Fatema Mernissi ou Fátima Mernissi (Fez, 27 de setembro de 1940 – Rabat, 30 de novembro de 2015) foi uma socióloga e feminista marroquina.

Biografia Fatema Mernissi nasceu em Fez, Marrocos.Castro, Isabelle Christine Somma de. FATEMA MERNISSI: UMA CONTESTADORA DO PATRIARCALISMO NO MUNDO ÁRABE-ISLÂMICO. In: NASCIMENTO, Washington Santos; CARVALHO FILHO, Silvio de Almeida (Org.). Intelectuais das Áfricas. 1. ed. eBook Kindle, 2020. Ela cresceu no harém de sua avó paterna, juntamente com várias mulheres. Ela recebeu sua educação primária em uma escola estabelecida pelo movimento nacionalista e educação de nível secundário em uma escola de mulheres financiada pelo protetorado francês. Em 1957, estudou Ciência Política em Sorbonne e na Universidade Brandeis (EUA), obtendo o título de doutorado. Regressou para trabalhar na Universidade Mohammed V, em Rabat,Mernissi, F. (2004) ‘The Satellite, the Prince, and Scheherazade: The Rise of Women as Communicators in Digital Islam,’ Transnational Broadcasting Studies 12. Recuperado: http://web.archive.org/web/20191119190723/http://www.mafhoum.com/press7/199T45.htm e ensinou na Faculdade das Letras entre 1974 e 1981 sobre temas como metodologia, sociologia familiar e psicossocial. Tornou-se conhecida internacionalmente principalmente como feminista islâmica.

Como feminista islâmica, Mernissi estava em grande parte preocupada com o Islã e os papéis das mulheres nela, analisando o desenvolvimento histórico do pensamento islâmico e as suas tendências atuais. Através de uma investigação detalhada sobre a natureza da sucessão de Maomé, ela lançou dúvidas sobre a validade de alguns hadices e, portanto, a subordinação das mulheres que ela vê no Islã, mas não no Corão. Na sua opinião, o ideal muçulmano da "mulher silenciosa, passiva e obediente" não tem nada a ver com a autêntica mensagem do Islã. Pelo contrário, é uma construção dos ulemás, os juristas-teólogos masculinos que manipularam e distorceram os textos religiosos para preservar o sistema patriarcal.

Conforme Isabelle Christine Somma de Castro, Fatema Mernissi desenvolveu, principalmente, duas dimensões:Na primeira delas, questionou o discurso dominante, na medida em que se insurgiu contra a diferenciação entre os sexos proposta na legislação islâmica, subvertendo a interpretação tradicional dada a ela. Ainda que a religião conceda privilégios aos homens, argumentou, não há indicações inquestionáveis nos textos religiosos que justifiquem uma posição de subordinação às mulheres. A segunda dimensão empregada pela socióloga foi dar voz a quem ela se propôs a estudar. Por meio do trabalho de campo e de sua própria experiência como mulher muçulmana, esmiuçou costumes e atitudes de suas conterrâneas, sempre questionando premissas tradicionais com o objetivo de demonstrar que a igualdade não é apenas uma necessidade social, mas uma demanda da religião que se instalou na região há cerca de 14 séculos.

Carreira e legado Ela escreveu extensivamente sobre a vida dentro dos haréns, sobre as relações de gênero e das esferas pública e privada no Islã. Como socióloga, Mernissi realizou principalmente trabalhos de campo em Marrocos. Em várias ocasiões no final da década de 1970 e no início dos anos 80, ela realizou entrevistas para mapear as atitudes predominantes para as mulheres e o trabalho. Ela fez pesquisas sociológicas para a UNESCO e a OIT, bem como para as autoridades marroquinas. No mesmo período, Mernissi contribuiu com artigos para periódicos e outras publicações sobre mulheres em Marrocos e as mulheres e o islamismo de uma perspectiva contemporânea e histórica. Seu trabalho foi citado como uma inspiração por outras feministas muçulmanas, como aqueles que fundaram Musawah.Musawah Vision. Issue 20: March 2016. Special Issue: Honouring A Fierce Feminist Foremother. Available: http://arabic.musawah.org/sites/default/files/MusawahVision20EN.pdf

Prêmios e distinções selecionados Em 2003, Mernissi recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias juntamente com Susan Sontag. Elas competiram entre 42 candidaturas apresentadas, entre elas as do escritor peruano Alfredo Bryce Echenique e do egípcio Nagib Mahfuz.

Em 2004, recebeu o Prêmio Erasmus, ao lado de Sadik Al-Asm e Abdolkarim Soroush.

Em 2017, Asma Lamrabet, médica e feminista marroquina, fundou a cadeira Fatéma Mernissi na Universidade Mohammed V em Rabat.

Falecimento Em 2015, veio a falecer em Rabat, Marrocos.

Obras 1975: Beyond the Veil: Male-Female Dynamics in Modern Muslim Society (reeditado em 1987) 1983: Le Maroc raconté par ses femmes 1984: L'amour dans les pays musulmans 1985: Femmes du Gharb 1985ː Sexe, Idéologie, Islam, Éditions Maghrébines 1987: Le harem politique : le Prophète et les femmes, Albin Michel, 1987 1988: Shahrazad n'est pas marocaine (reeditado em 1992) 1990: Sultanes oubliées : femmes chefs d'État en Islam, Albin Michel / Éditions Le Fennec 1991ː Le monde n'est pas un harem, Albin Michel, 1991 1992: La Peur-Modernité: conflit islam démocratie, Albin Michel / Éditions Le Fennec 1993: Women's Rebellion and Islamic Memory 1994: Dreams of Trespass. Tales of a Harem Girlhood 1997: Les Aït-Débrouille 1998: Etes-vous vacciné contre le Harem?, Éditions Le Fennec, Casablanca, 1998 2001: Scheherazade Goes West 2004ː Les Sindbads marocains, Voyage dans le Maroc civique, Éditions Marsam, Rabat, 2004

Obras publicadas em Portugal O Harém e o Ocidente Sonhos Proibidos - Memórias de um Harém em Fez Nasci num Harém

Obras publicadas no Brasil 1996: Sonhos de transgressão

Ver também Leila Ahmed

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