A Igreja Católica na Colômbia é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Ainda que os católicos sejam a imensa maioria da população, a Igreja enfrenta desafios, como a ação do crime organizado, da secularização da sociedade, de ataques do ativismo e do crescimento de outros grupos religiosos. Ainda que haja liberdade religiosa, o país tem registrado aumento da violência, levando-o a subir oito posições na lista de perseguição religiosa da Fundação Portas Abertas de 2023 em relação à de 2021, ocupando a 71ª posição de perseguição no relatório da instituição.

História Colonização Originalmente habitado pelas tribos chibchas, o atual território colombiano viu a chegada dos espanhóis, que nomearam o país Novo Reino de Granada. Os primeiros missionários a chegar foram os franciscanos, em 1508, levando a fé católica às partes mais remotas da Colômbia. Esses religiosos ensinavam o sistema de redução aos índios para instruí-los na criação de animais, agricultura e artesanato. Esse sistema estimulou a criação de novas indústrias, aperfeiçoou as existentes, abriu estradas para o comércio, importou ferramentas e trouxe artesãos treinados para ensinar novos ofícios. Os missionários construíram a igreja na qual os convertidos se reuniam, construíram hospitais e administraram escolas nas quais se ensinavam leitura, escrita, aritmética, canto e a catequese. Em conjunto a esse trabalho, os missionários tornaram-se os defensores dos chibchas, que eram maltratados e explorados sem piedade pelos encomenderos, que estavam constantemente em busca de trabalho escravo para a atividade agrícola. A primeira missão franciscana foi formalmente estabelecida em 1550 com a ereção da Custódia de São João Batista.

thumb|left|200px|Dom Luis Zapata de Cárdenas

Os missionários dominicanos chegaram em 1529, fundando um convento em Cartagena em 1549 e outro no ano seguinte em Santa Fé. Já os mercedários ergueram um convento em Cáli em 1537, os agostinianos criaram um convento em Santafé em 1575. O arcebispo Luis Zapata de Cárdenas estabeleceu em 1576 que os indígenas recebessem atendimento médico quando necessário, e que, para a manutenção dos hospitais, seriam usados os lucros das fazendas. Os chibchas deveriam contribuir com galinhas ou outras aves. Duas enfermeiras nativas teriam de ser fornecidas para preparar a comida e cuidar dos pacientes. Também foram fundados muitos abrigos para idosos, viúvas e órfãos. Em simultâneo ao desenvolvimento das missões ocorreu o desenvolvimento da hierarquia, com a criação das dioceses Santa Marta e Cartagena foram erigidas em 1534, Popayán em 1546 e Santafé de Bogotá em 1564. O primeiro bispo de Santa Marta foi apontado pelo rei espanhol — Alfonso de Tobes, de Salamanca. Ele, porém, faleceu antes de sua nomeação ser apontada por Roma. Dionisio de Santos, foi o tradutor do primeiro catecismo ameríndio. Juan del Valle, grande defensor dos povos indígenas, foi o primeiro bispo de Popayán. O franciscano Juan de los Barrios foi primeiro arcebispo de Bogotá, e o criador do primeiro hospital da cidade.

A evangelização também enfrentou diversas barreiras, pois a doutrina e moral cristãs entravam em conflito com as tradições chibchas, como a poligamia e a idolatria. Caciques e xamãs ofereceram enorme resistência à pregação cristã. Outra dificuldade era a diversidade linguística entre as tribos. Rivalidades entre as ordens religiosas também criaram empecilhos à pregação do evangelho. Por fim, a interferência de autoridades civis em assuntos puramente eclesiásticos atrapalharam a difusão da fé cristã. Em 1563, padres dominicanos trouxeram aulas de latim ao convento de Santafé, onde alguns crioulos se preparavam para o sacerdócio. O Arcebispo Barrios ordenou o primeiro crioulo e o primeiro mestiço. Na época, os bispos que ordenavam negros, índios ou mestiços enfrentavam resistência de autoridades locais, padres e do clero regular.

thumb|right|200px|São Pedro Claver, conhecido como "apóstolo dos africanos".

Os Hospitalários passaram a trabalhar com os índios doentes sob o título de protomédicos. Agostinianos e jesuítas abriram escolas em Cartagena em 1603 e em Santafé no ano seguinte. Em 1605, os jesuítas assumiram o comando do seminário e fundaram a primeira farmácia de Bogotá. As ordens femininas também já estavam presentes em território colombiano em 1600, como os conventos de Santa Clara, concepcionistas, carmelitas descalças, dentre outras. Os religiosos de La Enseñanza fundaram a primeira escola para mulheres, enquanto outros se dedicaram à vida contemplativa, que atraíam espanholas, crioulas e chibchas.

Durante o século XVII, a Colômbia tinha uma vida religiosa exuberante, que incluía uma sé metropolitana com três dioceses sufragâneas, numerosas paróquias, sínodos e conselhos provinciais, e grande quantidade de clero em conventos e seminários. A idolatria foi quase completamente extirpada e milhares de chibchas se converteram ao catolicismo. Entre as figuras missionárias mais importantes da época colonial estavam São Luís Beltrán e São Pedro Claver, "o apóstolo dos africanos"; Francisco Romero, autor de Llanto Sagrado; Alonso de Sandoval, Joseph Gumilla e Juan Ribero. A Igreja também influenciou a vida intelectual da era colonial, à medida que a cultura intelectual se desenvolveu em torno das escolas, seminários e universidades. A primeira impressora da Colômbia foi trazida pelos jesuítas, entrando em funcionamento em 1738, e imprimiu principalmente catecismos e pequenos livros de devoção. Com isso, formaram-se grupos de escritores que deram glória à Igreja através de suas obras escritas: padres e religiosos escreveram as primeiras crônicas de conquista e colonização, cultivaram a ciência sagrada, destacaram-se nas ciências humanas e foram poetas, dramaturgos e oradores notáveis.

Independência thumb|right|200px|Batalha de Boyacá

Com a Batalha de Boyacá, a Colômbia se torna um Estado independente em 1819. A libertação do domínio espanhol acaba com o padroado, e passando a valer a Lei de 1824, que passava ao Estado colombiano o poder de apontar lideranças católicas para as dioceses, embora isso nunca tenha sido reconhecido pela Santa Sé. Isso durou até 1853, após tentativas frustradas do governo colombiano tentar estabelecer relações diplomáticas com a Santa Sé, e, nesse ano, o governo promove a separação constitucional entre Igreja e Estado, porém com o catolicismo permanecendo a religião oficial. Aí foi quando se iniciou a perseguição mais severa à Igreja até então, com o confisco de propriedades pelo Estado Em 1887 e 1892 foram negociadas concordatas restringindo o padroado. O presidente só poderia intervir recomendando candidatos à Santa Sé ou vetando por razões civis ou políticas os escolhidos para as nomeações. Em compensação pelas propriedades confiscadas durante o século XIX, o governo passou a atribuir uma verba anual como remuneração da Igreja.

Conflito armado

Em 1953, um governo militar assumiu o poder e estabilizou o país até que o regime democrático pudesse ser restaurado. A partir da década de 1960, ocorre uma proliferação de pequenos grupos guerrilheiros que espalhavam o terror e visavam derrubar o governo, para que pudessem instituir suas políticas de direita ou de esquerda, como a redistribuição de terras. Seguindo a tendência de outros países latino-americanos, alguns líderes da Igreja passaram a se envolver nas causas sociais, nos programas que beneficiavam as classes mais pobres e na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, através da teologia da libertação, ao mesmo tempo que desaprovavam os meios violentos utilizados pelas guerrilhas. Líderes da Igreja frequentemente tentavam mediar a situação entre rebeldes e funcionários do governo a fim de que se terminasse o derramamento de sangue, mesmo que várias vezes o clero se tornasse o alvo de ataques dos militares colombianos. Houve algum sucesso na mediação em 1990, com a guerrilha ultrarradical M-19 e, em 1998, com o Exército de Libertação Nacional (ELN), embora a violência por parte de outros grupos continuasse; em 30 de maio de 1999 o ELN voltou à ofensiva sequestrando cerca de 150 fiéis em uma paróquia de Cáli. A libertação desses reféns foi lenta: levou meses para que todos fossem libertados. Em 1999, um esquadrão da morte patrocinado pelo grupo Autodefesas Unidas da Colômbia assassinou 27 católicos que participavam de um batizado no norte da Colômbia, como parte de uma nova tendência de terrorismo que deixou centenas de mortos no final do ano.

Em 1991, uma nova constituição entra em vigor, tornando o estado secular. No entanto, a Igreja Católica continuou a ocupar uma posição privilegiada como a fé da maioria dos colombianos e foi autorizada a fornecer as necessidades educativas em comunidades rurais onde não havia escolas públicas. Além disso, apenas padres católicos podiam servir como capelães. Todas as igrejas permanecem isentas de impostos na Colômbia, e as escolas privadas geridas por católicos também receberam este privilégio. No seu papel de igreja maioritária, os líderes católicos continuaram a ter uma presença ativa como defensores da sociedade colombiana, pronunciando-se em 1996 sobre uma proposta de legislação para legalizar o aborto. Na sequência desta proposta e da legalização da eutanásia no início da década, o então Papa João Paulo II aconselhou os bispos colombianos a trabalharem contra o que ele chamou de "o doloroso problema da acelerada desintegração familiar".

Atualmente thumb|200px|right|Missa de ação de graças e honras pelas autoridades eclesiásticas, civis, militares, fiéis e uma delegação representativa dos grupos indígenas, bem como da sua comunidade religiosa.

Em 2000, havia 3.295 paróquias atendidas por 5.050 padres diocesanos e 2.265 padres religiosos. Outros religiosos incluíam aproximadamente 790 irmãos e 17.990 irmãs, muitos dos quais ajudavam no ensino e na operação de 1.660 escolas católicas primárias e 1.230 secundárias. Além disso, a primeira estação de televisão católica do país foi lançada em 1999, a Teleamiga. Um emblema católico histórico, a famosa Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Chiquinquirá, continuou a ser um destino popular de peregrinação, atraindo fiéis de todas as classes sociais, e também de fiéis de países vizinhos.

A Colômbia tem crescido no turismo, se tornando uma das principais atividades econômicas do país. As igrejas são importantes atrativos, pois revelam a história do povo colombiano, a arquitetura colonial espanhola, especialmente a Catedral Metropolitana de Bogotá.

Durante mais de quatro décadas, continuou sendo praticado o sequestro de fiéis católicos pelas guerrilhas. Trata-se de uma fonte de renda, em relação ao dinheiro recebido dos resgates dos reféns. Em decorrência disso, tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos passaram a considerar a guerrilha como organização terrorista. Há indícios também de que o ELN tenha auxílio médico e político do governo de Cuba. Em 2004, o bispo de Yopal, Dom Misael Vaca Ramirez, foi sequestrado por guerrilheiros do ELN.

Principalmente a partir de 2021, a Colômbia tem registrado aumento no número de ataques a igrejas, especialmente pelo ativismo secular e anticristão. Nesse mesmo ano, uma imagem de Nossa Senhora do Rosário em Chiquinquirá foi profanada, gerando reações de repúdio da conferência episcopal do país; as portas da Paróquia Santo Inácio de Loyola, em Medellín foram incendiadas por ativistas pró-aborto, colocando em risco as vidas dos fiéis que estavam no interior da igreja durante a celebração da Missa; em Montelíbano, duas imagens de Nossa Senhora foram profanadas e destruídas.