Esta é uma lista das histórias de As Mil e Uma Noites na tradução de Mamede Mustafa Jarouche em cinco volumes, a única edição brasileira traduzida diretamente do árabe. A tradução recorre a variadas fontes árabes, manuscritas e impressas, não adotando assim uma ordem sequencial da primeira à milésima primeira noite. Inexiste uma edição “oficial” de As Mil e Uma Noites, de modo que as histórias variam conforme o manuscrito árabe ou a edição impressa, árabe ou em uma língua ocidental, inclusive o português.Ver "Traduções e edições" no verbete principal As Mil e Uma Noites. Ao final vem uma lista das histórias da edição da Editora Saraiva de 1961, baseada na tradução francesa de Mardrus, contendo a sequência completa e consecutiva da primeira à milésima primeira noite.
Volume 1 - ramo sírio Em nome de Deus, o Misericordioso, o Misericordiador em quem está a minha fé. Início da narrativa moldura. O gênio e a jovem sequestrada. Continuação da narrativa moldura. O burro, o boi, o mercador e sua esposa. História contada pelo pai de Xerazade dentro da narrativa moldura.
O mercador e o gênio. Início das histórias contadas por Xerazade. O primeiro xeique O segundo xeique O terceiro xeiqueEsta história está faltando nos manuscritos do ramo sírio, sendo suprida por quatro manuscritos do ramo egípcio antigo e apresentada no Anexo 2. O pescador e o gênio O rei YunanPara fins de simplificação, aqui omitimos os sinais diacríticos dos nomes próprios árabes, por exemplo, “Yūnān” torna-se “Yunan”. e o médico Duban O mercador e o papagaio O filho do rei e a ogra O rei das ilhas negras e sua esposa O carregador e as três jovens de Bagdá O carregador O primeiro dervixe O segundo dervixe O invejoso e o invejado O terceiro dervixe Jafar, o vizir A primeira jovem, a dona da casa A segunda jovem, a chicoteada As três maçãs Os vizires Nuredim Ali, do Cairo, e seu filho Badradim Haçane, de BaçoráA rigor, uma sub-história de “As três maçãs”, mas que figura na obra como se fosse uma história de primeiro nível independente. O corcunda do rei da China O jovem mercador e sua amada O jovem de Bagdá e a criada de madame Zubayda O jovem de Mossul e sua namorada ciumenta O jovem manco e o barbeiro de Bagdá O barbeiro de Bagdá e seus irmãos O primeiro irmão do barbeiro O segundo irmão do barbeiro O terceiro irmão do barbeiro O quarto irmão do barbeiro O quinto irmão do barbeiro O sexto irmão do barbeiro
Volume 2 - ramo sírio Nuruddin Ali Bin Bakkar e Samsunnahar Anisuljalis e Nuruddin Ali Bin Haqan Jullanar, a marítima, e seu filho Badr O Rei Qamaruzzaman e seus filhos Amjad e Asad Nima e Num
Volume 3 - ramo egípcio O rei Muhammad Bin Sabik e o Hawaja Hasan. Numa espécie de narrativa moldura, o rei Muhammad Bin Sabik do Hurasan (província situada na região oriental do Irã) desafia um homem chamado Hawaja Hasan a lhe contar uma “história espantosa e insólita”, sob pena de ser expulso do reino. Este envia seus secretários a cinco regiões diferentes para que tentem descobrir a história de Sayf Almuluk. Sayf Almuluk e Badi al Aljamal. A história principal, que figura como sub-história da narrativa moldura, começa com o rei egípcio Asim Bin Safwan lamentando que, aos cento e oitenta anos, não foi agraciado com nenhum filho. Graças aos poderes mágicos do rei Salomão Bin Davi (ou seja, o rei hebreu Salomão filho de Davi, mas que na história é muçulmano), a esposa do rei engravida e dá à luz um filho, Sayf Almuluk. Cumprindo as previsões de seu mapa zodiacal traçado após seu nascimento, o filho e sucessor do rei egípcio, ao ver uma imagem pintada com tinta de ouro de Badi at Aljamal, filha do “rei dos reis dos gênios crentes”, apaixona-se perdidamente por ela e vai passar por inúmeras aventuras e desventuras até enfim conseguir se casar com a amada. O naufrágio do vizir Said. Nesta história de terceiro nível conta-se o destino do vizir de Sayf após o naufrágio de que foram vítimas, até enfim se reencontrarem. As aventuras do xeique Alhaylahan Bin Haman. Quando o rei Badr Jarwan Arrayan da Pérsia é acometido por forte insônia e sente vontade de ouvir histórias, seu vizir manda chamar um sábio chamado Alhaylahan Bin Haman, que viajou por terra e mar e passa a narrar suas aventuras. Certa vez, ao chegarem numa ilha, o capitão do navio conseguiu matar um demônio que lá habitava e libertar vários muçulmanos por ele aprisionados. Cada um dos ex-prisioneiros libertados conta então sua história, que são as sub-histórias a seguir. A jovem sequestrada pelo gênio Os sete irmãos e o xeique A mulher, seu irmão e as feiticeiras O primeiro acorrentado O pássaro-gênio e a bela O segundo acorrentado O velho que incensava o ídolo Os xeiques Munamnam e Awbatan. Numa conversa entre certo rei persa e seus convivas sobre “coisas espantosas do mar”, dois velhos xeiques, chamados Munamnam e Awbatan, contam suas histórias. O homem sequestrado. Munamnam conta a história de um marinheiro sequestrado de um navio para casar com uma gênia do mar. Depois narra um naufrágio em que foi parar numa ilha onde “meu cabelo todo caíra e eu me tornara careca, e lá fiquei até que me nasceram cabelos negros”. Por isso, mesmo na idade de 150 anos, continua sem nenhum pelo branco na barba ou na cabeça, o que chamou a atenção do grupo. O xeique Albaz Alashab, o cambista e sua esposa. Awbatan conta a história do xeique Albaz Alashab, libertado da prisão por um indulto coletivo do rei. Na intenção de roubar um cambista, o xeique se esconde em sua casa. Porém, em vez de realizar seu plano, acaba salvando o cambista de ser assassinado pelo amante da esposa, um horrendo “escravo negro”. Acusado falsamente por um barbeiro de ter reincidido no crime, consegue provar sua inocência. O rei Qasim Alamar e sua filha Sitt Alaqmar. História de terceiro nível, contada pelo xeique Albaz Alashab, de um rei cujo irmão foi sequestrado por um gênio no dia de seu nascimento. A filha do rei acaba se casando com o filho desse irmão sequestrado. O homem sequestrado pela gênia. Nesta história de quarto nível o filho do irmão sequestrado pelo gênio conta sua saga. O rei Baht Zad e seus dez vizires. O rei Baht Zad, da cidade de Sistan, casa-se com uma princesa sem a autorização do pai dela. Este invade sua cidade, e o casal foge para o deserto, lá tendo de abandonar seu filho, que é levado por bandoleiros, tornando-se um deles. Baht Zad, com ajuda do rei persa, consegue recuperar seu reino, mas não acha mais o filho. Aos quinze anos, por uma coincidência, o rapaz torna-se homem de confiança do rei, sem que saibam que são pai e filho . Um dia, bêbado, invade o aposento da mãe, e os vizires, que sentiam ciúmes do rapaz, servem-se do episódio para induzir o rei a condená-lo à morte. Num estratagema semelhante ao de Xerazade em relação ao rei Xariar, o rapaz conta onze histórias, uma por noite, com uma moral, tentando dissuadir o rei de matá-lo. Ao final das histórias o rei acaba descobrindo que o rapaz é seu filho, fica feliz por ter caído no estratagema e não tê-lo matado, e castiga os vizires. O mercador de má sorte O mercador apressado e seu filho ponderado A paciência de Abu Sabir Barzad, o príncipe impaciente A paciência da asceta O rei e o auxílio divino O rei e o santo homem O perdão e o rei injusto O rei Ilan Shah e o leal Abu Tamam O rei e seu enteado O rei Bahriz, seu filho e o destino Sindabad, o navegante Primeira viagem Segunda viagem Terceira viagem Quarta viagem Quinta viagem Sexta viagem Sétima viagem O rei Sah Baht e o seu vizir Rahwan. Esta é uma narrativa moldura que funciona como um microcosmo de As Mil e Uma Noites: um rei sonha que o vizir irá provocar sua morte e, por precaução (e contando com a anuência da própria vítima), decide matá-lo. O vizir pede o adiamento de sua morte para o dia seguinte e, a partir de então, à semelhança de Xerazade, conta a cada uma das 28 noites do mês uma história para o rei, ao final de cada uma prometendo uma ainda melhor, a fim de aguçar-lhe a curiosidade e protelar a execução da pena. São histórias em geral curtas, algumas com tipos caricaturais como o lavadeiro corno e burro (sétima noite), situações absurdas como o homem rico que casou a filha com um velho pobre (quarta noite) ou mesmo comédias eróticas como as conquistas sexuais de um cantor (segunda noite). Aos poucos o rei vai se convencendo de que o vizir não lhe fará nenhum mal e ao final do ciclo de histórias perdoará o vizir. O homem de Hurāsān, seu filho e o preceptor (primeira noite). Um filho pede ao pai que o deixe peregrinar a Meca mas no meio do caminho apaixona-se por uma escrava “de grande beleza e formosura” e dilapida o dinheiro da peregrinação. O perfumista, sua esposa e o cantor (segunda noite). Comédia erótico sobre as conquistas sexuais de um cantor. O rei conhecedor de essências e seu filho (terceira noite). História de um ex-rei com uma capacidade digna de um Sherlock Holmes de discernir detalhes que aos outros passam despercebidos, solucionando assim dilemas. O homem rico que casou a filha com um velho pobre (quarta noite). O sábio e seus três filhos (quinta noite). Um jovem dilapida o dinheiro deixado pelo pai, só lhe restando o suicídio. Quando vai se enforcar, recebe uma lição post-mortem do pai. O rei que se apaixonou por uma imagem (sexta noite). Tema recorrente em As Mil e Uma Noites: a paixão pela imagem (retrato) de uma mulher. O lavadeiro, sua esposa e o soldado (sétima noite). A história gira em torno de um tipo caricatural que, além de corno, é burro. O mercador, o rei e a velha (oitava noite). Um mercador leva para sua casa uma velha capaz de decifrar enigmas, como “Qual o peso do elefante?”. O estúpido curioso (nona noite). Comédia erótica sobre um amante que exige que a mulher se entregue a ele e o satisfaça diante de seu marido. O rei e o coletor de impostos (décima noite). Um rei contrata um coletor de impostos que oprime a população. Um velho lenhador lhe dá umas lições dignas de um Davi ou Salomão. Sentenças de Davi e Salomão A mulher e o ladrão (décima primeira noite). Um casal consegue arrancar dinheiro de um ladrão que viera roubar sua casa. Os três homens e Jesus Cristo (décima segunda noite). Três homens acham uma pedra de ouro mas, em vez de dividirem o lucro, matam uns aos outros e não sobra nenhum. Este relato inspirou o conto “O Tesouro” de Eça de Queiroz. A aventura do discípulo de Jesus O rei que recuperou o reino e o dinheiro (décima terceira noite). Um rei é destronado pelo irmão mas, após várias peripécias, consegue recuperar o trono. O homem morto pela própria cautela (décima quarta noite). Tipo caricatural que acaba morrendo pelo excesso de cautela. O homem gentil com o desconhecido (décima quinta noite). Um homem que perdeu todo seu dinheiro, ao conquistar uma mulher na rua, leva-a a uma casa qualquer como se fosse sua. O dono da casa, em vez de escorraçá-lo ou mandar prendê-lo, trata-o com gentileza. O homem rico que perdeu o dinheiro e o juízo (décima sexta noite). Um homem que já foi rico usa um estratagema para enganar um ladrão que roubou o pouco dinheiro que ainda guardava. Hubluş, sua esposa e o sábio (décima sétima noite). Um homem que se julgava espertalhão acaba sendo vítima da esperteza de outro, que se apaixona por sua mulher. A devota piedosa acusada de corrupção (décima oitava noite). Uma mulher devota e formosa é vítima da maledicência dos homens que tentam seduzi-la. no final, ela perdoa seus algozes e os cura de suas doenças. O empregado e a jovem (décima nona noite). História sobre o tema recorrente de que não se pode escapar ao destino. Ao nascer uma menina, uma sacerdotisa profetiza: “Fornicará com cem homens, casar-se-á com um empregado e será morta por uma aranha.”