Leonor de Inglaterra (; Gloucester ou Winchester 1215 - Montargis, 13 de abril de 1275) foi uma princesa de Inglaterra por nascimento, condessa de Pembroke pelo seu primeiro casamento com Guilherme Marshal, 2.º Conde de Pembroke, e condessa de Leicester pelo seu segundo casamento com Simão de Montfort, 6.º Conde de Leicester. Simão liderou a oposição dos nobres contra o rei Henrique III de Inglaterra, irmão de Leonor, durante a Segunda Guerra dos Barões, e por um tempo se tornou governante do país, até ser derrotado e morto ao lado do filho mais velho na Batalha de Evesham em 1265, pelo sobrinho da esposa, o futuro rei Eduardo I de Inglaterra.

Família Leonor foi a terceira filha, quinta e última criança nascida do rei João de Inglaterra e de sua segunda esposa, a condessa Isabel de Angolema. Ela recebeu o seu nome em homenagem à avó paterna.

Os seus avós paternos foram Henrique II de Inglaterra e a duquesa Leonor da Aquitânia. Os seus avós maternos foram Ademar, Conde de Angolema e Alice de Courtenay, irmã do imperador latino, Pedro II de Courtenay.

Por parte de mãe e pai teve quatro irmãos: o rei Henrique III, marido de Leonor da Provença; Ricardo, 1.º Conde da Cornualha, e rei dos Romanos, cuja primeira esposa foi Isabel Marshal, irmã de Guilherme, primeiro marido de Leonor; Joana, consorte do rei Alexandre II da Escócia, e Isabel, imperatriz consorte de Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico.

Após a morte do pai, a mãe de Leonor se casou com Hugo X de Lusinhão e teve mais nove filhos, entre eles: Hugo XI de Lusinhão, casado com Iolanda da Bretanha, que tinha sido noiva de seu meio-irmão, Henrique III; Aymar de Lusinhão, bispo de Winchester; Alice, esposa de João de Warenne, 6.° Conde de Surrey; Isabel, senhora de Beauvoir-sur Mer e de Mercillac; Guilherme de Valence, 1.° Conde de Pembroke, apoiou o rei contra a rebelião de Simão, foi casado com Joana de Munchesi, etc.

Além de meio-irmãos maternos, ela também teve vários meio-irmãos ilegítimos por parte de pai com diversas amantes.

Biografia Quando Leonor nasceu, o seu pai, João, estava em guerra contra os franceses, tendo Londres caído nas mãos dos franceses liderados pelo então príncipe e futuro rei Luís VIII de França, apoiado pelos barões ingleses em oposição ao reinado de João, durante a Primeira Guerra dos Barões. Também foi o ano em que o seu pai se viu obrigado a assinar a Magna Carta. Leonor nunca conheceu o pai, tendo ele morrido em 19 de outubro de 1216, no Castelo de Newark, em Nottinghamshire. Logo, o seu irmão, Henrique III, com a liderança de Guilherme Marshal, 1.º Conde de Pembroke, derrotou os rebeldes em 1217.

Acredita-se que Leonor tenha herdado a beleza e temperamento agressivo de sua mãe, Isabel. Quando bebê, Leonor foi criada no agregado familiar de Pedro de Roches, bispo de Winchester, um dos apoiadores mais leais de seu pai, onde o seu irmão Henrique residia desde 1212. Sua mãe, Isabel, agora viúva, retornou a França para tomar o controle de suas terras no condado de Angolema, em julho de 1217, e acabou se casando com Hugo X de Lusinhão, em 1220, que era o filho de seu antigo noivo, Hugo IX de Lusinhão, antes de ser tomada como esposa pelo rei João.

Condessa de Pembroke Em 1219, Leonor se tornou noiva de Guilherme Marshal, filho do Guilherme Marshal, 1.° Conde de Pembroke e e de sua esposa, Isabel de Clare, 4.° Condessa de Pembroke, que era neta materna do rei irlandês Diarmait mac Murchada, rei de Leinster. O primeiro conde de Pembroke havia servido ao irmão de Leonor como regente, além de ter servido ao seu pai e ao avô, Henrique II, e ao tio de Leonor, Ricardo I. O seu futuro sogro era conhecido pela sua reputação, íntegro e leal, tendo permanecido inabalável em sua lealdade pelo rei João durante a crise dos barões. Já o seu filho, o futuro marido da princesa, tinha sido feito refém pelo rei João entre 1207 a 1213, como uma garantia do bom comportamento de seu pai. Mais tarde, Guilherme, o filho, se juntou à rebelião dos barões e foi nomeado marechal das forças invasoras do príncipe Luís da França. No entanto, ele retornou a apoiar a causa monárquica quando Luís se recusou a lhe dar posse do Castelo de Marlborough, que havia pertencido ao avô de Guilherme, João FitzGilbert, marechal dos cavalos, que viveu durante o período turbulento da Anarquia.

Guilherme lutou ao lado do pai na Batalha de Lincoln, quando Luís foi expulso de sua base no sudeste da Inglaterra. Seguindo a morte de Guilherme, o pai, o seu filho sucedeu como conde de Pembroke e lorde marechal em 1219, e em 1220, após da mãe dele, herdou os senhorios de Leinster e Netherwent. Antes de seu noivado com Leonor, contudo, ele foi casado com Alice de Béthune, em 1214, porém ela faleceu pouco tempo depois, em 1216, sem deixar filhos.

Em 23 de abril de 1224, a princesa, com cerca de 9 anos de idade, se casou com Guilherme, que já tinha 34 anos, na Igreja Templária, em Londres. O casamento foi acordado por ordem do Justiciar, Huberto de Burgh, Conde de Kent, e do legado papal, Pandolfo, como uma forma de garantir que Marshal permanecesse firmemente ao lado de Huberto, e para impedir que ele se casasse com uma noiva estrangeira. A união pôs um fim a três anos de indecisão, sobre se Leonor deveria se casar com um príncipe estrangeiro ou com um magnata inglês. Como dote, o seu irmão, Henrique, lhe deu dez mansões, confiscadas de um nobre francês, que já estavam sob a administração de Marshal.

O casamento não foi consumado imediatamente devido à sua tenra idade, e ela continuou a viver na corte do irmão, sob a tutela de Cecília de Sandford, até o ano de 1229, quando ela passou a morar com o marido. A condessa de Pembroke tinha entre 13 e 14 anos, na época, e passava o seu tempo viajando ao lado de Guilherme pela Inglaterra, França e Irlanda. Na data de maio de 1230, o conde tinha levado vinte cavaleiros consigo, na expedição de Henrique III até Poitou. Ele também levou Leonor consigo, provavelmente a mando do rei. Leonor ficou enjoada durante a viagem até a França, e o irmão ordenou que o navio fosse ancorado, para que ela tivesse tempo de se recuperar, e mandou que a frota seguisse sem eles.

Era possível que Henrique tivesse esperança de que a presença da irmã ajudasse a assegurar o apoio da mãe deles, Isabel, e o de seu segundo marido, Hugo, na sua expedição contra os franceses. Mãe e filha não se viam desde que Leonor era bebê, quando Isabel deixou a Inglaterra pelas suas terras francesas. Entretanto, a presença da princesa não obteve o efeito desejado pelo rei, e o casal não apoiou Henrique em seus esforços.

O conde e a condessa de Pembroke retornaram a Inglaterra em 1231, e Guilherme entregou o comando das forças inglesas a Ranulfo de Blondeville, 6.° Conde de Chester. Logo após a sua volta, o casal compareceu ao casamento de Isabel Marshal, irmã de Guilherme, com o irmão de Leonor, Ricardo, 1.º Conde da Cornualha. Porém, apenas uma semana após o casamento, o marido de Leonor faleceu em 6 de abril de 1231. A princesa, que ainda tinha apenas 15 ou 16 anos, ficou viúva, sem filhos do primeiro casamento. Além das dez mansões concedidas pelo seu irmão, ela tinha trazido consigo um dote de 200 libras. Segundo a lei da época, viúvas tinham o direito de reter um terço das propriedades do casamento, contudo, o condado de Pembroke passou para o irmão mais novo de seu marido, Ricardo Marshal, que tomou controle das terras e vendeu muitas delas, incluindo o dote da cunhada, para pagar as dívidas do falecido irmão. Devido a isso, Leonor lutou por muito tempo, para tentar recuperar o seu dote.

Um ano após a morte de Guilherme, Ricardo ofereceu uma quantia de £400 por ano como uma forma de indenização. O rei Henrique III convenceu a irmã a aceitar a oferta, querendo encerrar de vez o assunto, e provavelmente ciente de que Leonor não iria conseguir uma quantia mais alta, apesar do fato de que as propriedades da família Marshal traziam uma renda de £3.000 por ano. Henrique serviu como fiador do acordo, porém, os pagamentos acabaram por ser esporádicos e não confiáveis, o que pode ter sido resultado do condado ter passado por quatro irmãos Marshal em sucessão entre os anos de 1232 a 1245, cada conde com prioridades diferentes e mais viúvas da famílias para pagar seus dotes.

Em meio ao luto e influenciada pela sua antiga governanta, Cecília de Sandford, que também tinha se tornado viúva há pouco tempo, Leonor fez um voto de castidade na presença de Edmundo de Abingdon, arcebispo da Cantuária, em 1234. Embora ela não tenha se tornado freira, o arcebispo colocou um anel em seu dedo, o que significava que ela era agora noiva de Cristo, assim, era esperado dela que permanecesse casta e virtuosa pelo resto de sua vida. Como resultado, o rei Henrique confiscou os estados da princesa, e o cunhado Ricardo, como herdeiro de seu marido, se apoderou de muitos de seus bens pessoais valiosos.

Leonor, então, se retirou para o Castelo de Inkberrow, em Worcestershire. Por toda a sua vida, a princesa foi conhecida pelos seus gastos extravagantes, o que levou a dívidas substanciais; Henrique lhe emprestava dinheiro, e fazia pagamentos esporádicos para reduzir as dívidas. Em 1237, o irmão lhe concedeu o Castelo de Odiham, em Hampshire, o qual se tornaria a sua residência principal.

Condessa de Leicester Depois de muito tempo vivendo como uma viúva casta, em algum momento após o meio da década de 1230, Leonor conheceu Simão de Montfort, possivelmente no casamento de Henrique e Leonor da Provença. Ele era filho de Simão IV de Monforte, 5.° Conde de Leicester e de Alice de Montmorency. Segundo Matthew Paris, Simão estava atraído pela beleza e elegância de Leonor, assim como pela sua riqueza e nascimento nobre. Apaixonados, os dois receberam o consentimento do rei para se casar, apesar dos votos de castidades da princesa, porque Simão tinha, alegadamente, seduzido a jovem. O casamento ocorreu em 7 de janeiro de 1238, na capela privada do rei, Capela de São Estêvão, no Palácio de Westminster.

Dois meses depois, o casamento se tornou conhecimento público. No entanto, o outro irmão de Leonor, Ricardo, Conde da Cornualha, alegou que o casamento não era válido, pois não havia sido aprovado pelos barões. Já o arcebispo Edmundo condenou a união, devido ao voto que outrora Leonor tinha feito. Os nobres, por sua vez, protestaram contra o casamento da princesa com um estrangeiro de posição social modesta. Para acalmar os barões, que reclamavam há muito de favoritismo por parte do rei, Henrique III manteve Simão fora do conselho do rei. Como solução para a situação complicada em que se encontravam, Simão se viu forçado a fazer uma peregrinação a Roma a fim de obter a aprovação do Papa para o casamento. Leonor, grávida, permaneceu na Inglaterra, foi enviada ao Castelo de Kenilworth por Henrique, enquanto o marido viajava para a Itália. Em 23 de abril de 1238, o rei, que continuou a zelar pela irmã durante a década de 1230, perdoou uma dívida da irmã de muito tempo, e dois dias depois, lhe enviou cinco barris de vinho de Southampton. Durante o verão, enviou mais presentes, tais como carne de veado e madeira para as suas mansões.

Tendo obtido a aprovação do Papa Gregório IX, após o pagamento de quantia considerável às autoridades papais, Simão retornou em outubro de 1238, com tempo de sobra para presenciar o nascimento do primogênito do casal, Henrique, assim batizado em homenagem ao tio materno, em novembro, que correu para visitar a irmã pela ocasião do nascimento do sobrinho.

thumb|left|Selo da condessa de Leicester.