O Alfonso XIII foi um couraçado operado pela Armada Espanhola e a segunda embarcação da Classe España, depois do e seguido pelo . Sua construção começou em fevereiro de 1910 na Sociedad Española de Construcción Naval e foi lançado ao mar em maio de 1913, sendo comissionado em agosto de 1915. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de mais de dezesseis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezenove nós.
Os primeiros anos de serviço do Alfonso XIII foram tranquilos e envolveram uma rotina de exercícios de treinamento, mas foi usado algumas vezes para auxiliar embarcações civis em perigo e sua tripulação empregada para subjugar agitações públicas. Participou na década de 1920 da Guerra do Rife no Marrocos. A Segunda República Espanhola foi instaurada em 1931 e o navio foi renomeado para España, porém foi colocado na reserva como uma medida para reduzir gastos. Planos para modernizá-lo foram elaborados, mas nunca realizados devido ao início da Guerra Civil Espanhola.
Sua tripulação matou seus oficias no início do conflito e tentou resistir aos nacionalistas, mas acabaram se rendendo. O España desta forma se tornou o principal elemento da frota rebelde e foi usado para bloquear o litoral norte do país, fazendo patrulhas e frequentemente parando cargueiros que tentavam entrar em portos controlados pelos republicanos. O couraçado bateu em uma mina naval colocada pelos próprios nacionalistas durante uma dessas operações em 30 de abril de 1937 e afundou, com apenas quatro tripulantes morrendo. Seus destroços foram encontrados em 1984.
Características
thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe España Boa parte da frota espanhola foi destruída em 1898 na Guerra Hispano-Americana, com uma série de tentativas fracassadas de reconstrução ocorrendo no decorrer dos ano seguintes. Os governos de Espanha, França e Reino Unido entraram em um plano de defesa mútua após 1906. Desta forma, uma frota espanhola forte era de interesse francês e britânico, que assim deram assistência no desenvolvimento de navios modernos. As embarcações que se tornariam a Classe España foram autorizadas em 1908 depois do comando naval espanhol ter descartado planos para pré-dreadnoughts.
O Alfonso XIII tinha 140,2 metros de comprimento de fora a fora, boca de 24 metros, calado de 7,9 metros e borda livre de 4,6 metros à meia-nau. Seu deslocamento normal era de 15,7 mil toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras Yarrow que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons, cada uma girando uma hélice. Os motores tinham uma potência indicada de 15,8 mil cavalos-vapor (11,6 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 19,5 nós (36,1 quilômetros por hora). Sua autonomia era de cinco mil milhas náuticas (9,3 mil quilômetros) a uma velocidade de dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação era de 854 oficiais e marinheiros.
O armamento principal consistia em oito canhões Vickers Marco H. calibre 50 de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré da superestrutura e as outras duas en echelon à meia-nau. Este arranjo foi escolhido em detrimento de torres sobrepostas para economizar peso e dinheiro. A bateria secundária tinha vinte canhões calibre 50 de 102 milímetros montados em casamatas individuais pelo comprimento do casco. Elas ficavam muito próximas da linha de flutuação, deixando-as inutilizáveis em mares bravios. Também era armado com quatro canhões de 47 milímetros e duas metralhadoras. Seu cinturão principal de blindagem tinha 203 milímetros de espessura à meia-nau, mesma espessura das torres de artilharia. O convés tinha 38 milímetros, enquanto as laterais da torre de comando tinham 254 milímetros.
História Início de carreira thumb|240px|O rei Afonso XIII inspecionando a tripulação do navio em agosto de 1915 O batimento de quilha do Alfonso XIII ocorreu em 23 de fevereiro de 1910 nos estaleiros da Sociedad Española de Construcción Naval em Ferrol, com seu casco completo sendo lançado ao mar em 7 de maio de 1913. A equipagem foi atrasada pelo início da Primeira Guerra Mundial em julho de 1914, pois boa parte de seus equipamentos, incluindo seus canhões e sistemas de controle de disparo, seriam importados do Reino Unido de fabricantes que agora estavam ocupados com o esforço de guerra britânico. O Alfonso XIII foi finalizado em 16 de agosto de 1915, porém com um sistema de controle de disparo improvisado adquirido de países neutros. A Itália declarou sua neutralidade no início do conflito, sendo seguida pela Espanha, pois sua participação em arranjos pré-guerra com Reino Unido e França tinha sido predicada na necessidade de reforçar a Marinha Nacional Francesa contra uma combinação da Marinha Austro-Húngara e Marinha Real Italiana. O Alfonso XIII navegou para Santander com seu irmão ao entrar em serviço, onde encontrou com seu homônimo, o rei Afonso XIII, a bordo do iate Giralda. Os dois couraçados então participaram de exercícios de treinamento próximos da Galicia. A tripulação do Alfonso XIII ganhou a loteria de natal espanhola no final daquele ano.
A rotina da frota espanhola durante o período incluía exercícios de treinamento, frequentemente realizados próximos da Galicia, e revistas de frota em Santander durante as férias anuais de verão do rei no local. O ano de 1916 transcorreu sem incidentes até setembro, quando o Alfonso XIII juntou-se na busca ao contratorpedeiro Terror, que tinha encontrado tempestades no Golfo de Biscaia e danificado. O couraçado ajudou o rebocador Antelo em abril de 1917 depois deste ter encalhado próximo do Cabo Prior. O rebocador estava levando um carregamento de minas navais, que o Alfonso XIII embarcou para aliviar o peso do Antelo a fim deste ser libertado. Grupos socialistas e anarquistas dentro da Espanha estavam nessa época fazendo uma campanha por uma greve geral e revolução contra a monarquia, fazendo o governador militar de Bilbau pedir em agosto a presença do couraçado com o objetivo de restaurar a ordem. Uma equipe de desembarque do navio foi enviada para proteger uma ferrovia e várias minas. Um tripulante morreu e vários outros ficaram feridos em um confronto contra os revolucionários, com 22 rebeldes sendo presos e detidos a bordo. O navio novamente ajudou a subjugar grevistas no início de 1919 quando viajou para Barcelona para o comissionamento do submarino Narcíso Monturiol, chegando no meio da Greve da La Canadiense. O Alfonso XIII novamente enviou uma equipe de desembarque para proteger a companhia Barcelona Traction durante a greve que durou 44 dias.
A Armada Espanhola iniciou em 1920 uma série de cruzeiros internacionais que parcialmente tinham o objetivo de demonstrar seu poderio crescente. O Alfonso XIII foi enviado em uma viagem pelo Mar do Caribe e Estados Unidos, deixando Ferrol para Havana em Cuba, no caminho parando nas Ilhas Canárias em 22 de junho. Chegou em Havana em 9 de julho, encontrando uma recepção entusiástica completamente oposta à revolta cubana contra o domínio espanhol na década de 1890. O navio em seguida foi para Porto Rico, outra ex-colônia espanhola, onde também foi recepcionado de forma calorosa. Então visitou Annapolis nos Estados Unidos; o cruzador desprotegido USS Reina Mercedes, um antigo cruzador espanhol capturado durante a Guerra Hispano-Americana e comissionado na Marinha dos Estados Unidos, hasteou a Bandeira da Espanha em homenagem à visita. O Alfonso XIII terminou sua viagem com uma parada em Nova Iorque em meados de outubro, em seguida atravessando o Oceano Atlântico e chegando de volta na Espanha em novembro. Visitou Lisboa em Portugal em abril de 1921 para participar das cerimônias homenageando os soldados portugueses mortos na Primeira Guerra Mundial.
Guerra do Rife
O Alfonso XIII deu suporte de artilharia para o Exército de Terra Espanhol em suas campanhas no Marrocos durante a Guerra do Rife. O couraçado estava operando no litoral norte da Espanha quando o conflito começou em 21 de julho de 1921. Embarcou um carregamento completo de carvão no dia 22 e imediatamente partiu para dar suporte de artilharia para as forças espanholas no Marrocos. Chegou em Melilha em 10 de agosto e começou a bombardear posições rebeldes no dia seguinte. Uma equipe de desembarque foi enviada para reforçar os soldados na área. O Alfonso XIII e o España bombardearam posições rifenhas ao sul de Melilha em 17 de setembro enquanto tropas da Legião Espanhola atacavam por terra. O navio continuou a operar no litoral marroquino no decorrer de 1922, chegando a bombardear baterias de artilharia rifenhas que estavam sendo usadas para atacar navios mercantes. Estas baterias acertaram o couraçado várias vezes, mas ele não foi danificado seriamente e sua tripulação não sofreu baixas.
Participou em agosto de 1923 da primeira operação combinada na história militar espanhola que incluiu aeronaves, navios e tropas terrestres. A frota foi usada para dar apoio para um ataque anfíbio ao oeste de Melilha. O España encalhou no Cabo das Três Forcas em 23 de agosto. O Alfonso XIII embarcou tripulação, munição e outros suprimentos a fim de deixar seu irmão mais leve para que pudesse ser libertado. Os trabalhos para reflutuar o España continuaram pelo ano seguinte, mas terminaram em fracasso quando uma tempestade destruiu o navio em novembro de 1914. Tensões sobre os domínios coloniais europeus na África, atiçadas especialmente pelo ditador italiano Benito Mussolini sobre a suposta falta de recompensas pela participação da Itália na Primeira Guerra Mundial, levou a uma reaproximação ítalo-espanhola em 1923. A Espanha nesta época era governada pelo ditador Miguel Primo de Rivera, que no final do ano enviou à Itália uma frota composta pelo Alfonso XIII, seu irmão , o cruzador rápido Reina Victoria Eugenia, dois contratorpedeiros e quatro submarinos. Deixaram Valência em 16 de novembro e passaram por La Spezia e Nápoles, retornando para Barcelona no dia 30.
Os rebeldes rifenhos ampliaram a guerra até 1925 ao cercarem e tomarem várias posições francesas no vizinho Marrocos Francês. Espanha e França planejaram para o início de setembro um grande desembarque em Alhucemas com uma força de treze mil soldados, onze tanques e 160 aeronaves para atacar o principal território rebelde. A Armada Espanhola contribuiu com o Alfonso XIII, Jaime I, quatro cruzadores, o porta-hidroaviões Dédalo e várias outras embarcações menores, com o Alfonso XIII servindo de capitânia. A Marinha Nacional Francesa contribuiu com o couraçado , dois cruzadores e várias outras embarcações. As duas frotas proporcionaram suporte de artilharia quando as forças terrestres desembarcaram em 8 de setembro. O ataque anfíbio foi um sucesso, mas a guerra continuou por mais dois anos até os últimos rebeldes se renderem em 1927.
Descomissionamento thumb|esquerda|240px|O España c. 1932