thumb|310px|Couraçados pré-dreadnought em formação em Spithead para uma revista naval em meados de 1909, com o na vanguarda A Marinha Real Britânica construiu uma série de couraçados pré-dreadnought nas décadas de 1890 e 1900. Isto ocorreu como parte de um enorme programa de expansão naval que começou com o Ato de Defesa Naval de 1889. Os navios eram caracterizados por uma bateria principal de quatro canhões grandes, normalmente de 305 milímetros, em duas torres de artilharia duplas e uma borda livre elevada. A Marinha Real estava preocupada principalmente em manter seu "padrão de duas potências" de superioridade numérica sobre a Marinha Nacional Francesa e Marinha Imperial Russa, assim construiu ou adquiriu mais de cinquenta couraçados até 1906, quando o revolucionário foi finalizado, navio que deu nome à designação pré-dreadnought. O engenheiro William Henry White atuou como o Diretor de Construção Naval do Almirantado Britânico de 1885 até 1902, consequentemente supervisionando o desenvolvimento da maioria dos navios.
Os primeiros navios foram aqueles da Classe Royal Sovereign, que apresentaram as características básicas dos pré-dreadnought. Foram sucedidos pela Classe Centurion e pelo , navios menores que tinham a intenção de servirem nas colônias de além-mar. A Classe Majestic foi construída em seguida como um refinamento dos projetos anteriores, mostrando-se tão bem sucedida a ponto de terem suas características gerais copiadas por marinhas estrangeiras. Vieram então mais couraçados menores da Classe Canopus para serviço além-mar, sucedidos pelas muito similares entre si Classe Formidable e Classe London. Esta segunda foi construída como uma medida tapa-buraco enquanto a Classe Duncan era desenvolvida, que tinha a intenção de fazer frente aos novos navios russos. Uma tendência por baterias secundárias maiores levou à Classe King Edward VII. Esta foi sucedida pela Classe Swiftsure, originalmente construída para a Armada do Chile mas comprada pelo Reino Unido antes de ficar pronta. Por fim houve a Classe Lord Nelson, construída enquanto o Dreadnought era desenvolvido.
Os pré-dreadnoughts britânicos serviram em diferentes papéis ao redor do mundo, atuando na Frota Doméstica, Frota do Canal, Frota do Atlântico, Frota do Mediterrâneo e também na região do Sudeste Asiático. Os couraçados menores normalmente atuavam no Sudeste Asiático ou em outros locais do Império Britânico. Embarcações mais antigas costumavam ser colocadas na reserva ou convertidas para deveres secundários, como depósitos e alojamentos flutuantes, à medida que navios mais novos iam entrando em serviço. O sofreu uma perda total em 1906 depois de encalhar acidentalmente, enquanto membros da Classe Royal Sovereign e Classe Centurion começaram a serem desmontados a partir do início da década de 1910. Muitos dos couraçados foram mobilizados para combate depois do início da Primeira Guerra Mundial em 1914, com muitos atuando na Campanha de Galípoli, onde cinco foram afundados por minas ou torpedos. Outros cinco foram afundados em outros locais da guerra. Os sobreviventes foram todos desmontados depois da guerra com exceção do , que foi convertido em um alvo de tiro e serviu nesta função até também ser desmontado em 1927.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Classe Royal Sovereign
thumb|esquerda|240px|O HMS Royal Sovereign c. 1896–1897 A Classe Royal Sovereign foi autorizada sob o Ato de Defesa Naval de 1889 que estabeleceu o "padrão de duas potências" e levou a um enorme programa de construção naval. Foi encomendada em resposta a um temor contra o Rússia e a percepção de que a frota seria insuficiente em caso de guerra contra a França. A classe é considerada a primeira daquilo que ficaria conhecido como couraçado pré-dreadnought, marcando um fim do período de experimentação de projetos que caracterizou a construção de ironclads nas décadas de 1870 e 1880. Ela introduziu a forma padrão dos couraçados pelos quinze anos seguintes, incluindo uma bateria principal de quatro canhões grandes em duas montagens duplas e uma borda livre elevada adequada para operações em alto-mar. Foram os primeiros em uma série de couraçados projetados pelo engenheiro William Henry White, o Diretor de Construção Naval do Almirantado Britânico, que seria o responsável pela maioria dos pré-dreadnoughts construídos pela Marinha Real Britânica.
A maioria dos navios serviu inicialmente na Frota do Canal, porém o Hood e o Ramillies foram designados para a Frota do Mediterrâneo. O Royal Sovereign e o Empress of India foram transferidos para o Mar Mediterrâneo em 1897 para participarem da Esquadra Internacional que interveio durante uma revolta em Creta. Todos que estavam no Mediterrâneo foram chamados de volta para casa a partir de 1900 a fim de passarem por reformas, exceto o Hood, sendo depois colocados na reserva entre 1904 e 1905. Eles começaram a serem descartados na década de 1910 por já estarem obsoletos, com o Repulse sendo desmontado em 1911 e o Empress of India afundado como alvo de tiro em 1913. O Royal Sovereign e Ramillies foram desmontados neste mesmo ano, seguidos pelo Resolution e Royal Oak em 1914. A Primeira Guerra Mundial começou em agosto e o Hood foi afundado para bloquear uma das entradas do porto de Portland. O Revenge foi o único a ter um serviço ativo no conflito, sendo usado em bombardeios litorâneos em Flandres. Foi convertido em um alojamento flutuante em 1915 e depois desmontado em 1919.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 343 mm 2 motores de tripla-expansão; 16 nós (30 km/h) setembro de 1889 fevereiro de 1891 maio de 1892 Desmontado em 1913 julho de 1889 maio de 1891 setembro de 1893 Afundado em 1913 agosto de 1889 julho de 1891 maio de 1893 Afundado em 1914 janeiro de 1890 fevereiro de 1892 abril de 1894 Desmontado em 1911 agosto de 1890 março de 1892 outubro de 1893 Desmontado em 1913 junho de 1890 maio de 1892 dezembro de 1893 Desmontado em 1914 fevereiro de 1891 novembro de 1892 março de 1894 Desmontado em 1919 maio de 1890 junho de 1894 Desmontado em 1914
Classe Centurion
thumb|240px|O HMS Barfleur em 1897 A Classe Centurion completou os dez couraçados iniciais planejados pelo Ato de Defesa Naval de 1889. A intenção era que servissem no Sudeste Asiático e Oceano Pacífico, assim seus projetos eram bem diferentes da predecessora Classe Royal Sovereign, mas em muitos aspectos eram versões reduzidas desta. Eles necessitavam de uma maior autonomia já que iriam atuar no estrangeiro, enquanto seus cascos foram revestidos de cobre com o objetivo de reduzir bioincrustações e permitir que passassem mais tempo sem precisarem de limpezas pois as instalações de docas secas nas regiões eram limitadas. Seus principais oponentes seriam os cruzadores blindados russos, assim tinham um armamento principal menor de canhões de 254 milímetros e também uma blindagem mais fina.
O Centurion atuou como capitânia no Sudeste Asiático, já o Barfleur inicialmente foi para a Frota do Mediterrâneo, juntando-se em 1897 à Esquadra Internacional. Foi para a China em 1898 e dois anos depois ambos se envolveram do Levante dos Boxers, durante o qual enviaram equipes de desembarque para as Batalhas dos Fortes de Taku e Tientsin. Os dois retornaram para o Reino Unido em 1901 para reformas, mas o Centurion continuou a atuar na China até 1905, quando a renovação da Aliança Anglo-Japonesa deixou redundante a presença de uma esquadra britânica na região. Foram colocados na reserva ainda no mesmo ano e pouco fizeram até serem desmontados em 1910.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 254 mm 2 motores de tripla-expansão;17 nós (31 km/h) março de 1890 agosto de 1892 fevereiro de 1894 Desmontados em 1910 outubro de 1890 junho de 1894
HMS Renown
thumb|240px|esquerda|O HMS Renown em 1897 O programa de construção de 1892 inicialmente teria três couraçados de primeira linha armados com os novos canhões de 305 milímetros, porém o desenvolvimento desta arma atrasou. Consequentemente, um versão melhorada da Classe Centurion foi preparada. O Renown acabou incorporando vários aprimoramentos, incluindo o primeiro uso de blindagem Harvey pela Marinha Real, o primeiro convés blindado inclinado e a primeira adoção de proteções fechadas e modernas para as armas, que se tornariam conhecidas como torres de artilharia. O contra-almirante John Fisher, o Corregedor da Marinha, queria que seis navios fossem construídos no lugar daquilo que se tornaria a sucessora Classe Majestic, mas o Almirantado rejeitou isto argumentando que os canhões de 254 milímetros eram insuficientes contra couraçados estrangeiros, além de não existir necessidade de uma frota tão grande para além-mar.
O Renown serviu como capitânia na região do Canadá e Caribe, inicialmente sob o comando do próprio Fisher. Foi transferido em 1899 para a Frota do Mediterrâneo como sua capitânia, que também na época estava sob o comando de Fisher. Transportou em 1902 o príncipe Artur, Duque de Connaught e Strathearn, com sua esposa a princesa Luísa Margarida para uma viagem pela Índia. Passou um breve período na reserva em 1905 e então foi modificado para ser usado como iate real novamente, desta vez levando Jorge, Príncipe de Gales, e sua esposa Maria, Princesa de Gales, para outra viagem pela Índia. Foi depois disso usado em vários papéis secundários até ser tirado de serviço em 1911 e desmontado em 1914.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 4 × 254 mm 2 motores de tripla-expansão;17 nós (31 km/h) fevereiro de 1893 maio de 1895 junho de 1897 Desmontado em 1914
Classe Majestic
thumb|240px|O HMS Majestic em 1915 A Classe Majestic estava planejada para o programa de construção de 1892 e inicialmente seria composta por apenas três navios, porém acabou adiada porque os novos canhões de 305 milímetros que receberia ainda não tinham completado seus testes. O projeto incorporava muitos dos aprimoramentos implementados pela primeira vez no Renown, porém na realidade a Classe Majestic tinha sido desenvolvida antes. Nove couraçados acabaram sendo encomendados devido à pressão pública como parte de um programa que tinha a intenção de reduzir percepções de que a Marinha Real tinha ficado para trás em termos de força em relação à Marinha Nacional Francesa e Marinha Imperial Russa. A Classe Majestic se tornou um marco no projeto de couraçados, sendo muito copiada por outras marinhas, tanto de forma geral quanto em características específicas como tamanho da bateria principal, especialmente na Classe Shikishima e no da Marinha Imperial Japonesa, que eram em essência versões com pequenos aprimoramentos.