A Casa do Olhar Luiz Sacilotto é um museu de artes plásticas, localizado em Santo André (SP), inaugurado em 1992. A instituição foi criada e é mantida pela Prefeitura de Santo André, com sede em uma residência construída em meados da década de 1920, no centro da cidade.
O espaço promove atividades de formação e difusão de artes plásticas, em especial da arte contemporânea. Realiza exposições, mostras itinerantes, cursos, palestras e debates. A instituição é a organizadora do Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto.
História O projeto de criação da Casa do Olhar surge durante a primeira gestão do prefeito Celso Daniel em Santo André. A partir de 1989, o Departamento de Cultura da Secretaria de Educação, Cultura, Esportes e Turismo de Santo André é reestruturado, sendo dividido em Divisão de Difusão Cultural e Divisão de Formação Cultural. Suas atividades passam a se estruturar a partir do conceito de "ação cultural", de Teixeira Coelho.
Em março de 1990 ocorre uma nova estruturação do Departamento de Cultura, sendo dividido em Serviço de Teatros e Auditórios, Serviço de Bibliotecas, Serviço de Programação Especial, Serviço de Ação Cultural, Serviço de Preservação da Memória e Serviço de Oficinas e Escolas Municipais de Iniciação Artística.
O interesse no desenvolvimento de ações específicas para cada linguagem artística motivou a criação de diferentes núcleos pela gestão municipal, entre eles o Núcleo de Artes Plásticas, que teve como gestora implementadora Paula Caetano. O Núcleo foi responsável pelo Salão de Exposições do Paço Municipal, organizando o Salão de Arte Contemporânea de Santo André, a Mostra Internacional de Arte Postal e exposições temporárias. O Núcleo promoveu palestras e cursos sobre arte, ministrados por nomes como Ana Tavares, Evandro Carlos Jardim e Aracy Amaral.
Através da atuação do Núcleo de Artes Plásticas, em 1991 surge a proposta de implementação da Casa do Olhar como espaço dedicado exclusivamente às artes plásticas. Na concepção do espaço, feito por Paula Caetano, a instituição teria como finalidades a formação de novos artistas e a divulgação, reunião e informação de produtores artísticos locais.
Com 3 meses de atraso, em 29 de maio de 1992, a Casa do Olhar foi inaugurada com a realização de uma exposição do gravador Marco Buti e de uma palestra de Evandro Carlos Jardim. Porém, sua inauguração oficial ocorreu apenas em 13 de novembro de 1992, com a realização de uma cerimônia que contou com a presença do artista Luiz Sacilotto. Neste primeiro ano, o museu promove atividades com foco na formação e difusão das arte plásticas, com a realização de cursos de gravura, desenho, história da arte e performance, além de uma exposição de gravuras e exibição de um ciclo de vídeo-arte.
Em 1993, com o redimensionamento dos órgãos culturais municipais na gestão do prefeito Newton Brandão, a Casa do Olhar é fundida à Casa da Palavra (adotando a denominação Casa do Olhar e da Palavra), e deixa a sua sede na rua Campos Sales, instalando-se na sede da Casa da Palavra (Praça do Carmo, 171). Em 1998, as duas instituições são novamente separadas e a Casa do Olhar retorna à sua antiga sede, sendo reinaugurada em 9 de setembro. Na ocasião foi apresentado ao público a Comissão Consultiva da Casa do Olhar, que contava com Agda Carvalho, Alexandre Polesi, Jorge Bongim, Lucia Sauerbronn, Luiz Sacilotto, Saulo de Tarso e Paula Caetano.
Em 2003, teve seu nome alterado para Casa do Olhar Luiz Sacilotto, em homenagem ao artista andreense Luiz Sacilotto, falecido no mesmo ano.
Atualmente, a Casa do Olhar Luiz Sacilotto é também responsável pela gestão do Salão de Exposições do Paço Municipal, pelo Espaço de Fotografia João Colovati e pela Pinacoteca de Santo André.
O imóvel O imóvel sede da Casa do Olhar foi originalmente a residência de Bernardino Queiroz dos Santos, filho de Antonio Queiroz dos Santos, que ali morou com sua esposa Paschoalina Guazzelli. A residência é um marco da ampliação do centro urbano de Santo André na década de 1920, estando localizado próximo à Rua Coronel Oliveira Lima (importante ponto de instalação de comércio, serviços e atividades fabris a cidade) e da paróquia Nossa Senhora do Carmo, construída no período.
Com a morte de Bernardino e Paschoalina, o imóvel foi herdado pela sobrinha do casal, Olga Guazelli, que residiu no imóvel até a década de 1950. Nesta década, a Prefeitura da cidade, arrendou o edifício para uso público, com o objetivo de instalação no de um Museu Histórico Pedagógico, que, porém, não ocorreu incialmente. O imóvel foi desapropriado em 1968 e foi sede de diversos serviços e órgãos públicos, como o Tribunal de Contas, a CASMU – órgão assistencial do município – e a Guarda Municipal.
Apenas em 1992, o espaço torna-se sede da Casa do Olhar. O espaço recebe o acervo do Salão de Arte Contemporânea de Santo André, que passa a integrar o acervo da Casa do Olhar. Em outubro do mesmo ano o imóvel tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (Comdephaapasa) desde 1992.
Entre os anos 1993 e 1998, com a unificação da Casa do Olhar com a Casa Palavra e transferência da sua para a sede da Casa da Palavra (Praça do Carmo, 171), o espaço foi utilizado pelo Departamento de Promoção Social. O acervo de artes plásticas do museu foi transferido para um espaço no Saguão do Teatro Municipal de Santo André, onde ficou por alguns anos até mesmo após a reinauguração da Casa do Olhar.
Para adequações do espaço e adaptação para acessibilidade, o imóvel passou por processos de restauro e adequação em 1998, 2006 (em processo que durou 13 meses) e 2008. Em 2007, com a reinauguração do espaço após restauro, o acervo retorna à sede da Casa do Olhar.
O edifício é cercado por jardins na frente e laterais, onde consta uma escultura de Luiz Sacilotto. A casa se destaca em seu entorno por possuir um porão alto, recuos do alinhamento da rua, alpendres, jardins, escadarias, e traços decorativos na fachada em estilo eclético e neocolonial. Seu interior conta com trabalhos em gesso, vitral e madeira.
Acervo O acervo da Casa do Olhar consiste em mais de 500 obras de arte contemporânea, contando com desenhos, gravuras, pinturas, esculturas e objetos. O acervo conta com obras de artistas como Luiz Sacilotto, João Suzuki, Hans Grudzinski, Aldemir Martins, Antônio Henrique do Amaral e Tomás Ianelli.
Seu acervo pode ser dividido em três grandes grupos de origem:
Acervo de obras do Salão de Arte Contemporânea de Santo André, realizado desde 1968, com obras adquiridas pela Prefeitura como premiação da mostra. Acervo da Bienal da Gravura de Santo André (realizada em cinco edições de 2001 a 2010), com gravuras de artistas nacionais e estrangeiros que participaram das mostras Doações de artistas convidados que participaram de exposições e mostras promovidas pelo museu.
Ver também
Casa da Palavra Mário Quintana Museu de Santo André Sabina Escola Parque do Conhecimento Santo André (São Paulo)
Ligações externas
Casa do Olhar Luiz Sacilotto na plataforma Culturaz, da Prefeitura de Santo Andre Acervo da Casa do Olhar Luiz Sacilotto
Referências
Categoria:Museus de Santo André Categoria:Museus fundados em 1992 Categoria:Centros culturais de Santo André