel, "Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós!" (1989) da Imperatriz Leopoldinense e "Aquarela Brasileira" (1964/2004) do Império Serrano.

Ao longo dos anos, o Estandarte de Ouro se tornou uma "via alternativa" ao resultado do concurso oficial. Por vezes, o resultado do Estandarte difere do resultado oficial do carnaval, visto que a escolha dos premiados menospreza pequenos erros em detrimento à emoção dos desfiles, buscando premiar os acertos ao invés de punir os erros. Desprezando o sentido técnico das apresentações, o Estandarte já premiou desfiles problemáticos como "Deu a Louca no Barroco" da Mangueira (8.º lugar no carnaval de 1990) e desfiles considerados "injustiçados" pelo concurso oficial como "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia" da Beija-Flor (Vice-campeã em 1989).

Criação e organização miniaturadaimagem|Logo antiga da premiação.A ideia de criar a premiação foi concebida em janeiro de 1972, numa conversa de bar entre funcionários do jornal O Globo: os jornalistas Heitor Quartin e Roberto Paulino. A premiação foi oficialmente anunciada na edição do Jornal O Globo do dia 27 de janeiro de 1972, duas semanas antes do início dos desfiles daquele ano. O prêmio foi criado com a finalidade de exaltar individualmente os artistas dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Tem como premissa "o desprezo ao luxo comprado pelo dinheiro e a consagração da essência do espetáculo". Após anos sendo oferecido e organizado exclusivamente pelo O Globo, a partir de 2018, passou a contar com a participação do jornal Extra, outro veículo do Grupo Globo. Ao longo dos anos, contou com diversos patrocinadores, como Banco do Brasil, Sky, Prezunic, Barra Shopping, Itaipava, Nova Rio e Leroy Merlin; além do apoio da Riotur.

Categorias esquerda|miniaturadaimagem|253x253px|Claudinho e seu Estandarte de Ouro de melhor mestre-sala, categoria presente desde a primeira edição da premiação. Em sua primeira edição, no ano de 1972, o Estandarte de Ouro contou com dez categorias (samba-enredo, enredo, bateria, porta-bandeira, mestre-sala, ala, fantasia, destaques feminino e masculino e melhor comunicação com o público - a categoria principal da edição).

No ano seguinte, foi criado o prêmio de melhor escola, que passou a ser a categoria principal. Na mesma edição, o prêmio passou a contemplar também a segunda divisão do carnaval carioca, com a criação da categoria melhor samba-enredo do Grupo 2.

Em 1976, foi extinta a categoria que premiava a melhor fantasia. Na sexta edição (em 1977), o número de categorias subiu para 16 com a criação dos prêmios de melhor passistas feminino e masculino, personalidade feminina e masculina e revelação. Em 1980 foi criada a categoria melhor comissão de frente.

De 1981 a 1983, o prêmio de melhor escola não foi entregue. Nesse período, o prêmio de melhor comunicação com o público foi o principal da premiação. Em 1982, foi criada a categoria melhor intérprete. Em 1984, o prêmio de melhor comunicação foi extinto, e o de melhor escola voltou a ser entregue, ocupando o lugar de categoria principal. Em 1985, foram criadas as categorias melhor ala de baianas e melhor ala de crianças.

Na edição de 1986, foi criada uma nova categoria para premiar a segunda divisão do carnaval, a categoria melhor escola do Grupo 2. Em 1987, foram extintas as categorias que premiavam o melhor destaque feminino e masculino. Em 1988 foi criada a categoria Personalidade, extinguindo-se as categorias individuais (personalidade feminina e masculina). Na mesma edição, foi extinto o prêmio de melhor escola do Grupo 2. Em 1995 foi extinta a categoria melhor ala de crianças. Em 2006, a segunda divisão voltou a ser contemplada com o prêmio de melhor escola. Na edição de 2014, foi criada a categoria melhor ala de passistas. Em 2015, o autor Aguinaldo Silva recebeu uma homenagem especial por retratar o carnaval carioca em suas telenovelas. Em 2018, foram criadas duas novas categorias: Inovação e Destaque do Público (sendo esta a primeira e única categoria decidida por voto popular). Em 2020 foi criada a categoria Fernando Pamplona para premiar a melhor utilização de material barato, como o carnavalesco fazia na década de 1960, no Salgueiro. As categorias Melhor Passista Feminino e Melhor Passista Masculino foram extintas. A partir de 2026, o prêmio de melhores fantasias voltou a ser entregue; enquanto a escolha da melhor ala e da melhor ala das baianas passou a focar mais na empolgação do que na fantasia apresentada.

Em sete edições foram entregues prêmios especiais: em 1973 para Silas de Oliveira (in memoriam - o compositor do Império Serrano, morreu no ano anterior); em 1985 para Fernando Pinto (na época, carnavalesco da Mocidade); em 1986 para Joãosinho Trinta (na época, carnavalesco da Beija-Flor); em 2012 para Oscar Niemeyer (arquiteto responsável pelo projeto do Sambódromo da Marquês de Sapucaí); em 2013 para Fernando Pamplona (ex-carnavalesco do Salgueiro e ex-jurado do prêmio); em 2022, para Hélio Turco (compositor da Mangueira); e em 2023 para Paulo da Portela (in memorian, pelos 100 anos da Portela, escola fundada pelo compositor).

Desde 2026, são entregues 19 prêmios (três para a Série Ouro e dezesseis para o Grupo Especial). Ativas Melhor samba-enredo (1972–presente) Melhor enredo (1972–presente) Melhor bateria (1972–presente) Melhor mestre-sala (1972–presente) Melhor porta-bandeira (1972–presente) Melhor ala (1972–presente) Melhor escola (1973–1980; 1984–presente) Melhor samba-enredo do Grupo de Acesso (1973–presente) Melhor comissão de frente (1980–presente) Melhor intérprete (1982–presente) Melhor ala de baianas (1985–presente) Melhor escola do Grupo de Acesso (1986–1987; 2006–presente) Personalidade (1988–presente) Melhor ala de passistas (2014–presente) Revelação (1977–presente) Inovação (2018–presente) Destaque do Público (2018–presente) Fernando Pamplona (2020–presente) Melhor fantasia (1972–1975; 2026–presente)

Regular Prêmio especialExtintas Melhor comunicação com o público (1972–1983) Melhor destaque feminino (1972–1986) Melhor destaque masculino (1972–1986) Personalidade feminina (1977–1987) Personalidade masculina (1977–1987) Melhor ala de crianças (1985–1994) Melhor passista feminino (1977–2019) Melhor passista masculino (1977–2019)

Jurados miniaturadaimagem|Os jurados da edição de 2012 em debate após os desfiles. O júri da premiação é formado por jornalistas, repórteres e colunistas do Jornal O Globo, da Rede Globo e da Rádio Globo; além de artistas ligados à música e às artes. Também fazem parte do júri, personalidades ligadas ao carnaval, como carnavalescos, coreógrafos e diretores de bateria - desde que não estejam trabalhando nas escolas de samba a serem julgadas.

Entre os jurados, também é comum encontrar artistas que já foram premiados pelo Estandarte de Ouro, antes ou depois da passagem pelo júri, como os carnavalescos Fernando Pamplona e Maria Augusta, o compositor Moacyr Luz, o diretor de bateria Mestre Odilon Costa, e o coreógrafo Carlinhos de Jesus.

O júri assiste à todos os desfiles, porém, cada jurado fica responsável por fazer um balanço de uma escola diferente e apresentar no debate após o desfile. Um dos jurados é o coordenador do grupo, responsável por mediar o debate. O júri não é fixo, sendo comum alterações a cada nova edição.

Personalidades que fizeram ou ainda fazem parte do júri do Estandarte de Ouro: Abílio Fernandes (publicitário, dramaturgo e escritor) Adelzon Alves (jornalista, radialista e produtor) Ana Botafogo (bailarina, atriz e coreógrafa, com passagem por escolas de samba) Angélica Ferrarez (Professora, Escritora e pesquisadora da História Social do Samba) Alberto Mussa (escritor, coautor do livro "Samba de enredo: história e arte") Albino Pinheiro (produtor e agitador cultural) Aloy Jupiara (jornalista e escritor) Amauri Monteiro (jornalista) Ana Letícia (jornalista) Argeu Affonso (jornalista) Aydano André Motta (jornalista e escritor) Bernardo Goldwasser (jornalista) Bruno Chateaubriand (empresário, jornalista e ex-jurado da LIESA) Carlinhos de Jesus (dançarino, coreógrafo, com passagens por escolas de samba, e premiado diversas vezes pelo Estandarte de Ouro) Carlos Lemos (jornalista) Carolina Figueira (jornalista) Cláudia Kopke (figurinista) Daniela Thomas (cenógrafa e cineasta) Dorina (cantora, compositora e radialista) Felipe Ferreira (jornalista, escritor e pesquisador de carnaval) Félix de Athayde (jornalista, ensaísta e poeta) Fernanda Cortez (empreendedora) Fernando Pamplona (cenógrafo, produtor, carnavalesco pelo Acadêmicos do Salgueiro, e premiado pelo Estandarte de Ouro) Haroldo Costa (ator, escritor e produtor) Heitor Quartin (jornalista e um dos criadores do Estandarte de Ouro) Helena Theodoro (escritora, professora e pesquisadora da cultura afro-brasileira) Henrique Cazes (cavaquinista, compositor e arranjador) Isabela Capeto (estilista) João Saldanha (jornalista, escritor e treinador de futebol) José Carlos Rêgo (jornalista e pesquisador de samba) Leonardo Bruno (jornalista e escritor) Luiz Antônio Simas (escritor, professor e historiador) Luís Filipe de Lima (violonista, arranjador, compositor, jornalista, ator, e diretor teatral) Lygia Santos (Pesquisadora, historiadora, e filha do compositor Donga e da cantora Zaíra de Oliveira) Macedo Miranda Filho (jornalista, repórter, produtor audiovisual, e diretor de televisão) Marcelo de Mello (jornalista e escritor) Marceu Vieira (jornalista e compositor)